Diário do Panamá (29/08 a 03/09/2014)

29/08/2014 23:42

Trajeto: Colón - Cidade do Panamá - Playa Santa Clara - Fronteira Costa Rica

 

Dia 29

Leia mais em Diário da Colômbia.

...O vôo ao Panamá foi relativamente rápido. Ás13:50h estávamos desembarcando. Seguimos para a imigração, e pasmén: não nos pediram absolutamente nada!!!! Não sabemos se porque eles tem os registros de que temos passagens de saída do país,  mas isso nos deixou ainda mais chateados e fomos ao balcão da Copaairlines pedir reembolso. Ali fomos informados que deveríamos ir ao escritório no centro da cidade para isso.

Pegamos um taxi para ir ao hotel e passamos no escritório da Copa Airlines, que ficava caminho. Depois de meia hora tentando explicar porque queria o reembolso, e aguardar ligações e consultas, fui informada que só podemos cancelar depois que tivermos o carimbo de saída do pais no passaporte! Sem este carimbo, a empresa não reembolsa! 

Seguimos para o hotel e o trânsito na cidade do Panamá, estava completamente parado! Os motoristas da empresa de transporte urbano local estavam fazendo uma paralisação. Um caos na cidade!  Chegamos no hotel as 17:50h, ou seja, levamos quase quatro horas do aeroporto até o hotel (considerando os 30 minutos de espera do escritório da Copaairlines). E, uns 300 metros antes do hotel, desistimos! Nós pagamos o taxi, pegamos nossas malas e seguimos a pé o restante do percurso.

O Hotel El Parador está bem localizado, próximo de diversos restaurantes. E o preço é razoável em se tratando de uma capital.H

Deixamos as coisas no hotel e fomos comer algo! Estávamos só com o café da manhã, e um sanduíche servido no avião.

Retornamos e caímos na cama, cansados...

 

Dia 30 (Casco Viejo - Canal do Panamá)

Acordamos e decidimos sair para visitar Casco Viejo. Pegamos um taxi, e o Motorista Victor Manoel, que fala português é também um guia turístico, e acabou nos cobrando o mesmo que o ônibus do hotel para nos levar por quatro horas para conhecer a cidade de Panamá, passando por Casco Viejo, Canal de panamá e West View, e por uma viagem na história! Foi um dia muito rico em conhecimento!

Com quase 900.000 habitantes só na cidade, a Cidade do Panamá é uma das três únicas cidades da América Central definidas como cidade beta (título dado a lugares considerados importantes no sistema econômico mundial). Uma das cidades mais competitivas da América Latina,tem o Canal do Panamá e o turismo como importantes fontes de renda.

O clima é tropical com temperaturas médias de 27 graus. Mas o centro é mais quente por conta da infinidade de arranha céus espelhados que refletem o calor.

Cidade do Panamá é uma das capitais mais antigas da América, fundada em 1519, por Pedro Arias Dávilla, um espanhol. Em 1671, a cidade foi destruída por um incêndio, provocado pelo pirata Henry Morgan (citado no dia 28), que saqueou e ateou fogo na localidade. O local onde se localiza a antiga cidade incendiada ainda está em ruínas e é agora uma atração turística e conhecida como Panamá Viejo.

Na localidade conhecida como o Casco Viejo, foi reconstruída a cidade em 1673. Hoje, considerado patrimônio histórico, está sendo restaurado. É possível caminhar pela cidade e em cada praça ou esquina ouvir uma história, como o Padre da Catedral, que pintou o altar de ouro em cor de madeira e conseguiu enganar o pirata Henry Morgan, e fazê-lo ainda doar bandejas e castiçais de ouro para a igreja.

Fomos ao Canal do Panamá, conhecida como uma das sete maravilhas do mundo moderno. Dia 15 de agosto o Canal completou 100 anos! Sua construção trouxe grandes benefícios para a cidade, mas por causa da febre amarela mais de 20 mil empregados morreram, e só foi dizimada com a chegada dos norte americanos que tiveram o domínio do canal até 1999, considerado uma ferida no orgulho dos panamenhos que só podiam ver o canal a distância.

