Diário 12: 27/06 a 11/07 - Glacier NP e Hinton - Canadá

11/07/2017 17:25

27/06 - Um barulho nas rodas dianteiras... gastos á vista

Dia de partir de Bozeman, já me sentia um morador local. Passamos no posto e fizemos mais um dump completo. Passamos em frente a um dos galpões onde são fabricados os violões Gibson. Porém não é permitida a visita e não tem nenhum tipo de identificação. Tudo no maior segredo. Muito diferente da Fender em Corona que tem uma grande sala de visitantes e permite sim a visita além de você poder ficar o dia todo lá dentro testando guitarras e amplificadores de graça.

Chegamos a Ford Center e fomos atendidos pelo Jeff, um simpático senhor que nos mostrou varias campers e eu aproveitei para fazer vários vídeos para o canal da sério motor home nos EUA. Gostei muito da camper de fabricação canadense. Um show. Toda construída como material náutico, desde sua estrutura. O custo de uma nova é que não agradou muito. 45 mil dólares. O valor que vendemos nosso valente no Brasil. Mas com certeza se eu pudesse já estava eleita a nossa Camper.

Saímos dali e seguimos em direção a cidade de Helena.  Mais uma hora e meia e chegamos a um novo Walmart. A cidade não nos conquistou. A viajem até lá foi bem comum, retas longas e nada de muito interessante. Muito diferente do que vimos em Bozeman.  Mas nosso carro está fazendo um barulho nas rodas da frente além de eu perceber um desgaste desigual nos pneus frontais. Fomos procurar um local para fazer esse serviço.

No primeiro a atendente disse não fazer e nos indicou outro que também nos indicou outro. No terceiro eles disseram não terem mais horário para o dia e nos ofereceram o primeiro do dia seguinte às 8 h da manhã. Aceitamos e voltamos para o Walmart. De lá vimos um lindo pôr do sol mais incrível ainda do que o de Bozeman, que todos os dias era um show á parte. Nesse Walmart muitos RV estavam também para passar a noite. Inclusive um MH da Holanda que também estão indo para o Alaska.

 

28/06 – Um alinhamento que saiu caro

Acordamos as 7 h, e nem tomamos café, fomos direto para a oficina e tomamos café por lá, para não perder o horário.

Eles foram pontuais e as 8 h colocaram nosso carro na rampa. Em poucos minutos veio a facada. Ontem eles disseram que um alinhamento sairia por pelo menos 99,95 dólares. A Janeh já transformou isso em 350 reais rapidinho. Eu sei que é caro para nosso padrão, mas é um serviço que precisa ser feito. No Brasil custaria 100 reais pagando caro.

Porém quando ele colocou o carro na rampa descobriu mais coisas. E o orçamento foi para 410 dólares. Um terminal de direção destruído e mais o alinhamento.  O que fazer nessa hora? Não dá para transformar em real que a gente pira com o dólar a 3,50. Isso são 1300 reais, uma fortuna para nossa vida atual. Bem, precisa ser feito antes que a roda fique pelo caminho e o prejuízo seja maior.

Duas horas de espera, e aproveitamos para trabalhar é claro. Após duas horas e meia aproximadamente ele estava pronto.  Aí veio a hora de pagar e por alguma razão o serviço ficou em 319 dólares.  Quase 100 dólares a menos. Maravilha. Mas já percebi que os americanos fazem muito isso, dão um orçamento bem acima e depois pagamos menos e saímos com a sensação de felicidade imensa.  Foi assim quando consertamos o gerador também.

Embarcamos e partimos. Fiz o teste na rodovia e percebi que o carro ficou bem mais firme, mas pendendo a puxar para a direita. Achei um retorno e quando estávamos retornando percebi que não puxava mais.  Pode ser a pista contraria com uma queda maior e o vento também na hora que estava mais forte.  Paramos em um posto para abastecer e decidimos andar mais um pouco para se certificar.

Quando fui pagar o abastecimento fiz um procedimento errado na bomba e o sistema do Bankofamerica bloqueou meu cartão. Usamos o da Janeh. O bom é que o banco não bloqueia a conta e sim o cartão em questão. Avisamos o Marcelo na Florida - que tem nosso contato no banco e pedimos para ele desbloquear caso ele recebesse algum aviso do banco. Não deu outra, apesar do banco mandar um email para mim, mandou um SMS para o Marcelo. Ele desbloqueou para nós e ficou tudo certo.

Paramos em uma Rest Area para o almoço e descansar um pouco. Nosso destino hoje é Great Falls. Amanhã dia 29 vamos a loja Jo Ann onde temos a informação que tudo estará com 50% de desconto. Vamos comprar nossas espumas novas para nossos sofás no carro que estão bem ruins.

A viagem foi muito mais bonita de Helena para Great Falls, montanhas e o rio Missouri fazem um cenário únicos. Encontramos um posto Flying J porém aqui com o nome de Town Pump, eles são parceiros e aqui tem Pit lane para RV longe dos caminhões, Dump e agua Free, Wi fi  e gás propano que já queríamos completar. Decidimos ficar por aqui e trabalhar a tarde e dormir.

29/06 – Sofás novos com 70% de desconto!

A noite foi boa como sempre e nosso plano hoje era procurar a loja Jo Ann e comprar nossas espumas para trocar as do sofá do carro. Nosso GPS não localizou a loja, porém eu  localizei o Sam´s Club, que era um dos objetivos também para tentar trocar ou devolver meu computador que apresentou um problema na tecla do mouse pad. Como o Sam´s Club fica próximo a uma praça com muitas lojas, pensei que a Jo Ann Fabrics poderia estar por ali também. Porém não estava. Ligamos a internet e pelo Google localizamos o que queríamos. A loja estava a umas poucas milhas de onde estávamos.

