Retorno - América Central (19/02 a 12/03/15)

02/03/2015 16:26

Para saber mais leia  o diário do Retorno - México

Dia 19 - Atilán

...Na Guatemala, um grande portão separa os dois países, quatro vagas apenas para estacionar, um comércio fortíssimo em cima da Imigração e da Aduana. Passar ali com o carro é quase impossível. Porém os atendimentos foram tranquilos, nos explicaram tudo, fizeram as cópias sem problemas, e cerca de 1 hora foi o tempo gasto entre saída e entrada. Não revisaram o carro, somente a fumigação paga, e processos de aduana e imigração. Agora, dirigir e sair dali era o negócio! Uma rua super estreita, muita gente na rua, aquele clima da Índia, filas de tuc-tucs, e nós devagar no meio daquela bagunça organizada. O GPS marcava ainda 220 km porém essa distancia foi percorrida em 5 longas horas. Entramos pelo meio de montanhas e vales, estrada ruim, a cada 50 metros um túmulo, (nome dado às lombadas aqui), trânsito lento, e curvas, muitas curvas. A média era de terceira marcha a 40 km/h. Somente a 80 km do nosso destino a estrada duplicou e melhorou. A sensação de chegar novamente ao Atitlan foi ótima. Saímos de 3200 m.s.n.m., para 1800 m.s.n.m, rapidamente, o que fez os freios aquecerem como sempre. Quando parei no Hotel Tzanjuyu, o pedal foi lá no fundo. Já era de esperar, pois aqui a descida é forte.

Acertamos o valor para três noites, porém talvez fiquemos duas, pois queremos chegar no Panamá em uma data específica para cruzar com o Ferry e não podemos nos atrasar.

O rapaz nos conduziu ao local e nos instalamos. Eu estava moído, pois 220 km em 5 horas a 40 por honra é muita experiência desagradável. Mas valeu, neste momento sempre estou refletindo sobre muitas coisas, sobre nosso Brasil e sobre as diferenças entres os países e dentro do próprio país. Depois descobri que entramos pelo pior acesso Mexico/Guatemala. Tudo é aprendizado nesta viajem. A Jane preparou uma janta, e nem banho tomei, sinceramente o cansaço era tão forte, que troquei a roupa e apaguei completamente.

 

Dia 20

Acordamos felizes por estar aqui, armei o toldo do Valente e fizemos nosso café do lado de fora, olhando o lindo lago Atitlan, azul maravilhoso no céu e no lago, ao fundo os três vulcões, Atitlan, Tolimán e San Pedro. Esse lugar é lindo demais. Hoje a Janeh teve logo cedo uma dor de barriga forte, mas conseguiu se livrar dela, ja eu sempre atrasado, senti os sintomas ao meio da manhã e não consegui me livrar do mal estar por quase todo o dia. Não comemos nada de fora do comum, talvez um feijão em lata que trouxemos dos EUA.

Hoje revisei nossos planos e trajetos e decidimos sair amanhã as duas horas da tarde para dormir ainda na cidade de Guatemala, e depois ir a próxima fronteira. Decidimos assim para tentar passar pelo centro da capital e na fronteira no domingo para pegar possivelmente um tráfego mais reduzido.

A Janeh aproveitou o lindo dia de sol para lavar roupas, e foi no balde mesmo. Nada mais de máquinas de lavar e secar como nos EUA. Acampados vai na mão mesmo.

A sensação de estar livres na estrada acampados com o toldo aberto nos encanta. Os EUA é maravilhoso e tem lá suas características, mas não chegamos a abrir o toldo e ficar assim em nenhuma vez, pois com tanta estrutura os lugares são caros e não nos permitiu ficar muito tempo além de apenas dormir. Agora estamos novamente usando todos os recursos do carro, banho, cozinha, banheiro, quarto e transporte.

Trabalhamos um pouco para atualizar algumas coisas no site e fomos descansar.

Aqui na Guatemala nossa TV volta a funcionar e podemos dar uma olhada nos canais abertos de cada país.

 

Dia 21 - Um susto, mas ficamos bem! Dia de sair do Atitlán.

Esta noite tomamos um susto. Desde o dia anterior eu e a Janeh estávamos com uma indisposição estomacal. Estranho pois nós estamos preparando nossa comida e apesar disso, no dia anterior logo após o café eu tive uma forte dor de barriga, e a Janeh teve antes do café. Então presumimos que não foi nada do nosso café. Porém essa indisposição permaneceu por todo o dia. 

À noite, lá pelas 21h a Janeh fez chá de camomila, bolachinha para mim, pois não tinha fome e não conseguia pensar em comida. Fomos dormir e lá pelas três da madrugada eu tentei ir ao banheiro, e chamei a Janeh pois não me sentia bem, e mesmo sentado no vaso acabei desmaiando. Após isso, consegui por alguma coisa pra fora. A Janeh entrou em desespero por me ver ali desmaiado, mas logo voltei, foi coisa rápida, graças a Deus. Ficamos ali um instante sem saber o que fazer ou pensar. Estamos longe e normalmente em pequenas cidades e sem recursos. Escolhemos viver essa aventura, mas em uma hora dessas a gente balança. Uma indisposição estomacal pode ocorrer em qualquer lugar a qualquer hora, mas se estamos em casa, ou com amigos com carro, com recurso, tudo parece ser mais tranquilo. O fato de ser a noite parece que torna tudo pior. Depois desse episódio, tentei deitar mas ainda me sentia mal, e então fomos até a recepção do lugar e pedimos uma emergência. O gerente do hotel chamou uma ambulância do bombeiro para ver minha pressão, e quem sabe se precisar de algo mais. Porém eles chegaram sem nenhum equipamento. Foram muito atenciosos e prestativos mas a única coisa que poderiam fazer era me levar ao Hospital de Sololá há uns 15 km montanha acima. Eu disse a eles que se eu entrasse na ambulância para andar essa distância iria passar muito mais mal. Então me levaram até o posto de saúde aqui mesmo em Panachachel. 

No posto de saúde 24 h acordamos um homem que até agora estou tentando descobrir se era médico ou o quê. Quando ele viu que éramos estrangeiros, não quis fazer nada, mal verificou minha pressão que estava um pouco baixa, 7x10, e disse que eu precisaria fazer uns exames e ir ao hospital. Porém me recusei e voltamos ao camping. O gerente do hotel nos ofereceu uma habitação para não ficarmos sozinhos no carro. Aceitamos e ficamos ali até amanhecer. Acordei um pouco melhor, mas não 100% e decidir sair em direção à cidade da Guatemala, pois ali podemos ter mais recurso caso precise. Antes de partirmos um senhor que cuida dos jardins veio nos dar bom dia e perguntou como estava me sentindo. Disse a ele que passei mal e tinha esta indisposição. Ele então deixou seus pertences ali e foi até uma farmácia para mim e trouxe uns comprimidos com dimeticona e loperamida. Disse que tomasse e logo me sentiria melhor. Foi muito amável. Nos despedimos e Saimos. 

Dirigimos até a Cabañas Suissa e fomos comer algo pois não comemos nada pela manhã. Conversamos com a dona do restaurante sobre onde poderíamos achar um bom atendimento médico, e ela foi muito amável e prestativa nos indicando um hospital. Pedimos duas sopas leves e partimos. A princípio iríamos dormir no Cabañas Suissa, mas descobrimos dois campgrounds muito bem conceituados na CA9, já á caminho do destino amanhã e bem mais baixo ao nível do mar. Decidimos seguir somente mais 40 km e ficar ali. Na cidade da Guatemala que está situada em meio a vales e montanhas, existem muitas outras cidades acopladas o que faz com que o trânsito fique um pouco mais movimentado, mas nada demais. 

Em uma hora chegamos e achamos o lugar, logo após a cidade de Amatitlan. No Turiscentro Auto Mariscos, o Sr. Rafael, administrador nos acompanhou e fui muito simpático, nos mostrando onde poderíamos nos instalar e nos deixou muito à vontade. Como nossa noite foi curta e conturbada, apesar de chegarmos ao Turicentro as 13:30 h fomos dormir um pouco. O lugar tem piscinas aquecidas, saunas, toboágua, espaço para camping e pic nic porém enquanto as pessoas se divertiam nós dormíamos. 

Acordei um pouco melhor, a Janeh diz já estar bem recuperada, mas eu sou mais fraco e sofro mais com qualquer coisinha. Amanhã sairemos e, direção à fronteira de El Salvador e precisamos de um lugar para pernoitar pois não temos um bom ponto na rodovia. Teremos um desafio, mas Deus é sempre Deus, eterno e poderoso e sempre nos dá um bom lugar.

