Diário dos Estados Unidos (05/11 a 01/12/2014) Parte 2

05/11/2014 03:56

Trajeto Parte 2: Fort Worth TX(B) - Sunset TX - Dumas TX - Walsenburg CO(C) - Mesa Verde CO - Canyonlands UT - Green River UT - ST George UT - Zio NP. UT(D) - Grand Canyon UT(E) - Route 66 (Seligman) - Dolan Spring AZ - Lake Mead NE - Las Vegas NV(F) - Redrock Canyon NE - Death Valley NE - Sequoia National Park NE - Yosemite CA - San Francisco CA (G) - Los Angeles CA(H) - Malibu CA - Sta Monica CA - Hollywood CA - Corona CA - Ehrenberg AZ (I).

Leia mais em Diário dos Estados Unidos Parte 1.

Dia 05/11 (Sunset- TX)

Saímos de Fort Worth, após tomarmos café, orarmos juntos e abraços regados a choro. Nosso primeiro destino e desafio, achar um Walmart, comprarmos suprimentos e remédios para mim. Depois abastecer e seguir em direção ao Colorado.

Primeiro o GPS nos levou a um Walmart que não existe mais, mas achamos outro rapidamente. Outro desafio é falar inglês e saber o que e como comprar, abastecer, e descobrimos que quando não dominamos a língua e um novo pais está a frente, coisas básicas como comprar comida, comprar um remédio na farmácia e abastecer o carro se tornam coisas complicadas. Mas a Jane deu um jeito, falou como sabia e conseguimos!

O controle dos medicamentos e bebidas aqui nos EUA e muito forte e sentimos isso na pele. Para comprar meus remédios de uso contínuo, precisei fazer uma consulta num médico aqui, pois as receitas nossas não tem validade. Para comprar uma garrafa de vinho e passar para pagar no caixa Selfservice, também precisa autorização para passar. E entender as máquinas que pesam sua compra também é outro desafio!

Mas todos vencidos e conquistados!

Paramos ainda em uma loja Camping World para a Jane conhecer e compramos mais umas coisinhas para o carro. Depois paramos para abastecer e foi outra novela pois  temos várias formas de pagamento, e temos sempre que tentar para ver qual aceita, mas um ou outro cartão sempre da certo! Neste caso a bomba não estava aceitando, e logo veio um funcionário e nos auxiliou, liberando a bomba e depois paguei dentro no caixa. Ali mesmo tinha um banco ATM eletrônico e tirei dinheiro.

Rodando pelas maravilhosas rodovias norte americanas, procuramos um RV Park para passarmos a noite e encontramos um em Sunset – TX chamado Campers Paradise RV,  já anoitecendo por U$ 31,50 dólares. Caro para nossas contas, e pensamos que assim não vai dar para ficar muito por aqui. Precisamos encontrar free campsites! A noite foi ótima, e tudo ficou bem no primeiro dia.

 

Dia 06 (Dumas - TX)

Após nossa rotina matinal, enquanto a Jane arrumava o carro eu fui orar, ler e louvar a Deus ao sol. Um tempo de entrega a Deus e pedido de direção, além de sabedoria e coragem. Esses tem sido meus pedidos.

Saímos e rodando fomos conhecendo a belíssima estrutura das estradas do Texas, posso andar a 75mph, o que corresponde a 120 km/h. E descobrimos que por aqui o povo não respeita muito também, sempre estão andando um pouco acima. Não existe lombada ou radar, não vimos nenhum acidente, todos andam na pista da direita e só utilizam a esquerda para ultrapassar. Quando se chega próximo a uma cidade, tem placas dizendo reduza agora sua velocidade, depois vem placas de 70, 60, 55, 45 e 35 após passar vai aumentando até 75mph novamente. Além das opções dos RV parks, tem Picnic Area, para descanso e Rest Area, onde se pode parar e passar a noite. Descobrimos também RV Parks de graça, alguns com água e energia (por uma noite). Nesta noite dividimos o lugar no Texhoma Park aka Dumas City Park,  na cidade de Dumas – TX,  com um grande RV e uma kombi california com uma mulher e seu cão. O destaque da noite foi os diversos trens que passam por ali. E bem próximo tem um cruzamento, ou seja, a buzina soava a cada locomotiva. Mas, fora isso, foi uma noite bem tranquila.

 

Dia 07 (New Mexico / Walsenburg- Colorado)

Pela manhã, a Jane foi falar com a mulher da kombi califórnia que se identificou como  Whitney, mora no Colorado e esta viajando para Oklaroma. Ela nos deu várias dicas de viajem, o que nos ajudou bastante pois estávamos um pouco sem rumo somente indo em direção ao Colorado.

Decidimos não ir ao norte do Colorado, devido ao frio que está chegando rápido este ano, e resolvemos fazer a parte sul do Colorado pela rodovia 160. Nos despedimos e seguimos viagem.

Dirigimos e fomos parando para fotos curtindo a viagem. O caminho passando por parte do New México foi um tanto chata pela mesmice da paisagem desértica, que é bem diferente da paisagem do Chile ou Peru, mas cansativa. Paramos em uma Rest Area para comer algo e nesta parada algumas coisas aconteceram:

- A curiosa foi as placas dizendo: “cuidado com as cobras”.

Depois fomos dar a partida no carro e ele simplesmente não tinha nenhum sinal de bateria. Eu e a Jane gelamos, pois no meio do deserto parar tudo ia ser difícil! Mantive a calma e fui olhar a bateria que foi colocada nova faz 3 dias. Bem, o cabo negativo estava solto. Ufa, só isso. Vou precisar parar em um lugar para trocar o terminal que está espanado.

Estávamos lanchando quando uma mulher me viu próximo ao Valente e veio toda eufórica falando e rindo. Seu nome é Penny, e estava viajando de Fort Worth - TX para o Colorado também e disse que viu nosso carro na estrada e agora parou exatamente na mesma Rest Area que nós! Estava se questionando se era mesmo um carro do Brasil e se perguntava o que estava fazendo nos EUA e como veio parar aqui? A Jane conversou com ela e explicou nossa viajem. Tiramos fotos com ela e sua mãe e demos nosso cartão de viajem. Depois desse episódio todo partimos novamente.

Logo a frente, vimos uma montanha que nos pareceu ser um vulcão. Estávamos certos, e estava dentro de um Park com um ótimo acesso. Nos países da América central e do sul, para se chegar a um vulcão melhor você ter um 4x4! E deixamos de fazer alguns passeios por isso, mas aqui as estradas são muito boas! Tudo muito organizado, acessível, asfalto, sinalização e segurança.

O Vulcão é o Capulin, está ao norte do New México, e é possível acessar sua cratera que está a 2400 msnm, facilmente de carro e depois com uma rápida caminhada! Do alto se avista longe a paisagem, tudo muito legal. Gastamos ali um hora e meia e depois seguimos viagem, entramos no Colorado e a paisagem começou a mudar, com montanhas, e árvores, e resolvemos passar a noite no Lathrop State Park, na cidade pequena mas simpática de Walsenburg. Um lugar de fácil acesso no início da rodovia estadual 160, agora já no Colorado. Lagoas, campo de golf, Park para camping e RV com energia, dump station, água e animais silvestres e selvagens soltos que vivem por ali. Um visual da cordilheira nevada maravilhoso e um por do sol indescritível.

Nós sabíamos que iria ficar frio á noite, e nos preparamos com nosso aquecedor para manter tudo bem aquecido. A Jane preparou uma Janta com tacos e foi o jantamos nesta noite. Conversamos e discutimos rotas.

O frio é nosso maior problema, até porque eu que nunca liguei muito para isso, tem me incomodado muito. A Jane que sempre reclamava de frio em Curitiba, pois nosso apartamento era gelado, e até em Blumenau ela sentia frio, não sente tanto o frio americano. Mas eu tenho sentido muito as pernas. Eu tenho orado a Deus, mas uma ansiedade que eu desconhecia tem se abatido sobre meu coração. Isso me incomoda bastante, pois não temos do que reclamar. Deus tem sido fiel e maravilhoso em todo o tempo, nosso carro está bem, não sofremos nenhum acidente, os EUA é maravilhoso para viajar, lugar para parar é o que não falta, temos comida, internet, água, nada tem nos faltado, mas mesmo assim, um sentimento estranho; pela manhã quando vamos sair e ás vezes a noite tem vindo sobre mim. Acho que estou um pouco cansado de viver assim. Conhecer lugares, dirigir, viajar, também cansa, ainda mais por tanto tempo sem interrupção. Mas estou orando e pedindo direção de Deus, ele sempre é bom e tem o melhor para nossas vidas.

Conversamos sobre esses sentimentos e nos unimos mais ainda. Essa viagem tem sido ótima para o casal se expor. A Brenda ou Randy tem nos ligado todas as noites, ou nós ligamos para eles para dar notícias. Isso é bom pois nos sentimos mais em família. Nem que agora eles estejam há uns 2000 km de nós. Fato curioso no dia de hoje foi o por do sol acontecer mais cedo que o previsto,  nossos relógios marcavam horários diferentes, o que nos deixou confusos. Concluímos que estávamos com uma hora de diferença do Texas para o Colorado. Aqui o por do sol é as 17:30h.

 

Dia 08 (Cruzando as montanhas do Colorado - Mesa verde)

Decidimos voltar a sair cedo como vínhamos fazendo na América Central, pois, como anoitece muito cedo, assim o dia rende mais e chegamos cedo para achar um lugar para dormir. Saímos ás 8 horas para poder parar até as 16h. Saímos em direção a Durango, paramos para abastecer em uma pequena cidade e fomos montanha acima, pois já estávamos em 2000 msnm em Wasenburg, subimos e a vista foi ficando maravilhosa como sempre é nas montanhas. Cores, vegetação diversas e picos nevados. A temperatura foi caindo, mas tudo bem. Seguimos e passamos por um planalto que ás dez da manhã ainda marcava 4 graus.

Depois melhorou um pouco, e começamos a subir mais, chegando a 3400 msnm, passamos próximo a uma estação de esqui que estava lotada, por ser sábado eu creio. Um visual maravilhoso, quase tudo branco nas montanhas, foi incrível, pois nunca tínhamos passado por um lugar assim! Registramos com fotos e vídeos e seguimos montanha abaixo até Durango. Chegamos as 13:30h e fomos dar uma volta na cidade. Não me identifiquei muito com o local, Durango é pequena, está em um vale com montanhas rochosas e é movimentada para o seu porte. Fomos a um parque central onde pessoas andavam de bike, jogavam, passeavam com seus cães e se divertiam. Ali fizemos um lanche e depois fomos ao Walmart comprar água e pão. Decidi não ficar ali. A previsão é de ficar -3 graus na madrugada e descobrimos que há uns 30 km para frente, na cidade de Mancos, bem menor e próximo ao parque Nacional Mesa Verde não é tão frio. Seguimos para Mancos, e no primeiro RV Park que encontramos estava fechado, mas eu gostei do lugar. O portão estava metade aberto com a placa de Closed na outra metade. Mesmo assim entramos e fomos perguntar se poderíamos passar a noite ali. Fomos até um big trailer e um homem nos recebeu e disse que estavam fechados, mas poderíamos falar com o proprietário mais acima, pois ele só vive ali no seu trailer e trabalha perto. Ele disse ainda que não via problema, mesmo estando fechados. Fomos até a casa indicada e ninguém nos atendeu. Resolvemos ir ver o PN Mesa Verde, que estava fechando e não permite parking ou camping, e também nos informou que todos os RV's da região estão fechados. Fomos a mais um, e estava fechado. Como Deus não falha, e eu gosto disso, meu coração ficou no primeiro que entramos e o dono não estava.

