Diário do México (25/09 a 05/10/2014)

25/09/2014 02:42

Trajeto: Fronteira - Calderitas - Laguna Bacalar - Tulum - Xpu-Há - Cancún - Isla Mujeres - Valladolid - Chizen Itza - Isla Aguada - Cerro Azul - Matamoros.

 

Dia 25 (Chetumal/Calderitas)

Leia mais em Diário de Belize.

Tínhamos muita informação de que o México tem muitos processos, um vai e vem, muitas taxas e impostos para pagar. Eu estava tranquilo, mas sei que a Jane estava apreensiva, até porque depois de 13 fronteiras, ou 25 entre entrada e saída, tínhamos combinado que nesta a Jane iria fazer os trâmites. Para nossa grata surpresa, o México tem uma ampla e organizada fronteira. Limpa, sinalizada, sem comércio em cima, sem agentes por todo o lado. Nada disso ali é permitido. Pessoas educadas e informando todo o processo que foi rápido, organizado e simples. Até para pagar as taxas pudemos utilizar o cartão. A única ressalva foi que somos sempre sorteados com alguém na fronteira que é novo ou estagiário e não sabe o que fazer com um carro estrangeiro e teve que pedir ajuda. Mas passado isso... 

A nossa frente uma linda rodovia duplicada, bem sinalizada e com trânsito educado. Maravilha, chegamos no céu novamente. Logo na entrada da cidade de Chetumal posto de gasolina, um ao lado do outro, centro de serviço e atendimento, um paraíso. Avistamos o primeiro Oxxo, um lugar para comer que muitos viajantes nos indicaram. Como já era meio dia paramos para comer algo. Depois seguimos em direção ao camping, e passando em uma empresa de Baterias para carro, parei e fiz um diagnóstico da nossa bateria da casa, que desde que saímos do Brasil vem apresentando problema. O rapaz disse que realmente temos que trocar, porém pedi a ele para colocar uma nova e fazer o teste com o carregador, pois temo que nosso problema está também ali. Confirmada a questão, a bateria nova não segura a carga e segue descarregando. Sendo assim somente quando chegarmos nos EUA para fazer esse reparo e aí sim bateria nova. Agradecemos e fomos adiante. 

Vimos uma farmácia e paramos para uma nova tentativa de comprar algo que trouxesse alívio a mim e a Jane com relação as picadas dos pernilongos de duas noites atrás. Compramos um novo produto e seguimos. Avistamos um Walmart e paramos para dar uma volta e comprar mantimentos. Que maravilha entrar em um Walmart depois de comprar só em pequenas vendas de chineses que não tem nada. Ali tem tudo! Compramos, pão, vinho, carne, frutas e verduras. Sacamos dinheiro e agora sim fomos em busca do Yax-Ha Resort. O nosso mapa não estava muito certo pois sempre é assim próximo as fronteiras. Mas conseguimos achar o lugar em um pequeno povoado próximo de Chetumal, chamado Calderitas, com ótima estrutura para RV, a frente de uma baia com águas verdes claras e razas, clima ótimo e tudo o que precisamos. 

Internet em dia, jantamos uma massa com vinho, tomamos banho e cama. Louvamos a Deus por mais uma fronteira, mais um país!  Resolvemos ficar uns dias por aqui para ver se para de chover!

 

Dia 26

A noite foi perfeita, lugar silencioso  e escuro. Acordamos e fomos tomar nosso café, a Jane saiu da cama um pouco mais cedo e foi dar uma volta no jardim. Depois fomos fazer diários e atualizações no site. A manhã foi de chove, esquenta, venta, chove, esquenta, e venta. Resolvemos comer no restaurante do camping e não cozinhar hoje. Comida mexicana, aí vamos nós. Um pouco de pimenta dosada para conhecer. O meu prato tudo certo, o peixe da Jane veio só com uma amostra de picante, mas para ela foi muito. 

Ficamos por ali durante o dia curtindo o lugar e atualizando tudo, resolvemos sair amanhã cedo. Curiosidade do dia: Uma Sprinter MB da Suíça com um casal muito reservado que mal davam bom dia. Pensei comigo, eu sempre vou lá dar uma de metido brasileiro e me apresento, desta vez vou ficar no meu canto para ver no que dá. Resultado não passou de "good morning. "

Já percebemos que os europeus são bem desligados em relação as roupas íntimas. Uns andam de cueca tranquilamente e desta vez foi a vez da calcinha. A mulher desde casal estava em cima do carro deles limpando de camiseta e calcinha!. Ele na parte de baixo alcançando água e ela lá bem tranquila. Coisas da estrada. Fizemos nossos planos para parti e fomos dormir.