 

Dia 22

Hoje é domingo e logo cedo no clube tinha gente fazendo fila para entrar. Logo o lugar estava cheio. Como estamos pagando e temos direito a usar todas as instalações do lugar resolvemos ficar um dia a mais e curtir além de nos recuperarmos do mal estar passado. Usamos a piscina, sauna, toboágua, nadamos, fizemos uma refeição no restaurante e assim passamos o dia. À noite jogamos umas partidas de sequence e fizemos mais uma refeição e fomos dormir, amanhã tem muito chão pela frente.

 

Dia 23 - Palín a Guanagazapa (O dia que tudo parecia dar errado... uma linda suspresa de Deus!)

Acordei com uma sensação estranha, não dormi muito bem a noite por preocupação com o dia seguinte e com o carro pois preciso tirar um pouco de óleo do motor que óleo demais. Essa questão de preocupação me irrita um pouco pois estou sempre entregando tudo para Deus mas mesmo assim fico pensando em como fazer as coisas. 

Comemos um cereal para ser algo saudável e leve e seguimos ao portão que estava fechado com cadeados. Eu olhei em volta e não vi ninguém, isso eram 7:45 h da manhã, e não havia sinal de vida por perto. Deixei a Jane no Valente e fui até os apartamentos dos funcionários. Lá bati nas portas e ninguém atendeu. Conclui que estávamos a noite toda sozinhos e trancados. E ninguém nos avisou. Pensei que todo o tempo estávamos com um vigia do lado de fora, mas não encontrei ninguém. Enfim voltei ao carro e decidi esperar alguém aparecer. Logo após as 8:30 h surgiram os primeiros homens da manutenção, e nos informaram que o lugar está fechado na segunda feira, por essa razão todos se foram ontem, e hoje só manutenção. Agradecemos e saímos indo antes abastecer o Valente, que devido ao excesso de óleo está consumindo muito diesel também.Saimos e a frente descobrimos que estamos rodeados de vulcões incríveis, são quatro. O Fogo, em atividade; o Água, extinto; o de Antigua , também extinto; e o Pacaya em atividade. Paramos sacamos umas fotos e seguimos. Mais uns quilômetros erramos a entrada pois o GPS estava meio perdido, e entramos em uma rua que nos levou a entrada da cidade de Escuintla. 

Paramos e perguntei onde estava a rodovia para a fronteira e fui informado que teria de voltar. Mais adiante fizemos o retorno vi uma aceiteira, um lugar para ainda troca de óleo em espanhol. O nome do lugar era Ebenezer. Então pensei em entrar para ver se consigo tirar o óleo em demasia do Valente. Fomos bem atendidos, um lugar muito simples e sujo para os padrões brasileiros ou norte americanos, mas estamos na Guatemala, no interior, não dá para esperar muito. Ali identificaram que a chave para o parafuso do cárter é muito específica e eles não têm. Ebenezer, "até aqui o senhor nos ajudou". Vamos adiante. Acertamos a rodovia, erramos mais uma saída, pois a sinalização era muito precária. Agora sim... Que venha a fronteira de El Salvador e iremos até onde Deus nos levar hoje. 

Confesso que estava um pouco preocupado com isso, mas sempre Deus tem algo especial para nós. Dirigimos uns quilômetros e tudo parou. Uma longa fila de carros e caminhões. Perguntei o que estava acontecendo e fui informado de um bloqueio na estrada por manifestantes pedindo a redução da taxa de luz que tem aumentado muito devido à venda da companhia de Eletricidade para uma empresa privada espanhola. Isso eram já 10 h da manhã e nós só tínhamos percorrido uns 50 km. Informavam que o bloqueio deveria ser até as 12, 14, ou até as 16 hs. Voltar agora não era mais possível pois o lugar que estávamos fechou. Ir para frente, estava fechado. Os motoristas de caminhão disseram que tinha que ter paciência e não adiantava tentar passar que poderia ser perigoso, pois estava havendo um bloqueio em 22 lugares no país, e todas as fronteiras estavam fechadas desde as sete da manhã. Pensei comigo, ai Deus, eu devia ter saído ontem, mas não estava em boas condições de saúde, agora o que faço? Ficamos ali e depois de uma hora parados percebi que alguns carros iam à frente pela contramão e não retornavam, então decidi tentar, porque estava com um pouco de medo de ficar ali. Acontece que, por aqui, todo carro que transporta algo de valor anda com um segurança fortemente armado, e neste momento tinha muita gente armada perto de nós. Acho que nem em desfile de sete de setembro no Brasil quando o exército desfila tem tanta gente armada, porém andei somente uns dois quilômetros e tive de parar. 

Estacionei em fila dupla ao lado de uma camionete branca. Desci e fiquei ali na sobra do carro, pois o calor estava forte, passando dos 35 graus. O homem da camionete branca saiu e veio falar comigo, naquele, oi, tudo bem... Tentando puxar um papo. Percebi que estava bem vestido, era educado, e começamos a conversar. Depois de quase quatro horas de muita conversa, eu e ele já estavamos amigos! O batalhão de choque chegou e dispersou os manifestantes. Eu estava então falando com ele que eu estava viajando e agora teríamos que ir a fronteira, porém já eram quase duas horas da tarde, e não sabíamos onde iríamos dormir por ser um horário avançado, e não compensaria seguir. Ele então nos disse que teria um lugar seguro uns 10 km a frente em um lugar muito especial que a sua cunhada estava administrando. 

Esse lugar é um lar para crianças que foram retiradas do seus lares por mal tratos, abuso, moléstia e ou abandono. Leia mais e veja as fotos em Um Lugar Surpreendente! Era uma pequena propriedade com animais e gente simples, mas um lugar seguro. Descidimos aceitar e seguí-lo. O engraçado foi que eu desconfiava dele por ser tão pronto a ajudar, e quando saímos da rodovia encontramos uma rua sem pavimento, um lugar muito pobre, muito feio, e nós seguindo aquele carro em meio a plantação de cana de açúcar... porém cremos que Deus está no controle, mas pensei  "se este homem é um sequestrador vai nos levar para um lugar desses e nós estamos fritos". Porém ele descreveu o lugar e enquanto dirigíamos tudo estava exatamente como ele descreveu. 

O nome deste homem, Ludin. Foi um anjo sequestrador em nosso dia. Entramos e fomos muito bem recebidos pela Mirna, ela é professora das crianças e diretora da pequena escola do lugar. Uma jovem de 23 anos se dedicando a salvar vidas. O lugar é lindo e tem hoje 47 crianças sendo cuidadas por três casais, mas as pessoas que ajudam com limpeza, comida, manutenção e ensino. Nos instalamos, falamos com Wendy e Gustavo, e ficamos aguardando o Daniel e a Raquel que são os administradores, chegarem para conhecê-los e saber no que podemos ajudar. 

Logo que chegaram Daniel e Raquel, vieram nos dar as boas vindas e nos levaram para conhecer o lugar, que está sendo ampliado então possui muita construcao.

Passa, ao fundo, um rio onde se pode banhar,possui quadras de esportes, jardim, cavalos e gado. Por toda a propriedade tem pés de manga, e estão carregados. Quando peguei uma no chão, o Daniel falou para que alguns meninos pegassem umas para nós. Recebemos em um rápido tempo uma sacola com mais de cinco quilos de manga. Claro que foi uma boas vindas das crianças. Agradecemos e deixamos  ali e depois a Janeh levou a manga para as cozinheiras fazerem um doce. Conversamos mais sobre o trabalho e a necessidade do lugar e nos oferecemos para estar a noite com as crianças e cantar com eles. Nos convidaram para jantar com eles e depois nos reunimos para cantar.

Com Rudy e Vivian dirigindo, as crianças louvaram, dançaram, e um tempo lindo, precioso que dançamos abraçamos e louvamos a Deus com eles. No final compartilhamos uma palavra com eles, eles oraram por nós, nos abraçando muito! Foi especial demais!

O Daniel insistiu então que nós dormíssemos em uma habitação da casa, aceitamos e nos alojamos então em uma das três casas. Decidimos que sairemos amanhã cedo. Enfim Deus nos surpreendeu, em muito, nosso dia que foi abençoado. Ao dormir ficou a dúvida se devemos sair cedo ou ficar e conhecer um pouco mais do trabalho realizado aqui. 

 

Dia 24

Acordar em um lugar onde o amor de Deus se espalha pelos corredores e os anjos estão prontos desde cedo a transformar as vidas de tantas crianças é bom demais. A vontade de temos que ficar uns dias a mais estava grande.! A Janeh estava decidida a partir, mas eu não. Como eu dirijo, se eu não vou ela não vai! Brincadeira!