Retornamos ali para o Mesa Verde RV Park, batemos e nada, voltamos a falar com o homem do trailer que nos disse, fiquem aí, depois a gente vê. Achamos um lugar e nos instalamos, e logo apareceu um jipe com um casal dizendo que vivem ali também e que estão fechados, explicamos a situação e disseram para ficarmos por ali então. Mais uns minutos, um segundo jipe, agora sim era o dono, o Mike, para quem explicamos a situação e ele foi gentil e nos deixou ficar por U$ 25 dólares. Até internet liberou. E Deus foi mais uma vez glorificado.

Nos preparamos para enfrentar nossa primeira noite abaixo de zero e fomos dormir após um macarrão preparado pela Jane, o melhor feito no nosso carro.

Dia 09 (Conhecendo o Canyonland National Park)

O frio chegou em 0 grau ás 2 h da madrugada e baixou para -3 até as 7 h, mas o  nosso aquecedor deu conta legal e com nossos pijamas e cobertas ficou tudo quentinho. Temos um novo aquecedor a gás, mas ainda não inauguramos. Enquanto temos energia vai no elétrico que está dando conta. Essa foi mais uma etapa vencida, pois no início da viajem o aquecedor não deu conta no frio do Atacama e não tínhamos pijamas quentes o suficiente, mas agora parece que deu para encarar temperaturas abaixo de zero.

Acordamos e após o café, nossos super cereais com banana, olhamos mais uma vez os mapas e decidimos ir ver o PN Mesa Verde, que estava bem próximo de nós. Mas devido ao seu tamanho e tempo que despenderíamos ali decidimos seguir e entrar em Utah e aproveitar um pouco mais por lá.

Paramos na cidade de Cortez para mais um abastecimento e agora tudo deu certo. O cartão passou, usamos o cep do Randy e maravilha, lá fomos nós. Escolhemos ir por rodovias estaduais e não pelas federais, para conhecer um pouco mais do interior. As rodovias não são duplicadas mas, estão em ótimo estado, não tem pedágios e ainda passamos por diversas pequenas cidades muito simpáticas. Rapidamente chegamos a Utah na cidade de Monticello. Ali precisávamos decidir se subíamos ao norte ou descíamos para o sul.

Decisão acertada quando decidimos pelo norte. Logo nos primeiros quilômetros, uma paisagem de cinema, montanhas coloridas e rochosas impressionantes. É incrível como os dois estados se definem muito bem, Colorado e Utah estão lado a lado e são totalmente diferentes, nos deixando sem saber dizer qual o mais lindo. Paramos para as primeiras fotos e seguimos. Eu vi uma placa de um PN, mas passei, disse a Jane que devíamos entrar, e ela concordou, então retornamos e fomos visitar.

Depois de algumas milhas, começou um bombardeio de paisagens fantásticas, impossível descrevermos com palavras. Fotos, filmes e mais fotos, foi assim que tentamos registrar as coisas que sentimos e vimos. O parque é muito grande. Da rodovia até a entrada do parque são quase 60 km. Mas nós vimos tantas coisas nesses 60 km que foi o suficiente, gastamos cerca de duas horas e meia e 120 km de ida e volta. Agora de volta a rodovia, mais algumas milhas e novos lugares cinematográficos. Fomos obrigados a parar novamente. Mesmo assim conseguimos rodar o dia todo cerca de 400 km e vimos muita coisa linda. Decidimos ficar na cidade de Green River. Aqui tínhamos opção de três RV parques, um deles dentro de um parque estadual, todos pagos. Nós ficamos no Green River SP que também era o mais em conta. Um lugar com boa estrutura e lindo, além do silêncio. Vamos passar a noite aqui e manhã estrada e lugares lindos pela frente. Na minha devocional de hoje o texto de salmo 125 dizia: “Os que confiam no Senhor são como o monte de Sião, que não se abala, firme para sempre”.

Obrigado Deus por revelar teu amor e misericórdia todos os dias de nossas vidas, e nos leva a Te ver e confiar em Ti através da Tua criação.

 

Dia 10 (Cruzando as Montanhas de Utah)

A noite foi boa, logo a meia noite já estávamos em 0 graus. A sensação de passar a noite toda em zero e baixando fez com que a ansiedade me incomodasse novamente. Dentro do carro com o aquecedor ligado em 14 graus meu corpo estava esfriando. A Jane fez um chá quente, nos abraçamos embaixo das cobertas e consegui dormir. Logo cedo ás 7h já tinha gente andando na rua com -2 graus! Teve gente dormindo em barraca perto de nós! Eu não entendo como conseguem!

Deixando essa questão de lado, arrumamos nossas coisas e partimos com dúvidas  entre seguir para a I-15 , uma rodovia federal ou descer paralelo pela 89 uma estadual. Antes de tomar essa decisão seguimos pela I-70. O visual na federal ás vezes é meio igual, mas o bom é que podemos andar a 75 ou 80 milhas, dependendo do trecho, e se não tiver vento o carro vai bem macio.

Mas logo começamos com muito vento, acho que os mais fortes até agora. Ventos de lado, o que cansa mais ainda. Paramos em alguns lugares para tirar fotos de mais canyon e lá na frente uma cordilheira nevada com muitas nuvens escuras acima. Nos perguntamos se era para lá que estávamos indo. E a cada milha, foi se confirmando  nossa dúvida, sim era para lá mesmo. O lugar é lindo, o problema e que com aquele vento todo e nuvens negras, e subindo para 2400 Mnm, eu pensei que teria chuva, mas o frio começou a ficar mais intenso e de repente umas gotinhas brancas começaram vir em direção ao para brisa e a estrada começou a ficar esbranquiçada. Sim! Neve ás 10 h da manhã na estrada. Sinceramente a sensação não foi boa. Não foi aquela: aí que legal, ta nevando! Pois nos parecia que estávamos entrando em uma tempestade! Mas, graças a Deus, logo passou e iniciamos a descida.

Passado esse momento, o sol começou a aparecer e seguimos. Como sabíamos que a 89 estava do lado da cordilheira e o tempo não estava bom, resolvemos não cruzar por ali e descemos então a I-15. Paramos para abastecer, e o diesel estava bem acima da média de preço: U$ 3,89 quando vínhamos pagando U$3,59.

Fizemos um lanche na Daily Queen e seguimos em direção a St. George, pois vimos que ali a temperatura mínima está em 5 graus. Melhor que -3 né? Chegamos rápido, com a rodovia boa, sem vento e com velocidade de 80 mph.

Em St. George, além de mais quente, tem todas as lojas que gostamos. Fomos na Camping World trocar nosso aparelho de medir a temperatura que estava com problemas, e compramos os novos levels para nivelar o carro. Um senhor nos viu comprando e nos disse que deveríamos passar no Lowe’s e comprar algum tipo de antiderrapante pois no asfalto eles iriam escorregar. Dica boa, dada e anotada. Saímos ali e fomos direto ao Lowe’s que estava ao lado da Ross Dress for Less e já aproveitamos para comprar novas meias e outras roupas quentes que precisávamos. Depois pensamos em procurar uma Rest Area para ficar esta noite, mas a mais próxima ficava há uns 40 minutos. A Jane pesquisou um RV Park mais próximo e fomos para o St. George RV Park. Tudo aqui é mais caro, combustível e RV Park. Mas para uma experiência de ficarmos com energia e não usar o aquecedor quando a mínima é de 5 graus, vai ser boa para o próximo dia. Queremos começar a parar em lugares sem pagar. Somente pegar água em algum lugar e parar por aí.

Achamos o lugar e nos instalamos. O Dono do lugar gostou muito do nosso Valente e disse que é perfeito. Temos tudo o que precisamos. Ás vezes só nós não vemos isso. Depois recolocamos as coisas no lugar, aproveitamos para uma ducha bem quente e demorada no lugar para dar aquele relax. Um lanche e cama.

 

Dia 11 (Zion National Park - uma incrível surpresa!)

A noite foi boa, suportamos bem o frio sem usar o aquecedor. Sempre pela manhã é o horário mais gelado. Aqui tem lavanderia e vamos aproveitar para lavar as roupas. Depois atualizar o site e se der ainda hoje vamos para o Zion PN perto daqui. Enquanto lavamos as roupas e demos uma limpada no interior do Valente pensamos em ficar uma noite mais aqui, mas a internet não é das melhores e na noite anterior pagamos 32 dólares e quando fomos pedir uma noite mais ele disse que era U$37 dólares. É claro que foi a resposta que queríamos. Agradecemos e dissemos que estávamos saindo!

O dono do RV disse que tínhamos que sair então, e já era 11:10 sendo que o checkout era ás 11h, virou as costas e saiu. Percebemos que por alguma razão ele não gostou, talvez porque também devolvemos uma mangueira de descarga da água negra que ele nos vendeu na noite anterior e que eu não cheguei a usar.  Devolvi porque só usaria  somente aqui nos EUA, e  nos demais países não usaríamos. Nós temos uma mangueira, só é um pouco curta. Mas por vinte dólares uma mangueira de 20 ft, e que não vamos usar, achei demais. Bem, rapidamente saímos e fomos em direção ao Zion Park. Fomos pela I-15 North e logo entramos na 9, uma bela estrada que nos surpreendeu. Umas 30 milhas somente, mas como já estava perto das 12h, hora do almoço, paramos na estrada em um lugar com uma vista fantástica e comemos um lanche ali no carro. Foi ótimo, ao sol, com uma vista show.

Mais umas milhas e estávamos no Zion National Park, preparados para pagar U$25 dólares na entrada e mais o camping pois queríamos dormir lá. Nosso presente foi quando na portaria fomos informados que o dia era free, e não precisávamos pagar. Achamos Wachtman Campground dentro do park e por U$ 18 dólares estávamos instalados. O lugar estava cheio, mas é fantástico, até uns veados andando por perto tinha. Em meio a montanhas vermelhas, árvores amarelas, um espaço reservado para cada RV com direito a energia, churrasqueira privativa e mesa para refeições. A água e o dump station estavão em um só lugar, abastece de água e larga o esgoto. Mas até a água está sinalizada como própria para beber.

Como já estava no início da tarde pegamos o mapa e saímos para explorar o lugar e definir nossas atividades, pois tínhamos a tarde de hoje e manhã pela manhã. A questão é uma frente fria que está chegando e indo ao Grand Canyon, e queremos estar lá antes que isso aconteça.

Nas primeiras milhas, próximo ao camping, uma estrada nos levava a um Canyon pela parte de baixo em meio a uma floresta de árvores amarelas e vermelhas em suas folhagens, em meio ao verde e algumas secas. Montanhas predominantemente vermelhas, mas coloridas. Um cenário fabuloso que jamais imaginei em minha mente. Um rio pequeno correndo ao lado e mais veados, casais na beira da estrada no lado do rio. Para onde apontávamos as nossas máquinas uma foto melhor que a outra. Como registrar isso? Impossível!

Fomos até o ponto final onde deixamos o Valente e seguimos a pé. Neste estacionamento dois homens ficaram parados atrás do carro olhando os adesivos dos países e se perguntando se era isso mesmo. Fui até eles e me apresentei dizendo que sim, éramos do Brasil. Eles ficaram encantados. Fomos caminhar e chegamos então a um vale onde para prosseguir necessitávamos de roupas especiais pois precisa ser uma caminhada dentro do rio. Mas estávamos tão extasiados com o que vimos que ali já estava ótimo. Retornamos, mas o lugar é tão espetacular que a sensação era de estar passando por outro, pois a visão da ida é totalmente diferente da volta, além da exposição do sol que transforma o Parque a cada minuto. Retornamos após uma ou mais hora de caminhada, embarcamos no Valente e fizemos o caminho inverso bem devagar. Achamos três trilhas a serem feitas, low, middle e up, em direção as Piscinas Esmerandas (Pools Emerald). Decidimos fazer a low no dia seguinte e, se der, a middle( pois cada uma durava uma hora e a up durava duas).