 

Dia 27 (Laguna Bacalar / Tukum - Xpuhá)

Saímos cedo as 7:30 h, pois o sol estava alto e queríamos conhecer a tal Laguna Bakalar e ver outros lugares até chegar em nosso próximo ponto. Como era domingo não queríamos ser surpreendidos com muita gente chegando no camping para passar o final de semana ou o dia.

Logo nos primeiros kilometros ligamos o rádio e ouvimos no rádio que já eram 9:00 h e não 8:00 h como pensávamos. Ou seja, em México perdemos uma hora e ninguém avisou? Risos. Isso explica o sol tão alto.

Nosso primeiro ponto não deu muito certo a entrada pois o GPS passou o ponto e indicou entrar onde não havia entrada. Achamos uma mais adiante e fomos ao lugar para RV's porém era muito perto de onde estávamos. Teríamos que pagar mais uma noite para ficar em um belo lugar porém muito semelhante ao que já estávamos. Um lindo Cenote de lagoa, sem caverna com uma água cristalina e azul, lindo. Para entrar para tirar uma foto e ver a mulher me pediu $ 20 MXN. Ridículo, mas isso é bem pouco então paguei para fazer umas fotos. 

Fomos adiante, e dirigindo descobrimos que qualquer lugar no mar do Caribe na região do México é lindo e vale a pena. Fomos então á Zona Arqueologica de Tulun. Ali tínhamos um ponto para ficar porém não existia mais. Vimos um grande movimento de pessoas a frente e fomos ver o que era. Deixamos o carro em uma sombra e entramos. Uma linda zona arqueológica que pagamos para entrar. Ali fica uma antiga cidade Maia fortificada muito bem conservada e ótima para visitar. O horário e o dia estavam propícios para fotos. Para qualquer lugar que atirávamos tinha um lindo lugar e ótimas fotos. Logo na entrada da cidade, um forte, um guia oferecia seus serviços. $600MXN para o casal para que ele nos guiasse em meio as ruínas conhecendo sua história. Achamos demais e não aceitamos, mas como ele ficou insistindo eu já estava negociando por 200, risos, então chegou mais dois casais e entramos na negociação por $150 MXN por casal e ele já estava fechando quando chegou mais um o quarto, de Chicago, fechado ele agora tinha seus $600 MXN. Seguimos ouvindo suas histórias, sempre é melhor com um guia. 

Saímos dali e agora em frente, estrada e procurar um novo lugar. Achamos o camping Xpu- Ha. Uma estradinha sem-vergonha com umas grandes poças que emporcalhou o carro! Chegamos em um pequeno paraíso, desci e fui ver quem era o responsável. Perguntei para um, recebi a resposta, vai ali, depois do vai ali, no restaurenate, a resposta foi: não sei, vê ali no segundo piso da casa. No segundo piso um casal disse: não sei, vê lá na tenda. Na tenda a reposta foi: não sei moço. Como um lugar como esse está cheio de gente, hotel, restaurante, tenda de artesanatos, área de camping e RV's e ninguém sabe de nada? 

Voltei ao carro e disse a Jane, vamos para o próximo que aqui ninguém sabe de nada. Se eu voltar aqui acho que posso estacionar liga água e energia e ninguém vai perceber. Pegamos nossa próxima coordenada e seguimos pela Mex180 em direção a Cancun. Passamos já anoitecendo uns 10 km pelo hotel da rede Hard Rock Cafe, até pensamos em fazer uma extravagância, mas não, vamos nos manter assim. 

No próximo ponto uma portaria, coisa mais organizada porém nada de espetacular. Um guarda me orientou onde estacionar e foi me mostrar o lugar. Quando perguntei o valor quase cai para trás. U$ 47,50 dólares! Isso é o valor para quatro dias normalmente! Abortamos e resolvemos voltar no lugar do " não sei " , aquele há 10 km atrás. Bem, não deu outra, já escuro, o restaurante fechado, ninguém no pátio, escolhi um lugar, perto a outros RV's liguei energia e não funcionou. Fui então a um grande trailler e pedi ajuda. Fui atendido pelo Estevan, um pintor alemão super prestativo e gente boníssima, me ajudou com a tomada porque nem todas funcionam. Mostrou onde pegar água e pronto. Expliquei a ele que não tinha ninguém para dar informação. Ele disse que era assim mesmo, que eu me instalasse e amanhã resolveria.