Conversei com ela que Deus fez tanta coisa acontecer ontem para noss trazer a este lugar que não podemos sair correndo, temos tempo e devíamos ficar um pouco mais, uns dois dias pelo menos. Ela concordou e descemos para o café. Daniel e todos nos aguardavam com um lindo sorriso. Falamos ao Daniel que iríamos ficar uns dois dias mais para nos envolvermos com as crianças e conhecermos um pouco mais da rotina. Ele concordou e agradeceu, e colocou uma condição: que aceitássemos ficar no quarto e fizéssemos todas as refeições juntos. Nós queríamos ficar no Valente pois assim nós teríamos que tirar roupas nem nada de lá, mas ele foi duro e disse que não! Ou ficamos integrados, ou não aceitaria. Concordarmos. Após o café a Janeh ficou no Valente atualizando algumas coisas enquanto eu fui acompanhar as crianças na escola e fazer umas fotos.

Após isso o Daniel perguntou se precisavamos de algo no carro, se estava tudo certo como Valente e aproveitei a oportunidade e falei sobre a questão do óleo, e que precisávamos tirar um galão, ou 3,78 litros. Ele então chamou o Gustavo que trouxe uma rampa, colocamos o Valente ali e descobriram que não tinham a tal chave para tirar o parafuso do cárter. Mas, muito diferente dos norte americanos, não se fizeram de rogados e disseram vamos dar um jeito, nem que seja necessário fabricar uma. Aí sim! Eu gosto dos Guatemaltecos! Vamos fabricar! Pegaram uma que chegasse o mais próximo, trouxeram uma lixadeira e foram aos poucos esmerilhando e testando até chegar no ponto. Feito isso abrimos um pouco para que vazasse o óleo excedente e pronto. Agora estamos na medida. Porém eles pediram para que eu fosse ao centro de Escuintla com eles, pois tinham uns trabalhos a ser feito e já passaríamos em uma loja de ferramentas para comprar uma nova para a oficina deles, pois esmerilharam a deles para mim. Nada mais justo. 

Passamos em uma oficina mecânica para pegar a camionete do Daniel. Um lugar incrível, pois mais parecia um ferro velho no estilo brasileiro do que umaoficina. Mas entendo que, para o padrão e cultura deles, isso era uma oficina e tudo certo. O carro do Daniel está com um problema no alternador e este mecânico apenas tirou e recolocou a peça, agora a bateria está com problema aí ele não faz, tivemos que ir á uma auto elétrica. Passamos pelo centro, e - Jesus me salva - que experiencia. Em uma escola estava no horário de troca de turmas, e muitos alunos andando pela rua, pela calçada, aquele tumulto, e motos e mais motos levando ou trazendo alunos, porém cada moto tinha de duas até cinco pessoas em cima! Todos sem capacetes! Isso é comum aqui. Uma verdadeira loucura. O comércio invadindo a rua e sujeira por todo lado. Estas experiências nos fazem conhecer o mundo em que vivemos, realidades muito distintas. 

Retornamos a Fazenda e ainda passamos em uma casa para pegar uma adolecente que iria tomar classes de matemática de reforço com uma professora da fazenda. Isso já eram 14 hs e eu estava azul da fome, além do calor forte. Comi o que me serviram e fui para o Valente, liguei o ar condicionado e dei uma apagada. A Janeh estava com as mulheres dando uma ajuda no que precisavam: ajudou com o almoço, a cuidar das crianças, a limpar...Amanhã ela vai ajudar na cozinha. 

Depois que dei aquela descansada a criançada estava pronta para ir para o rio nadar. Eu ainda estava escrevendo e fui mais tarde. Todos se divertiram muito, inclusive eu que fazia anos que não dava um mergulho em um rio com uma turma assim. Era um tal de tio Toni pra lá, tio Toni pra cá. Foi uma festa. A Janeh deu uma geral em um dos novos quartos da casa que está sendo terminada para passarmos a noite e tomei um banho e depois jantamos. Aproveitei para mais umas fotos e nos recolhemos. No quarto ainda atualizamos umas coisas no site.

E compartilhamos sobre o dia e tantas experiências neste local! Leia mais e veja as fotos em Um Lugar Surpreendente! 

 

Dia 25

Hoje não temos nada de muito especial para fazer a não ser tudo aquilo que Deus tem nos reservado que, Ele vai revelando aos poucos. Acordamos e preparamos os nossos cereais e comemos, pois passava da hora do café! Aqui o café é servido a partir das seis horas pois, alguns dos mais velhos precisam ir ao centro na escola. Os demais começam as oito horas na escola da finca mesmo!

A Janeh tinha combinado de ir ajudar na cozinha e assim fez, e eu fui tirar mais umas fotos do lugar e das crianças que estão na escola até as 13hs. O  Rudy , um irmão muito amado, músico e líder do louvor com as crianças, me chamou para ir comprar uma coca gelada para o pessoal da cozinha, e assim fomos dar uma volta de bike pela redondeza. Foi um tempo especial de compartilhar as coisas de Deus em sua vida e é incrível como Deus trabalha na vida dos levitas e músicos por todo o mundo. As lutas e problemas são os mesmos, e Deus sempre firme moldando a vida de cada um. Compartilhamos situações muito semelhantes e nos identificamos muito! Ele me falou do seu chamado para estar trabalhando na casa, e como Deus tem trabalhado em sua vida. Ele ama música, guitarras, teclados e tudo o mais, assim como eu. Porém abriu mão de tudo isso para estar com seu tempo e vida dedicados a cuidar de crianças como filhos, ensina o que sabe a elas, e canta e dança como um louco quando está ministrando louvor a Deus com os pequeninos. É contagiante!

Depois ajudei a levar o lanche para as crianças na escola, e novamente uma surpresa o que eles fazem com você. As crianças são gratas e incríveis. Eles servem uma mistura de leite com arroz e açúcar, quente, e eles amam isso.

Retornamos e ainda ajudei o Rudy! E a Jane firme na cozinha fazendo tortillas com as cozinheiras, me parece que fez umas quatrocentas! Servido o almoço, ela passou no teste das tortillas!

Eu me sentei na mesa com os garotos mais velhos,  entre 12 e 15 anos, e compartilhei algo sobre minha infância, de como meu pai saiu de casa e como isso afetou minha vida. Depois, o que Deus fez no tempo Dele, e onde estou hoje e como Deus fez isso, tentando deixar uma mensagem para eles de que Deus precisa de tempo para transformar as coisas. O espirito me falou sobre o prato de comida, que é o nosso alimento, e que em 30 minutos desaparece, mas pode levar até seis meses para esse prato chegar a minha frente. Considerando o tempo de plantio do arroz, do feijão, de criação do frango e plantação de verduras e legumes.

Depois compartilhei da história de José do Egito, de como ele foi vendido e abandonado pelos próprios irmãos, mas Deus tinha um propósito, anos mais tarde para usar sua vida para salvar sua própria família da fome que se abatia na região. Creio que foi um tempo muito precioso.

À tarde, o Gustavo pediu para que eu colocasse o Valente perto da mangueira pois os meninos e ele iriam lavar o Valente. Presente de Deus. Eu também ajudei e depois sequei tudo.

O calor era grande e todos estava com o tempo livre. Novamente fomos todos para o rio. Hoje as meninas, a Janeh e a Mirna, diretora da escola, támbem foram. Ficamos horas dentro do rio entre mergulhos e brincadeiras. Nunca na minha vida havia feito isso. Já no final de tarde todos saíram para tomar banho e se arrumar para a janta.

Após a Janta,  as crianças tiveram um tempo de louvor, meditação e ao final ainda oraram por nós, que partimos amanhã! Depois, ainda conversamos um pouco com o Daniel e a Raquel sua esposa sobre o nosso tempo ali, o que vimos eles nos compartilharam alguns de seus sonhos, suas lutas, fotos de fomos as crianças chegaram ali, o que Deus fez nestes três anos... Tantos milagres, mas ainda tantos precisam acontecer! E nos comprometemos a orar e tentar ajudar, e ver quais os planos de Deus para nossas vidas, foi um tempo muito gostoso que levamos gravado em nossos corações. Oramos com eles e fomos dormir. Leia mais e veja as fotos em Um Lugar Surpreendente! 

 

Dia 26 - El Salvador e Honduras

Estamos certos que é tempo de partir. Hoje temos uma grande maratona pela frente. A distância não é tão longa, mas sabemos que vamos gastar quase o mesmo tempo dirigindo e fazendo os trâmites de aduanas. Acordamos cedo, e nos despedimos de quem foi possível, oramos mais uma vez com o Daniel e com a Raquel e partimos pontualmente às 7 h da manhã. Os trâmites das fronteiras foram os mesmos, porém, posso destacar que mais rápidos que na ida. Alguns lugares estavam com os trâmites concentrados o que facilitou um pouco. Muita estrada, e próximo a Honduras, muito buraco, começou a anoitecer e não conseguimos cruzar a fronteira da Nicarágua como era o plano, mas Deus nos deu a direção de ficar em um posto de caminhões, DISSPA, bem próximo à fronteira e um lugar bem seguro. Ali dormimos.