Retornamos ao camping então e já estava escurecendo, mas antes segui pela Highway do parque montanha acima, em direção ao Grand Canyon, pois vi que tem um túnel na rocha de 1.1 milhas, cerca de 1800 metros. Queria passar ele hoje, mesmo que amanhã iremos passar novamente.

A subida nos lembrou a da Cordilheira dos Andes pelos Caracoles, não tão íngreme ou tantas curvas, mas muito perto. Chegamos a um incrível túnel e entramos, lentamente, a 25 milhas, uma diversão passar em túneis longos. A Jane não se emociona muito, além de saber que estamos dentro de uma montanha de rocha a mais de 2.000 msnm. Mas eu curto muito! Passamos, fomos até o primeiro lugar para manobrar o Valente e agora sentido inverso, pura diversão, mas novamente o visual do retorno é diferente.

 Na decida encontramos o homem que já tínhamos encontrado antes e agora estava com sua esposa. Eles vivem na Tailândia e estavam em passeio. Demos nosso cartão para eles e eles disseram que se chegar um email da Tailândia, é o deles! Ross é o seu nome, e da sua esposa não lembramos. Chegamos ao camping finalmente e já estava começando a escurecer, todos estavam acendendo suas fogueiras e o cheiro de churrasco estava começando a tomar o ar.

O frio também estava chegando, mas estávamos preparados. Eu não quis me fazer de rogado e comecei a procurar mesmo que com a lanterna uns gravetos e madeira e fiz minha fogueira também. A Jane estava fazendo um arroz com salada e iria grelhar uns peitos de frango. Mas, eu já dei um jeito de por na brasa e ficou ótimo!

Sentamos ao lado da fogueira e abrimos um vinho Californiano, Merlot, ótima dica do nosso amigo Ricardo Casas. Meus vinhos favoritos são os chilenos, argentinos e uruguaios, mas agora os da Califórnia estão na lista.

Conversamos sobre a surpresa do dia: o Zion é o Parque mais lindo que vimos até agora na viajem. O Atacama e o Peru estavam disputando o primeiro, seguido de perto pela Cordilheira dos Andes que amamos. Mas o Zion acho que pegou o primeiro Lugar. O céu estava estrelado ao extremo e podíamos ver a via láctea clara como nunca!  Nem no deserto do Atacama no Chile ou no Equador havíamos conseguido tal façanha!

Ligamos para o Ricardo Casas e para a Brenda, conversamos um pouco e fomos dormir. O Vinho ajudou, confesso.

 

Dia 12 (Pools Emerald em Zion NP)

Após uma ótima noite, tive meu tempo com Deus, estou meditando em salmos e provérbios. 

Eu (Janeh) meditei no livro de Apocalípse. Leia mais em Zion National Park - Apocalipse 15:3-4

Comemos um cereal básico e fomos para a nossa caminhada montanha acima pra ver as piscinas esmeralda no alto dos canyons. Tínhamos a ideia de fazer a trilha low, com previsão de uma hora e, se desse, a middle.

A primeira trilha foi bem low, vimos coisas bem legais, e decidimos ir adiante, e chegamos na up, que não foi assim tão up. Os lagos não estavam assim tão esmeralda, mas acho que devido a exposição do sol e o horário. Confesso que esperava mais.

A Jane tem mostrado medo, não pavor nem pânico, só um medinho das alturas, mas tem sido valente, ido e vencido.

Descemos e, agora sim, seguimos pelo túnel, subimos tudo novamente e cruzamos a parte de cima chamado de Mt. Carmel, mas é impossível seguir sem parar, pois os cenários são tantos e tão bonitos que fizemos muitas paradas.

Nestes momentos sempre tinha um parando e olhando o carro e perguntando como um carro do Brasil estava aqui? Essa parte eu sempre gosto de dizer que viemos dirigindo por seis meses até aqui. Duas mulheres francesas que estavam com um RV alugado e estavam descendo desde São Francisco, acharam legal nossa viajem. Seguimos mais adiante e precisávamos abastecer. Coloquei no GPS o combustível mais próximo e ele nos levou até lá. No caminho passamos pelo Rancho Zion com criação de Búfalos. Outra surpresa ver búfalos na estrada. Em frente ao posto de combustível shell um restaurante típico do interior americano com muitos motivos indígenas. Essa região está cheia de marcas. Fomos fazer um lanche ali e foi como se estivéssemos em um filme americano antigo, a sensação foi muito legal. Eles fazem ali uma torta de maçã e que pedimos dois pedaços para viajem. O nome do lugar é Thunderbird Restaurante.

Um fato curioso foi que o Zion tinha mais turistas japoneses que árvores em floresta. E eles estavam ali no restaurante em dois grandes ônibus. E parece que o Japão invadiu os EUA. Depois do lanche e do tanque cheio, a dúvida, se seguimos pela 89 ou a 89A, decidimos ir pela 89A e ver a possibilidade de entrar no Grand Canyon ao norte. Nós sabíamos que poderia estar fechada, pois eles já consideram novembro inverno, e foi isso que aconteceu. Seguimos então e passamos pelos Vermilion Cliffs, e mais lugares lindos e muitas fotos.

A Jane falou que não tínhamos muitas opções para dormir, e que estávamos sem alguns mantimentos básicos de comida. Resolvemos então voltar 30 milhas e dormir em  Page e não em Tube City, nossa ideia inicial. Fomos ao Walmart e decidimos fazer nossa primeira experiência de dormir no Walmart, sem água, sem energia e de graça, mas ao menos tem o Walmart ali. (risos). Devido a caminhada da manhã que levou umas duas horas e meia, e dirigindo quatro horas seguidas, estávamos bem cansados. O carro estava com as baterias cheias e antes de sair do Zion eu enchi o tanque de água, ou seja, tínhamos o suficiente para a noite.

Aproveitamos nesta noite para tentar calibrar os tanques já que desde que saímos da casa do Randy não tínhamos feito. Fizemos o processo e vamos observar se ficou correto. Comemos as tortas que compramos no Thunderbird e mais uns Donuts com chá e depois, banho e cama.

 

Dia 13 (O Incrível  Grand Canyon)

Não precisamos ligar o aquecedor a gás, ficou até quente com o chá e o banho quente e muitas cobertas. A mínima foi de 5 graus, mas ficamos bem.

Comemos um cereal. Estava friozinho, arrumamos tudo e pé na estrada porque hoje é dia de Grand Canyon. A viajem de 2:30 h foi preparada por muitas paradas, como no Little Colorado River, que já impressionam.

Chegando a entrada do Park, deveríamos pagar U$ 25 dólares para entrar, mas já resolvemos comprar o passe anual por U$ 80 para os outros parques nacionais que que teremos pela frente. Sai bem mais em conta desta forma.

Na primeira parada fomos a Tower Canyon, no desert View, onde pudemos ter nossa primeira imagem, visão, do Grand Canyon, tudo impressionante demais, devido as dimensões de largura, comprimento, profundidade e cores.

Fato a ser destacado é a ótima estrutura, limpeza, sinalização do lugar. Nos Visitor Centers e nas lojas de lembranças e artes, não vimos exploração. Coletes, jaquetas e outras peças, como bonés e camisetas sendo cobrados por preço justo. Isso é ótimo. Outros países deveriam seguir o exemplo. Jaquetas corta vento da marca Columbia sendo vendida a U$ 49 dólares. Vimos por 3 vezes mais em muitos parques e cidades que visitamos nos demais países.

Como descrever Grand Canyon? O Park tem três entradas, uma estava fechada ao norte que não se liga com as demais. E as outras duas entram de um lado e sai pelo outro na highway 64 que cruza o Park. O nome Grand Canyon foi dado por ser realmente o maior de todos. Eu havia lido há uns anos atrás sobre dois jovens americanos que visitaram o lugar e desceram ao rio, porém para se fazer essa caminhada completa é necessário dormir no caminho e são 20 km Canyon abaixo. Existe a possibilidade de fazer de outras formas, com trechos mais curtos, mas desisti.

Penso que a forma mais clara de descrever é como diz o Salmo gravado em uma placa no mirante, citando as palavras do salmista Davi em Salmo 66:4. Leia mais em Grand Canyon - Salmo 66:4-5.

Cada local que paramos e ficamos contemplando e ouvindo os sons do local, somos inspirados a contemplar o criador de tão deslumbrante e perfeita obra! Sua criatividade, nas cores, detalhes, sons, na paisagem que muda a cada minuto...

Fato curioso, os japoneses que estavam no Zion e mais uma penca deles estavam todos aqui também. Alguns carros que vimos que vimos no Zion, da Alemanha e o casal de francesas também passaram por nós.

Depois de visto quase todo o parque com o Valente, pois são alguns quilômetros dentro do parque, paramos no segundo centro de visitantes e assistimos a um vídeo no anfiteatro, incrível saber sobre como surgiu o Grand Canyon, e que a milhões de anos, desde as primeiras formações de vulcões, explosões, acidentes geográficos de placas, foi tomado pelo oceano e depois sofreu ainda tantas outras mudanças, e que atualmente ainda passa por mudanças com a ação do tempo. Ele está a mais de 7000 ft, ou 2000 msnm do mar em seu ponto  mais alto e já foi deserto, habitado por índios e invadido por oceanos. Hoje preserva vida em fauna e flora diversa, além de deserto, montanhas e rios.

Fato curioso, os japoneses que estavam no Zion e mais uma penca deles estavam todos aqui também. Alguns carros que vimos que vimos no Zion, da Alemanha e o casal de francesas também passaram por nós.

Decidimos ficar no parque a noite já que tem dois campgrounds dentro dele além de hotéis, caríssimos por sinal. Fomos pedir informações e recebemos a notícia de que o camping sem nada, só estacionamento eram U$ 18 dólares, e o com água e energia era U$ 46 dólares. Um grande absurdo e contracenso, parece que eles não querem que fiquemos dentro do parque ou que é só para a elite. Como estávamos sem água, resolvemos sair até a próxima pequena cidade que fica  a 11 milhas apenas. Ali com o auxílio dos nossos livros do Church “Southwest Camping Destinations”, chegamos ao  The Flinstones RV Park, um lugar simples, mas com o básico, água, energia e dump station. Por apenas U$16 dólares. Perfeito para o que precisamos. Além de ser um lugar divertido que nos faz sentir que estamos em Bedrock!

Acertamos tudo e nos instalamos. A noite promete ser fria, mas faz parte. A Jane fez um macarrão a bolonhesa e fomos fazer diários, baixar fotos, atualizar as coisas que fossem possíveis. Já estamos há dois dias sem os celulares e sem internet funcionando, pois a At&t não funciona bem nessa região. Amanhã esperamos poder dar notícias.

Próximo destino, será a Route 66 e depois vamos em direção a Las Vegas, Nevada, depois finalmente Califórnia, onde esperamos não ter tanto frio, e poder ficar em lugares sem ter que pagar.

 

Dia 14 (Route 66)

A noite foi de 7 graus, muito melhor do que imaginávamos. Acordamos com um nascer do sol maravilhoso bem a frente do Valente, porém logo desapareceu. O dia estava bem nublado e a previsão era de chuva. Partimos em direção a tão famosa Route 66. Entramos na primeira placa que vimos, saindo da I-40 e fomos a um Museo que pensamos ser o Museo da Route 66. Não era exatamente, mas fomos muito bem recebidos e já aproveitamos e compramos nosso adesivo tão sonhado!

Demos uma olhada em tudo, até ganhamos um bolo com café de um grupo de senhoras que estavam se reunindo lá, e com a orientação de uma senhora, nos indicou a saída 139, para pegar a Route 66 que é o trecho ainda preservado que corre paralelo a I-40.