Fomos dar uma volta na praia curtir a brisa e ver as estrelas. Ficamos ali um tempo conversando. Quando retornamos ao carro para tomar banho a Jane disse que a água era salgada. São águas de mananciais ali perto, e são contaminadas pelo mar. Ou seja, tem uma proporção de sal e de água doce. Beleza, faz parte, vamos tomar banho salgado e dormir meladinhos.

 

Dia 28 (Cancún)

Acordamos cedo e fomos dar um mergulho, a Jane usou o snorkel e ficamos ali curtindo. Resolvemos que seria só mais um dia de praia, de relaxar. E relaxamos tanto que ali, uma praia linda, de areia branquíssima, não tiramos uma foto sequer! 

Como o dia estava prometendo muito sol, resolvemos sair i ir para Cancun. Retornamos ao carro e conhecemos a Nicole, esposa do Estevan que nos ajudou na noite anterior. Ficaram impressionados com a placa de nosso carro, porque vivem na Alemanha e sabem de Blumenau no Brasil por causa da oktoberfest, pediu para tirar uma foto, claro que disse sim. Eles saíram da Alemanha, foram aos EUA compraram uma camionete e um grande Trailler e trouxeram para o México. Estão construindo uma estrutura para deixar o trailler e de tempos em tempos voltam a Alemanha para trabalhar. O Estevan tentou trabalhar aqui no México como pintor, mas ele guanha por dia o que pode ganhar por hora na Alemanha. Por isso volta de tempos em tempos. Muito falantes e querendo fazer amizade, porém temos que seguir. Foi ótimo conhecê-los. 

Se pagamos alguma coisa? Não! Não apareceu ninguém até a hora que saímos! Novamente na estrada em direção a Cancun. Chegamos logo e vimos a placa do aeroporto, e lembramos que ainda temos pesos colombianos. Fomos tentar trocar. Um grande aeroporto com muitos terminais, fomos ao número 2. Informados que somente no 3 tem casa de câmbio fora da área de embarque, lá fomos nós. O aeroporto estava lotado,! Uma multidão de turistas saindo e chegando, o que revela que Cancún é um destino tuirístico para qualquer época do ano! Depois de caminahr mais de 10 min. no sol até o prédio do outro terminal, finalmente conseguimos trocar nossos pesos colombianos por mexicanos. Nos pagaram muito mal, mas melhor assim do que perder tudo.

Agora em direção ao camping Trailer Park Mecoloco, não foi difícil achar, nos instalamos e tudo certo. O Calor estava forte e passamos muito calor a noite novamente.

 

Dia 29 (Isla Mujeres)

Resolvemos fazer o passeio a Isla Mujeres, já que não fomos a Cozumel, já que esta é mais perto e rápido. Pegamos um taxi em frente ao camping e fomos até a estação Ultramar, com seus ferries ultra rápidos e modernos. Nos lembrou muito os Buquebus de Buenos Aires, porém bem mais barato. 

Fomos no andar de cima vendo o lindo e cristalino mar do Caribe, que é uma experiência indescritível a cor dessas águas com seus corais e recifes. Um casal (Luiz e Cláudia) com voz e violão nos conduziamcom músicas populares, com o sol e o vento completando nosso trajeto. Chegamos rápido: 20 minutos. Desembarcamos e logo em frente varias locadoras de motos e carrinhos de golf. Em San Andrés já havíamos locado uma scooter, aqui os carrinhos eram quase o mesmo preço, então optamos por esse.

 Lá fomos nos, a velocidade de tartaruga. Fomos ao Discovery Dolphin para conhecer e nadar com golfinhos, leões marinhos e outros bichos. Não é barato, mas o pacote inclui acesso a todas as instalações do clube, comer em qualquer um dos três restaurantes, toalhas, comida e bebida, para o dia todo liberado, nadar com um grupo de até dez pessoas com dois golfinhos, direto no tanque no mar do Caribe, experiência única e espetacular. Emocionante fazer isso. RECOMENDO! Quem nunca fez isso, faça um dia. Não precisa ser no mar do Caribe. No Brasil há muitos lugares que  é possível. Para qualquer idade ou sexo, nadar com golfinhos é muito legal! 