 

Dia 27 -  Nicarágua

Acordamos e fomos fazer os trâmites. Saímos de Honduras e entramos na Nicarágua, agora sim, depois de uma hora de tramites, fomos conhecer a praia de Corinto. Antes passamos no supermercado Máxi e compramos um frango assado para o almoço, pão, água e frutas. Falando em frutas, desde que saímos dos EUA, não compramos frutas pois sabíamos que nas fronteiras iriam nos tomar. Pois já cruzamos 10 fronteiras em cinco países e ninguém revisou nosso carro e nem olhou se tinha frutas! Na ida perdemos muita coisa pois sempre diziam que não podia e vinham olhar no carro. Enfim, compramos frutas para comer e vamos tentar comer antes de ir à Costa Rica.

Fomos conhecer Corinto, uma pequena e simpática praia, colônia de pescadores com um porto que movimenta o comércio local. Nós paramos perto do mar fizemos nosso almoço e saímos, pois tem muita pedra ali e não há lugar para acampar. Decidimos seguir e conhecer as ruínas de Leon, mas erramos o caminho e passamos. O bom de errar o caminho foi que seguimos por uma rodovia que está em fase de término de construção, porém novinha e acho que estava fechada ainda para o trânsito local pois só nós estávamos cruzando ali, e só depois descobrimos isso, mas ninguém nos parou e chegamos muito rápido a capital Managua. A Jane foi uma ótima navegadora nos guiando aqui na Nicarágua pois os mapas que temos no GPS daqui são muito básicos e não conseguimos seguir por ele, mas com mapas físicos e o iPad a gente chega. seguimos para Granada e decidimos nos instalar desta vez no Corpo de Bombeiros, pois é bem no centro e bem localizado, tem o que precisamos e foi ótimo! Deixamos o carro ali e fomos dar umas voltas a pé, achamos internet e tomamos um ótimo sorvete. Voltamos ao carro, fomos descansar. Porém, algum tipo de festa católica estava acontecendo e nas ruas tinha uma espécie de novena, ou coisa parecida e estavam desfilando, carregando imagens e um banda tocando junto. Quando passavam perto do batalhão dos bombeiros onde estávamos eles tocavam a sirenes por várias vezes. Foi-se o sossego com aquela sirene. Mas, foram algumas vezes, mas não a noite toda.

 

Dia 28- O estresse da fronteira, entrar em Costa Rica.

Acordamos e tomamos nosso café com direito a frutas agora. Tudo certo para partir, no caminho fomos decidindo de ficamos em San Juan del Sur ou cruzamos a fronteira. Decidimos cruzar. No caminho meu coração estava emocionado e meio chorão, pois estava grato a Deus por estar passando pela Nicaragua pela segunda vez. Não sei dizer o porquê mas gostamos muito desse país. E passando pelos lugares me lembrei do que senti quando chegamos ali, até do Piti da Jane quando no parque eólico paramos para fotos e eu dizia que a foto não estava boa e ela disse que nunca consegue fazer algo que eu goste e me satisfaça! Pois, segundo ela, meu nível de perfeição é muito alto para ela, e blá, blá, blá...  Lembramos desse episódio e demos boas risadas agora, mas no dia ela até chorou.

Chegando na fronteira já fomos cercados por muitos " despachantes" oferecendo seus serviços para ajudar nos trâmites. Percebemos que o pessoal da Aduana e da fronteira estão incomodados com esse povo. Fomos direto fazer nossa saída e cancelar a permissão do carro. Hoje temos muito azar, pois em toda fila que entrávamos estava na mais lenta. Na Nicarágua se paga para entrar e sair. U$1 dólar para entrar na fila para ter o carimbo de saída e mais U$ 2 dólares para sair da fila. Ridículo, gastamos cerca de 45 min para somente pegar os carimbos de saída e mais uns 15 minutos para fazer a saída do carro. O mais engraçado é que nos mandam para um homem que revisa os documentos e olha a carro, depois vamos a uma atendente que nos dá um papel para preencher e nos manda levar ao policial no balcão. Só que ele, único policial nunca está na mesa. Ai tem um zilhão de gente andando na rua procurando o cara, e quando ele aparece é um Deus nos acuda para só entregar um papel. Bem, saída feita, após uma hora, fomos fazer a entrada da Costa Rica, mais uma hora com todos os trâmites. Total do dia nas fronteiras foi de 2 horas. 

O legal ali é que a gente conhece um monte de gente, viajantes de todos os tipos. Conhecemos um casal de Chilenos que foram aos CANADÁ, viveram e trabalharam por um ano, compraram uma pick-up Ford com uma camper por 7 mil dolares, foram ao Alaska e estão descendo para a Patagônia. Detalhe importante o carro funciona com azeite de cozinha usado. Eles ganham nos restaurantes e com isso não tem despesa de combustível. Incrível até onde vai a criatividade do povo. Certos estão eles além de ecologicamente corretos, são o pessoal do Upachalupa.

Saindo da fronteira da Costa Rica felizes e vamos ficar em Libéria, no parque El Delfin somente para descansar e dormir e amanhã seguimos, porém uma grande fila de caminhões no sentido contrário deixava sómente uma pista livre, a nossa, e outros carros vinham na contramão. Até aí tudo bem, um aperta aqui outro aperta ali e vai passando. Lá na frente uma carreta vinha e ai não deu mais, ninguém passava. Um taxista vinha na frente da carreta fazendo sinal para passar e eu e outros carros começamos a retroceder para a carreta passar na contramão. Porém esse táxis passou por nós e eu estava dando ré, e de repente tinha uma turma de bicicleta passado muito perto e a rua era estreita, aquela confusão. O táxis resolveu parar para falar com alguém bem atrás do Valente. Resultado, encostamos no táxis. Não fez nada no Valente, pois ele é muito robusto e estava retrocedendo muito devagar. Mas o parachoque do taxis, que já era velho, caindo as peças soltou. O velho do taxi saiu e veio tirar satisfação, dizendo que tinha que chamar a polícia e não iria sair dali. Pronto, na nossa frente uma carreta vindo na contramão pedindo passagem, atrás um taxista Costa riquenho mal intencionado querendo chamar a polícia. O Jeito foi dar 40 dólares para ele sair dali. Ele pediu U$ 50, e eu dei U$ 40, mas depois fiquei pensando, se desse U$20 ele saia também. Bom isso aconteceu no Peru e para não se incomodar, vale a pena perder U$40 dólares. 

Seguimos e paramos no El Delfin como era o plano. Aqui nós alojamos perto das 14h e fomos dar uma deitada. O tempo estava quente mas com muito vento o que deixa o tempo mais seco e agradável. Depois arrumamos umas coisas no carro, reorganizamos outras, toquei guitarra, a Jane fez uma janta, revemos nossos planos é trajetos e fomos dormir. Amanhã saímos cedo, pois essa região esta repleta de obras e por ser domingo, tem menos movimento na estrada e vamos tentar passar com mais tranquilidade.

 

Dia 01 de Março 

Sete da manhã e estamos prontos para ir até Uvita hoje. São aproximadamente quatrocentos quilômetros, para seis horas de estrada. Hoje não tem fronteiras e vamos ficar no camping El Tecal por uns três dias para trabalhar no site e descansar de tanta fronteira. 

Saímos cedo para evitar trânsito de caminhões e obras. Foram 50 km de obras, mas estava super tranquilo. Acertamos na decisão. Após o trecho de obras fomos bem tranquilos, dirigindo com máxima de 80 Km/h. Próximo a saída para Puntarenas erramos o caminho por ineficiência da sinalização. Os mapas da América Central são ruins, e o da Costa Rica não é nada melhor. Seguir o GPS não dava, o mapa físico não mostra alguns trechos com detalhes, o jeito é usar o iPad com o forever map. Paramos em uma gasolineira e perguntamos a uns motociclistas sobre como sair para ir a Uvita. Eles nos orientaram a não voltar e entrar na pequena cidade de Esparza e cruzar por dentro. Explicaram como sair dali, e então seguimos cortando um bom caminho. 

De volta a principal agora sim um movimento muito intenso de motociclistas e carros. Pensamos que por ali algum encontro de motos deveria estar acontecendo. Sim na cidade litorâneo de Jacó. É um point de praia, um lugar badalado. Na entrada da cidade tem um Máxi Supermercado, e ali paramos para comprar alguns suprimentos. E foi incrível pois milhares de motocicletas estavam parando ali para comprar cerveja, água e salgadinhos, além de se reunirem. Pegamos nossas compras e fizemos  um lanche. Até tentamos entrar no balneário para ver a festa, mas a fila de carros era imensa e o calor também. Desistimos, tudo o que nós não queríamos hoje era se meter em congestionamento em pleno domingo. 