A Route 66 que saí de Chicago bem mais ao norte e cruza seis estados até a Califórnia, é a rodovia considerada mãe, e a mais importante dos EUA. Pela sua história e tempo e tudo o que aconteceu desde os anos 50 e 60. Hoje infelizmente ela está cruzando muitas cidades e a Hwy 40 corta dela de dois lados. O maior trecho ainda original é esse que estamos fazendo. Logo na entrada algumas lojas de artesanatos e lembranças, cenas de filmes,  principalmente em Seligman, cenário do filme CARROS, paramos para dar uma olhada, tiramos fotos e fomos seguindo tirando muitas fotos. Sinceramente o que se vê na Route 66 é uma rodovia de mão dupla, em meio ao deserto norte do Arizona, com a estrada de trem passando paralelo. Se não fosse pela história, pela tradição seria somente uma rodovia do interior americano. Não se vê grandes paisagens. A emoção de realizar esse feito é o que importa quando passa por li e o peso histórico desta rota. Para os Americanos tem outro peso, para nós é uma grande realização, poder passar por lugares onde muitos filmes foram rodados e que contam tantas histórias!

Falávamos entre nós que o que sabemos do lugar cria uma expectativa que pode ser boa ou ruim. Sempre é assim, e isso gera uma ansiedade que pode ser boa ou ruim, e vai depender do nível de cada um.

Há dois dias atrás quando chegamos no Zion NP, que não sabíamos que existia e não lemos quase nada sobre ele, foi um grande presente e surpresa, pois não esperávamos nada e foi estupendo.

Paramos na Route 66 na cidade de Peach Springs, em um restaurante para comer algo. O que encontramos foi um restaurante típico do Arizona. Muito bom, mas nada voltado a Route 66. O que nos chamou a atenção foi a feição indígena da maioria dos frequentadores do local. Bem índios americanos, com seus carrões, corvettes, mustanges entre outros. Aproveitamos a internet do local e o sinal de telefone para falar com a Brenda, dar notícias e falamos um pouco com minha Mãe e a minha irmã Ana Cristina, e a Jane com suas irmãs. Minha irmã postou uns vídeos e fotos da Mel, o que nos fez ver que está bem e feliz, mas a mim sempre é dolorido pois a saudade é grande da nossa cachorrinha.

Seguimos até a cidade de Kingman e procuramos o centro de informações e Museu pra conhecer um pouco mais. Depois saímos em busca a um lugar para passar a noite. Pensávamos em seguir até Las Vegas, mas achamos que chegar perto do anoitecer em uma cidade grande iria ser estressante e no mais queríamos ver o Grand Canyon Skywalk. Las Vegas estava a 100 milhas e o Skywalk no caminho mas também a 100 milhas. Decidimos ficar na metade em uma pequena cidade de somente 2.000 mil habitantes, chamada Dolan Springs. Achamos o Dolan Springs RV Park e nos instalamos.

 

Dia 15 (Grand Canyon Skywalk- decepção & Hoover Dam bela Surpresa)

Fala sério, a noite foi ótima, temperatura não caiu muito e dormimos que nem dois anjinhos. Sol batendo na janela da cabeceira da cama e dia azul. Obrigado Deus por tanto amor.

Hoje partimos em direção ao Grand Canyon Skywalk, pegamos a estrada e logo começamos a subir a montanha novamente, um cenário diferente de tudo que tínhamos visto. Pois em meio ao deserto do Arizona, agora encontramos cactos gigantes. Foi tremendo o visual.

Uma hora de estrada e chegamos finalmente no nosso destino. Mas a decepção chegou junto. Logo na portaria um senhor com traços indígenas bem fortes nos indicou que estávamos no Grand Canyon West, uma reserva indígena e que não poderíamos entrar com nosso carro. Falamos que viemos ao Skywalk e que as placas indicavam esse lugar. Ele disse que o Skywalk é uma das atrações, e que teríamos de deixar nosso carro em um estacionamento indicado e então caminhar até a recepção. Mostramos nossos passaportes para os Parques Nacionais e ele nos informou que não valeria para esse. Não entendemos o motivo, mas fomos lá.

Estranhamos a grande quantidade de helicópteros partindo dali um atrás do outro. Eu pude contar cinco no ar e mais três em terra com os motores ligados prontos para partir. Do outro lado vários aviões e ônibus também partiam. Pensamos logo que o negócio era bem elitizado, e a brincadeira ia ficar cara.

E ficava mesmo! Para entrar no lugar de onibus custava U$80 dólares por pessoa com direito a entrar no Skywalk! O helicóptero sai por U$190 dólares por pessoa. Ridículo? Não, real. Chegamos á conclusão que isso não era um parque nacional e sim um local privado que levava o nome de Grand Canyon pois está no Grand Canion. E noventa por cento das pessoas que vimos lá em seus carrões eram japoneses ricos provavelmente!A loja de lembranças tinham os mesmo artigos dos outros parques só que o dobro do preço! Viramos e retornamos, uma hora de volta. Foi culpa nossa, deveríamos ter buscado mais informações!

Tudo bem, seguimos em direção a LasVegas. Uma notícia boa foi que chegaríamos um hora antes, pois tem fuso de Nevada para o Arizona. Na estrada paramos em um lugar qualquer com uma linda vista para o lago Mead e fizemos um lanche. Mais adiante avistamos placas indicando o Hoover Dam, uma grande represa no grande Lake Mead. Sabíamos que teríamos ela no roteiro mas não sabíamos que estava logo ali.

Passamos uma entrada e ficamos decepcionados pois não víamos mais um retorno, mas logo a adiante a outra entrada nos deixou muito felizes.

O Hoover Dam gera 1.344,800 kilowatts, início sua construção em 1931 e foi concluída em 1936. Foram utilizadas 6.6 milhões de toneladas de concreto e custou U$175 milhões de dólares. O lugar estava cheio de turistas de todos os cantos do mundo. Indianos, italianos, franceses, alemães, russos, e nós Brasileiros. Foi incrível conhecer tal construção. Limpeza, organização, policiamento, até revistaram nosso carro! Mas tudo com uma educação e gentileza de tirar o chapéu! Muitas fotos, tomamos sorvete e nos divertimos. Depois de uma longa caminhada, fomos ainda com o carro visitar o Lake Mead, com uma linda vista. Um Azul indescritível em meio ás montanhas no deserto de Nevada. Agora sim, 15:30h da tarde e precisamos decidir onde ficar. Aqui tem muitas opções, o difícil é decidir. O preço conta muito. Vimos que o Lake Mead está dentro de um Parque nacional e como temos o passe não precisamos pagar, somente pelo camping. Achamos o Las Vegas Bay, com dump station, água, banheiros, por U$10 dólares. Maravilha! Paramos e fomos fazer nossa entrada, mas aqui não tem ninguém, somente instruções onde você faz seu check in, preenche seus dados, coloca tudo inclusive o dinheiro em um envelope e põe na caixinha. Coisa de primeiro mundo!

Fomos até o lugar escolhemos um e nos instalamos. Para encher o tanque nos deparamos com uma mangueira sem rosca, para carros com tanque por gravidade. O nosso eu preciso de adaptadores. Lembrei que tinha comprado um adaptador para mangueiras desse tipo e guardei em algum lugar. Eu e a Janeh nos empenhamos em encontrar, pois não tem muito onde procurar, tem que estar aqui no carro. A Janeh encontrou e logo estávamos com água no tanque.

Quando estávamos saindo da estação de água, um homem veio em nossa direção falando em alemão todo feliz! Eu pensei comigo: "o que esse louco esta pensando?”. Falamos que éramos do Brasil e ele mudou para o inglês. Ficou extasiado em encontrar alguém do Brasil com um carro francês nos EUA. Seu nome é Gustav e esta viajando há seis meses. Trouxe seu carro da Alemanha para o Canadá e está descendo pelos EUA. Está voltando para Alemanha e retorna dia 8 de janeiro para ir ao México. Trocamos um idéia e demos nosso cartão a ele e fomos nos instalar.

Enquanto a Janeh cozinhava um delicioso risoto de camarão para nós eu resolvi inaugurar minha máquina de cortar o cabelo. Já são dois meses, e a última vez foi na Guatemala. Agora vou passar a máquina e pronto. Fui eu mesmo fazer a façanha, mas precisei da Janeh para os acabamentos. Ficou bom, gostei da brincadeira. Jantamos, tomamos um banho gostoso e atualizamos as informações. Amanhã vamos ficar por aqui e na segunda vamos a Las Vegas. Mandamos um email para o Franz e a Emi e agora vamos aguardar eles responderemos. A última notícia há uns vinte dias de que estavam na Califórnia com o RV alugado. Vamos tentar nos encontrar.

 

Dia 16 (Las Vegas NV)

Está noite foi especial. Tivemos a primeira experiência com muito vento, isso nos pegou de surpresa, pois dirigir com vento já passamos mas ser surpreendidos no meio da noite com uma tempestade de vento no deserto, isso não. Foi tão forte que o carro balançava de um lado para o outro, me senti dentro de um avião com turbulência.

A Jane acordou muito assustada. Eu também estava um pouco, mas minha percepção dizia que era só vento e o barulho é maior do que a coisa realmente. O fato de ser á noite e não termos visão do que está acontecendo realmente torna a coisa mais apavorante.

Levantamos, eu dei uma olhada na rua com a lanterna e vi que todos os RV's e trailers estavam lá no lugar, haviam aviões decolando e carros passando na rua. Isso indicava que tudo estava bem. Também pensei que nós já passamos por diversos países que tem perigo de terremotos, vulcões, furacões, tsunamis e com indicação de rotas de fuga e evacuação, países muito menores que os EUA, e aqui não tinha nada, estamos dentro de um parque e com vigilância, e ninguém avisou ou informou ou soou nenhum alarme, sendo assim, nós deveríamos nos acalmar e esperar passar.

Claro que foi um tanto apavorante ficar dentro do carro com essa situação. Oramos juntos e nos abraçamos aguardando que passasse. Acho que iniciou por volta das 22:30 h da noite e o período mais forte durou umas duas horas, depois tiveram rajadas de vez ou outra. Nossa cadeira e os crocks da Jane que ficaram do lado de fora do carro voaram pra longe. Isso durou a noite toda.

Quando realmente acordamos, fui procurar a cadeira e o crock e achei tudo. Tentamos nos sentar ao sol, pois o plano era passar o dia ali e uma noite mais, mas estava impossível ficar no sol com um vento polar nas canelas. Decidimos sair e ir para a cidade de Las Vegas, pois na cidade tem mais construções e o vento é menor e a cidade também acaba sendo mais quente.

Quando estávamos prontos para sair vimos o Gustav e Edit, o alemão que conhecemos no dia anterior saindo com seu carro. Foi aí que entendi tal empolgação quando nos viu chegando. Ele está viajando com uma Renault Master também, porém a dele é de 2001, com motor 2.8 Fiat e é mais curta que a nossa. Foi legal encontrar uma Master da Alemanha, foi a primeira Master que encontramos.

Paramos próximo a eles que estavam fazendo o dump station, e fomos dar o bom dia. Tivemos o prazer de conhecer a sua esposa, Edit, que foi muito simpática e expressiva, e saiu falando muito. Foi até nosso carro e ficou encantada com o trabalho, tamanho e acabamentos. A deles é bem mais simples e por ser menor, a cama do casal está no meio do carro e precisa ser montada e desmontada toda noite. Eles também não tem ducha. Eles estão viajando há seis meses e hoje estavam saindo para deixar o carro em um storage e voltar a Alemanha para o natal em família. No dia 08 de janeiro estão de volta para ir ao México e descer a América central e do sul. Trocamos emails e nos despedimos com a vontade de nos encontrarmos novamente. Saímos e fomos a um Walmart comprar mantimentos. O dia promete ser bem frio, bem diferente do dia de ontem. Depois de tanto vento a temperatura caiu e o vento não dava trégua. Depois disso fomos procurar um RV parque com internet e mais ao centro para poder atualizar tudo, achamos o Road Runner RV Park, por U$16 dólares dia com tudo. Nos instalamos!