Seguimos e acabamos tendo que cruzar parte do centro da cidade. Como ainda era bem cedo, cerca de 8:30 h, não tinha muito movimento e foi bem agradável passar por lá. Sempre evitamos o centro da cidade por causa do trânsito, vaga de estacionamento e o tamanho do nosso carro.

Localizamos a Jo Ann e aguardamos alguns minutos até sua abertura as 9h. Queríamos chegar cedo pois hoje começa o desconto de 50% em toda a loja. Seria muito frustrante chegar tarde e não conseguir a espuma na medida que precisávamos. E foi quase isso que aconteceu. Mostramos nossas espumas velhas e a atendente mostrou onde ficavam as novas e pediu para que trouxéssemos a quantidade que precisávamos que ela faria o corte. Porém quando chegamos na prateleira, nós fomos quase os primeiros a estar dentro da loja, ela estava vazia. Chamamos a funcionaria e bem no alto embaixo de outras peças ainda restava a última. Ufa, foi um alivio. Ela cortou os dois pedaços que levaríamos e fez o desconto. Porém a Janeh tinha entrado no site da loja e pego mais um cupom de desconto de 20%. Perguntamos se valia porque já estavam dando os 50% hoje. Ela disse que sim, sem problemas. Não acreditamos, um desconto de 70% do valor. Foi a melhor compra que fizemos. Descobrimos que outras lojas e redes do dia de hoje, 29/06 até o dia 04/07  - Dia da independência aqui nos EUA estão dando muitos descontos.

Saímos dali e voltamos ao Sam´s Club e fomos informados que a garantia para trocar ou devolver o computador na loja era de 3 meses e já se passaram 4. Porém temos uma garantia da HP de 1 ano, mas é preciso entrar em contato com eles e ver o que nos dizem. Como temos tempo e a região que estamos não tem assistência, vamos seguir assim e resolver depois.

Passamos no Walmart porque é o último nos EUA antes de entrarmos no Canadá. Já sabemos que as coisas lá são mais caras. O dólar canadense sai a R$2,50. Fizemos as compras e seguimos em direção ao Glacier National Park, a viagem hoje seria longa. Antes de pegarmos a estrada fizemos nosso almoço no estacionamento do Walmart para seguirmos já almoçados.

A previsão é de 5 horas de estrada, seguimos pela interestadual 15, uma reta sem fim novamente. Ventou muito de frente o que faz o carro sofrer um pouco e gastar mais também. Paciência.

Enfim entramos em uma região que é uma reserva indígena, já fora da I-15, e que vai direto ao Parque. Na estrada cruzando a cidade algumas adolescentes apontavam para um campo com cartazes dizendo, Free Food. Olhamos e vimos umas churrasqueiras, mesas, cadeiras e uma pequena fila se formando. Eram 16h e nesse momento um grupo de jovens de uma igreja estavam fazendo um movimento para atrair pessoas.

Bem, estávamos mesmo pensando em comer algo. Comida de graça, é melhor ainda. Paramos e entramos na fila. Logo vimos o tradicional hambúrguer e hot dog , acompanhava água, e um pedaço de melancia. Está ótimo para nós. Nos servimos, sentamos e comemos. O que nos chamou a atenção foi que 90% das pessoas que estavam na fila eram indígenas e pelo jeito bem pobres. Uma população considerável.

Conversamos um pouco com um dos jovens do movimento, que nos contou que eram de uma igreja no oeste de Montana e estavam há uma semana fazendo missões entre os índios. Aquele lanche era oferecido como uma oportunidade de compartilhar do amor de Deus com eles. E nós entramos de gaiato. Ainda ouvimos um dos habitantes da cidade, um índio nos falar severas vezes para não fazermos caminhadas sozinhos pelo Glacier National Park, para evitar ataques de ursos. Falou que já tivera 5 ataques este ano e que deveríamos cuidar. Terminamos nosso lanche, agradecemos, nos despedimos e seguimos.

Chegamos na entrada do parque as 18h e já encontramos o Visitor Center fechado. Pegamos algumas informações na portaria e descobrimos que as estradas para cruzar o parque estão abertas, porém não podemos cruzar com nosso carro que tem 27 pés (8 metros mais ou menos) e o máximo permitido são veículos de até 21 pés (6.30 metros). Como conhecer o parque agora?

Fomos informados que no sábado, dia 01/07 inicia o serviço de um ônibus grátis que faz a passagem de quase 80 km dentro no parque. Eis nossa solução. Teremos que esperar um dia em algum lugar. Perguntamos se poderíamos ficar em algum lugar no parque sem pagar, ou no estacionamento do Visitor Center. E a resposta foi negativa. Os campings dentro são todos pagos e estão cheios e no estacionamento não pode.

Saímos e fomos procurar um local free. Na beira da estrada existem muitas opções, e não tem placa dizendo que não pode. Então, se não tem placa, pode. Paramos em um local, mas ficamos muito expostos. Olhei e vi que atrás de onde estávamos passava uma pequena rua. Fiquei observando e nenhum carro estava transitando ali, então fui a pé dar uma volta e ver onde essa rua iria chegar. Caminhei por quase um km e vi muitos campos sem cerca ou delimitação. Voltei conversei com a Janeh e fomos procurar um local onde pudéssemos ficar. Achamos um gramado bem legal próximo ao lago e de frente para as montanhas. Estacionamos ali e passamos a noite.

