Diário da Nicarágua (06/09 a 11/09/2014)

09/09/2014 04:24

Trajeto: Peñas Blancas - San Juan del Sur - Majagual - Granada - Laguna de Apoyo - Mirante Catarina - Masaya - Estelí - El Espino.

 

Dia 06 (San Juan del Sur - Majagua)

Leia mais em Diário da Costa Rica.

...Depois passamos para o lado da Nicarágua e novamente muita gente querendo ajudar. Desta vez fizemos sozinhos os trâmites. Cerca de 1:30, foi o tempo gasto entre entrada e saída das duas fronteiras. Despesas gerais de taxas de entrada e saída nestas duas fronteiras foram U$ 68 dólares. A mais cara até agora.

Digamos que, de cara, as estradas da Nicarágua nos conquistaram. Muito melhor que da Costa Rica, apesar de continuarmos pela Panamericana. A nossa direita logo avistamos o gigante lago da Nicarágua e ao seu meio uma ilha com dois Vulcões: o Concepcion e o Maderas. Pena que não conseguimos uma foto descente pois, apesar do tempo limpo, os dois cumes estavam cobertos por nuvens.

Logo a frente nos deparamos com o campo de energia eólica,  lindo e imponente como todos que vimos pela viagem. Sempre impressiona o tamanho das torres e suas hélices.

Chegamos a entrada de San Juan del Sur, e são 18 km da principal até uma pequena mas agitada cidade com muito estrangeiro e gente jovem nas ruas, lojinhas de artesanato por todo lado e restaurantes. Pesar de termos comida, resolvemos comer um pescado. Começou a romaria nos restaurantes procurando por melhor preço e digamos que pagamos a metade do valor do primeiro restaurante!

Comemos um delicioso almoço e fomos ver uns artesanatos e depois um  pois o calor estava forte, 32 graus na sombra. Fomos procurar nossa bandeira da Nicarágua para o Valente, o que não foi difícil de achar.

Supermercado comprar água e frutas e seguimos em busca do Camping Matildas, uma referência nos blogs de viajantes. Pegamos uma linda estrada de pedra com umas propriedades bacanas que nos encantou porém durou 2 km e virou uma estrada de chão esburacada. O GPS marcava 6 km e eu pensei "vamos ver onde vai". A estrada piorando, os buracos aumentando e a mata cada vez mais fechada e baixa, mas nós somos teimosos e seguimos. A Jane sempre se apavorapois ela acha que as árvores são baixas demais e os buracos crateras vulcânicas com areia movediça, mas devagar e com cuidado a gente passa mesmo com um 4x2. Depois de um cruzamento que nos indicava a chegada o GPS nos marcou mais 4,5 km naquela estradinha na qual só tinha 4x4 passando, mas nós fomos adiante. Finalmente chegamos ao Matildas, que fica na praia Majagua. O camping não oferece nada, somente um estacionamento ducha fria e wc. Não tem energia e nem água para o carro. Por U$ 10 dólares. Pensamos que pagamos esse valor no último camping a 150 km atrás com tudo e até piscina! Para voltar estava tarde e quente, e aquela estrada de matar.

Olhamos a praia e tentamos argumentar com a proprietária sobre nossa necessidade de energia, por somente uma tarde e uma  noite. E eu não entendo, ela disse que a energia está subindo todo mês e está muito cara, e mesmo que eu pague ela disse que não faria. Disse para ir no camping ao lado falar com a irmã. Enquanto a Jane aguardava no carro eu fui falar com a Sra. Cris, e ela veio com a mesma história. Eu disse que pagava pela energia, então ela pediu 25 dólares, e eu disse que dava 20, fechamos assim. Estacionamos e fomos dar um mergulho.

Conversei com o Oscar e a Blanca que são da Espanha e estão vivendo em uma camionete Ford Ranger com uma camper velha comprada nos EUA. Pásmem mas ele pagou U$ 400 dólares pela camper e U$ 5000 dólares na caminhonete; gastou mais 700 dólares para ajeitar tudo e só!  Registrou na Califórnia e vem vivendo pela Califórnia, México e países da América Central. Nos deu umas dicas e conversamos sobre a vida e as estradas.