Fizemos um almoço, e a Janeh começou a trabalhar no site. Eu fiz umas pesquisas e li um pouco. Nosso carro ficou quentinho, perto de 24 graus e lá fora uns 9 graus e descendo. Amanhã vai ser dia de postar as coisas e lavar roupas e a noite talvez vamos sair para dar uma volta em Las Vegas e conhecer. É possível que terça-feira ainda fiquemos por aqui e saiamos na quarta cedo. Vamos estudar o clima e decidir como faremos com os parques antes de ir a Los Angeles e San Francisco.

 

Dia 17

Hoje o dia foi de lavar roupas, atualizar o site e descansar um pouco da estrada. Não saímos para nada. A noite a Janeh fez uma janta gostosa e assistimos um filme no DVD.

 

Dia 18

Dia de atualizar as informações do site. A Janeh foi ao escritório para trabalhar e eu toquei violão, limpei o carro, tive um tempo com Deus bem legal.

A tarde, saímos para dar uma volta.  Fomos ao Lowe's  e ao Home Depot procurar uma mangueira mas não encontramos, mas comprei uns isolantes para o vidro.

Fui colocar o isolante no carro e a Jane trabalhar na Net novamente.

Uma curiosidade é a grande quantidade de aviões diariamente e a noite decolando e pousando daqui. Estamos próximos do aeroporto, e ele não para. É incrível, nunca vi nada igual! Eu cheguei a contar seis aviões sobre nossas cabeças indo em direções diferentes.

Ainda não me sinto em Las Vegas, pois estamos em uma avenida com muitos RV parques e casas, mas nada um lugar bem tranquilo e bem comum. Bem diferente da Las Vegas que vimos em filmes, então fomos procurar onde isso está.

Saimos para dar uma volta no centro e pelo caminho paramos também em uma Ross e fomos dar uma volta. Encontramos uma turista brasileira, de Salvador e conversamos. A Janeh tinha na mão um creme e eu um par de luvas, a nossa amiga baiana, um carrinho lotado até a boca.

Falamos de nossa viajem e ela perguntou como e porque vivíamos assim. Não resisti e disse que vendemos o que tínhamos e saímos viajar, e que, se eu estivesse fazendo como ela comprando um carro cheio de coisas que depois não teria nem onde guardar, eu não poderia fazer a viajem. Compartilhei que descobrimos que o que precisamos cabe no nosso carro.

Ela respondeu que é preciso muita coragem para viver assim. Eu disse o mesmo a ela, me referindo á montanha de compras que ela estava fazendo, e rimos!

Seguimos para nosso passeio e chegamos a principal avenida de Las Vegas. Impressiona! Muitas cores, luzes, painéis gigantes em alta definição, casas de shows, incontáveis cassinos, parques de diversões, uma torre Eiffel, uma estátua da Liberdade, uma pirâmide com uma grande esfinge, hotéis grandiosos e suntuosos, muita gente na rua, muita informação visual... tentamos parar e estacionar e é impossível. O trânsito estava tranquilo, mas não tem onde parar. Fomos até quase o final da avenida e voltamos.

Não estávamos afim de deixar o Valente muito longe e estávamos com fome, então seguimos em direção ao RV Parque e no caminho encontramos uma pizzaria que não tinha cara de ser para turista, mas aquele lugar que o povo daqui frequenta, e pensamos: “é aqui mesmo”. Fomos muito bem atendidos e comemos uma ótima pizza!

Retornamos ao RV Parque e fomos dormir.

Durante o passeio ao centro vimos que existem milhares de shows acontecendo e decidimos ir ver um no hotel Hard Rock. Compramos os ingressos mais baratos pela internet para amanhã.

 

Dia 19

Após nosso café, a Jane trabalhou mais na internet e eu fiz algumas coisas no carro. Após as 12 h saímos, paramos no caminho e comemos um Subway e fomos na Camping World, e na Guitar Center.

Desta vez compramos um upgrade para nossa antena de TV! Que promete pegar os canais em HDtv, e achamos que pode ser útil. Ficamos de comprar um gerador de energia da honda, que aqui custa mil dólares, muito dinheiro;  mas no Brasil custa cinco mil reais. Mesmo assim, não estamos com coragem, pensamos e não compramos, resolvemos pensar mais e decidir depois.

Depois fomos á Guitar Center, e a experiência é indescritível. Aqui é o éden da música! Você tem tudo o que procura! Eu dei uma volta rápida e peguei umas palhetas e um enroladores de cordas da D'dario. Preciso mesmo trocar as cordas do violão.

Depois fomos ao centro procurar o Hard Rock Hotel e ver como vamos estacionar. Depois dar uma volta antes de ir ao show.

Porem, o hotel não fica na principal, e achamos um bom lugar no estacionamento do casino. Ficamos receosos de não achar outra vaga e deixamos o Valente ali mesmo. O próprio Hard Rock Hotel já é um passeio em si, tem de tudo lá dentro, assim Decidimos trocar de roupas, lanchar no carro, e ficar no Hard Rock dando uma volta e conhecendo as coisas. É interessante ver as pessoas, como se vestem, os tipos, as idades e o que fazem com suas vidas.

Assistir a um show nos EUA, dentro de um hotel é totalmente diferente de tudo que já vimos no Brasil, onde o lugar é lotado e com gente fumando e bebendo, muitos jovens que não respeitam nada, aqui a coisa e bem mais organizada. Pegamos um ótimo lugar, mesmo comprando os tickets mais baratos. Adoramos a experiência. Retornamos ao RV parque e fomos dormir.

 

Dia 20 (Red Rock Canyon- NV & Death Valley- CA a 85.5 metros abaixo do nível do mar)

Hoje é dia de sair de Las Vegas e ir adiante. Confesso que conhecemos pouco do lugar e, para mim, acho que mais uns dois dias seria interessante para dar umas voltas a noite pela cidade.

Las Vegas me impressionou muito pela sua energia e dimensão. Deve rolar muita coisa feia e ruim, mas onde não rola? E eu nunca estive em uma cidade tão iluminada e com tantas atrações e shows, grandes shows acontecendo ao mesmo tempo! Os cassinos, que são muitos em Vegas, não me atraem. Mas tem muito mais coisas para ver. Porém, iríamos gastar um bom dinheiro para ficar vendo tanta coisa. É melhor sair da cidade com vontade de um dia voltar, do que sair pensando em nunca mais voltar. Quem sabe um dia, podemos vir só a Las Vegas?

Decidimos ir ao Red Rock Canyon, há uns trinta minutos de Las Vegas e depois, mais duas horas, seguir até o Death Valley, já na Califórnia.

O Red Rock Canyon não nos impressionou muito. São canyons e montanhas, como o nome diz, rochas vermelhas. Paramos, demos uma olhada, tiramos umas fotos, rodamos as onze milhas dentro do parque e seguimos para a Califórnia, para o Death Valley National Park.

Um fato curioso foi o susto da Janeh quando estávamos na saída do parque! Ela gritou alto dentro do carro para que eu parasse. Eu imediatamente parei e perguntei o que aconteceu e ela disse que não poderíamos passar ali, pois o chão estava cheio de farpas que estourariam nossos pneus. Eu olhei e realmente vi um sistema de lanças no asfalto levantadas, mas deduzi que elas deveriam baixar quando nós passássemos. Olhei no retrovisor e quatro carros pararam atrás de nós, e como aqui o povo é educado, ninguém buzinava ou passava, e a Janeh não me deixava prosseguir. Então ela desceu e foi verificar as lanças no chão. Nisso um dos carros passou por nós bem tranquilo. Vimos que era assim mesmo e passamos também! Mas foi engraçado, pois ela levou um tremendo susto.

Depois paramos para abastecer e foi uma novela, pois a bomba não aceitou nenhum cartão. A Janeh foi dentro da loja e fez a compra por lá e aí deu certo. Rodamos por uma boa estrada e, depois de uma pequena cidade, pegamos uma rodovia alternativa que nos levaria ao Death Valley.

Essa estrada foi interessante, pois rodamos meia hora no deserto, sozinhos! Com pista simples e muitas encruzilhadas. Isso me fez lembrar do filme "Encruzilhada" com o ator do Karate Kid e com o guitarrista Steve Vai, e também do filme Forest Gump e Náufrago, com o ator Tom Hanks. Muitas cenas me vieram a mente. Incrível estar passando em lugares assim.

Quando vimos a placa do Death Valley entramos, e aí sim muitos outros carros estavam entrando na mesma direção. Diferente de tudo o que vimos, mas como já vimos muitos canyon, e depois do Grand Canyon e do Zion, fica difícil superar.

Neste lugar, o que foi mais legal, foi visitarmos um deserto de Sal, um mar de sal praticamente, que fica a 85,5 metros abaixo do nível do mar. Tem uma montanha ao lado, e lá no alto está a placa: “Sea level”.

Já fomos ao Atacama no Valle de La Luna, mas esse aqui é diferente, muito legal. Depois, retornando e entramos em outros pontos com montanhas coloridas, mas o tempo nublado não permitiu tirarmos muitas fotos.

Dentro do parque existem alguns campgrounds. Encontramos um Sunset Campground e nos instalamos! Nestes campings nos parques nacionais, geralmente a noite não tem pessoas cobrando, tem uma máquina para pagamento que só aceita cartão de crédito ou débito. Neste a máquina não queria aceitar nosso cartão, e veio uma senhora muito simpática, que estava no seu RV próximo tentar nos ajudar. Eu não entendi uma palavra, pois ela não parava de falar. Eu só disse ok, thanks, e fomos em frente. Resumindo ela disse: “Entre, fique e amanhã procure alguém para pagar”. Mas, mais a frente em outra máquina, tentamos novamente e desta fez funcionou porém, não emitiu nosso recibo! Fazer o que? Vai assim mesmo.

Procuramos a bomba de água, completamos o tanque e achamos uma vaga. Ficar nestes parques nacionais é uma maravilha! É silêncioso, organizado e limpo. A noite uma escuridão completa. A Janeh preparou uma janta e comemos, conversamos e decidimos seguir cedo em direção oeste.

 

Dia 21 (Giant Sequoia National Forest - Uma aventura abortada!)

Acordar no Death Valley foi muito tranquilo, pois o lugar, clima e silêncio da noite, foram perfeitos! Comemos nossos cereais e preparamos as coisas para hoje sair em direção ao Yosemite National Park, mais ao Norte. A noite aqui foi tranquila com relação á temperatura que ficou em 10 graus.

Ficamos preocupados com a entrada pelo lado norte no Yosemite pois não temos certeza se está aberta, por causa da neve e altitude. Para nós parece mais lógico seguir por ali e depois ir a San Francisco e descer. 

Porém, seguindo pela estrada, muito deserto, típico da região, paramos em uma encruzilhada onde teríamos que decidir sobre o que fazer: ir para o norte ou sul? Próximo dali havia um posto com um lugar para recreação e paramos para comer algo no carro. Lone Pine é o nome do lugar. Fizemos os lanches e saímos para comer num clima agradável, típico de inverno, com dia de sol, pássaros próximos a nós... eu acho que eles já sabem que ali as pessoas param para comer e ficam esperando uma migalha de pão cair para avançarem.

