Diário de Honduras/El Salvador (11/09 a 13/09/2014)

11/09/2014 01:28

  

Trajeto: El Espino - Laguna de Alegria - Lago Coatepeque - Cerro Verde - Las Chimanas/Guatemala

Dia 11 (Honduras/ El Salvador - Laguna de Alegria)

Leia mais em Diário da Nicarágua.

Na entrada de Honduras tivemos que pagar U$ 40 dólares para fazer os trâmites. Só para passar no pais que em duas horas iríamos sair. Bem... Tudo certo, polícia, imigração, aduana, todo mundo ganhou o seu e vamos em frente.

Tínhamos um grande receio de cruzar Honduras pois havíamos ouvido falar sobre um país perigoso para o turismo e que só serve de passagem. Na metade do caminho passamos por uma barreira policial e fomos falar com o oficial. Pedimos água para o carro e fomos prontamente atendidos. Enchemos o tanque e conversamos comum oficial sobre a situação de Honduras.

Ele nos mostrou um país que se pode cruzar com segurança. Nos deu muita informação o que nos tranquilizou muito. Porém, como tínhamos definido nosso trajeto com coordenadas e teríamos que refazer, decidimos ir direto a fronteira de El Salvador que estava a 40 minutos.Uma Fronteira feia e suja, porém rápida e não precisamos pagar nada! 

Depois a fronteira de El Salvador. Essa deu trabalho! A moça da imigração estava encrencando com a foto de todo mundo. Como se cortar e pintar cabelo fosse um grande problema. Para uma garota ela disse que a foto do passaporte estava diferente pois ela estava de chapinha e com o cabelo pintado, Oi?!! Na minha foto ela disse que tinha sombra e não poderia ter, desconfiou que meu passaporte era falso e foi montado com outra foto. Mostra pra um, pra outro, fala com oficial até que alguém liberou, ufa! Finalmente, para a aduana. Outro trabalho! Duas horas depois tudo pronto.

Nesse momento encontramos uma Kangoo da Argentina com três caras de camiseta igual com o carro todo adesivado, indo para o Alaska. Eles são os " Los Náufragos " uns figurões, estão indo ao Alaska e disseram que vão largar o carro por lá e voltar de avião. Um deles tem um apartamento em Barra Velha em SC. Saíram de Buenos Aires há um mês e estão aqui em El Salvador. Caraca, um mês!!? Eu fiz em quatro meses e tem gente que  diz que vim muito rápido! Trocamos uma ideia e seguimos. Conversei um pouco com uns caminhoneiros que me deixaram mais tranquilo sobre cruzar El Salvador e a Guatemala. Nosso próximo ponto era na Laguna da Alegria. Saímos do nível do mar para 1300 m.s.n.m e chegamos a uma estrada de pedra, um tanto íngreme para nosso carro, mas decidimos ver onde ia dar. O lugar é uma cratera de vulcão extinto com uma lagoa verde.

Encontramos aqui o Rodrigo e a Claudia, um casal que vive em Berlin, uma cidade há 30 minutos de Alegria. Conversamos e eles falaram um pouco de El Salvador e nos deram muitas dicas o que nos deixou também mais seguros sobre El Salvador. São médicos e tem muita cultura. Nos falaram da situação do país, e sobre o seu povo com muita paixão! Nos despedimos agradecendo as informações!

Decidimos passar a noite ali na Laguna da Alegria. O lugar é silencioso e tranquilo e somente nós estamos aqui, além do segurança e uma família que está no meio da mata dormindo em redes de dormir! Crianças, idosos, jovens, casal, cachorro, todo mundo! Depois dizem que nós e que somos loucos!

A Jane preparou uma janta, arroz comprado ainda no Equador, feijão em lata, salada de tomate e alface e ovos fritos. Uma delícia. Depois disso, cama!

 

Dia12 (Ruta del Sol / Lago Coatepeque)

Neste dia acordamos na Laguna da Alegria, foi uma noite com temperaturas muito mais agradáveis do que vínhamos tendo, devido a altitude que estávamos. Choveu a noite, o que ajudou a refrescar também.

A Jane, pra variar, acordou a noite e não dormiu mais até a chuva passar. Diz ela que ficou orando porque estava ventando muito e estávamos dentro da área da lagoa. Acho que ela pensou que poderia encher e nós ficarmos boiando ali. (Rsrsrs)

Nesta área existe uma escola bem próxima e logo cedo ouvíamos as primeiras crianças chegando. Levantamos e fizemos nosso café fora do carro, depois fomos meditar á beira da lagoa, e eu também aproveitei para fazer uns vídeos com a GoPro e fotos.

O clima estava muito agradável, tudo estava perfeito, até umas canções do Jesus Adrian Romero estava tocando no pátio da escola, o que para nós teve um significado todo especial, por estarmos fazendo 4 meses que estamos na estrada.  A música dizia "não posso imaginar meus dias sem Ti, e nem os anos que virão, sem tua presença...). Porém,  como em El Salvador eles estão na semana de festas pátria (celebração da independência), as escolas estão ensaiando com suas bandas e fanfarras. Foi quando chegou o professor da fanfarra e começaram os ensaios. O clima desapareceu na hora. Uma lagoa linda na cratera de um vulcão,  com uma escola ensaiando a fanfarra. Decidimos ir embora. Saímos dali em direção a cidade de Alegria e depois a cidade de Berlin, que ficam bem próximas. Fomos até lá e o que encontramos pela estrada foram muitos trabalhadores homens e mulheres com seus facões cortando o mato pela estrada e ou cortando lenha, ou trabalhando nas diversas plantações de cfé que vimos pelo caminho. Chegando no centro da cidade de Berlin, mais fanfarras e muita gente simples, mas trabalhadora com seus facões na cintura.