 

30/06 -  Expectativas quanto ao Glacier National Park

Acordamos, depois de uma noite tranquila e silenciosa e fomos tirar nossas dúvidas no Visitor Center do Glacier National Park. Chegamos próximo das 9 h e já estava bem cheio. Confirmamos a informação do ônibus free amanhã a partir das 7 h da manhã. Vimos que os campings estão cheios e temos que arrumar um local para passar a segunda noite. Também precisamos lavar roupas, e trabalhar um pouco. Nosso carro pode andar no parque somente nas primeiras 6 milhas e depois não pode mais. Fomos as seis milhas e retornamos. O local parece ser realmente muito bonito.

Voltamos para o Visitor Center e assistimos um filme de 15 minutos e depois mais alguns em uma pequena tenda para saber mais sobre o local.

A história se repete sempre: o homem branco chega pensando que pode pagar por tudo que vê a sua frente. Oferece dinheiro para os índios pelas terras do parque, e estes com a ideia de melhorar de vida e ter um inverno menos sofrido e penoso aceitam. No início, em 1850 tanto americanos como canadenses descobriram a riqueza de outro e prata na região, além de peixes e animais em abundância. Pagaram US$1.500.000 dólares pelas terras. Depois de explorar e trazer muitos turistas para o local, aproximadamente 100 anos depois, alguém resolveu que era hora de preservar a natureza e transformou o local em parque. Dizem os índios que não viram a cor do dinheiro e muitos morreram porque trocaram sua forma natural de subsistência pela espera da ajuda que não veio. Um inverno rigoroso que eles não sabiam enfrentar em seu novo estilo de vida. Toda a região ao redor do parque são reservas indígenas, que hoje refletem pobreza e da perda de sua história e legado. Uma pena.

Todo o local já foi um grande Glaciar, por essa razão o nome. Porém esse glaciar foi derretendo e formando os dois grandes lagos de cor azul céu, águas límpidas e transparentes. Muitos ursos grizzy e black ainda habitam o parque assim com Sheep, elk, coiotes, leões da montanha entre outras espécies. Dizem que até 2020 ou no máximo até 2030 o Glacial terá desaparecido completamente.

O parque tem montanhas de picos de aproximadamente 3300 metros e lagos e florestas fantásticas. O homem está cuidando do parque, não explora mais retirando dele seu fruto como madeira e animais. Mas algumas gerações de nativos foram prejudicados e hoje vivem nas pequenas cidades vizinhas em situação que nos pareceu de pobreza.

Fomos até um KOA para usar a lavanderia e lavar roupas e voltamos ao local onde dormimos na noite passada.

Amanhã o plano e ir cedo ao Visitor Center e pegar o primeiro ônibus e passar o dia no parque. A noite dependendo do horário, voltamos a dormir no local que ficamos hoje ou seguimos rumo a fronteira com o Canadá. Decisão que fica para amanhã.

 

01/07 - Conhecendo o Glacier NP

Assim que o relógio despertou ás 6 da manhã pulamos da cama e nos aprontamos para ir direto ao Visitor Center do Glaciar NP pegar o primeiro ônibus. Logo que chegamos o ônibus já estava aguardando para sair. Faremos o passeio em três etapas. Primeiro da entrada Leste até o Logan Pass, onde tem a maior altitude e maior volume de neve, ou gelo, onde há um Visitor Center. Dali existe a possibilidade de várias caminhadas, e há diversas pelo caminho. A princípio nossa ideia é cruzar o parque e na volta escolher alguma caminhada. A segunda etapa é pegar um ônibus do Logan Pass até o Avalanche Point e depois do Avalanche point até a entrada Oeste do Parque.  Isso completa cerca de 100 km de ida e 100 km de volta, aproximadamente.

As paisagens ficavam mais bonitas a medida que avançávamos parque adentro. Fiquei curioso para saber a razão pela qual não permitem que RV com mais de 25 pés não tem permissão para andar pelo parque, porque o ônibus que nos levou era inclusive maior. Chegamos no Logan Pass e vimos que o estacionamento lá no topo é bem limitado, boa razão para que nosso RV não vá até lá. Demos uma olhada e aguardamos uns 15 minutos até a chegada do próximo que nos levaria até o próximo ponto. Apesar da altitude e de estarmos rodeados de gelo não estava frio. Muito agradável por sinal.

Chegou o segundo ônibus e era limitado a 13 passageiros em uma Sprinter. Partindo desse ponto alguns trechos diga-se que são bem estreitos. Melhor decisão foi deixar o MH onde ficou mesmo.

Uma decida bem forte com grandes penhascos e curvas quase como um grande cotovelo. Assim em cerca de uns 45 minutos chegamos no Avalanche Point. Ali no Avalanche esperaríamos mais 15 min. Até o próximo ônibus.

Vimos que duas trilhas partiam dali e não eram tão longas, cerca de 3 km ida e volta. Revolvemos encarar para chegar a um vale e ver mais um espetáculo da natureza. Estávamos destreinados e apesar de ser uma trilha leve a Janeh sentiu bastante falta de ar devido a altitude.  Chegamos a um vale com um lago, que protegido pelas montanhas não tem vento e acaba fazendo um lindo espelho d’agua das montanhas com um pouco de neve ainda. Ficamos ali por uns minutos, fizemos nosso primeiro lanche já era cerca de 11 horas e retornamos.  

No caminho passamos por uma floresta com o chão coberto de gelo, foi como cruzar a porta do guarda-roupas do filme Nárnia. Os pinheiros altos e o chão completamente branco faziam a paisagem ficar surreal.