Voltamos a estrada e seguimos, mais uns 120 km e chegamos em El Tecal, em Uvita, lugar tranquilo, piscina, praia, boa internet é lugar com toda a infra para nós. Nos instalamos, a Janeh fez um almoço maravilhoso como sempre, arroz na nossa panela elétrica que funciona muito bem, macarronada de ontem, o final dela, salada e um frango assado que compramos no Maxi. Depois o calor estava castigando um pouco, demos um tempo para atualizar onde estamos e fomos nadar um pouco e relaxar. À noite novamente aquelas tortillas com frango maravilhosa que a Janeh aprendeu a preparar e uma cerveja bem geladinha, pois o calor está aumentando à medida que descemos. Falamos com a Brenda em Forth Worth Texas e ela disse que já estão indo para o terceiro dia com gelo e neve. Uau! Estávamos lá a duas semanas atrás e o tempo só piorou depois que saímos. Acho que saímos na hora certa. Aqui está bem melhor. Vamos ficar uns três dias e seguir bem relax para atravessar para Colômbia na próxima semana.

 

Dia 02 (Conhecendo dois casais de espanhóis)

A noite foi mais quente que o habitual mas não ligamos o ar condicionado ainda. Dormimos bem, pois o lugar, camping Tecal é muito tranquilo. Pela manhã a Janeh trabalhou no site atualizando informações e fotos e eu dei uma geral no carro.

A tarde, nadamos na piscina e conhecemos dois casais da Espanha, que chegaram ao meio dia: O Javier e a Diana de Cataluna, e o Juan Carlos e a Beatriz, de Burgos! Eles se conheceram porque a Companhia aérea perdeu as bagagens das duas, e isso os uniu para viajarem por aqui. Depois de muita conversa na piscina, nos convidaram para um jantar,  já que um dos casais, tem um restaurante na Espanha e ela, a Diana é chef. O Juan Carlos também gosta de cozinhar. É claro que aceitamos.

Antes do jantar, fomos todos a praia de Uvita, que está dentro do Parque Nacional Ballenas. Por ser um parque, como todos na Costa Rica, precisa pagar para entrar. São seis dólares por pessoa, por dia! Um verdadeiro absurdo. Mas, como sabemos que, antes das sete da manhã e depois das quatro horas da tarde eles não cobram, lá fomos nós as cinco horas. O vigia nos deu um sermão e disse que tínhamos que vir mais cedo, pois muitos querem passar depois das quatro para não pagar. Óbvio que sim! Ele está corretíssimo! Mas mesmo reclamando nos deixou entrar. Vimos o por do sol, tomamos um banho de mar e voltamos para o nosso jantar.

Com todos os viajantes que conversamos é unânime o pensamento de que a Costa Rica abusa nos preços cobrados dos turistas! É verdade que a economia do país está passando por um momento delicado e o custo de vida é altíssimo, mesmo para seus habitantes, que até pouco tempo também pagavam para usar as praias,  mas é notório que o país tenta ganhar dinheiro, cobrando abusivamente dos turistas!

Encontramos alguns viajantes que dizem passar direto pelo país, por causa dos valores! Este é o país mais caro de todo o continente americano! O que é uma falta de visão por parte dos governantes, pois sabemos que a propaganda boca a boca, é mais poderosa que qualquer outra! E muitos saem decepcionados e se sentindo lesados!

Conversamos e comemos juntos, foi um tempo muito divertido e enriquecedor, para nós, sempre que podemos conversar sobre outros países e a forma de vida é ótimo. Como eles já tinham comprado a comida, ajudamos com as especiarias, pois eles não compraram muita coisa e nós temos muitas. Depois do jantar, ficamos de papo e fomos dormir.

 

Dia 03 (Playa Las Ventanas)

Acordamos e, enquanto tomávamos café,  eles já estavam saindo para dar uma volta, pois alugaram um carro e andam juntos. 

Não demorou, o Javier e a Diana retornaram sozinhos. Não se acertaram com o valor do passeio a barco e enquanto o Juan e a Beatriz saíram de barco resolveram fazer outra coisa.

Eles nos convidaram para ir a uma outra praia, gratuita, Las Ventanas, aceitamos e fomos conhecer. Alí tinha um pessoal do Canadá com uma camper e um pessoal do México com uma Kombi acampados. Uma praia pequena mas muito interessante, com cavernas nas pedras que ligam a areia ao mar! Chegamos e a maré estava meio alta, por isso não dava para ir até o final! Ficamos alina praia, tomando banho de mar, conversando, tiramos umas fotos, comemos um ceviche e retornamos, pois o Javier precisava ir buscar o Juan e a Beatriz do retorno do passeio.

Eu e a Jane ficamos na piscina, trabalhamos mais um pouco no site, comemos algo e ficamos por ali curtindo o calor da Costa Rica.

O Javier e a Diana estão indo hoje para San Jose, pois vão pegar um avião amanhã cedo para a Jamaica. Eles estavam procurando uma forma de ir para San Jose, que está entre quatro a cinco horas de viajem rumo a serra, e nas suas pesquisas que fizeram, Chegaram a pedir duzentos dólares, para o casal, em um bus de turismo. Resolveram ir de ônibus de linha, e um sai as duas da tarde e outro as quatro horas. O das duas horas, custa dize mil colones e o segundo custa seis mil colones, por pessoa. O Javier questionou porque a diferença de valores, se um vai mais rápido, se é direto ou o queê? Disseram que não, o tempo é o mesmo e o trajeto também, porém um sai de Uvita e o outro vem da Cidade do Panamá! Como é mais longe, então é mais caro. Isso não faz sentido algum, pois não importa de onde vem, eles iriam pegar o ônibus no mesmo lugar! Mas disseram que é assim mesmo!  Claro que ele comprou o mais barato!

Nos despedimos e o Juan foi levá-los para ao terminal de ônibus! Ficou o convite de irmos à Europa e conhecer a Espanha. Novos amigos pelo mundo. Que Deus nos permita um dia reencontrar cada um deles!

O  Roy e a Michele , do Mundo por Terra estão em Bocas Del Toro, que fica ao leste do Panamá,  e nós estamos no Oeste da Costa Rica. Eles entraram em contato mas infelizmente vão entrar pelo Leste para a Costa Rica amanhã é nós vamos sair pelo oeste, e por isso, não vamos encontrá-los. Fica para um outro momento! Estamos tão perto e tão longe. 

A Janeh está pensando em ficarmos um dia a mais aqui e sairmos na quinta ou, quem sabe, na sexta pela manhã, vamos decidir amanhã. Ficar parado nos dá uma preguisa de seguir mas,  temos que ir.

Quando retornaram o Juan Carlos a Beatriz nos chamaram para jantar com eles, já que sobrou comida do jantar de ontem e eles seguem viagem amanhã. É claro que fomos! Nós levamos mais um molho, nossos pratos e talheres, e ali jantamos e conversamos mais um monte de assuntos!

Nós falamos sobre a economia da Espanha, do Brasil e da Costa Rica, já que, como comentamos, todos concordam que está muito caro viajar por essas terras. Falamos sobre o clima da Europa e do Brasil; sobre lugares seguros para se visitar, com boa economia para o turismo, foi bastante enriquecedor!

Nos despedimos e fomos dormir pois amanhã eles querem madrugar e sair antes de nós. Eles ainda irão fazer um passeio até o Corcovado aqui na Costa Rica; uma aventura pela selva. E, em dois dias, cruzam o Panamá para ir a Bocas Del Toro. Estamos felizes por conhecê-los, e quem sabe um dia, poderemos ir a Espanha e reencontrá-los.

 

Dia 04 (Fronteira Panamá - Playa Las Lajas)

Decidimos seguir para o Panamá, pois temos dúvidas se podemos ou não fazer os trâmites para o carro no domingo, e embarcar na segunda. Eu escrevi um e-mail para o Ferryxpress, porém não obtive resposta! Então, não queremos ter que chegar e não poder embarcar por conta disso.

Decidimos seguir até Las Lajas, uma praia que não conhecemos na vinda, para passar o dia e uma noite e, depois, seguir para a cidade do Panamá.

Mesmo sendo já quase oito horas da manhã, o carro do Juan e da Beatriz ainda estavam ali. Perderam a hora e saíram quase junto conosco ás 8:30h.

Sair da fronteira da Costa Rica até foi rápido, em quinze minutos estávamos prontos, preenchemos uma ficha aqui, outra ali, pagamos sete dólares cada um e pronto. Sim, pagamos para sair da Costa Rica! Aqui não tem jeito, o banco está ali esperando! Este é o país que mais cobra no seguro do carro e o único que cobra quando saímos do país!

Mas o pior estava por vir! A chata fronteira de entrada do Panamá. Para, nós quando entramos e quando saímos do Panamá em nosso trajeto de ida, foi um stress! Leia mais em Diário do Panamá, dias 29/08 e 03/09! E a história se repete!

A fila de mulas, ou caminhões, estava gigante! Penso que um quilômetro, pelo menos. Mas nós sempre passamos e vamos lá na frente, pois lá na fronteira tem serviços diferentes para carros pequenos e transportistas. Eram onze horas e chegamos próximo do horário de almoço do povo! Isso mesmo, tudo estava em câmera tartaruga, e a fila só aumentando. Paramos o Valente longe da vista da moça da imigração pois não havia lugar próximo.