Canal do Panamá possui dois grupos de eclusas ( Obra de engenharia hidráulica que permite que embarcações subam ou desçam os rios ou mares em locais onde há desníveis (Fonte: Wikipédia). Um no lado do Pacífico (Pedro Miguel e Miraflores) e um outro grupo no lado do Atlântico (Gatún). Todas as eclusas do canal são duplas, de modo que os barcos possam passar nas duas direções. É incrível ver os barcos fazendo este trajeto!

Visitamos ainda o Museu, onde além de toda a história, réplicas dos barcos que passam pelo canal, é possivel ter a noção da dimensão dos tuneis que levam água para as eclusas, e entrar em um simulador para adentrar o canal. Muito interessante! Vale a pena!

A Cidade do Panamá se converteu no segundo sonho americano no sul e a população imigrante cresce de forma impressionante. Está entre os cinco melhores lugares para se aposentar no mundo! É possível encontrar muitos estrangeiros por todo lugar aonde se vai.

Fomos a Amador Causeway, onde é possível visitar as Islas Naos, Perico e Flamenco, a Praça Iberoamericana, o Museu da Biodiversidade, a Ponte das Américas, além de ter a vista da cidade e dos barcos que fazem fila para adentrar o canal.

Retornamos ao hotel próximo das 15 h e fomos almoçar, depois voltamos para descansar!

A noite saímos para jantar com Jens e Livia, com quem estamos compartilhando o container! Um tempo muito especial de contar o que cada um fez nestes dias.

 

Dia 31

Levantamos mais tarde, e saímos para visitar a Discovery Center, uma loja bem America com uma infinidade de produtos, muitos para nosso uso durante a viagem e com valores bem baixos! Nem conseguimos ver toda a loja! Depois fomos passear no Albrook Mall um enorme shopping.

Ali mais uma vez se confirma a influência americana na cidade e a infinidade de imigrantes que vivem na cidade! Um lugar onde se ouve todas as línguas. Claro que muitos são turistas, mas muitos vivem aqui! Enfim, passamos a tarde passeando por ali.

Voltamos ao hotel e ajeitamos as coisas para ir amanhã ao porto fazer o desembaraço do Valente. Como não conseguimos deixar as malas em um bagageiro, porque o Hotel não possui, resolvemos pagar uma diária a mais e resolvemos que eu ficaria (assim economizamos uma passagem de trem (mesmo valor da diária de hotel) atualizando informações na internet.

 

Dia 01/09 - (Colón - Desembaraço do Valente - por Toninho)

O dia começou cedo, logo as 5:30h pois teria que ir ao Porto em Colón fazer os trâmites para pegar o Valente. Dispensei o táxi, que me cobraria U$ 10 dólares e fui de metrô até a ultima estação, que é bem perto da estação de trem e depois pequei um táxi. Tinha combinado com o Jens e a Livia que iríamos de trem, a Jane ficaria no hotel e o trem é um passeio a parte, com a Railway Panama, que faz o trajeto da cidade do Panamá até Colón por U$ 25,00. É mais caro que ir de ônibus, mas o passeio é imperdível.

Logo que saí do hotel, meu primeiro desafio era achar a estação de metrô mais próxima e descobrir como chegar ao meu destino. Em 10 minutos achei a estação do metrô e logo na entrada havia umas máquinas eletrônicas para colocar crédito no cartão de acesso ao metrô. Ao lado uns guichês vazios. Isso mesmo, somente se pode usar o metrô se você tem um cartão, que não é vendido em qualquer estação e sem ele você não tem como colocar crédito, ou seja, como  fazer? Não tive dúvidas, tinham três seguranças próximos e me explicaram o procedimento, e eu disse que não tinha como fazer, pois precisava estar na estação de trem onde logo sairia o único trem para Colón do dia. A passagem do ticket do metro era apenas U$ 0,35, por essa razão perguntei a eles se poderiam me vender-me uma passagem. Eles retrucaram um pouco, mas enfim um deles pegou U$ 0,25  da minha mão, sacou seu cartão e me falou para passar.