Pegamos o próximo ônibus, para mais um trecho de 45 minutos. Desembarcamos em um ponto um pouco antes da entrada oeste, em um lago onde as pessoas alugam caiaques, pranchas para stand -up, bicicletas, ali também tem hospedagem, sorveteria, e um comércio. Demos uma volta compramos um sorvete e nos sentamos próximo ao lago e ficamos observando as pessoas nas mais diversas atividades. Um grupo de caiaque saindo, um de stand-up chegando. Outros relaxando na beira do lago, ou brincando com seu cachorro. Apesar de a água estar fria para nosso padrão, muita gente estava se banhando no lago pois o dia estava bem quente, acredito que passando dos 30 graus.

Dada nossa hora fomos para o ponto temos um horário para chegar no Logan Pass, o ultimo ônibus sai as 19hs e a ideia é pegar um antes dele para descer.

Com o calor e a alimentação só nas frutas e lanche eu (Toninho) senti uma leve dor de cabeça e dor na nuca. Um mal-estar com enjoo e entrar em um ônibus nesse estado para mim é somente para agravar os sintomas. Dito e feito, do ponto que embarcamos já pegamos o ônibus cheio e tivemos que ir de pé os 45 minutos. Quando desembarcamos no Avalanche Point eu já estava a ponto de chamar o Hugo, mas aguentei.

Quando chegou a van Sprinter que nos levaria para o Logan Pass eu pedi para ir na frente junto com a motorista, o que ajudou bastante a segurar a onda. No caminho pude observar a beleza do parque bem de frente e também vimos como o parque estava cheio. Era final de semana, férias de verão, alta temporada. E muita gente estava ali. Os estacionamentos lotados, e o pessoal começava a deixar os carros na beira da estrada em locais que além de perigosos eram proibidos. Nesse horário também é proibido o trafego de ciclistas, mas eles estavam ali firmes.

Chegamos ao Logan Pass e eu já estava um pouco melhor. Durante o tempo que aguardamos o bus para descer nosso último trecho eu fui melhorando.

Quando chegamos no nosso ponto final decidimos que arriscaríamos ficar ali no estacionamento do parque mesmo. Nós perguntamos se poderíamos dormir ali na noite anterior e fomos informados que não. Porém a entrada do parque após as 18h fica aberta e ninguém mais fica ali. Quem quiser pode entrar ou sair do parque sem pagar e sem falar com ninguém. Como iriamos apenas ficar quietos pensamos em arriscar. Estávamos famintos e a Janeh preparou um jantar. Comemos e tomamos um banho para repor as energias. Antes de dormir fomos até a entrada de um camping ali dentro do parque para fazer dump e encher o tanque de água.

Quando retornamos ao nosso local, vimos que outros três RV’s e mais alguns carros também estavam ali para pernoitar. Bem assim é melhor, não somos só nós.

Porém por volta da 1 hora da manhã a Jane me acordou dizendo que não sentia que estava fazendo a coisa certa, que tinha visto um cartaz dentro do Visitor Center que dizia que se pernoitar no pátio seriamos multados em 500 dólares. E com essa informação ela não conseguia dormir. Como eu queria dormir, liguei o carro e levei a casa de mudança para o local que já tínhamos dormido nas outras noites distante dali uns 3 km. Estacionei e fomos dormir.

 

02/07 – Welcome to Canadá

Após 5 meses nos EUA, precisamos deixar a fronteira e seguir adiante. Eu (Toninho) penso que o Canadá deve ser os EUA melhorado. Estávamos a 19 km apenas e rapidamente chegamos na fronteira.

Como de costume, vimos duas estações de imigração a nossa frente. Restava saber se aqui precisamos fazer processo de saída em uma e entrada em outra ou se os dois processos são feitos em apenas uma. Na dúvida, paramos na primeira e a Janeh foi perguntar. Como de costume, o agente encheu a Janeh de perguntas, quem éramos, de onde vínhamos, o que estávamos fazendo ali, por que estávamos ali,... para no final dizer que não é ali. E nos mandar para frente, na próxima estação. Bastava ele dizer "saída e entrada no border do Canadá". Mas, deixa para lá.

Seguimos e na fronteira com o Canadá, alguns metros à frente, nem descemos do carro. Tudo pela janela, "desligue o motor, passaportes, para onde vão, pretendem ficar quanto tempo, tem drogas, armas ou mais alguma coisa? Boa boa viagem”. Não revistaram nada, absolutamente. Três minutos e estávamos no Canadá. Ficamos um pouco apreensivos porque não deram nenhum documento do carro, nem pediram seguro, sim, olharam os documentos, mas devolveram sem nenhum processo a mais.

Paramos alguns metros à frente para fazer uma foto na placa de Alberta, o estado canadense que estávamos entrando. Ao nosso lado, mais dois motorhomes americanos também pararam e perguntaram se o pessoal da imigração fez algum registro do carro. Falamos que não e eles disseram que do deles também não, então seguimos certos que estava tudo bem.

A entrada no Canadá foi um tanto estranha. Eu não me sentia entrando no Canadá, tinha uma expectativa de encontrar algo melhor, rodovias melhores, tipo um EUA melhorado. E entramos por uma zona bem rural. Ou seja, parecia o interior de Santa Catariana. Nada de especial. Rodamos até a primeira pequena cidade e encontramos um centro de visitantes. Paramos, pegamos algumas informações e perguntamos qual a grande diferença com a qual deveríamos ficar atentos entre EUA e Canadá e ela destacou foi que no Canadá são litros e quilômetros e não mais galões e milhas e que poderíamos encontrar os dois idiomas francês e inglês, porém o inglês era comum.