Depois de mais de meia hora na fila, sem nenhuma informação, tabela, ou pessoa para orientar nada, quando chegou na nossa vez, ela perguntou para onde nos dirigíamos e como estávamos viajando?  Dissemos que estavamos indo para o Panamá, com o nosso carro, e ela queria ver o carro. Eu disse que estava atrás dos dois ônibus que estavam ali, e ela não gostou muito, mas eu não tenho culpa. Sendo assim, ela sentou e disparou o absurdo: que tínhamos que mostrar U$ 500 dólares em dinheiro,  cada um, e o seguro do carro, que tem de ser feito antes de qualquer coisa. Se não tivéssemos dinheiro tínhamos que mostrar um extrato bancário com mais de U$ 500 dólares na conta. Ridículo, mais uma das exigências sem sentido do Panamá. Eu disse a ela que estava viajando com um carro de U$ 60 mil dólares e que, quando entrei, ninguém pediu nada disso. Ela então disse que, ou mostramos o dinheiro, ou não entramos! E que precisava ver o seguro também.

Graças a Deus tínhamos o dinheiro em espécie! Então fomos fazer o seguro e depois voltamos. Sinceramente, deu vontade de esfregar o dinheiro na cara dela, mas ficamos somente na vontade! Nós estamos viajando com um carro de valor muito maior, somos do Brasil e não da Costa Rica ou Honduras, ou El Salvador e não queremos invadir o Panamá! Só estamos passando, e eles vem com frescura! Mas não tem jeito! Eu não vi, mas a Janeh disse que eles estavam pedindo para todo mundo mostrar o dinheiro, inclusive um senhor da Alemanha, na nossa frente, abriu a carteira com um monte de dólares e ficou abanando na frente dela.

Depois dos carimbos de entrada prontos,  agora faltava um carimbo no seguro do carro que tinha de ser pego no andar de cima, na Polícia. Porém, também estavam no horário do almoço, e aí foi aquela história, cada um pega o carimbo, dá um carimbada e desce. Pois é, até, fazer o trabalho deles a gente teve que fazer!

Em seguida, fomos fazer a permissão do registro do carro para trânsito no país. Mais de uma hora esperando pelo documento! No total, foram duas horas e trinta minutos, o recorde absoluto de todas as fronteiras, todo mundo no almoço e o povo esperando, e quando voltam ainda dá aquela lombeira e o povo trabalha mais devagar ainda. Tudo liberado ali, e não, ainda não podemos seguir, agora tem a vistoria, e sempre tem aquele, mais que curioso, que faz questão de entrar no carro e ficar plantado lá dentro fazendo perguntas do tipo:Você construiu esse carro? Quanto custa fazer um desses? Isso é pedra mesmo ou imitação? Que carro bonito! E blá blá blá. Dado seu carimbo, agora tem que pagar para a fumigação, e depois mais um carimbo e depois mais um pra assinar tudo. Bem , no total, foram 10 pessoas envolvidas ao final do processo, que levou 2:30h.

Saímos, dirigimos 75 km e estávamos na linda praia de Las Lajas, onde pudemos descansar de todo esse estresse. Se acham que a gente não passa um estresse viajando e vivendo assim, passa sim!

Chegando a praia de Las Lajas, o lugar é lindo, passamos por uma ótima estrada pavimentada, o pequeno centro, uma escola, central de polícia, um mercado, uma farmácia, e a praia. Tínhamos uma coordenada que não estava muito correta pois os mapas da America Central são bem básicos, mas paramos ao lado do suposto lugar que iríamos ficar, um restaurante bem rústico, de cara para a praia, e o dono, o senhor Fernando, um colombiano que vive com a esposa filha e neta por ali, muito atencioso, nos convenceu a ficar ali, de cara para a praia! Ele ainda nos ofereceu energia e água, sem cobrar nada! E, é claro, almoçamos um delicioso pescado, pargo rosa, e  a noite, jantamos no seu restaurante, pagando assim, o nosso estacionamento. Conhecemos um casal aposentado de canadenses que estão viajando por aqui de avião. A Janeh colocou seu inglês em prática conversando um pouco com eles. Sobre a Costa Rica o assunto foi o mesmo: caríssimo! E, por essa razão, eles foram da Nicarágua para o Panamá, passando direto pela Costa Rica.

O lugar é maravilhoso, o por do sol é lindo, uma lua cheia que nos convidou a ficar caminhando pelo mar a noite. Uma brisa gostosa fez com que a temperatura caísse e nem precisou do ar condicionado. Fez até um friozinho de madrugada. A vontade de ficar mais uns dias era grande!  Mas, sem a resposta do Ferryxpress, decidimos sair no dia seguinte.

 

Dia 05 (Cidade do Panamá - Ferry Xpress)

O trecho de David, logo após a fronteira Panamá/Costa Rica está em obras! São cerca de 200 km, que está sendo duplicado. Acredito que, mais uns dois anos, final de 2016, a obra deva estar pronta. Mas isso torna a viajem cansativa, pois tem bloqueios, a velocidade média cai e tem muitos buracos, pois o trânsito de caminhões é grande em função da obras.

Paramos em Santa Clara para comer um pescado no mesmo restaurante que comemos na ida, o Xoko, e descansamos ali um pouco. Já era uma da tarde quando paramos para comer, e fomos muito bem atendidos, como sempre!

degustando um delicioso pescado, comentamos como ficamos felizes com a média do carro! Depois que tiramos o óleo em excesso colocado nos Estados Unidos, ele melhorou a média de consumo! Porém, na Nicarágua, logo que entramos, enchemos o tanque com o diesel especial, pois o comum não havia chegado. Não sei qual a diferença, o preço era quase o mesmo, e o combustível está com um bom preço na Nicarágua. Andamos na Nicarágua e antes de sair, ainda tinha meio tanque, completei para aproveitar o preço, há uns 70 km da fronteira, e consegui cruzar a Costa Rica inteira e fazer mais da metade do Panamá, com um total de 945 km com 80 litros, ou seja uma média de 11,50 km/l. O combustível da Nicarágua foi show.

Estávamos refletindo como Deus é bom. Na Costa Rica teve aquela história do taxista que dei os quarenta dólares para ele sumir da minha frente. Mas depois, ganhamos o Jantar do Javier, uma sobra que almoçamos, e outra que jantamos com o Juan Carlos. foram 3 refeições grátis! Ganhamos um desconto de trinta dólares no El Tecal por ser cliente e ficar mais dias, e a média do carro foi excelente. Maravilha, Deus seja glorificado!

Bem, após o almoço em Santa Clara ainda pedi ao dono do restaurante se poderia fazer uma chamada ao Ferryxpress pois eles não nos responderam o email, e sendo assim, se conseguíssemos um contato ficaríamos ali na praia. Ele foi pronto em nos ajudar, mas os números não atendiam. Então, pé na estrada, mais 100 km e chegamos a tempo de fazer a reserva e deixar tudo pronto, pegar o endereço da DIJ, fazer os documentos e trâmites no dia seguinte.

Sem o mapa do Panamá no Gps, a coisa ficou mais difícil, mas com mapa físico e o IPad, a gente se vira. Para chegar no escritório do Ferryxpress até foi fácil, mas para sair de lá, a coisa complicou! Nós erramos o caminho umas algumas vezes, e vou dizer, errar aqui no Panamá e fácil fácil! E tem que ficar dando voltas e mais voltas, para acertar o caminho! Mas conseguimos e achamos ao menos um dos lugares (a vistoria é feita num lado da rua e o documento é entregue no outro lado! Mas é uma avenida grande e movimentada e precisa fazer um retorno alguns quilômetros adiante! O outro, amanhã vamos sair cedo pra encontrar.

O próximo desafio era chegar no Yate Club Balboa, onde temos informação de que é permitido parqueio de Motorhomes! E, é claro, erramos o caminho novamente, mas chegamos lá. Para nossa surpresa e felicidade haviam uns trinta carros, 22 só de um grupo da Europa que estão indo ao Alaska. Ver Panamericana.com.

Eles chegaram por Buenos Aires, desceram ao Ushuaia e estão indo ao Alaska com vinte e dois carros. Além de outros carros da Alemanha, Áustria e França. Precisávamos de água e fui a um bar ali perto e nos deram água para completar o tanque. Estacionamos e fomos dar uma volta pelo Yate clube e tirar umas fotos no canal do Panamá e da ponte das Américas.

A Janeh está com as pernas muito irritadas, pois alguns pernilongos e pulgas da praia morderam e isso está provocando uma alergia forte! Ela está passando Benadryl e tomando antiestaminico, Alegra de 180 e não resolve nada, mas ela não quer ir ao médico. Isso a deixa um pouco irritada e impaciente, e eu tento ser bem paciente. Pois aqui um cuida do outro, quando eu fico meio doente e chato, ela cuida de mim.

