Diário de Belize (22/09 a 25/09/2014)

22/09/2014 02:27

Trajeto: Melchor de Mencos - Dangriga - Belize City - Hondo River - Chetumal/México

 

Dia 22 (Dangriga)

Leia mais em Diário da Guatemala.

... Chegamos a Fronteira de Belize na hora do almoço. Imagina o humor do povo. O cara da imigração começou a falar em inglês e a fazer mil perguntas. Respondemos tudo e ele muito contra gosto deu nossos vistos somente para 30 dias. Isso está mais que o suficiente, mas em todos os países nos deram 90. 

Depois fomos a aduana fazer os trâmites com o carro. Novamente só no inglês. Um mal humor agora de uma jovem. Quando eles viram que eu estou indo mal no inglês disseram para a Jane que se eu não sei inglês não posso ler as placas de trânsito, e sendo assim não posso dirigir em Belize. A Jane disse que eu posso sim ler as placas, mas que ela estaria junto para qualquer dúvida. Não se convenceram muito mas deram sequência. Depois pediram para traze o carro para a tradicional inspeção sanitária e de seguranca. Quando coloquei o carro havia duas filas. A policial me indicou a do lado direito. Quando abri o vidro ela pediu meu passaporte. Ei disse que estava na aduana, ela disse que queria meu passaporte, e então fiz menção de sair do carro, ela colocou a mão na porta e disse que não saísse, que queira ver meu passaporte. Foi quando gritei para a Jane, pois a mulher iria engrossar. Neste momento a Jane veio com a oficial da Aduana e a outra sossegou. 

Visto a segurança, o oficial da sanitária recolheu nossos ovos e tomates. Liberados seguimos em frente. Sai pensando que sempre quando saímos somos bem tratados e perguntam se gostamos do país, se fomos bem tratados e blá, blá, blá. Mas quando entramos somos tratados como bandidos guerrilheiros. Na próxima vez vou dizer o que penso sobre a entrada. Dirigindo na estrada descobrimos que ontem, dia 21, foi independência de Belize e hoje, segunda-feira dia 22, é feriado. Fico imaginando o mal humor do povo na fronteira de imigração e aduana. É feriado, meio dia eles trabalhando e nós viajando. Eles estavam  doidos de inveja, só pode!

Dirigindo percebemos uma forte influência norte americana nas propriedades e nas ruas. Placas todas em inglês, e carrões americanos. Noventa por cento da população é negra. Cade os branquelos? Eu me lembro de ter tido essa sensação quando fui a Salvador na Bahia a primeira vez. Só eu de branquelo! 

O Oscar, que conhecemos na Nicarágua já havia me dito que as estradas em Belize são ruins, e são mesmo: cheias de buracos, e  lombada não pintadas e nem sinalizadas. Mesmo dirigindo devagar e com cuidado pegamos umas três, e das grandes. Pedi a Jane para dobrar a atenção comigo e me ajudar. Paramos para comprar um frango assado na estrada e depois comemos em um posto. Abastecemos e seguimos em direção a Dangriga. Achamos o lugar com um pouco de dificuldade, as estradas não tem sinalização as ruas são cheias de grandes buracos e não tem nada na cidade. Mas um senhor nos auxiliou a encontrar o lugar. 

Chegando a Jungle Hut Hotel, fomos atendidos pelo German, um belizeno que fala inglês e maia. Fomos a dois supermercados, que são dominados no país pelos chineses, mas não tem frutas nem verduras, só muitos produtos americanos nas prateleiras, muito estranho. Não compramos nada e fomos para o carro. 

Ao menos a internet era boa para atualizar os dados. Fomos dar uma volta e encontramos o senhor que quando estávamos procurando o camping nos deu boas vindas. Conversamos um pouco e confirmamos nossa impressão de que eles tem um certo orgulho, como se não fossem da América Central! Ele nos disse que eles são ingleses, não norte americanos e nem colombianos. Que em Belize não tem cocaína, mas eles tem uma ótima marijuana. Segundo ele, aqui não tem BK nem MCDonald, nada de marca americana. Enfatizou que língua oficial é o inglês britânico e não espanhol, que eles não tem nada com a Espanha. Nos passando a impressão de um povo um pouco orgulhoso, como se não quisesse ser considerado país da América central! Ele falou ainda que o país vive do açúcar, laranja, pesca e do turismo!

Voltamos ao carro e conversamos com German que nos deu mais informações sobre o local. Depois comer, banho e cama.

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Dia 23 (Belize City)

Acordamos e decidimos ir a Belize city. Perguntamos ao German como era a estrada para Belize City, pois eu sabia que teria que voltar 60 km ou pegar uma via mais direta, porém acho que vi que não tinha pavimentação. Ele nos disse que não, talvez uns pequenos trechos não tinha pavimentação. E que levaríamos umas 3 h. Eu achei estranho, pois são apenas 70 km, mas vamos lá ver o que nos espera. 

Pegamos a estrada já no início sem pavimento e quando cruzamos com a primeira camionete perguntei se estava na estrada correta e fui informado que sim, era o mais curto e melhor caminho. Então tá, pensamos que estaríamos em um pequeno país moderno com rodovias em ótimo estado e caímos numa transamazônica não terminada com nome de Belize. Mas, fazer  o que? Ou é isso ou dar uma volta de 180 km. Vencemos o trecho em 2 h á 40 km/h e muito balanço, além do carro ficar vermelho de lama. Pra um 2x4 com 3500 quilos com pneu para asfalto no saímos bem.