Fizemos nosso almoço ali no estacionamento, atualizamos informações na internet e logo descobrimos que nosso telefone e internet da empresa At&t que compramos nos EUA não funcionava mais no Canadá. Isso que perguntamos quando fizemos a compra se funcionaria no Canadá e ele afirmou que sim, México, EUA e Canadá. E claro, fomos descobrir que não, quando chegamos no Canadá.

Seguimos em direção a cidade de Calgary, e pela estrada passamos por muitas propriedades agrícolas com lindos pastos com amarelos que não sabemos o que é. Uma pequena florzinha amarela cobria quilômetros ao lado da estrada.

Nosso combustível estava no final e localizamos um posto da rede Flying J que utilizamos muitos nos EUA, pensamos ser uma ótima opção não só para abastecer, mas também para dormir. Neste momento já vimos as diferenças aparecendo. As redes de postos aqui no Canadá não são nada parecidos com os dos EUA. Um posto bem pequeno, sujo, com terra e muito pó, a wifi não funciona direito e o processo nas bombas de gasolina são diferentes, na primeira tentativa bloqueou nossos cartões do banco americano. Enquanto eu conversava com a Janeh como iriamos resolver, um casal apareceu vindo do outro lado da bomba e perguntando se precisávamos de ajuda. Porém falando em português. Um sotaque meio estranho, mas deu para entender. Perguntei se eram brasileiros e falaram que não, eram canadenses, aprenderam a língua em Ontário, e moravam em Calgary. Ele acabou nos ajudando com o processo na bomba, que eu não entendi, mas conseguimos abastecer com outro cartão de credito. Agradecemos a ajuda e eles partiram.

Preferimos ir até Calgary e procuramos um dos 8 Walmarts da cidade. Chegando na cidade já ficamos assustados com a dimensão. Parecia que estávamos entrando em uma grande cidade em franco desenvolvimento. Muitos condomínios, gigantes, com muitas casas iguais quase que grudadas umas nas outras, lembrando bairros inteiros de Curitiba. Para nós que vínhamos há cinco meses nos EUA vendo loteamentos sem muro com casas longe uma das outras e grandes jardins, encontrar um lugar com uma casa grudada na outra deu vontade sair correndo. O trânsito muito mais parecido com outros países que já passamos, nada mais daquele povo cheio de regras onde quase todos respeitam tudo. Aqui o povo dirigi mais solto, meio Brasil. Ainda melhor e mais educado, mas muito mais solto, andam mais rápido, não param completamente nos stops, andam mais grudados, e são mais impacientes. Trocar de país é sempre uma troca de costumes. Tenho que me adaptar novamente. Mas faz parte do processo.

Encontramos o Walmart, e de cara já é diferente. O estacionamento menor, no estacionamento cheio de placas de proibido dormir no estacionamento. Não nos sentimos bem-vindos. Mesmo assim fomos ao supermercado pegar alguns suprimentos. De cara o preço mais caro, a wifi não funcionava, e o layout diferente. Estávamos acostumados que dos EUA você pode entrar em qualquer Walmart e as coisas basicamente estão no mesmo lugar, na mesma ordem. Não importa que estado você esteja, era como se estivesse no mesmo lugar. Isso pode parecer chato por um lado, mas muito fácil e prático por outro.

Olhamos pelo aplicativo que usamos do Walmart e descobrimos que das 8 lojas na cidade somente 2 permitem dormir no estacionamento. O acesso a essas duas não era fácil no meio do trânsito que teríamos que enfrentar. Descobrimos em outro aplicativo um posto Flying J. Dizia ser no mesmo padrão dos americanos. Resolvemos procurar esse e realmente pareceu muito semelhante.

Escolhemos um local e estacionamos. Um vizinho com um MH já veio falar conosco, seu nome, Mark. Muito simpático e falando já demonstrou e iríamos descobrir que essa é uma mudança básica dos EUA para o Canadá. Um povo mais leve e mais amistoso. Conversamos um pouco e ele disse que já estava ali há 4 dias. Depois de tantas coisas, fomos dormir.

 

03 e 04/07 – Um problema com o radiador

Conversando com o Mark pela manhã, eu vi que o carro dele estava ligado em uma tomada. Ele disse que pediu autorização no posto e se eu quisesse deveria pedir também. Fui até o caixa e o funcionário disse que sim prontamente. Retornei ao estacionamento e movi nosso carro para uma vaga próximo a uma tomada. Essa decisão me fez observar que nosso carro apresentava um pequeno vazamento de alguma coisa e descobri que não era óleo, e sim água do nosso radiador. Olhei por debaixo e vi que várias áreas estavam molhadas, e isso dificultava o diagnóstico de saber se o vazamento era do reservatório, de alguma mangueira ou do radiador. Tentei em vão descobrir o local. Conversei com o Mark e ele disse que eu não me preocupasse, que deveria estar muito cheio e quando eu dei marcha ré vazou um pouco. Mas sinceramente olhando o carro dele, e as condições que ele vivia ali, realmente achei que ele não mexeria se fosse no dele. Porém ele não está indo para ao Alaska e nós estamos. Isso não pode ficar assim.

Deixei o carro ali em observação durante o dia para ver se o vazamento continuava mesmo com o carro parado e desligado. Falei com várias pessoas nos grupos de WhatsApp e as opiniões foram muitas, veja a bomba disso, olhe o retentor daquilo, coloque farinha no radiador, coloque pimenta no radiador, coloca ovo no radiador, e a sopa já estava quase pronta com a receita. Nosso amigo Jocemar de Brusque deu sua opinião e falou para que eu olhasse se não tinha alguma braçadeira solta.