Voltamos ao carro, e a Janeh fez uma tortilla espanhola que o Juan Carlos ensinou com ovos e batata, uma espécie de omelete de batata. Ficou muito gostoso, e sentamos ao ar livre e comemos ali. Amanhã precisamos levantar cedo para a maratona de trâmites de embarque e despacho do valente. Dizem que se leva o dia todo para fazer tudo, sexta feira vai ser dia de muito trabalho e de paciência. E sábado e domingo, dias de passear. Segunda cedo vamos a cidade de Cólon para embarcar no final do dia e terça chegamos a Cartagena, Colômbia.

 

Dia 06 (Ir a DIJ fazer vistoria) Leia mais em FerryXpress - Panamá-Colômbia!

Na noite passada em lugar público sempre é um pouco mais barulhenta, mas foi tudo bem. Acordamos as sete para sair às oito, pois nos foi informado que as oito e trinta a polícia abre na Aduana e é bom chegar cedo para fazer a vistoria na parte da manhã. Ontem, nós passamos para ter uma ideia do lugar, porém não encontramos exatamente e sabemos que o trânsito é complicado neste horário pois o povo está entrando na cidade e temos que achar a entrada. Estudamos bem os mapas e roteiro, pois aqui na cidade do Panamá é uma confusão. Saímos e graças a Deus, oramos antes, e deu tudo certo. Achamos a entrada e estacionamos na Aduana. O lugar fica em um bairro pobre, sujo e de difícil acesso. Já havia lido sobre isso, e é um pouco pior do que imaginava. Chegando pedi informação e um homem mandou estacionar ao lado de outros três carros que já aguardavam. Fui até o escritório e ali me disseram para aguardar no carro, ou seja: fique no carro, informação zero. 

Eu tinha deixado a Jane dentro do carro com o ar condicionado ligado. Graças a um sujeito que aguardava com seu carro desligado e com a tampa do motor aberta, eu fui até ele dar um bom dia e ele me disse, desligue seu carro e deixe o capô aberto, pois se o vistoriador chegar e o motor estiver ligado ele vai deixar você esperando até esfriar o motor. Ótima dica, pois o primeiro carro ficou com o motor ligado e dentro do ar condicionado, e foi o último a ser atendido. Ufa, escapamos! Estávamos um pouco preocupado pois diziam que tinha que ter o número do motor e umas outras chatices, porém o vistoriador foi super gente boa, somente tirou o registro do chassi e conferiu com os documentos e nos dispensou. Coisa de cinco minutos estávamos prontos. Nos orientou a voltar do outro lado da avenida, no DIJ para pegar a declaração. 

Saímos então em busca de um shopping Center para aquela enrolada das 9h até as 14h. Foi uma piada, pois com tantas rotatórias de diversas vias que viram tudo uma só, erramos e passamos o lugar. No meio, entre nós e o Shopping Mall Albrook tinha uma pista de avião. Eu disse a Jane que tínhamos de estar do outro lado. Entãodemos a volta e quando nos demos conta estávamos no nosso ponto de partida na Aduana, e então começamos todo trajeto novamente. Desta vez entramos antes, e passamos nos fundos do Mall, e ainda tivemos que pagar um pedágio de noventa cents de dolar. Retornamos e demos outra volta e novamente caimos na Aduana. Tudo bem, parei e fiquei estudando o movimento dos carros e os viadutos cruzando um por cima do outro, como chegar no Mall, já que uma vez ficamos de um lado, da segunda do outro e tinha que tentar pelo meio. Agora sim, acertamos a rotatória e entramos pelo meio, finalmente. Com tudo isso decoramos o caminho e todas as saídas. Inclusive a saída para Cólon que teremos que fazer na segunda feira. 

Ficamos no Albrook Mall até as 13:30 e fomos a DIJ, ali o problema era estacionar. Paramos um pouco longe e a Jane ficou no carro com o ar condicionado ligado e lá fui eu. Chegando na portaria, o segurança não me deixou passar pois eu estava de bermuda. Voltei ao carro e peguei as partes da calça da minha bermuda que se prende com zíper. Vesti as mesmas e, agora sim, pude entrar. Uma mulher pegou cópias de tudo e pediu para aguardar. Estávamos em cinco pessoas. Esperamos exatas duas horas sentados. A mulher saiu, chamou pelo nome a cada um e entregou uma folha. Pronto, podemos ir. Pelo menos não pagamos nada neste processo. Retornamos ao escritório do Ferryxpress, novamente precisávamos de lugar para estacionar. Deus foi bom ontem e será hoje pensamos. Realmente, o estacionamento ao lado, que é particular,estava com algumas vagas pois hoje é sexta feira e já eram 5 h da tarde, e por isso nos permitiram estacionar em uma vaga de graça. Maravilha, fomos ao escritório e concluímos nossa compra. 

Eram quase seis horas da tarde e o trânsito estava um caos para sair da cidade. Ali em frente tem o Multicentro, um shopping ligado ao Hard Rock Hotel do Panamá. Que coisa horrível isso, logo ali! Deixamos o carro e fomos dar mais umas voltas enquanto o trânsito escoava e demos a nossa volta no hotel e bar do Hard Rock Cafe. Não compramos nada, mas passear por esse hotel sempre é muito show. 

Fizemos um lanche, saímos, pegamos o carro e voltamos para o Yate Club Balboa para mais uma noite. Hoje como o carro ficou muito tempo parado, nossa bateria quase chegou à metade, e por conta disso pensei em ligar nosso gerador para carregar. Estacionei o carro próximo a alguns Motor Homes do grupo que estava na noite passada, com uma certa distância e liguei o nosso gerador. O lugar é aberto e tem movimento de carro, além de gente jogando futebol e música. 

O nosso barulho do gerador é fichinha perto disso tudo. Porém, uma alemoa com pouca educação, saiu do seu carro e ficou de pé na frente de nosso carro olhando para o gerador. Quando eu a vi fui até ela e cumprimentei; então, ela virou o rosto e disse: -It's no good, is no good! E virou as costas e se meteu dentro do carro. Como eu sou da paz, e não gosto de incomodar ninguém, tirei o carro dalí e estacioneia a uns cinquenta metros dela. Levei o gerador e liguei novamente. Voltei até lá e não dava mais para ouvir nada! Porém eu bati na sua porta e ela não veio atender! Lá dentro só disse: - yes? Perguntei em inglês: -Is good now? Ela respondeu: -Yes! Então eu disse: - I'm sorry, good night! E recebi o silêncio como resposta! 

Sinceramente, não queremos incomodar ninguém, mas injustiça e grosseria são coisas que me irritam profundamente! Não custa nada chegar perto, cumprimentar, perguntar se vai ficar ligado muito tempo, pedir para ir mais longe, sei lá... Mas virar as costas e resmungar qualquer coisa é ridículo!

Voltei ao carro e ficamos ali tirando fotos da lua, abrimos uma cerveja gelada com um salgadinho e ficamos descansando pois o dia foi longo. Peguei o violão e fiquei tocando enquanto a Janeh revisava nosso Diario, eu escrevo e ela faz a revisão ortográfica. Lá pelas 22h passou um guarda da polícia com uma bike e veio nos dar boa noite, pediu que eu tocasse algo para ele, e disse que até as 22hs ele estava por ali, depois uma patrulha passava de tempo em tempo. Agradecemos a segurança e ele se foi. 

Banho e fomos para a cama. Mas sexta a noite tem muitos carros passando com o som alto e uma festa por perto! Foi até tarde da noite o barulho! Quero ver aquela alemoa chata ir pedir para que abaixem o som!

 

Dia 07

A noite foi de muita festa nas boates que ficam próximas do Yate Club, mas foi suportável. Os nossos vizinhos da Alemanha foram embora e nós nos preparamos para dar uma volta. Saimos um pouco cedo, e descobrimos que tudo que podemos visitar somente abre após as dez horas da manhã. 

Fizemos um reconhecimento do lugar e resolvemos ir a cinta costeira e se aventurar pela cidade. Fomos até as ruínas da Panamá Viejo, e passamos por alguns bairros. Indo em direção ao aeroporto entramos no corredor sul, que é pedagiado. Como já entramos no corredor norte e pagamos com dinheiro, achei que ali seria da mesma forma, somente evitando a via do pass automático. Porém, para nossa surpresa, a moça quis nos vender um cartão de treze dólares. Eu disse que não iria comprar pois não sou daqui e tudo o mais, mas ela disse: - Ou compra ou volta! Disse que ia voltar, e atrás de nosso carro já tinha um outro carro. Eu engatei a marcha ré e comecei minha manobra, o cara buzinou e não quis voltar. Aí a moça pediu para ele retornar e ele ficou buzinando. Nisso mais uma camionete e um ônibus já se aproximavam. Bom, feito o rolo, eu continuei dando ré, até que o sujeito desse espaço. Feito isso, retornamos, cruzamos a pista e fomos por outro caminho. Sem estresse, pois não faz sentido, essa cobrança. São apenas dois corredores pedagiados no país, e um aceita pagamento, outro não. Acho que depende mais da boa ou má de quem atende na guarita, além de uma comissão, que deve rolar.