Neste tempo, um senhor com idade avançada se aproximou de mim e perguntou se o carro era diesel, e de onde éramos. A Janeh, que está há anos luz na minha frente no inglês, conversou com ele, e ele disse que estávamos em frente a um dos maiores montes da America do Norte, o Mount Whitney com 4421 msnm, e que ali já caiu um avião com franceses e morreram, e outras historias do lugar. Comentou que já foi ao Brasil e que também tem um RV e viaja uma vez por ano por três meses, porém somente pelos EUA. Ele perguntou para onde estávamos indo e a Janeh contou nossos planos, de ir ao norte para entrar no Yosemite. Ele nos orientou a descer e entrar pelo sul porque, com certeza, a entrada norte já estava fechada. O inverno chegou cedo, ainda podemos entrar no Yosemite porém, tem de ser pelo sul.

Era o que precisávamos ouvir para saber qual direção tomar! Deus sempre colocando pessoas em nosso caminho para nos dar a direção, e nesta hora temos que estar atentos. Resolvemos dar a volta e ir ao Sequoia National Park primeiro e depois ao Yosemite. Rodado alguns quilômetros o GPS nos indicou virar a direita e sair da rodovia principal. A Janeh questionou se não seria arriscado sair da highway, por ser o horário avançado e não sabermos onde exatamente iríamos passar, além de que dirigiríamos montanhas acima? Eu disse que deveria ser mais divertido ir por esse caminho pois, dirigir em linha reta, ás vezes é muito chato, e os lugares mais legais estão fora delas.

Logo adiante, vimos dois carros indo nesta direção e uma camionete descendo, e então seguimos. Pegamos a estrada para passar por dentro do Giant Sequoia National Florest, subimos a 1800 msnm, muito rápido, porém por uma estrada que parecia uma cobra rodeando um vale fantástico, passamos ao alto por uma pequenina cidade de uns duzentos habitantes, onde todos os carros ficaram, e depois disso não encontramos ninguém mais.

Seguimos montanha acima, placa de cuidado com os ursos e animais selvagens, um lugar surreal com pinheiros enormes, rochas, vales, e uma estrada um tanto mal conservada para o padrão dos parques americanos, mas estreita e asfaltada. O visual foi ficando cada vez mais fabuloso, agora com gelo e neve entre, e em algumas arvores e rochas, e mais adiante, a neve em forma de gelo começava a invadir a pista.

Já era perto das 16 hs e aqui ás 17 hs já esta completamente escuro nesta época do ano. O frio dentro do carro aumentando e nós subindo, mais de 2400 msnm, e mais de uma hora dirigindo sem ver uma alma nas montanhas. As placas eram de carros para andar na neve, esquis, avisos de que você poderia, a qualquer momento, precisar usar as correntes nas rodas. Nós não trouxemos as correntes junto e nossos pneus, que já estão com 60.000 km rodados, não são para neve. Comecei a ficar um tanto preocupado a medida que o sol se punha e nós não parávamos de subir e a neve estava cada vez mais intensa e fechando a pista. Até que fechou completamente! Não via mais o asfalto, além do trilho, mas como tinha um trilho eu ainda me mantinha nele e seguia, até que a espessura da neve ficou maior e o trilho dos outros carros sumiram. O nosso carro deslizou sobre a neve. Ainda consegui retomar a tração e sair dali. Mais adiante ainda tinha um pedaço da pista que não tinha neve!  Paramos e olhamos no GPS que estava mudando a direção o tempo todo, recalculando, pois devido a altitude e muitas montanhas e arvores ele estava meio louco. A Janeh olhou no Ipad e ainda estávamos na metade do caminho. Talvez mais alguns quilômetros e já começaríamos a descer e iriamos sair dessa situação, mas achei arriscado! Se eu entro nessa neve e me atolo aqui a mais de 3000 m.s.n.m? A esta hora, não vai passar mais ninguém, e nós vamos congelar aqui!

A Janeh desceu e me auxiliou a manobrar o Valente na estrada estreita e com neve no acostamento e eu resolvi voltar pois, para baixo na neve vai, mas para cima, não ia ser mais tão seguro.

Tudo bem, uma hora e meia perdida, e agora mais uma hora e meia para voltar ao ponto de partida. Mas me senti mais seguro, por nós e pelo carro, em retornar. Durante todo o trajeto de volta novamente não cruzamos com ninguém, ou seja, realmente, se ficássemos presos lá em cima, iríamos estar sozinhos!

Descemos e ainda pegamos o por do sol maravilhoso na descida do vale. Retornamos as retas da highway e seguimos até a cidade de Ridgecrest, procuramos um Walmart e foi ali mesmo que estacionamos! Entramos no Walmart para comprar uns suprimentos e comemos no carro.

Logo tinha mais dois RV’s próximos e tudo certo. Vamos dormir.

 

Dia 22

Acordamos no Walmart em Ridgecrest, olhei para fora do carro e mais alguns RV’s estavam ali. Chegaram durante a noite. Ao nosso lado, uma simpática mulher com seu esposo dentro do seu carro nos abanaram dando bom dia.

Hoje vamos ao Sequoia National Park, já que ontem nossa viajem foi abortada por uma grande aventura. Rodamos umas 4 horas desnecessárias, mas tudo certo! Deus esta no controle e ele nos leva onde quer, sempre!

Precisamos trocar o óleo do Valente assim como seus filtros, e em conversa com o Randy ao celular na noite anterior ele nos disse para procurar um Walmart super center e ou um lugar com o nome de Speed Lub ou highway que eles podem fazer esse serviço. Saímos cedo e, por onde passávamos, estavam fechados ainda.

Paramos em um posto para abastecer, e novamente o cartão não foi. Aqui o diesel está bem mais caro do que no Texas, e estamos ficando assustados. Mas deu tudo certo e abastecemos! Seguimos na estrada e logo uma forte neblina cobria a região, ás 10hs da manhã. Deixamos a troca de óleo para o dia seguinte e resolvemos ir parque hoje. Subindo novamente em direção ao Giant Sequoia National Florest, porém desta vez do lado que não chegamos ontem. Vimos a placa que levava ao platô do lugar, o Sherman Pass, (com 2804 m.s.n.m.) e deduzimos que chegamos muito perto ontem, porém fico feliz de ter ouvido meu coração e ter voltado!

Depois disso, muita descida e estávamos na highway novamente. Essa região é muito seca e o risco de incêndio é eminente o tempo todo, e sempre passamos por placas com um grande urso vestido de guarda florestal com a indicação de risco, moderado, alto, baixo. Numa delas, paramos para fazer uma foto para recordação.

Chegando a cidade de Exeter, paramos em um posto para decidir, se vamos ao Parque direto ou vamos procurar um lugar para descanso primeiro. Olhei ao lado e vimos um Car Wash, e como o Valente já não vê água a um bom tempo, decidir dar um banho rápido nele. A Janeh foi trocar uns dólares por moedas e a maquina comeu dez dólares dela. Eu tinha umas moedas e iniciei a lavação enquanto a Janeh resolvia a questão com a mulher do caixa. Achamos que ela era turca ou árabe, pois falava uma língua estranha com seu esposo ao telefone. Ela foi até a máquina com cinco dólares e a máquina lhe deu as moedas de troco. Ela disse que a maquina não tinha problema. A Janeh não aceitou e disse que colocou dez dólares e não recebeu as moedas, e queria os dez dólares! Falou ainda para ela ver a filmagem das câmeras; isso em um inglês melhor que o da mulher. Ela falou ao celular com seu marido e devolveu nosso dinheiro.

Carro lavado, saímos em busca de um lugar para passar a noite. Sabemos que por esse lado as coisas estão caras, uma noite por 20 dólares está muito barato, mas o problema é achar! Passamos por umas plantações de laranja na região e vinhedos, próximo ao Woodlake, um lugar com um grande lago, muito bonito. O dia estava meio nublado ainda, mas o lugar é muito bonito mesmo assim.

Vi que tinha um campground mas não dei muita bola e segui dirigindo, mas o espirito santo me indicou que deveria voltar, então obedeci e retornei e fomos ver o lugar. Como já estávamos algumas noites sem energia, precisava dar uma carga na bateria, e por isso resolvi pagar para ficar ali. O Horse Creek Campground era legal, mas com energia tinha somente uma vaga ainda. Próximo tinha uma churrasqueira. Perguntei onde poderia comprar firewood (madeira para fogo) e ele me indicou a próxima cidade, a sete milhas. Seguimos e decidimos ir até a entrada do parque, comprar madeira e depois iríamos decidir se voltaríamos ou ficaríamos ali no parque. Seguimos e logo vimos que estávamos em uma região muito turística, tudo era muito caro. Para comprar madeira, eles vendem em grande quantidade, e nós não temos onde guardar, e tivemos que procurar. Vimos algumas placas de RV’s Parques e fomos ver, todos mais caros que o primeiro que passamos, fomos em mais uns dois ou três e fomos até o camping do Sequoia NP e outra decepção: mais caro e sem energia! Voltamos cerca de dezessete milhas e ficamos no Horse Creek Campground próximo ao Woodlake. Era mais longe mas tem tudo o que precisamos e é bem mais barato! Fizemos um fogo, assamos uma carne, fazia muito tempo que eu não achava uma carne boa e fazia um churrasco, a Janeh até chorou de emoção!

Aprendemos a valorizar algumas coisas tão simples, que tínhamos em grande abundâcia no Brasil! Um único bife de ”steak” para dois, comemos tranquilos e dormimos.

 

Dia 23 (Sequoia National Park)

O plano era acordar e ir ao Sequoia National Park e seguir para o Yosemite. Acordamos, enrolamos na cama, ouvindo o barulho de alguns trabalhadores e nos preparamos para ir ao parque. Subimos as dezessete milhas que conhecemos ontem, entramos e fomos direto ao ponto mais alto do parque, coisa de 6500 pés.

Uma serra forte para subir em 1 hora a 30 mph. Encontramos um lugar lindo, muito bem conservado e com as maiores sequoias do mundo, em volume! Pena que as fotos não conseguem expressar o que vimos!

Árvores gigantes, muitos turistas e muito frio devido á altitude. Ficamos um tempo por ali contemplando a beleza da criação de Deus. Próximo do horário do por do sol, que acontece bem cedo por aqui, começamos a descer. Ainda pegamos um espetáculo a parte com um lindo “sunset”. Muitas fotos e mais fotos.

Poderíamos ter seguido por dentro do parque em direção ao Yosemite, porém teríamos de dirigir umas duas horas montanha abaixo, por estradas que não conhecíamos e procurar um lugar para dormir. Então resolvemos que voltar ao Woodlake era a melhor e certa opção. Fizemos isso e novamente, fizemos um fogo e comemos um segundo pedaço de carne como o de ontem e com “marshmallow” que ontem também fez parte da sobremesa. 

 

Dia 24 (Yosemite National Park, um vale de incrível beleza!)

Hoje vamos tentar chegar ao Yosemite National Park, entrar e sair no mesmo dia, procurar lugar para dormir fora do parque para fugir do frio!

Saímos cedo para aproveitar o dia e cumprir o plano. Quando nos despedimos do pessoal do Campground, nos perguntaram para onde iríamos, e dissemos que ao Yosemite. Ele perguntou por onde iríamos nos orientou a ir por outro caminho que estava mais rápido e mais bonito, que ele foi a um mês atrás com sua esposa com seu RV e foi perfeito. Então, seguimos seu conselho e seguimos na direção que nos deu. Realmente o Yosemite Valley, é também fabuloso. Um grande vale com montanhas e pinheiros e quedas d’água gigantes. Um espetáculo da natureza. Muitas caminhas, trilhas para serem feitas. Porém o nível de unidade e do frio do lugar é forte para nossos padrões. Visitamos os principais pontos e final da tarde resolvemos descer. Havia muitos turistas nesta região também, muito oriental, incrível, milhares deles. Depois de babarmos muito com a criação de Deus, pegamos a estrada no sentido oposto ao que entramos e fomos em direção a San Francisco. Sem saber onde iríamos ficar! Uma curiosidade é que em nossos mapas e livros os RV’s Parks e campground desta região, e na California são escassos! E nós sentimos isso na pele.