A noite veio e um visual fantástico com o por do sol e um espelho d'água que não tínhamos visto ainda na areia, fez compensar a estrada até ali e nos deixou menos indignados com o valor pago.

Como consequência tiramos muitas fotos e decidimos ficar uma noite mais nesta praia para poder compensar o caminho que são 12 km sofridos com nosso carro 2x4 para chegar.

A noite ficou um pouco mais fresco e pudemos dormir tranquilos.

 

Dia 07 (praia Ocotal)

Acordamos com os macacos berrando logo cedo, além de outros pássaros barulhentos. Fomos a praia Ocotal, ao lado da nossa, caminhando e voltamos ao camping onde conhecemos um casal de alemãos que estão há um ano vivendo em uma Sprinter Mercedes Bens desde a Alemanha. Já foram ao Ushuaia e estão subindo ao Alaska. O carro tem calefação e está todo preparado para o frio. Santa inveja a nossa!

Tem coisas que são complicadas de entender. Acordamos sem energia, pois não tinha energia no camping. Logo as 10:30 h garota do camping veio disser que o checkout é as 10:00h, e se nós vamos ficar temos que pagar novamente. Pagamos porém questionamos que não temos energia e ontem entramos as 14:30 h, e que deveríamos ter um desconto pois não temos energia e estamos pagando por ela. A resposta foi clara: isso não é problema nosso, foi a cia de energia que cortou a luz! Nós pensamos que se o camping não vai pagar pelo tempo que está sem energia, eu também não tenho que pagar, mas na cabeça das nicaragüenses não: eu tenho que pagar sim.!?!?

Voltando ao carro, encontrei um pessoal da Austrália e Nova Iorque, loucos do surf tocando um violão com um ukulele, e então me aproximei com meu violão e fizemos um som legal. Marcamos de voltar a noite.

Eu e a Jane fomos conversar mais com o Werner e a Cordula, da Alemanha sobre o seu carro e ele veio conhecer o nosso. Trocamos umas idéias legais! O Werner construiu o dele e ficou impressionado com a beleza e riqueza de detalhes em madeira no interior do nosso.

Combinamos com o Werner e Córdula de sairmos juntos para a cidade de Granada no dia seguinte!

Depois disso a Jane fez um lanche, descansamos fomos a praia e curtir o lugar. No final da tarde fomos novamente tirar fotos e ver o por do sol na outra praia ao lado chamada Marsella, e a chegada da lua cheia.

Voltamos ao camping, a Jane preparou uma massa especial com molho carbonara e ovos. Ela está ficando a cada dia melhor nisso!

A galera do surf já estava reunida com seus cigarros doidos e um wisky básico fazendo um som. Peguei meu violão e fui lá, não fumei nem bebi, só curti com o violão, quando os caras já estavam bem lentos, eu vazei. Mais tarde vieram falar que tinham tartarugas na praia. Fomos correndo ver, mas infelizmente conhecemos a triste realidade dos filhotes de tartarugas marinhas. Umas dezenas de filhotes mortos que se queimam com o calor da areia e algumas poucas que estão fracas. Então a galera junta, com lanternas, pegando as vivas em bacias e colocando no mar. Foi mágico! Depois disso fomos dormir.

 

Dia 08 (Granada - Laguna de Apoyo)

Acordamos cedo com o barulho desta vez de uma serra elétrica da obra ao lado. Meditamos no salmo 27 ainda na cama e levantamos para ajeitar nosso carro, granola com frutas e leite e estávamos prontos!

O Werner nem sinal de sair do carro. Eu acordei meio triste com minhas crises de saudade, um medo de seguir por não ter muita informação do roteiro que pretendemos fazer, pois todos os viajantes ficam mais tempo e fazem outro roteiro.

Nós queremos ir mais rápido aos EUA para não pegar muito o inverno e para isso queremos ainda ir a Belize e  Cancun. Dizem que Honduras anda muito perigoso e a Guatemala também o que me deixa temeroso.