Bem... quando pensei que tinha acabado, na saída do metro, somente pode sair quem tem o cartão. E agora? Olhei para traz e uma multidão passando. Mas Deus enviou um anjo. Um senhor de muita idade que olhou para minha cara de “como vou sair daqui”? e disse: "venha, passe aqui". Beleza, lá fui eu!

Tomei o primeiro táxi e, como de costume,  perguntei quanto é a corrida até a estação de trem. O motorista respondeu que eram U$ 3,00. Esta bem... vamos lá.

No cd player tocava uma música de adoração. Eu perguntei de pronto se era cristão, e ele afirmou que sim. Deus me levando em um taxi cristão. uhuuu...

Chegando na estação de trem, lá estavam Livia e  Jens. Fomos ao guichê e compramos nossos tickets. A viagem até que foi rápida e tranquila. O trem passa pelas eclusas de Miraflores e de San Jose, e pelo lago Gatun.

Chegamos a cidade de Colón, e logo muitos taxistas vieram falando em inglês , dando as boas vindas e oferecendo seus serviços de guias e tal. Dispensamos uns tantos e fomos a um que perguntou onde iríamos. Dissemos que iríamos ao porto de Colón, no escritório da Seaboard, e ele pediu U$ 20 dólares. Um abuso! Nós dissemos que não.

Então,  veio um segundo e fez a mesma pergunta.  Falamos e ele pediu U$ 20, dissemos que não, pediu U$ 18, não, pediu U$ 15... não ainda é muito... Até que ele disse que por U$ 12 ele nos levava! Agora sim! Rsrsrs.

O Jens disse que precisava fazer cópias e o cara nos levou primeiro ao horrível e sujo centro de Colón, e demorou tanto que o taxista já estava furioso e dizendo que iria cobrar U$ 15,00. Eu fiz que não era comigo...

Bem, copias tiradas fomos ao escritório da Seaboard, a Livia pegou  U$12 e deu na mão do taxista que ficou esperando mais. Todos saíram do carro, eu olhei e disse: -gracias! rsrsrs

Passamos o dia fazendo o desembaraço do Valente e do Boile. Você pode saber mais detalhes em Desembaraço do Valente no Panamá.

As 18 h, estávamos com nossos carros, tudo resolvido. O Jens queria ir a Zona livre para comprar uns painéis solares para o seu carro, e para isso iria dormir em Colón com a Livia no estacionamento de um shopping, e eu disse que iria ficar com eles para ir também dar uma volta na Zona Livre.

Fomos ao shopping, estacionamos nossos carros e fomos ao supermercado comprar nossa janta. Sentamos na calçada e comemos ali mesmo um frango com purê e suco, felizes da vida!

Iria cair uma forte chuva e eu precisava montar os climatizadores, pois estava com as aberturas livres e precisava fazer isso logo. O Jens também tinha que tirar de dentro do carro toda a tralha que ele leva em cima do carro  e colocar para cima novamente.

Estacionamos em um lugar com mais luz em frente a uma loja de sapatos, e os dois subiram, cada um em seu carro e começamos a trabalhar. A Livia nos ia dando as coisas. Assim que eu terminei de encaixar os climatizadores caiu a maior chuva, mas como nos estávamos suados de tanto calor, ninguém saiu de cima do carro. Foi divertido...

Tudo acertado, carros montados, fui a uma lanchonete comprar um sorvete e perguntei se poderia encher meu tanque de água com uma torneira que tinha ao lado de fora. Fui prontamente atendido. Tanque cheio, hora do banho... dormi pela primeira vez sem a Jane no Valente... foi uma experiência nova.

 

Dia 02 (Cidade do Panamá - Playa de Santa Clara)

Acordei ás 6:30 h. Nós tínhamos combinado de ir a Seaboard resolver a questão dos papéis do Jens ás 09:00 h. Levantei, fiz os asseios pessoais, comi uma granola com aveia e leite e, quando estava limpando a louça, um segurança de bike veio bater em minha janela. Estava bastante alterado, veio falando em espanhol depois mudou para inglês. Disse que ali era uma propriedade privada e que passou a noite cuidando de nossos carros e queria saber quanto iríamos pagar para ele. Eu disse que não tinha placa alguma sobre cobrança ou que era privado e que pensei ser público. ele ficou muito bravo, jogou sua bike com força no chão e começou a esbravejar em inglês. Bateu na porta do Jens e começou a falar alto que tínhamos que sair dalí. Eu disse que tudo bem e que estava saindo.