Dirigimos até a cidade de Modesto e achamos um Walmart para nos instalar. Interessante que no inicio quando saímos do Texas, sabíamos que poderíamos ficar no Walmart ou em Rest Areas, mas como não tínhamos a prática, ficávamos receosos, mas agora já aprendemos que funciona. Então, quando não se quer pagar ou não se acha lugar e só por no GPS o Walmart mais próximo ou Rest Area e ir para lá. Lugar seguro e certo, não tem água ou energia, pode ser um pouco barulhento, mas para dormir é perfeito. Fomos comprar uns suprimentos e dormir. Perfeito.

 

Dia 25

Acordamos e decidimos procurar um local para trocar o óleo do Valente. Em frente ao Walmart vimos um lugar e fomos lá, mas nos informaram que carros como o nosso só a Mercedes Bens ou a Dodge fariam a troca. Ali mesmo na via que estávamos tinha as duas concessionárias. Entramos na Mercedes e fomos informados que só com agendamento e para ao dia seguinte, mas como o rapaz queria ajudar, ligou para a Dodge e conseguiu nos encaixar lá.

Uns metros a frente estava a Dodge e a  recepcionista não falava espanhol, somente inglês, e para a Janeh falar por nós sobre o carro foi um pouco difícil, mas saiu. Nós trouxemos os filtros de ar, óleo e de combustível,  pois sabíamos que não encontraríamos por aqui.

Eles disseram que fizemos certo e nos orientaram a ficar em uma sala vip, com internet e café, e aguardar. Logo a recepcionista veio falar conosco que tinha um problema, porém não conseguíamos nos entender. A Janeh sacou seu Ipad e usamos o tradutor. Foi a saída que funcionou, ela escrevia aqui, nós respondíamos ali.

A questão era que o filtro de ar que eu comprei em uma concessionária Renault em Cartagena, Colombia, era um pouco menor do que estava no Valente. Eu fui olhar e disse que não teria problema, pior se fosse maior e não entrasse. Ele era da mesma largura porém mais curto. Logo vieram os mecânicos novamente falando que não trocaram o filtro de combustível pois não sabiam onde ele estava. Eu disse que achava que sabia. Fomos até o Valente e fiquei tentando lembrar onde estava. A Janeh foi especial: novamente sacou seu Ipad e foi no Youtube pesquisar. E não é que ela achou onde estava e como trocar? Foram só risadas! Eu estava lendo em francês e em espanhol as instruções e tentando explicar para os mecânicos como fazer, e um deles disse para mim, sim eu estou lendo, eu falo espanhol. E novamente, caímos no riso. Todo mundo se quebrando para falar o inglês e os caras falam espanhol. Um é de El Salvador e o outro do México. Aí sim, conversamos, acertamos tudo! A moça da recepção não entendia nada e nós (eu e os mecânicos) estávamos rindo dela agora.

A Janeh fez o pagamento e saímos prontos para mais 10.000 km até a próxima troca. Seguimos para San Francisco e para dormir achamos uma Rest Area em Cristal Springs. O curioso dessa noite foi a grande quantidade de gente viajando e parando na rest area. O povo dorme nos carros mesmo! Usam todo o tipo de criatividade possível para fechar seus carros, com toalhas e lençóis por cima dos vidros, dormem no porta malas, no banco de trás, sentado, é incrível!  Esse movimento todo se deu devido ao Holliday, famoso Thanksgiving que acontece aqui nos EUA no dia 27. Todos se reúnem para comer e passar o dia juntos dando graças pelo ano. Esse evento é mais importante do que o natal para eles. Tudo para e muitos não trabalham a semana para poder viajar e ver seus familiares. Nós poderíamos estar com a Brenda e o Randy mas não foi possível, estamos muito longe para voltar. Mas valeu ver o que acontece no país.

 

Dia 26 (San Francisco e a famosa Golden Gate Bridge)

Após uma noite que foi na rest area Cristal Springs que foi bem movimentada com muitos carros chegando e saindo, nos preparmos para ir a San Francisco. O grande ponto de San Francisco, sem dúvidas,  é a ponte Golden Gate e a ilha com a famosa prisão de Alcatraz. Existem outros pontos, mas nenhum supera esses. Antes de chegarmos a ponte passamos por parte de um grande bairro e o que nos chamou a atenção foi que a cidade é um sobe e desce, como vimos nos filmes e seriados americanos, onde eles passam voando com os carros nos cruzamentos e tem seus desníveis. Outro fato foi o bairro ser completamente oriental. Vimos muitas igrejas de varias denominações com os letreiros em japonês. Restaurantes japoneses, tailandeses e vietnamitas; desde o motorista de ônibus aos passageiros eram orientais e nas ruas, muitos de bicicleta e também nos carros ou caminhando. Na ponte Golden Gate o que mais tinha eram orientais e asiáticos, e também gente da índia, turcos e árabes. Interessante, onde esta o povo europeu?

Cruzar a Golden Gate de carro já fez a Janeh se emocionar mas você tem o convite de fazer uma caminhada. Atravessar a longa ponte de 2.737 metros ida e volta é uma boa caminhada. O movimento era intenso, acreditamos que isso devido ao feriado de Thanksgiving, tanto de carros como de pedestres turistas. Tirar uma foto decente nestes dias é um suplício, mas conseguimos. Fomos  ao centro de visitantes e lemos um pouco sobre sua história. Pensamos em fazer um citytour porém, por 40 dolares cada um, nos pareceu demasiado para nossas despesas. Voltamos e fizemos um lanche no carro. Depois seguimos um direção ao point view no alto do Golden Gate Park, para contemplarmos a vista de outros ângulos da Golden Gate, e foi sensacional! Saimos dali já perto das 16hs e fomos em direção a San Mateo procurar um lugar para pararmos. Isso fica mais ao norte, e não queríamos seguir, mas não achamos nada em San Francisco onde pararmos a não ser hotel. Não existe rest area ou Walmart próximo, não existe área de camping ou RV parks. Rodamos por duas horas e nada. Paramos para lavar roupas em uma lavanderia, pegamos umas dicas com a mulher da lavanderia e nada. Resolvemos voltar tudo e passar a Golden Gate pela quarta vez, agora a noite, e voltar para a rest area que dormimos na noite anterior em Cristal Springs. A Sensacao quando estávamos próximos foi da música do Lulu Santos, "...eu to voltando pra casa, outra vez..." ao menos aqui já ficamos a noite anterior e deu certo. Dormimos ali com gostinho de quero mais em relação a San Francisco, mas a única forma seria achar um hotel, e decidimos não faze-lo. Ficamos satisfeitos com o nosso feito.                  

        

 

Dia 27

A noite foi muito barulhenta devido ao movimento do Thanksgiving. O gostinho de quero mais que ficou de San Francisco nos fez refletir, mas decidimos que iriamos em direção a Los Angeles, pois a Califórnia nesta região não é nada barata e não tem lugar para quem viaja com RV, isso é declaradamente um problema. Tanto que nos livros que temos, os viajantes não passam por essa região, e agora entendemos o porquê. 

Colocamos o pé na estrada e a próxima decisão era, seguir pela I-5 direto a Los Angeles ou ir pela 101 que vai ao litoral? Achei melhor irmos pela I-5. A Janeh não ficou muito convencida, mas eu precisava tomar uma decisão e tomei. Em alguns lugares não tem nada para se ver, e não se tem estrutura, então melhor ir pela highway, pois podemos ir mais rápido. 

Dirigimos muito em meio a muito transito, paramos para fazer um dump station em um posto, abastecemos, colocamos água no tanque para uma possível parada em uma rest area novamente e seguimos, paramos novamente próximo as 12:30 h para um lanche e fomos ao Carl's Jr, nossa primeira vez nesta rede. Não se difere muito de Burger king ou MC Donald, ou DQ, tudo a mesma coisa.

Seguindo, mais estrada, mais retas, muitas por sinal com velocidade de 75 a 80 mph. No final da tarde a umas 50 milhas de Los Angeles, precisavamos achar um lugar. Passamos por uma Rest area bem grande e interessante, mas decidi não parar e ir um pouco mais, pois tinha visto uma placa de um lugar para caminhões e pensei em parar nesta praça. Não encontramos a praça porém vimos uma placa de camping para um Park próximo ao Pyramid Lake, no Alamo Campground. Entramos e fomos conhecer. O lugar é meio ao deserto da California, em meio a montanhas secas, mas com um visual legal e próximo ao Pyramid Lake. Entramos e encontramos uma pessoa que cuida do local. Acertamos valores, escolhemos um lugar e nos instalamos. Agua, e camping, sem energia. Fizemos um fogo fora, assamos uns pedaços de frango e comemos. Ainda nos restavam uns marshwmallows e comemos também. 

Um silencio fantástico, longe da rodovia e somente nós e Deus, ninguém acampado. O lugar e a noite só para nós. Estou começando a ficar acostumado com isso. Eu aproveitei o lugar para instalar o upgrade de nossa antena. Foi super rápido e simples. Agora temos uma antena para canais HDTV abertos, só falta mudar de região para ver se funciona (nossa RV não funciona aqui no EUA).

 

Dia 28 (Los Angeles, Hollywood, um mundo de sonhos caros!)

Depois de uma noite maravilhosa, acordamos declarando que Deus é bom. Nos sentimos seguros e temos dormido bem, nem o frio tem incomodado. Acho que estamos nos acostumando com o frio e os aquecedores, tanto o a gás como o elétrico tem funcionado e suprido nossa necessidade.  Aqui na California as temperaturas não tem ficado abaixo de 5 nos piores dias de madrugada, isso ajuda. 

Hoje é dia de ir conhecer e desvendar Hollywood e Los Angeles. Estamos meio confusos com o que vamos encontrar. Cidade grande, muita gente, trânsito complicado, onde exatamente vamos e o que vamos fazer? Sabemos que tem os estudios para visitar, Paramount, Universal, Warner, porem são pagos, e muito bem pagos, para se entrar. A curiosidade de ver o tão famoso letreiro de Hollywood e a calçada da Fama, como deve ser isso? A forma despojada e louca das pessoas se vestirem e o museu de cera com atores do mundo todo que deve ser legal! Entramos na cidade de Hollywood, e eu logo coloquei no GPS, a Universal Studios, que estava mais próximo de nós. Estava lotado, incrível, em plena sexta feita, lotado. Para entrar na cidade da Universal até que vinte e cinco dóares para duas pessoas com o carro estava razoável. Tivemos acesso as lojas e o clima do estudio, fomos a Hard Rock Café, demos uma olhada geral e fomos achar o famoso Globo na entrada. Conseguir um espaço em meio a tantos fazendo fotos do globo não foi uma tarefa das mais fáceis, mas conseguimos! Situação assim acontece em Punta Del Este no famoso monumento Las Manos,  da mao humana com os dedos saindo da areia. Nunca é possível fazer uma foto somente dos dedos, sempre vai sair um monte de gente junto. 

Feito a foto agora fomos ver a facada para entrar em um tour nos estudios. Fomos a bilheteria, saímos assustados, pois tinham filas e mais filas para entrar, pagando este valor absurdo que eu não tenho coragem de citar. Realmente não precisamos disto. Demos mais umas voltas e fomos buscar a Hollywood Blv, ver a calçada da fama. 