Para eu ter acesso as mangueiras e braçadeiras foi necessário desmontar o filtro de ar e mais algumas coisas que estava na frente. E, na mosca, descobri uma mangueira saindo do radiador quase saltando fora por causa de uma braçadeira frouxa. Recoloquei e apertei a braçadeira. Já dei um reaperto nas outras e pronto. Vazamento cessado.

Assim o dia ficou mais tranquilo. Mas valeu demais a receita da galera para fazer a sopa com a água do radiador.

Aproveitamos a internet do posto, ficamos ali mais uma noite e deixamos o trabalho em dia.

05/07 – Conhecer o Banff e o Jasper

Dia de partir em direção aos parques, Banff e Jasper pela frente. Antes, uma passada em um Walmart comprar alguns suprimentos, abastecer água, fazer dump, e abastecer o combustível.

Fomos no local do dump primeiro, e enquanto fazíamos o processo descobri que não tinha água disponível em local algum do posto. Eles estavam com algum problema e pediram desculpas. Precisamos achar água pelo caminho.

Fomos até um Walmart e compramos umas batatas e água. Achamos tudo muito caro, deixamos para comprar em outro local o que restava.

Achar a saída para a rodovia intercontinental que cruza o Canadá de Leste a Oeste e que nos levaria aos Parques Banff e Jasper foi uma tarefa não muito fácil.

A cidade de Calgary está em franco desenvolvimento, de casas, empresas, condomínios, estradas, pontes e muitas obras pela frente. Logo chegamos a um ponto com um grande congestionamento devido a obras. Lentamente e com muita paciência passamos o ponto. Mais alguns quilômetros um novo congestionamento. Após uns dois ou três pontos assim percebemos que todos estavam indo na mesma direção como se fossem sair de férias ou para o final de semana. Porém ainda era quarta feita e todos estavam saindo?

Paramos mais uma vez para abastecer porque não estávamos certos que teríamos muitos postos pela frente e em busca de água nos postos também.

Chegamos a um centro de visitantes próximo a entrada do Banff com água e dump grátis. Dump já tinha feito no posto, somente carreguei o tanque de água. Pegamos algumas informações, a fome já estava batendo e fizemos nosso almoço por ali no estacionamento.

Descobrimos que o movimento todo nas estradas era devido a um feriado que se aproximava e muitos estavam saindo de férias de verão e antecipando a saída de final de semana. Estava tudo uma loucura.

Saímos em direção ao Banff, não tínhamos muita informação, apenas que a rodovia passa por dentro de parte do parque e depois segue em direção a Vancouver. Nesse ponto teríamos que pegar a direita e seguir. Uma rodovia muito bem cuidada, uma highway com belíssimas paisagens de montanhas e alguns lagos nada muito incríveis perto do que já vimos, mas um local que, a cada quilometro, se tornava promissor.

Rodamos nesse dia cerca de 280 km e já estávamos preocupados com a questão de abastecimento.

Uma coisa é certa, desde que saímos dos EUA, ouvimos muito falar que temos que levar combustível extra, e até pneus extra. E como ouvimos muito isso, sendo inclusive comum vermos os norte-americanos carregando em cima do carro ou atrás galões e mais galões de combustível, pensamos que eles podem estar certos. Porém os viajantes que estão no grupo de WhatsApp dizem que não levam, ou se um ou outro leva nunca usou. Então achamos que é muito cultural isso.

Paramos em um estacionamento e perguntamos para um casal se eles sabiam sobre o próximo abastecimento. Eles falaram que mais uns 60 km dentro do parque tinha um posto, depois somente na cidade de Jasper, mas que era tranquilo e poderíamos ir sem problemas de abastecimento. Ficamos mais tranquilos.

O que nos tirou a paz algumas vezes foi a grande quantidade de chineses novamente em todos os principais locais. Porque eles não respeitam as leis e acabam não seguindo a regra de conduta de viajantes. Nos grandes parques, nas grandes atrações, o que vemos são ônibus e mais ônibus de chineses, que passam na frente, entram na sua foto, tiram foto e ficam parados no ponto olhando no celular, falam rápido e alto, estacionam em qualquer lugar, e por aí vai. Quase impossível tirar uma boa foto de um bom ângulo sem um monte de chineses junto.

Antes na entrada do famoso Lake Louise, porém, não pudemos entrar pois as placas na estrada indicavam estacionamentos lotados e pedidos para não seguir naquela direção.

Enfim chegamos ao Columbia Icefield, um complexo com Informações turísticas, hotel, restaurante, museu e loja de lembranças. Quando chegamos demos de cara com um grande glacial, o famoso Glacial Athabasca, que desde 1918 vem derretendo e até o ano de 2030 se acredita terá desaparecido completamente. Porém ainda existe uma grande área de gelo glacial para ver visto, caminhado e visitado.

Sem saber ao certo se poderíamos estacionar por ali e dormir, fomos até um local e vimos que dois MH já estavam ali. E a regra do viajante é, se não tem placa dizendo que não, e já tem um ou dois, ficam três. Se para um para outro.

Foi engraçado porque eu desci e fui falar com um viajante e ele me disse: "eu parei porque eles pararam, apontando para outro casal e se vocês ficam eu também fico, combinado?" Eu respondi "afirmativo" e ficamos, mais uns minutos um casal da Noruega parou ao nosso lado e vieram fazer a mesma pergunta.  E assim foi ficando mais um e mais um até quase encher o local.