Depois passamos o dia ainda no clube, até as 16:00 h (almoçamos, nos refrescamos com sucos e tomamos café. Depois saímos para dar a volta completa na ilha pois ás 17 h teríamos que entregar o carro. A ilha é linda, cheia de encantos e lugares maravilhosos! Curiosidade foi que quando saímos com o carro de golf, foi nos tirada uma foto, e quando devolvemos pedimos para o rapaz usar nossa máquina e fazer uma foto. Ele mostrou um impressa como recordação, e ficou bravo quando pedimos para fazer uma com nossa máquina. Ele muito a contra gosto fez de qualquer jeito e largou a máquina, e quando pedimos a outra pessoa para fazer a foto, foram rápidos em devolver meus documentos que estavam retidos, pegaram as chaves e quase nos expulsaram.

Fico pensando, que quando chegamos a ilha temos um tratamento de rei mas depois de pago e vencido o horário, te tratam como um cachorro de rua. Parabéns! Vou saber na próxima!  Resolvemos dar uma volta e pegar o ferrie das 18:30 h, pois assim pegariamos o por do sol no meio do trajeto. Foi muito bonito, mas muitas nuvens impediram de ser melhor! Chegando ao camping, o carro estava um semi forno, mas era isso mesmo, banho um lanche e cama.

 

Dia 30 (Valladolid - Chichén Itza - Isla Aguada)

Saímos em direção a cidade de Mérida e pegamos a via paga, pois dizem que a via livre tem muitos topes, ou lombadas, e realmente a via paga é bem paga. Duplicada, muito bem sinalizada e somente nós! Ninguém passa por ali, pois é muito cara, coisa de R$ 40,00 reais o pedágio, mas também foi um só. 

Lembramos que no Rio Grande do Sul, quando vamos de Blumenau a Porto Alegre tem muitos pedágios e no fim sai a mesma coisa. Mas foi difícil de engolir e pagar tudo de uma vez. Logo chegamos a cidade de Valladolid e fomos a praça central e histórica buscar informações turísticas sobre o local. Fomos atendidos por uma doce senhora que nos indicou alguns pontos e um Cenote em pleno centro, que não poderíamos perder, fomos até la, e já pedimos nosso desayuno mexicano.

Depois, descemos a caverna para conhecer o Cenote, com até oitenta metros de profundidade, com peixes e uma água transparente incrível. Uns turistas estavam se banhando. Deu vontade, mas não entramos. Como diz o velho Norberto Boddy, "sempre em frente".

Fomos ao Chichén Itzá ver as pirâmides Maias, considerado Patrimônio Cultural e a sétima maravilha do mundo moderno. Em pleno dia de semana, calor escaldante, sem ser período de férias,estava lotado de turistas da Europa e Brasil também. Realmente o conjunto arquitetônico com pirâmides e templos existentes no lugar e são de um tamanho impressionante! O templo dos guerreiros com suas pareces côncavas, que refletem o som até sete vezes, o templo das mil colunas, a Pirâmide de Kukulcán, são lindos!

O que nos chamou mais a atenção mais do que a beleza arqueológica do lugar, foi a grande quantidade de artesãos vendendo suas artesanias em pedra, cerâmica e madeira. As mais lindas que vimos até agora, por, á partir de $10,00 MXN e ou U$ 1,00 dólar apenas! Eles mesmos diziam que estava quase de graça. Dava dó, eram coisas lindíssimas, trabalhos artesanais, a um preço de atacado. Diziam eles que para gringo era mais caro, para Brasileiro mais barato. Local visto, colocamos novamente o pé na estrada.

Seguimos em direção a Campeche e o próximo parque, Uxmal. Erramos o caminho e passamos do ponto do parque uns 50 km, teríamos que voltar, mas decidimos seguir. Iríamos dormir no parque mas desistimos. Passamos a cidade de Campeche e ainda era cedo para parar, vamos então resolvemos tentar chegar a Isla Aguada, é uma puxada, mas deve ser mais fresco pensamos. Mais estrada e passando pelo Golfo do México, ficamos pensando e comentando que estávamos tão longe de casa e cruzando o Golfo do México com um lindo por do sol se precipitando a nossa frente! O marcador de diesel do Valente estava quase na reserva, a média estava baixa, pois com estradas tão boas, e ar condicionado ligado direto, a máxima é de 110 km/h, mas andei muito a 120Km/h, e isso fez com que a reserva chegasse logo. Quando avistamos Isla Aguada e o primeiro posto, pensamos rapidamente em abastecer. O tanque tem 100 litros mais a reserva, pois foram 100 litros. Bem na hora! Nunca colocamos tanto combustível!