Tenho orado a Deus sobre isso, e hoje novamente fiquei caminhando pelo camping e apresentei a Deus meus medos, temores e inseguranças. Chorei em sua presença e o Espírito Santo me fez lembrar de tantas vezes que Deus tem se manifestado e guardado nossas vidas. Tive um tempo de adoração e quebrantamento em meu coração, colocando mais uma vez Deus em primeiro lugar em nossa viagem e em todas nossas atitudes e decisões.

Neste tempo avistei que o Werner estava de pé caminhando de cueca, kkkk (ele faz isso diariamente bem tranquilamente com seus sessenta e tantos ano). Fui até lá dar bom dia, combinamos que eu iria sair antes pois queríamos passar nos centro de San Juan del Sur e ir no supermercado, e nos encontraríamos no centro de Granada.

Pé na estrada e, após o supermercado, logo estávamos na pequena cidade de São Jorge, pois daqui saí um ferry para a ilha de Ometepe com os vulcões Maderas e Concepcion que continuavam fechados pelas nuvens!

Um vento forte no lago fazia muitas ondas. A travessia leva 1 hora e custa U$ 25 dólares por pessoa ida e volta. Como não me gusta muito barco balançando com vento, e o dia estava fechado, não fomos. Tiramos umas fotos e seguimos rumo a Granada.

80 km nos levou ao nosso destino e as coordenadas que o Werner nos deu estavam com uma configuração diferente, o que nos levou ao lugar errado. Corrigido isso, entramos na cidade história de Granada, ruas estreitas, cheias de tuk tuks e em poucos metros a Jane já disse: deu, já vi tudo que precisava! Mas como eu sei que ela se apavora nestas cidades assim, eu já contornei e fomos ao ponto que ela tinha no corpo de Bombeiros para estacionar e passar a noite. Logo achamos o local que por  U$10 dólares oferece segurança, água e estacionamento fechado.

Como marcamos no centro com o Werner ás 13 h, resolvi decidir depois. Paramos o carro três quadras do centro e fomos andando ao local combinado. Como era cedo e a fome estava apertando, decidimos almoçar em um restaurante. Depois disso, fomos novamente ao ponto de encontro e já avistamos nossos amigos.

A cidade estava muito quente e decidimos que iríamos buscar o hotel que recebe RV's na Laguna de Apoyo.

Na Nicaragua existem 11 lagunas cratéricas e está é a mais bonita com 20 km quadrados de extensão e com as águas mais limpas e cristalinas. Ali vivem espécies únicas de peixes do mundo todo. Com uma profundidade de aproximadamente  aproximadamente 240 metros, até onde conseguiram chegar com uma sonda.

O Werner disse que iriam sair mais cedo para buscar o lugar, e nós decidimos que iríamos andar pelo centro e tirar umas fotos. Fomos andar e conhecer um pouco o centro histórico. Fotos e mais fotos, vai pra cá e pra lá. Uma infinidade de gente querendo vender de tudo para nós, passeios e tudo o mais.

Vimos uma mulher vendendo algo parecido com um arroz doce que nos chamou a atenção. Compramos um e estava delicioso! Alguns lugares que iríamos visitar fecharam ás 16 h o que reduziu nosso passeio.

Voltamos ao carro e fomos abastecer e buscar nossos amigos no nosso ponto de encontro na Laguna de Apoyo. No caminho a uns 5 km do local, uma forte subida para a cratera do vulcão, vimos duas jovens com suas mochilas enormes nas costas, pedindo carona. Não damos caronas pois nosso carro não tem banco e por segurança passamos direto, mas eu pensei que elas deveria estar indo para o mesmo lugar. Perguntei a Jane se ela estava de acordo e parei o carro na subida. Logo as duas jovens nos alcançaram e pediram carona. Karla e Paula, duas jovens de 22 anos que estão de férias pela América central, estão a dois meses viajando de mochila. Levamos as duas conosco até a Laguna.