Não foi difícil, o GPS nos levou rapidamente. Achamos um lugar na rua para estacionar a dois dólares a hora. Fizemos o registro no parquímetro e saímos caminhando. Na primeira esquina a Janeh disse: "você já esta na Calçada da Fama". Olhei para o chão e lá estavam as estrelas. Foi legal, porem não andamos por tudo pois são mais de duas mil estrelas. Fomos em direção ao Hollywood Wax Museum, o Museu de Cera. Passamos pela estrela de Charlis Chaplin e de Wall Disney, os mais famosos que tiramos fotos. O museu foi legal, nunca tinha entrado em um. O preco estava acessível, valeu a pena. Tinham outras atrações, mas tinhamos que voltar ao carro e colocar mais dois dólares. Já estava escuro e sinceramente, hollywood tem lá seu charme, mas o centro é sujo e frequentado pelas figuras mais bizarras, e a noite isso fica um pouco assustador. Muitos bares, gente tatuada, centro de tatuagens, piercings... 

Nós tínhamos que achar um lugar para ficar, então colocamos no GPS um Walmart, pois não tem RV Parks, somente Hotel por ali, assim como em San Francisco. Caímos na rodovia parada com as cinco pistas congestionadas. Ou seja, " Welcome to Hollywood" . Muita paciência nessa hora! A sorte é que o povo aqui é paciente e educado e ninguém buzina ou dá sinal de luz. Depois de quase uma hora conseguimos chegar ao Walmart mas,  para nossa tristeza, era um Walmart mini e nem estacionamento tinha. Agora, o que fazer? 

Paramos em um lugar para pesquisar e pedir uma direção daquele que nunca nos deixa na mão. Deus, sempre tem o melhor. Para voltar ao Pyramid Lake, seria uma hora pelo menos, e amanhã teríamos que voltar para a cidade novamente, e isso não nos pareceu interessante. Fomos em direção a Praia de Malibu, ali tem um RV Park e mais dois Parques Estaduais. Dirigimos mais uma hora até o primeiro parque e o preço era de quarenta e cinco dólares sem nada, somente para passar a noite. Descartamos e fomos mais meia hora a frente em direção ao norte onde achamos o RV Park, o único, lotado e o cara teve a petulância de nos pedir setenta e cinco dolares. Eu disse a ele que por este valor, ficamos em um hotel. Ele concordou e disse, sim, tem hotel mais barato, tipo o Motel 6. Saimos, mas Deus sabe tudo. Mais meia hora, já perto das 20hs, depois de dirigir a procura por três horas, achamos o Leo Carrillo Beach Park, por quarenta dólares. Bom, não tem jeito, tem que ser aqui. Entramos muito cansados, tomamos banho, comemos algo e cama.

 

 

Dia 29 (Praias da Califórnia)

Nós acordamos com o barulho dos outros campistas próximos e fizemos nosso cereal. Estávamos nos preparando para sair cedo, pois tem muita coisa para ver, com esse transito louco e ainda estávamos a uma hora de Hollywood, queríamos ver Santa Monica, Long Bech, a tão famosa Malibu de dia, e passar em Beverly Hills e ainda voltar e procurar o letreiro de Hollywood que ainda não vimos. Muita coisa para fazer, e ainda achar um novo lugar para dormir. Ufa, já cansei.

Estava recolhendo a mangueira de água quando passou um rapaz e veio conversar sobre o carro. Ele gostou, queria saber de onde éramos, se era a diesel, qual a média que fazia na estrada, e outras coisas. A Janeh conversou um pouco com ele, demos nosso cartão e seguimos. Acho que o nome dele era Nick.

O que achamos da tão famosa Malibu? Achamos que é um lugar comum. Vimos muitas outras, infinitas praias muito mais belas por toda a América central e sul. Acho que Malibu pode até ser boa para se viver, mas não me mudaria para cá por nada. Tudo muito caro!

A cidade de Santa Monica, nos pareceu muito elitizada, vimos carrões, Porsches, Lamborguines e Ferraris, vimos jovens, que nos pareceram muito novos (para não dizer adolescentes) dirigindo muitos deles, mas no local em si,  nada de espetacular.

Seguimos a Beverly Hills, e esta é uma cidade que me encantou!  Vimos um ônibus de tour andando e seguimos atrás, passamos por muitos lugares limpos, bonitos, uma cidade que fica entre Santa Monica, no litoral, e Hollywood mas, tem sua própria vida. Me encantou! Gostaria de conhecer mais.

Fomos novamente a Hollywood blv, porém sábado, estava intransitável. Para estacionar, nos pediram, em um estacionamento público, trinta dólares. Claro que não pagamos, fomos embora. Fomos então em busca do letreiro de Hollywood que ainda não achamos. Pensamos que estaria bem fácil, super visível. Mas descobrimos que, para quem vem do norte, não é assim! Você não vê o letreiro. Fomos em busca do observatório de onde se pode avistar a cidade, o letreiro entre outras atividades do parque. Impossível chegar ao local, milhares de carros estacionados a quilômetros do lugar, e ai não deu mais.

Paramos para fazer um lanche em um lugar tranquilo e decidimos: " adios Hollywood"! Fomos em direção a cidade  de Corona, ali ao menos temos onde estacionar. Uma hora de estrada e chegamos. O transito intenso, mas paramos para abastecer e foi só!  Fomos ao primeiro lugar para ficar e não tinha nada ali; fomos ao segundo e ali sim no Golden Yvi RV Park, por um valor dentro do normal para o padrão da Califórnia, apesar de caro, ficamos.

Nos instalamos, fomos ao restaurante onde tinha internet free, pedimos uma comida e ficamos por ali um tempo. Depois voltamos ao carro e cama por que o dia foi longo.

 

Dia 30

A noite foi tranquila! Nós carregamos o tanque pois essa noite devemos ficar no Walmart e vamos precisar de água. Logo que saímos fomos procurar o Museu e fabrica da Fender. Fomos ate lá e, como é domingo, estava fechado. Como teríamos que ficar até amanhã aqui, fomos então procurar uma praça com Ross, Walmart, E outras lojas que gostamos para passar o tempo. Eu queria achar uma Best Buy para comprar uns acessórios da Canon e lá fomos nós. Não achei o que procurava e descobri que é mais fácil comprar pela internet na Amazon, pois eles tem kit's inteiros e mais baratos.

Demos uma volta na Ross, e ficamos zanzando por ali. Achamos um pequeno restaurante, e como estava um frio gostoso com uma chuvinha que promete ficar nos próximos dias da semana, pedimos uma sopa e comemos ali. O custo foi baixo e compensou. Fomos até o Walmart, compramos mais suprimentos e nos instalamos no estacionamento do bom e velho Walmart.

 

Dia 01 (Visita ao Museu da Fender - Corona! Um sonho realizado!)

A Janeh disse que não dormiu bem, pois o lugar é um pouco barulhento. Sim, o problema do Walmart é o barulho. Ele nos permite ficar lá por 8 horas porém,  tem este inconveniente. Mas nada tão terrível assim! Lembramos que na Colombia os freios dos caminhões, com seus escapamentos, são infinitamente mais barulhentos. Sem comparação!

Um dia estávamos em Austin e o Ricardo nos comprou  um café da manha do McDonald, e nós gostamos muito! Hoje fomos fazer o café da manha no McDonald!  Feito isso, fomos em direção ao Museu da Fender que abre ás nove horas e tem um tour pela fabrica ás dez. Chegamos em seis minutos no lugar e, para nossa surpresa, estava fechado com uma placa que dizia que abria  ás de horas. Achamos estranho, pois no site dizia as nove horas, mas tudo bem, podemos esperar uma hora no carro.

Quando deu as 10h, fomos ao office e descobrimos estar no lugar errado. Uix, e o rapaz diz não saber o endereço da fabrica, ali era um centro de artes, uma escola de musica da Fender. Tudo bem, temos internet, voltamos ao carro, pegamos o Ipad e pesquisamos. Estávamos a seis minutos da Fabrica. Cheguei em cinco, mas já perdemos o tour das 10h.

Visitamos o museu e fomos no tour das 11:30 h, sem problemas. Foi legal ver guitarras usadas por grandes músicos com Jimi Hendrix, Malmsteen, Buddy Guy, entre outros. Muitas guitarras e todos os amplificadores da Fender a disposição para tocar. Os baixos e guitarras e uma seção de presentes, bonés, chapéus, camisetas e outras coisas com a marca Fender, porém com o preço bem salgado para estar na fabrica.

Eu vi um pedal DI micro da Fender e me interessou. Perguntei o preço e fui informado de que era 109 dólares mais tx’s. disse a Janeh que estava muito caro, pesquisamos no Ipad e achamos no próprio, site da Fender, por U$ 79 e na Amazon por U$ 59, sem frete. Eu mostrei para a moça do caixa que era ridículo o preço ali, e ela disse que não podia fazer nada pois o chefe não estava ali e não vai voltar hoje. Tudo bem, eu não compro então! Ridículo certas coisas. Um dia desses fomos ao Walmart e pegamos uma mangueira nova para água. Eu tinha visto o preço em promoção por U$ 3 e quando passamos no caixa estava por U$9. Eu disse ao caixa que tinha visto por U$3 dólares e ela simplesmente acreditou em mim e cobrou o valor que falei. E assim as coisas funcionam aqui, porém na própria fabrica da Fender não funcionou.

Chegou nossa hora do tour, doze pessoas, cada um com um sistema de áudio próprio e o guia com um microfone a frente, infelizmente perdemos muita informação por não ter um inglês apurado. Ele até falava espanhol, mas durante o tour somente inglês. Depois eu ate fiz umas perguntas em particular em espanhol. No tour pela fábrica pudemos ver quase todos os processos, ficando de fora somente a pintura. Atualmente somente as Custom Shops são feitas em Corona, as Standard são feitas no México e alguns modelos na China. 

A maioria dos processos são feitos por pessoas porém, utilizando muito maquinário. Um dos processos que me chamou a atenção foi a fixação dos trastes que são feitos com máquinas e não mais manualmente. O guia comentou que o valor das guitarras tem aumentado por causa da escassez da matéria prima, que influencia no valor final dos instrumentos. E que não podem garantir que uma guitarra de U$ 6.000 dólares soe tão bem quanto uma de valor inferior! 

Muitas informações interessantes e um momento de realização de um sonho! Ainda quero ir a Nashville, se der tempo, para conhecer a  fabrica da Gibson. Ai vou embora realizado neste aspecto!

Saímos em direção a Phoenix, e dirigimos até escurecer. Nós saímos da California e  entramos no Arizona novamente. Foi bom pois aqui, novamente, começamos a ver muitos RV Park's e rest areas pelas estradas. O preço do combustível também está mais baixo.

Paramos em uma rest area em Blythe, um pouco retirada da estrada e perto a um grande presídio. Estava trocando uma lâmpada do Valente, que queimou, quando a Janeh me chamou. Um homem estava na janela pedindo ajuda pois seu carro estava quebrado e ele estava sem o carregador de celular e sem bateria. Para ajudar o sujeito, que depois se apresentou por Sergio, mexicano de Guadalajara, ofereci a tomada do carro para ele carregar seu celular e enquanto isso, permiti que usasse o nosso celular para pedir socorro. Ele fez umas ligações e disse que precisava esperar por cerca de uma hora para alguém vir buscá-lo. Ficamos ali conversando, porém seu carro não tinha placas, era uma Nissan bem velha, ele era mexicano, estávamos  próximos da fronteira, próximo a um presidio. Ele nos fez muitas perguntas: de onde viemos, para onde estávamos indo, quanto tempo iríamos ficar aqui. Ou seja, muitas perguntas, para uma noite em um lugar um tanto suspeito.

Quando seu celular estava com 40 % de carga ele disse que poderíamos sair se quiséssemos! Eu disse a Janeh que a somente 25 milhas tinha outra rest area e iríamos para lá. Fizemos isso para não arriscar. Chegando na próxima rest area em Ehrenberg, muitos caminhões e muitas famílias mexicanas com mudanças inteiras e crianças em vários carros. Acho que o México está invadindo os EUA. Mas ali, nos sentimos seguros e passamos a noite ali bem tranquila.