Fomos ver o por do sol próximo a grande ponte de 3.220 metros de extensão, Puente de la Unidad. Lindo!

Depois, fomos para o Freedom Shores, RV Park da famosa dona Telma. Para passar a ponte, temos que pagar um pedágio e o GPS nos dizia para passar o pedágio e virar a esquerda. Eu desconfiei que estava errado, mas como não tinha ninguém na fila do pedágios resolvi me aproximar e perguntar. Tarde demais, o atendente emitiu o bilhete e depois respondeu, tem que dar a volta. Eu disse que iria retroceder, ele disse que eu teria que pagar, virar dentro do pátio e pagar de novo para sair. Insisti que não, ele ainda falou com seu supervisor e liberou a volta. Nesse momento lembrei do livro do Roy e da Michelle que ele conta que acho na França passou por uma situação dessa e o atendente saiu educadamente pedindo que os outros carros atrás dessem uma ré pois o brasileiro havia desistido de passar. Comigo não aconteceu assim, tive que pagar e depois voltar. Bem, resolvido, ou diria, pago, achamos o acesso para o Freedom Shores. Comentamos com a Dona Telma o ocorrido, e ela disse que é comum o GPS fazer isso. Coisas de GPS, pior que essa só em Cusco que o GPS te põe em uma rua estreitíssima em uma subida no centro histórico que dá em uma escadaria no final! Todo mundo cai nessa. Deveria colocar uma placa na entrada da rua com os disseres: "aqui não tem camping dê a volta na praça".

O Freedom Shores tem uma ótima estrutura para Motorhomes, rampa plana, água e energia e descarte de esgoto ao lado da rampa. De frente para a baía, com uma pequena praia particular com coqueiros. Lindo! Te convida a ficar muitos dias. Apesar de tudo isso, a noite foi quente ainda. Pensávamos em ficar mais uma noite, mas a internet não estava ajudando. Fomos dormir e decidir no dia seguinte.

 

Dia 01 (Catemaco)

Acordamos com um visual lindo, uma brisa deixava a manhã mais fresca. Tomamos nosso café e fomos tentar trabalhar um pouco no site, pois desde Belize não tinha uma internet descente. Porém, ali também também não funcionou. Falamos com a recepção que iniciou o moldem algumas vezes porém, não teve jeito. Sem internet não ficamos, pois ficaria mais um dia acumulado. Vamos em frente.

Nossa ideia era seguir até Córdoba ou Villa Hermosa, Mas Catemaco estava bem localizada com um camping próximo ao Lago e mais alto do que a Costa, o que nos indica, clima mais fresco. Foi uma correria, pois passar por Villa Hermosa foi um stress, tempo quente, trânsito pesado, cidade grande, cansou, mas passamos. Paramos logo adiante em um Oxxo, depois de 4 horas dirigindo sem render muito devido ao trânsito das cidades. Descanso, um lanche, café e pé na estrada. Rodovia paga, rodovia livre! Na entrada de Catemaco erramos e o GPS se perdeu. A Jane com os mapas e o IPad deu jeito e nos colocou na 180Mex novamente. Estradinha cheia de topes, a cada cinco metros tem um. Os caras fazer quase um meio fio atravessando a rua. Uma coisa que beira o ridículo. Dentro da cidade, eles atravessam uma barra de aço, e depois cobrem com asfalto ou concreto. Não tem outro caminho para Catemaco, então vai esse mesmo. Depois o trecho fica melhor. Em um pequeno povoado nos aconteceu a primeira parada ridícula. Já passamos por muitos pontos de controle da polícia federal ou local. Todos, tranquilos, não nos pararam e quando pararam não pediram os documentos, somente, “olá, de onde vem para onde vão? Buena viajem”. Neste pequeno povoado de umas 50 pessoas um carro da imigração do governo com um supervisor e quatro estagiários, ou novos funcionários, com suas roupas novinhas, quando viram um carro estrangeiro quase se jogaram no frente do carro. O supervisor veio a Janela todo autoritário dizendo: “passaporte, imigração!” Enquanto eu pegava os mesmo, ele repetia a frase. Entreguei os dois e tirei uns papéis que estavam dentro, referente a nossa saída. Ele meio que aumentou o tom e pediu tudo, disse que era imigração e apontava para o logo na camisa. Entregou nossos documentos aos estagiários, eles deram uma risada e devolveram tudo de qualquer jeito e mandou seguir. Fiquei pensando, que péssimo exemplo! Esse sujeito não mostrou como se faz uma abordagem e ou uma averiguação, e sim como ser autoritário, totalmente sem noção.