Fomos até nosso primeiro ponto, próximo ao zoo de Belize. Reprovado. Uma fazendo repleta de pernilongos as 10 h da manhã? Então imagina a noite! Descartado. Fomos ao segundo ponto na Cucumber Beach Marine, a marina da cidade. Agora sim, água, chuveiro, luz, internet e até lavanderia, só comprar as fichas e lavar e secar a roupa uma maravilha! E  tudo isso por apenas 15 dólares belizenos, que são como U$ 7,00. 

Já tinha uma camper com um casal do Canadá, com três cachorros e agora nós.

Até lavar o carro aqui é permitido. Fui eu dar uma geral depois da experiência off road. A Jane foi lavar roupas. Trabalho de casa feito, banho e almoço no restaurante que ninguém é de ferro. Pedimos um pescado com seus acompanhamentos cada um. Foi nos servido um prato com salada, arroz e feijão,  tipo um pequeno carreteiro e uma posta de peixe. A fome da Jane era tanta que pensou que era pouco e no fim comeu metade, de tão grande que era a posta do peixe! Bom, pois sobrou para a janta. 

Voltamos ao carro e fomos achar um local para estacionar e ligar água e energia. Instalados, ficamos ali trabalhando no carro, vendo a paisagem, fazendo planos com os mapas e descansando. A noite voltamos ao restaurante,para tomar um refrigerante e conversar um pouco mais. Depois fomos para o carro e dormir. A chuva veio para refrescar e acabar com os pernilongos que já estavam quase levando o carro junto de tantos. Ligamos os dois aparelhos e ainda ficamos matando na mão. Foi uma guerra, mas vencemos. 

 

Dia 24

Durante a noite muita chuva e trovão fez com que a Jane não dormisse direito. Eu disse para ela relaxar que enquanto a gente dorme Deus joga boliches, não adiantou claro, ela ficou ligada. Eu dormi bem. 

Decidimos pela manhã procurar uma casa de câmbio ou ir ao aeroporto pois ainda temos um pouco de peso colombiano que ficou com a gente. Fomos ao aeroporto mas não conseguimos e fomos informados que não vamos conseguir trocar aqui. 

Então paramos em um supermercado para comprar algumas coisas, compramos um creme antiinflamatório para a Jane pois as mordidas de ontem dos mosquitos ficaram com uma forte inflamação. Depois fomos dar uma volta e conhecer o centro de Belize, fomos ao Museu conhecer um pouco mais. 

Voltamos a Marina, um pouco de internet e novamente ao nosso acampamento. Conhecemos os canadense do outro carro, o Mike e a Michelle, que na realidade ele é canadense e ela francesa. Conversamos e eles nos deram de presente um livro sobre o México que nossos amigos australianos Giles e Janet e os sul africanos James e Ingrit, nos disseram que deveríamos comprar, com todas as dicas sobre o México. Eles tinham dois e, como estamos indo ao México, nos presentearam com um. Esse casal vive no seu carro há mais de dois anos. Estavam recentemente vivendo na Guatemala e agora vão viver em Belize. Venderam sua casa quando se aposentaram, comprarm um barco e um camper com uma caminhonete e saíram para viver assim. Ainda trazem seus três cachorros juntos. Nos deram dicas e trocamos informações. 

A Jane fez Um arroz com feijão em lata e, com o peixe que sobrou do almoço de ontem, foi nossa já janta. Banho e cama depois de escrever o diário.

 

Dia 25 (Chetumal/México)

A noite novamente foi com muita chuva e vento, mas amanheceu tranquilo. Decidimos sair pra conhecer Corozal e talvez ficar mais uma noite e depois passar a fronteira para o México. Rodando pelas péssimas rodovias de Belize o GPS nos indicou um caminho a Corozal sem pavimentação. Parei na entrada e decidi não seguir. Decisão acertada pois era apenas um atalho para depois voltar a rodovia principal.

Iríamos visitar as ruínas de Atun-há, mas novamente, eram 14 milhas sem asfalto e muita chuva! Abortado a missão, paramos em um pequeno povoado e fizemos um café dentro do carro mesmo. De barriga cheia seguimos então direto para a fronteira. Seguimos e mais uma vez voamos alto em mais uma lombada das grandes sem sinalização e pintura, com chuva não vimos. Sem danos porém, mas com mais vontade de sair desta rodovia do que nunca!

Entramos em uma pequena cidade que identificamos ser Corozal. Ficamos pensando como viemos parar ali, se tem duas estradas e não saímos da principal. Entramos e fomos procurando placa para a fronteira Santa Helena. Que placa que nada... Imagina achar uma placa em Belize! Perguntamos a um cidadão que falou para seguir o carro dele, e ele nos levou novamente a estrada. Na fronteira, um lugar sujo de lama, por causa das chuvas, mas sem aquele monte de agentes querendo ajudar. Da mesma forma que fomos mal recebidos na aduana, foi com o mesmo descaso na saída. Seguimos pela zona franca mas nem saímos do carro, pois nada nos atraiu. Paramos para fazer as fotos proféticas nas placas de bem vindos e seguimos direto para a nova fronteira...

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