Se você não está pronto para encontrar uma situação como essa, provavelmente sairia correndo pois no Brasil não estamos acostumados com gente andando na rua de fação na mão. Mas aqui é assim mesmo, é tradição. Decidimos então, conhecer o litoral e descemos a serra em direção a Costa de El Salvador. Com muita descida em muita curva, logo chegamos a Ruta del Sol, uma rodovia em ótimas condições duplicada e com seguranças e polícia fortemente armada por todo lado, além de barreiras do exército.

Esse foi outro ponto que nos chamou a atenção, pois fica a dúvida, eles estão ali pois o país é seguro ou o país é seguro porque eles estão ali? A reposta veio mais adiante quando conversamos com o proprietário de um restaurante que nos disse que o governo está devendo na questão de segurança e por isso todos contratam seguranças! E, por essa razão, nos postos de combustível ou qualquer estabelecimento comercial tem segurança armada. Eu penso que isso é bom para nós turistas, pois estamos também protegidos.

Nós chegamos a praia de Marcelino, e fomos dar um "oi" para o Pacífico. Logo vieram dois homens oferecendo seus manjares para o almoço. Pensamos, que o horário já estava avançado e decidimos comer um ceviche de camarão e pescado. Estava com bom preço e delicioso! Conversamos com o dono do restaurante e sua esposa, que nos deram muitas dicas, e a mais importante: que a fronteira que pretendíamos cruzar estava fechada para reformas, cremos que ganhamos um precioso tempo com isso.

Saímos em busca de um local para acampar, pois o relógio não para e não tínhamos uma referência por essa região. Na entrada da Ruta Del Sol, passamos por um parque aquático com uma área bem interessante e fomos até lá para tentar acampar, porém o local é lindo e com habitações para alugar, e não permitem RV's ou qualquer outro tipo de veículos para dormir. Tudo bem,  eu não insisto, quando a resposta é não, tudo bem, Deus tem sempre o melhor.

Saímos e fomos em direção ao aeroporto pois ainda temos dinheiro da Colômbia e precisamos trocar. Quando chegamos ao aeroporto, eu fiquei no carro e a Jane foi em busca de uma casa de câmbio, muito comum nos aeroportos internacionais, o que facilitaria nossa vida para não ter que ir ao centro de uma grande cidade. Fomos surpreendidos com o segurança na porta pedindo as passagens para a Jane.  Ela disse que só iria na casa de câmbio, e o segurança informou que só entra no aeroporto com passagens, ou seja, vai viajar entra, não vai, não entra. Ela perguntou como fazia para ir a casa de câmbio, ele falou que ali não tinha. Ela perguntou como as pessoas trocavam dinheiro ao chegar no país, ele disse que indo ao centro da cidade. Que absurdo! Pensamos nós. Mas tudo bem, vamos embora.

Saindo em direção a capital San Salvador, subida novamente a 2000 m.s.n.m, e tínhamos três coordenadas, duas no Lago Coapetepe e outra no Cerro Verde. A primeira estava mais  fácil e fomos direto. Fechado, a segunda.

Quando chegamos, depois de 6 km em uma estrada muito ruim há menos de 20 km por hora, por dez dólares, ofereciam somente um estacionamento bem inclinado sem infra-estrutura nenhuma, no pátio de um restaurante. Más, como estava ficando escuro, decidimos ficar ali mesmo. O lugar não me agradou, está em obras, sujo e desorganizado. Tive um trabalhão para colocar calços nas rodas para deixar o carro um pouco melhor no nível. Ao menos tinha internet boa. Fizemos um lanche e fomos dar um oi na internet. Depois, cama!

 

Dia13 (Cerro verde / Fronteira Guatemala)

Eu acordei bastante incomodado pois não gostei do lugar que dormimos. Me senti exposto e sozinho, apesar dos dez dólares que pagamos. Orei a Deus pedindo perdão por estar murmurando, pois Ele sempre tem nos dado o melhor e seguro lugar. Falei para a Jane logo ás 7 horas: - vamos embora deste lugar!

O lugar também é uma cratera de um vulcão extinto. Uma lagoa linda e imensa, mas o lugar está cheio de bares e restaurantes ao redor e píer de barcos, lanchas e jet sky, uma sujeira, infelizmente.

Decidimos ir conhecer o tal Cerro Verde, e sobe serra, chegamos a mais de 2000 m.s.n.m., novamente e fomos surpreendidos com um vento gelado no alto da montanha. Um lugar lindo com vista para dois vulcões, um parque maravilhoso para acampar... Pensei comigo, "Ah se eu soubesse! Dormimos naquele lugar horrível e este estava aqui há 30 mim de nós".

Ali se encontra um hotel que foi construída há uns 20 anos com vista para um dos vulcões em atividade. Porém, quando terminou a construção, o vulcão se extinguiu. Desde então, há 18 anos, o local ficou fechado e continua, sendo somente ruínas de um grande hotel. Mas o lugar ficou sendo uma ótimo opção para acampar.

Descemos, e fomos em direção a fronteira de El Salvador com Guatemala, que estava a somente 30 km. Chegamos rápido e fomos novamente surpreendidos com a fronteira fechada temporariamente devido as comemorações da independência. Fui até o guarda e disse que era estrangeiro e estava com um Motorhome e que precisava passar. Ele passou um rádio e disse que tinha um americano que precisava passar. Deram o ok e lá fomos nós!

A entrada para El Salvador foi a mais enrolada e, para sair, foi a mais perdida! Ninguém sabia o que fazer. Mas, mesmo com isso, foi rápida e nos liberaram...

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