Seguimos e logo estávamos subindo para 540 m.s.n.m, o que nos deixou mais felizes pois, o calor estava passando. Clima de serra, maravilha. Avistamos do alto o lago Catemaco, um lugar legal, pensamos e falamos.

 Achamos facilmente o Villas Tepetepan and RV Park, logo na entrada da cidade. Estava tudo escuro e entramos mesmo assim. Fomos recebidos pelo caseiro dizendo que o Jim, o dono, já tinha ido embora, mas antes que tivéssemos qualquer reação apareceu a Caroline, uma Canadense que chegou aqui com seu trailler e depois de oito meses vivendo no trailler alugou uma cabana. Ela nos deu todas as dicas, onde estacionar, onde ter energia e água e nos disse para ficarmos á vontade, pois o Jim estaria cedo e falaria conosco, sem problemas.

Colocamos o carro em um super lugar e depois até um mini market comprar umas comidas. De volta ao carro ainda fizemos comida, e ficamos conversando bastante. A internet funciona super bem. Decidimos então, ficar aqui uns dias. Banho e cama, pois o dia foi longo, rodamos uns 540 km e muitos topes na estrada.

 

Dia 02

A noite foi show, depois de muitas noites muito quentes, acordamos e logo tinha uma pessoa cortando a grama e outra passando veneno, esse era o Jim proprietário do local. Fui até ele e me apresentei. Pessoa gente boa, simples. Pedi umas dicas sobre um local para comprar comida e acertamos o valor por noite. Tomamos nosso café e fomos caminhando até um supermercado comprar comida.

Aqui no México estamos gastando bem pouco com comida. Com cerca de R$ 60,00 compramos muito mais do que se fosse no Brasil. Retornamos e fomos trabalhar com o diário e o site que está bem atrasado.

Para dar um refresco na cabeça fui conversar com o Jim. Ele é americano, porém depois de 36 anos casado e sem filhos se divorciou e veio viver no México. Casou-se novamente e vive há doze anos em Catemaco. Nós estávamos decididos ir em direção a Laredo na fronteira, passando pelas montanhas mas, conversando com o Jim, que vai e volta ao EUA zilhões de vezes ao ano, nos convenceu de ir pelo litoral. Segundo ele são 15 horas, se dirigir direto.  Eu não farei isso, vou dividir em três dias, provavelmente. O Jim me deu dicas de sites de manutenção e serviço em RV e lojas de acessórios. Conversamos um pouco sobre a vida, dei o nosso e o meu testemunho e voltei ao carro. Hoje não sei o que aconteceu, se era feriado ou o quê, mas desde cedo tem uma casa em frente ao camping com uma música alta, e ao passar do dia foi ficando mais alta. O sujeito estava animado. Mais tarde acho que algum vizinho se encheu e quis mostrar que também tem um bom som, e ligou o seu também, foi o dia todo assim. Ao menos a música Mexicana, ao meu gosto, é melhor que a colombiana, e o sistema de som do povo aqui também é melhor. Passamos o dia atualizando tudo. Antes da noite chegar, fizemos um café e comemos algo. A noite caiu e como aqui é muito comum uma invasão de pequenos insetos verdes que gostam da luz, fomos obrigados a nos trancar dentro do carro. Ficamos conversando e um banho e cama.

 

Dia 03

Hoje acordamos sem o som das músicas mexicanas dos vizinhos. Que bom! Ontem foi o suficiente. Saímos da cama e fomos preparar nosso café e meditar na palavra. Deus colocou no meu coração o salmo 100, e depois o Salmo 99. Ficamos ali, compartilhando o alimento, a palavra e louvando a Deus! Um tempo muito especial!  Leia mais em Momentos com Deus.

Hoje é aniversário da Jô Santos, irmã da Jane e fizemos um vídeo e cantamos para ela, uma pequena forma de dar nossos parabéns de tão longe.

A Janeh preparou nosso almoço com a metade do frango que sobrou de ontem e fez um ótimo arroz tipo carreteiro!