 

06/07 Caminhada ao Glaciar Athabasca - Video no Canal 

Pela manhã fomos ao centro de visitantes para ver o que tínhamos realmente para fazer por ali, porque quando chegamos no dia anterior o centro de visitantes já estava fechado. Uma caminhada até os pés do Glacial Athabasca era o mais indicado. Eles têm ainda um pacote onde você vai de ônibus até bem próximo do Glacial e depois pega outro ônibus com rodas especiais para ir até o Glacial. Ou então caminhar em grupos com guias até o topo. Nesse pacote inclui ainda outros passeios de teleféricos entre outros. Muito caro para nosso bolso. Fomos a pé mesmo, foram cerca de 5 km de ida e volta na boa.

O Glacial tomava toda a área que agora é o complexo de visitantes, as estradas, e hoje você caminha 5 km da estrada para chegar nele. Vimos ainda um filme no museu onde mostra o avanço do degelo e a diferença na paisagem.  Ao mesmo tempo que interessante é triste. A medida que caminhamos, placas sinalizam os anos e onde o glacial chegava. E realmente a velocidade do degelo é assustadora.

Retornamos ao carro e fomos fazer o almoço. Descobrimos que ao lado do centro de visitantes tem um grande estacionamento que deveria ser pago, mas não vimos onde e como pagar. Resolvemos ir estacionar lá. Um grande número de MH já estavam por lá e nós achamos o nosso canto. Acreditamos que o movimento era tão grande que eles acabaram perdendo o controle ou liberaram o local para que todos pudessem estacionar. Ali dormimos.

 

07/07 Explorando o Jasper

Dia de seguir em frente, porque quanto mais próximo do final de semana, mais lotado ficavam as estradas e o parque. Apesar de seus quase 300 km de extensão, é muita gente visitando os principais pontos.

Logo na saída já paramos para fotografar e ver a primeira queda d’agua bem próximo da rodovia. Depois mais um belo local com montanhas nevadas. O dia estava ótimo, nem quente nem frio, céu azul e clima maravilhoso.

Descobrimos que os chineses não saem cedo, e isso ajudou muito. Passamos o dia visitando vários pontos dentro do Jasper NP. Já tínhamos ouvido falar que o Jasper e muito mais bonito que o Banff, de menor extensão e beleza natural muito mais intensa.

No caminho a cidade de Jasper temos duas opções de estrada, seguir pela que vínhamos com o movimento de todos e ou seguir por uma paralela um pouco mais isolada, a antiga estrada.

Nossa escolha foi certeira, pois por ser muito pouco utilizada a bicharada fica mais exposta. Passamos e bem no acostamento um urso negro fêmea com dois filhotes comiam tranquilamente. Paramos o carro e retornei para poder apreciar. A emoção tomou conta de nós dois. Bem pertinho a mamãe ursa e seus filhotes ali soltos na natureza. Filmamos e fotografamos à vontade até eles entrarem na mata.

Quando estávamos parados um carro que parou atrás de nós e não podia ver nada, esperou um pouco e depois avançou parando ao nosso lado. O Toninho abriu a Janela e com seu inglês limitado disse: “Wait there´s 3 beers here”. “Há 3 cervejas aqui”. E o casal olhou para ele com cara de não entendemos nada e perguntaram: “What?” Eu falei para o Toninho: `”Amor, é bear (urso), não beer (cerveja)!” Ele falou de novo: “Oh sorry, 3 bears”, e o casal disse: “oh ok!”. Deram a ré no carro e ficaram atrás de nós. Rimos muito depois da situação. A língua, sempre um desafio!

Seguimos viagem e chegamos a cidade de Jasper e logo na entrada da cidade tínhamos um ponto de dump e água free. Paramos, tomamos um bom banho e recarregamos o tanque e fizemos o dump. Alguns pontos do app Ioverlander nos indicava locais para dormir free.

Fomos até o primeiro e não sentimos segurança em ficar. Um carro do Guarda Parque estava estacionado e vimos placas pelo caminho dizendo que não era permitido dormir na região fora das áreas demarcadas.

Seguimos até outro ponto e dizia não permitir estacionamento após as 23 h até as 5 h da manhã. Porém seguindo o instinto, ficamos. Mesmo quebrando a regra, era um estacionamento no meio da floresta e longe de tudo. Resolvemos arriscar.

Estacionamos e decidimos fazer uma caminhada pelo local. O Maligne River passa ao lado, um lugar muito bonito. Identificamos que se tratava de um ponto final de uma trilha que descia a montanha. Então, algo bem curioso nos ocorreu. Quando estávamos lendo as placas informativas das trilhas, dois casais se aproximaram de nós pedindo ajuda pois estavam perdidos. Pensavam estar no estacionamento que deixaram seu carro e se deram conta que não estavam. Porém não faziam a mínima ideia de onde estava o carro e de onde eles estavam. Como nós estávamos olhando os mapas, vimos que montanha acima tinham dois estacionamentos e provavelmente o carro estava em um deles. Eles eram da Itália e somente uma pessoa falava um pouco de inglês. Já tinham uma certa idade e falaram que estavam caminhando por mais de duas horas. Me ofereci para leva-los até os outros estacionamentos com nosso MH para ver se localizávamos seu carro. Eles aceitaram pois, a noite já iniciava e se não fossemos nós eles teriam que entrar na trilha e tentar achar o caminho de volta. Não foi difícil ajuda-los, pois somente existia dois estacionamentos mais. Fomos até o primeiro e não era, e logo chegamos no segundo. Encontramos seu carro e todos ficaram muito gratos realmente.

Retornamos ao nosso ponto de partida e dormimos ali.