Saímos então em busca de nossos amigos e logo encontramos os dois retornando pois não havia dado certo o lugar. Porém, em um Parqueo em frente ao Hostal Monkey, nos foi permitido ficar com direito a passagem para banho na laguna na cratera do vulcão.

Já estava anoitecendo e lá fomos nós quatro tomar banho na laguna. Agora nós já dormimos na cratera de um com nosso carro e já nadamos em outra! Viemos ao carro e após um banho refrescante na cratera nos ajeitamos para dormir.

O lugar é silencioso e fresco a não ser pelo som dos animais silvestres da região do parque. Uma delícia!

 

Dia 09

Acordamos cedo,  como de costume e tivemos nosso tempo com Deus. Depois do café fomos nos banhar na laguna. A Jane que já tinha acordado as 5:30 h para ver o nascer do sol, pegou o snorkel para usar e gravar com nossa GoPro. Eu fiquei por ali também. Passamos o dia entre conversas com o Werner e a Córdula, nadar e descansar.

A noite pedimos uma pizza que estava deliciosa e barata. Mais tarde, caiu uma boa chuva para refrescar! Decidimos que sairíamos cedo para ir ao Mirante Catarina e ao PN Vulcão Masaya. Nos despedimos do Werner e da Cordula e fomos dormir.

 

Dia 10 (Mirante Catarina - Masaya)

Levantamos as 7 h aproximadamente e decidimos tomar café depois. Fomos logo ao mirante Catarina, mas o tempo estava bem fechado, consequência ainda da chuva da noite anterior. Mas mesmo assim, a cidade de Catarina e pequena mas bem acolhedora e o visual da Laguna de Apoyo é lindo!

Conversei um bom tempo com um professor que estava no local e ele me perguntou o que estava achando da Nicarágua. Deu muitas informações sobre o local e falou que o governo está investindo no turismo na Nicarágua. Existe um projeto em conjunto com a união europeia e outros países do mundo para abrir um canal semelhante ao canal do Panamá que vai ligar o oceano atlântico e o pacífico através do lago Nicarágua. Um grande projeto!

Saímos de Catarina e vimos pelas ruas os trabalhos com a comunidade e os estudantes a respeito das festas pátrias que dizem respeito a independência. Interessante que eles comemoram por dias e não só por um dia! Isto é visto nas ruas de uma forma muito forte.

Fomos a Masaya, ingressamos no Parque, pagando U$3 cada e fomos direto ao mirante principal onde posíamos observar a cratera do vulcão em atividade. Alí só é permitido ficar por no máximo, cinco minutos, pois os gases tóxicos causam um mal estar.

Um guia veio nos oferecer para fazer um passeio pelos senderos mais altos, circundando as diversas crateras com cavalos. Negociamos o valor e fomos. A Jane nunca havia subido em um cavalo e foi divertido fazer isso juntos.

A região tem dois vulcões, o Nirindi e o Masaya(ativo), com mais de uma cratera, ativos ou não. Depois de um aula com um jovem guia de 21 anos, chamado Juan Carlos, fomos conhecer o Museu que também nos encantou.

Neste local a Jane escorregou em uma escada e caiu deixando umas marcas roxas. Aproveitamos também para encher nosso tanque de água e partimos em direção a fronteira.

Dirigimos cerca de 200 km e paramos em um supermercado na cidade de Estelí para comprar umas coisas básicas. Abastecemos o carro e fomos em busca de um ponto conhecido como Centro Turístico Mirador. Foi tranquilo encontrar. De Mirador não tem nada. Um bar dentro do terremo de uma propriedade, que permite estacionar o carro e dormir por U$10 dólares. Ficamos ali, comemos um petisco no restaurante e ficamos jogando sequence. Depois disso banho e cama.

 

Dia 11

Decidimos que este seria o dia de cruzar duas fronteiras: Nicarágua/Honduras e Honduras/El Salvador. Saímos cedo pois o dia ia ser longo, apesar da distância ser pouca:  350 km até nosso próximo ponto em El Salvador.

Em 40 minutos estávamos na fronteira. Vai para lá e para cá, foi rápida a saída...

Leia mais em  Diário de Honduras/El Salvador .