Compartilhei com a Janeh que nesta noite sonhei com o nosso carro todo equipado e funcionando. É porque ontem fiquei vendo uma loja virtual com vários acessórios. Ar condicionado que pretendemos colocar no Valente, niveladores que pretendo comprar e um gerador de energia que vi. Nosso valente saiu do Brasil aparentemente com tudo funcionando na casa, mas a medida que fomos avançando algumas coisa na parte elétrica estão piorando a cada dia. Agora a luz de 12 volts está pifando e praticamente estamos sem energia na casa. Nem conectado na energia externa funciona mais. Sorte que estamos a 1.200 km dos EUA. Vamos fazer várias mudanças, desde tirar os climatizadores e instalar um ar condicionado na casa, trocar o conversor de energia e o inversor, comprar um gerador de energia externo e substituir todas as luzes por LED. Trocar a bateria da casa, e o que mais for preciso!

Á tarde fiz um estudo no mapa e com nosso livro do México para traçar nossa rota a partir de amanhã. Acreditamos que em três dias estamos nos EUA. 

Paramos um pouco com o trabalho e fomos dar uma volta para conhecer o Malecón e centro de Catemaco. Mesmo caminhando a puxada foi grande, pois o calor estava castigando. Com nossa cara de estrangeiros não param de fazer convites para passeio de lancha para ver macacos e a selva, o tempo todo, "monkeys, Jungle, lancha".

O Lago Catemaco e belo quando visto de longe e do alto, porém suja quando vista de perto, além do mal cheiro resultado do esgoto da cidade sendo despejado ali. Uma lástima! Mas mesmo assim passeamos pelo centro, e eu até comprei um calçado semi aberto que me agradou e para dirigir acho que vai ser bom. 

Regressamos ao camping pois as 18 h tudo está fechando. Vamos nos preparar para partir amanhã, um friozinho na barriga e uma ansiedade chata sempre vem, não sei como me livrar dela. A noite vai caindo e temos que nos preparar para o ataque dos insetos. 

Estamos um pouco tristes com a situação no Brasil, que acompanhamos pela internet. Acho que nunca houve um tempo tão pesado em eleições... Nossas orações são para que Deus opere um milagre.

 

Dia 04 (Cerro Azul)

A noite foi de muita trovoada mas sem chuva, foi bom pois refrescou e não deixou tudo molhado. Acordamos cedo, as 7:00h para sair as 7:30 h. Tudo pronto, partimos em direção a Poza Rica, para um RV Park que marcamos. O GPS indicava que as 14 h estariamos lá. Logo que viramos a esquina caiu a maior chuva. Aquela que ficou a noite toda anunciando. Saímos na hora certa, mas isso também gerou um trânsito lento. Incrível que é sábado e parece que todos trabalham! Estava todo mundo na rua, comércio aberto, uma loucura! nós pensamos que sair sábado as 7:30 h seria tranquilo, não foi.

Bom, rodamos rodamos e a chuva parou, mesmo assim nossa média foi baixíssima. Paramos para abastecer em Vera Cruz, fomos ao Oxxo tomar um café e saímos para caminhar um pouco. O Gilez, o Australiano que conhecemos na lagoa Atitlan na Guatemala, nos disse que no México tem a Auto Parts, e que eu não poderia perder. Perto do posto vimos uma e fomos lá conhecer. Realmente um sonho de loja com muitos atrativos para o carro. Compramos apenas um cheirinho e baterias para o meu afinador. Retornamos ao carro e seguimos viajem.

Depois de muito rodar, sem rodovias pagas e com muitas lombadas e povoados, decidimos mudar a coordenada que eu tinha por uma mais perto. Entramos na cidade de Poza Rica, o que foi a maior furada! Trânsito pesado, tudo parado, não gostamos do local e tivemos um trabalhão para sair dali. Resultado: mais horas perdidas!

Hoje estava pensando que não levamos nenhuma pedrada no para brisa que danificasse consideravelmente o mesmo. Logo após pensar isso, uma pedra veio do nada e pronto: tínhamos nossa primeira aranha no vidro. Parei, colei um adesivo até poder fazer um reparo. Nem sei se existe isso nos EUA, mas vou procurar. Muita estrada ruim e o pensamento que deveria ter ficado no plano original.

Existem situações que você tem de ser maleável e mudar, mas tem certas coisa, que quando você ora a Deus e pede uma direção, ele lhe dá, se você mudar no caminho, vai ter problemas. Sim, Deus reverte, mas só depois de você ter errado. Lição aprendida.