 

08/07 – Trilha do Maligne Canyon (Vídeo no canal)

Acordamos e fomos fazer nossa trilha no sentido inverso ao que os italianos fizeram ontem. As paisagens nos encantaram principalmente quando se chega mais próximo do Maligne Cânion onde o lugar dá nome a essa trilha. As aguas de agora no verão correm em meio ao cânion, no inverno ficam congeladas dando início a outro tipo de turismo onde se pode caminhar por sobre as aguas congeladas e visitar dentro do cânion.

No verão os canoístas aproveitam para se aventurar descendo as suas corredeiras. Passamos por diversos lugares e à medida que subíamos em direção ao centro de visitantes aumentava o número de turistas. E mais comum a grande parte de turistas irem direto ao centro e descer apenas alguns metros, poucos fazem a caminhada completa.

Chegando ao topo a Janeh já estava bem cansada e teríamos que retornar o que levamos cerca de duas horas e meia para subir, ela ficou ali e eu retornei. Pegaria o nosso MH e iria busca-la. Fizemos um jantar ali mesmo no estacionamento enquanto víamos todos os carros partirem. Pensamos inicialmente em dormir ali, já que não havia nenhuma placa proibitiva. Porém mais tarde fomos em direção a um ponto no Ioverlander que muitos viajantes ficam. Encontramos a 14 milhas da cidade, e já estava começando a escurecer e estava bem cheio. Achamos um local para nós e passamos a noite ali.

 

09 e 10/07 – Tchau Jasper e Oi Hinton!

Quando acordamos, ao contrário de quando chegamos, já não havia muitos MH estacionados. Seguimos em direção a cidade de Jasper para fazer uma trilha e depois dar uma volta pela cidade. O dia não estava muito bonito para fazer trilha, e como ontem fizemos uma longa, estávamos um pouco cansados ainda. Mas mesmo assim subimos até um local para ver uma montanha. Porem eram tantos os pernilongos no local que nem tirar fotos estávamos conseguindo. Desistimos e regressamos para o MH.

O plano B era buscar uma lavanderia para lavar roupas na cidade. Assim aproveitamos e já demos uma volta pela pequena e turística cidade de Jasper. Muito simpática, porém cheia de placas de “Proibido overnight or parking de RV” por todo lado. Encontramos um local apropriado e caminhamos até a lavanderia. Como toda boa Laundry tem Wi Fi, essa não foi diferente. Já levamos os computadores e aproveitamos para atualizar algumas coisas.

Vimos muitas famílias de outros países, famílias inteiras lavando roupa. Em especial uma nos chamou a atenção, alemães talvez, uma grande família. Um casal com 6 filhos, e todos estavam lá ajudando a lavar muita roupa. Ocuparam quase que metade da lavanderia. Entre outras pessoas, eles dominavam. Lavaram, secaram, separaram a roupa e se foram, os 8 de uma vez, a paz voltou a reinar na lavanderia.

Saímos e após levar as roupas para o nosso carro, fizemos um almoço e saímos dar uma volta pela cidade. Tudo muito, muito caro. Olhamos algumas lojas e promoções, não compramos nada, pois promoção em cidade turística nunca é promoção.

Pegamos o carro e partimos para aproveitar o dia. Ao contrário de quando o dia amanheceu chuvoso e nublado, ele mudou. Antes de partir ainda fizemos mais um dump e pegamos agua free em um ponto próximo a entrada do parque. Seguimos em direção a cidade de Hinton. Fomos até o centro de visitantes para dar uma atualizada na internet e notícias para amigos e familiares. Pegamos mais algumas informações e fomos abastecer. No Ioverlander um ponto nos chamou a atenção pela recepção de um supermercado Freson Bros que tem no estacionamento uma grande placa dizendo, “Welcome overnight”. Além da wifi pegar no estacionamento, com uma placa de bem-vindo não tem como não ficar. Fomos conhecer o supermercado Freson Bros e já pegamos alguns itens que estavam faltando na dispensa. Dormimos por ali mesmo.

Decidimos ficar e atualizar os dias que ficamos sem internet e trabalhar um pouco. Dessa forma acabamos ficando o dia todo e dormimos mais uma noite no supermercado.

 

11/07 – Uma parada em Grand Praire

Partimos definitivamente agora em direção a Alaska Highway e com o desejo de chegar no Alaska mais vivo do que nunca. Até então nos sentíamos no Canada, porém o que queríamos ver no Canada era mesmo o Banff e o Jasper, que acabamos passando rápido e quem sabe um dia retornaremos com mais calma.

Sair da rodovia que leva a cidade de Edmonton e ver a placa indicando a direção da Alaska Highway deu um frio na barriga. A expectativa e sensação de ansiedade pelo que vamos encontrar é grande.

Ainda temos muitas milhas pela frente e nosso destino é a cidade de Grand Prairie.

Chegando a cidade vimos um parque O’Brien Prov. Park, um local teoricamente para passar o dia. Boa estrutura, com local para fogueira, lenha a vontade grátis, banheiros, amplo estacionamento e lindos jardins próximo ao rio. A placa era clara dizendo que o parque fechava as 22hs e abria as 8hs. Mesmo assim, decidimos tentar e ficar, se alguém viesse para fechar pediríamos autorização, se não dessem sairíamos. As 21:50 um guarda parque veio nos visitar. Perguntamos se poderíamos fazer nosso overnight ali. Ele foi muito simpático e disse que não porque realmente ele fecha os portões e se alguma pessoa ficar lá dentro e precisar sair em uma emergência não tem ninguém para abrir. Então nos sugeriu ir a outro local ali perto, próximo a uma ponte e próximo ao mesmo rio que passa no parque. Aceitamos e fomos até o local para dormir.