Eu liguei o carro antes mesmo de falar com o Jens e saí daquele lugar. Depois fiquei sabendo que ele foi bater no carro do Jens ás 2 h da madrugada,  bêbado e ficou pedindo dinheiro.

Resolvi seguir para a cidade do Panamá e não ficar com eles. Eu saí com um sentimento que deveria ter ficado junto com o Jens... mas pensando bem... nosso compromisso era de compartilhar o container, e tudo já estava feito, eu iria para um lado e eles para outro á partir deste dia. E eu somente iria na Zona livre com ele por curiosidade.

Quando cheguei ao hotel escrevi para os dois e tudo ficou bem.

Quando saí de Colon em direção a cidade do Panamá, o GPS não estava dando a direção correta, e eu estava sozinho, somente com um mapa. Deus foi tremendo, pois consegui ir direto ao Hotel. Foi tranquilo.

Chegando ao Hotel a Jane estava no café. Nós conversamos e decidimos seguir para a Costa Rica. Saimos as 11 h com destino ao norte do Panamá. Nós nos perdemos para sair, pois estava chovendo e o trânsito estava um tanto lento. Mas deu tudo certo.

Na rodovia panamericana, em direção a fronteira, tínhamos umas coordenadas chegando a praia de Santa Clara, e ela nos deixava na rodovia. Mas logo vimos a placa do XS Camping e RV, mas estava fechado na terça.

Havia em frente um linda casa com um grande jardim, e uma jovem senhora. Falei com Deus nessa hora, perguntando o que fazer, pois estava ficando tarde. Deus me deu a direção de ir a essa mulher e falar com ela. Ela disse que se quiséssemos poderíamos ficar ali em frente sua casa no gramado e ainda nos forneceu água e energia sem cobrar nada. Deus novamente... sempre.

Arrumamos tudo e saímos para uma caminhada de 1500 metros até a praia.

Conversamos um pouco e na volta paramos em um restaurante XOKO, em frente a entrada da casa, na rodovia. Pedimos uma corvina assada com salada e fritas. Foi a melhor salada e corvina frita que comemos. O chef era muito bom! E por U$ 15 dólares, com a proprina!

Fomos dormir felizes.

 

Dia 03 

Acordamos, após uma noite quente, comemos uma granola com bananas, e nos despedimos da Vanessa que nos acolheu em seu jardim e pegamos estrada. Tínhamos dúvidas se iríamos a El Toro ou direto a fronteira.

Paramos em algumas praias que eram abertas pelo caminho.

Sempre pedindo a Deus a direção, passamos direto e resolvemos ir à fronteira, pois a Panamericana até Santiago estava boa, mas depois esta sendo duplicada ate a cidade de Davi. Isso fez nossa média baixar muito. Até uma multa eu ganhei por andar a 60 km/h em uma via de 40 km/h em obras! Mas passamos pela fronteira e não nos cobraram.

Os trâmites da fronteira, uma bagunça digamos! Quando chegamos tem sempre um novatos dizendo que com a ajuda dele eu serei atendido rapidamente, e uma ajuda o outro, você me entende? Kkkk. Dei U$ 2,00 pelo “trabalho” voluntário.

Nessa fronteira na saída do Panamá, aconteceu o absurdo! O agente disse que precisava revisar nosso carro. Na saída? Sim é procedimento padrão. Pediu para entrar olhou tudo e disse que tinha que chamar um oficial. A aduana suja, chovendo, tudo molhado e lá vem o brutamontes do exército com sua botina e um lindo cão com suas patinhas todas molhadas. Até em cima da cama o cachorro subiu e ficou latindo no espelho do cama quanto viu outro cão! Eita cachorro burro! ...

Leia mais em Diário da Costa Rica.