Voltamos então, ao plano original e chegamos ao local que fica na beira da estrada, um hotel, porém bem simples, só para passar a noite, já seriam 18 h. A zeladora veio logo dizendo que devido a muita chuva nos últimos dias, o Condado Western RV Park estava alagado e eu deveria ver se posso estacionar lá. Fui dar uma olhada e achei que daria. Não deu; carro atolou na grama.

Eu falei com o Romulo, um senhor que é Cardiologista aposentado e dono do hotel, ele chamou uns rapazes da empresa ao lado e com um empurram tirei o carro de lá. Conversa vai e vem com o Dr. Romulo me perguntou para onde estava indo. Eu lhe disse que estávamos indo para a fronteira de Matamoros, e ele se mostrou preocupado e nos aconselhou a ir por Monterrey e Nuevo Laredo! Falou da estrada e da preocupação que tem com os viajantes que passam pelo litoral. Nos aconselhou a mudar e ir até a cidade de Tampico e descer para Monterrey, por achar ser o mais seguro.

Conversei com a Jane que disse que desde o início achou que deveríamos ir pelo litoral, mas estava firme que a minha decisão era a direção de Deus. Porém quando eu disse que iríamos pelo litoral depois de ter decidido que iria por Monterrey a deixou feliz, mas inquieta, pois Deus não fica mudando de opinião. Como viemos até aqui, sendo via litoral, mas a direção inicial era Monterrey, pensamos em amanhã seguimos para Monterrey e fim.

Acertamos um novo lugar para o carro, fizemos uma janta e comemos. As luzes e tudo que é 12v do carro, que ontem não funcionavam mais, hoje funcionou, porém, somente com a chave ligada na bateria. Mas ao mesmos temos energia. Acho que quando chegarmos ao EUA, vai ser o último suspiro. Enchi o tanque de água para o banho e fomos dormir para amanhã, domingo, partir cedo, esperando que o dia renda. Hoje foram 540 km em 10 h, muito pouco para tanto tempo.

 

Dia 05 (Estados Unidos)

A noite foi tranquila, e acordamos já as 7:30 h , as 8 h já estávamos prontos para sair. Estava chovendo e a estrada está esburacada e é estreita, muito caminhão na estrada, o que nos transmite mais segurança, sendo que ouvimos que este trecho é muito perigoso.

Como sempre, após orarmos juntos vou ainda dirigindo e orando e falando com Deus. Estava inquieto com a questão de irmos para Tampico, Cidade Vitória, Monterrey e então Nuevo Laredo. Apesar de estar decidido, estava inquieto e fui refletindo e orando a Deus. Três cidades grandes para passar e um lugar incerto para dormir, isso não estava me convencendo.

Eu perguntei ao Dr. Romulo qual era o 'perigo' que todos tanto temem nessa região. Pois estamos viajando de dia, com muito movimento nos dois sentidos e algumas barreiras policias e do exército. O que pode acontecer? Ele perguntou se eu não leio as notícias, que tem muita gente que desaparece, sequestros, assaltos. Me disseram para não viajar sozinho, sempre seguindo alguém, e nunca a noite. Pois bem, o mais rápido e lógico e seguir pelo litoral, somente uma cidade grande e nada mais. Uma tocada de 600  km estamos na fronteira. Pedi a Deus paz e que confirmasse em meu coração, e fomos seguindo.

Quando chegamos a cidade de Tampico abastecemos e fui em direção a cidade de Vitória, a estrada foi ficando melhor, mais movimento de ônibus em direção a Matamoros e caminhões. Quando chegamos no entroncamento para Monterrey e Matamoros, fui em direção a Matamoros. Fomos rápido, estrada sem duplicação mas boa. Passamos por um povoado, tranquilo e depois mais um, alguns trechos a frente estão em obras e com chuva que estava caindo nos últimos dias, muita lama vermelha, sujou o carro como nunca em toda a viajem, mas passamos bem.

Fomos parados pelo exército que fizeram umas perguntas basicas e fomos liberados. Paramos em um Oxxo compramos um lanche, comemos e pé na estrada. O objetivo era chegar a fronteira até ás 16 h,  para fazer os trâmites e entrar nos EUA ainda dia. Graças a Deus chegamos no horário previsto, fomos a imigração e para variar, pouca placa informativa, o que nos fez ter que voltar pois passamos do ponto de fazer nossa saída do México. Trâmite resolvido, ainda fomos fazer uma troca de pesos por dólares e, tio Sam aí vamos nós...

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