Andamos para lá e para cá na cidade e retornamos para ir ao Albrook Mall ver se achamos um supermercado e comprar água e alguns suprimentos. Compramos o que precisávamos, demos mais uma volta, comemos uma pizza por cinco dólares e lembramos que pagamos vinte na Costa Rica! Eita pizza cara aquela! 

Voltamos ao Yate Club e fomos conhecer o Museo da biodiversidade, que conta a história do surgimento do istmo do Panamá, bem como o surgimento de dois oceanos e a sua influência na vida do Planeta. Porém, para turistas, o valor é de vinte e dois dólares para cada um, isso é quatro vezes mais que o que cobram dos Panamenhos! E, no mais, não sei porque eles precisam cobrar tão mais caro dos turistas! Isso, fora o valor das exposições das salas com mostras temporárias! Desistimos e fomos visitar o jardim nos fundos.

Na rua encontramos o senhor josé, com um carrinho, vendendo raspado, que nada mais é do que gelo raspado de um grande bloco, com groselha e leite condensado. É bem refrescante e ainda fiz um filme dele preparando nossos raspados! Depois fomos a Punta Calebra, que tem uma exibicão de vida marinha, e por cinco dólares, tivemos uma aula sobre a vida marinha do Panamá, com tanques onde vimos áquários com peixes e corais dos dois oceanos, tartarugas, tubarões, estrelas do mar, peixes e sapos.

Retornamos ao nosso lugar de acampamento e dessa vez escolhemos ficar próximo ao canal, em uma rua sem saída e com muito vento, o que ajudou a amenizar o calor. Usamos nosso gerador para carregar a bateria e curtimos o lugar.

Precisávamos de água e já tínhamos pedido em alguns lugares mas a torneira era muito longe. Então, estávamos ao lado do hotel Country Inn, eu fui até a guarita do estacionamento e falei com o guarda que foi muito amável e disse que seu chefe não estava mas tinha uma torneira bem próxima da rua do outro lado e nos orientou a ir até lá. Fizemos isso e tínhamos água para banho e tudo mais. Deus sempre coloca alguém no caminho para que não falte nada.

 

Dia 08

A noite foi super tranquila nesta posição e saímos logo cedo para uma caminhada na orla do canal. Muita gente por ali fazendo exercícios e praticando algum esporte. Retornamos e, com nossas cadeiras, achamos uma sombra para relaxar. O dia tinha muitas nuvens, porém não estava completamente nublado, mas serviu bem para dar sombra e nos proteger do calor. Depois disso, tivemos que mover o carro para debaixo de uma grande Mangueira, carregada e com suas mangas caindo e bem próximo daquela torneira de água. 

Perto do almoço, passou um amável jardineiro do hotel e parou para conversar e perguntou se precisávamos de algo. Eu lhe disse que precisava de água novamente, e ele se prontificou a ir almoçar e depois conectar a mangueira para nós. A Janeh preparou um lanche e foi dormir um pouco e eu fiquei por ali tocando um violão a sombra e curtindo o momento.

Quando ele retornou, enquanto enchíamos o tanque, conversamos com ele um bom tempo, ganhamos umas mangas deliciosas e conversamos com um senhor da Alemanha que estava hospedado no hotel com sua esposa por uns dias, e está com seu RV, indo em direção ao Alaska. 

O sol começou a ficar forte e saímos para outro lugar com sombra. Ali liguei  o gerador para carregar novamente a bateria, já que estamos circulando pouco nestes dias. Descobrimos, por acaso, que podíamos pegar a WiFi do hotel, e aí já aproveitamos para atualizar nossos dados.

Mais tarde, lá pelas 16hs, o Hugo e a Natália, o casal do Canadá que conhecemos há uns dois dias e que viaja com seu grande cachorro, passaram e estacionaram perto de nós. Fui até lá e conversamos um pouco. Eles viajam desde 2005 entre Canadá e Panamá, vão e voltam, cruzando fronteiras e fugindo do frio do extremo norte. Fui ao píer tirar mais fotos da Puente de las  Américas e retornei. O Hugo e a Natália vieram até nosso carro e conversamos mais, agora junto com a Janeh. Fomos dormir cedo pois amanhã vamos sair cedo e ir a Cólon para passar o dia fazendo os trâmites para o embarque.

 

Dia 09

Acordamos ás seis horas, para sair logo e não pegar trânsito na saída da cidade. A Natalia veio bater em nosso carro para ter certeza que não estávamos dormindo e fôssemos perder a hora. Saimos, e trânsito já estava começando a ficar parado, cruzamos e seguimos em direção ao corredor norte. No primeiro pedágio a moça perguntou da tarjeta de pass, eu disse que só tinha dinheiro e que estávamos saindo para ir a Cólon e sair do País, assim ela fez uma cara de "não gostei" e aceitou meu um dólar, como o pedágio era noventa cents, ela não me deu o troco, pois disse que ela não pode aceitar dinheiro. Deixamos assim e seguimos.

Mais um pedágio e a mesma história, porém agora era dois e cinquenta dólares. Eu tinha exatamente a quantia.  No último, pedágio era dois e trinta e eu só tinha dez dólares agora, porém neste pedágio já bem próximo a Cólon, eles aceitam dinheiro e dão troco. Perfeito, tudo perfeito.

Em uma hora chegamos ao porto, sendo os primeiros. Ali Conhecemos uma Turma Especial! Logo chegou um casal da Bélgica, o Matthijs e a Gerlinde, dois jovens que foram aos EUA e lá compraram um carro, um Saturn branco somente que aguentasse a viagem até o Brasil. Estão descendo e, entre Chile e Brasil, vão vender o carro e voltar para a Bélgica. Depois chegou um casal de moto, o Neil e a Francezca. Ele da Irlanda e ela da Alemanha. Entraram pelos EUA e vão descer ao Brasil. Ambos fazem a viajem do ano sabático. 

Fomos os três até a mesa da recepção, que agora estava aberta, e lá nos pediram muitas cópias, cinco de cada documento. Eu tinha muitas, porém não o suficiente, e precisei fazer mais algumas ao preço de cinquenta centavos de dólar cada! Foram sete dólares de cópias. Um roub, com certeza,  mas não tem outro lugar. A mulher que nos atendeu falou para aguardar uma hora que viria alguém para fazer a vistoria. Depois de duas horas, estávamos questionando se ela disse para voltarmos em uma hora ou há uma hora da tarde? Um trio de motociclistas da Austrália chegou sendo dois homens e uma mulher. Um dos componentes do trio era o David que eu conheci na DIJ da cidade do Panamá fazendo os documentos. Eles só perguntaram quais os processos, explicamos e eles ficaram por ali, só os três. 

Mais tarde a Katherina, mulher que nos atendeu no início chegou, porém isso já era umas 11 hs da manhã. Fomos até lá e ela disse que nossos documentos não estavam prontos, que deveríamos voltar em uma hora. Então questionei, se era em uma hora ou uma hora da tarde. Ela sorriu e disse que podia ser uma da tarde, então. Eu já havia lido que eles enrolam o dia todo, mas isso era ridículo! Alguns saíram e foram comprar água, um lanche, e nós fomos ao Subway comer algo. Quando retornamos perguntamos se a uma da tarde seria o horário. Perguntei pois queria ir a Zona Livre e precisávamos de tempo. Então uma policial da DIJ disse que poderíamos voltar em uma hora. Eu comecei a rir, e disse: a uma hora ou em uma hora. Isso já era meio dia, e ela obviamente me disse: em uma hora será uma hora. Dissemos que queiramos ir a zona livre e lá disse, para irmos e voltarmos até as duas e meia. (hein!?)

Saimos eu, a Janeh, a Linda e o Matthijs e fomos até o primeiro portão da Zona Franca. Lá, um segurança disse que tínhamos que pagar o almoço dele para entrar. Nos olhamos e fizemos uma cara de desagrado, e ele deixou a gente entrar. Nós dois estamos só conhecendo porém os nossos amigos acabaram comprando um celular. 

Retornamos ao Porto e tivemos a notícia do dia: Talvez o ferry não vai sair pois existe muito vento, e ondas de até seis metros, e essa situação é muito perigosa! Pediram para aguardar a confirmação! Alguns não acreditava! Ficaram indignados! Mas para mim, foi ao mesmo tempo um alívio e uma preocupação. Alívio porque apesar de Deus estar sempre no controle que entregamos, estava realmente ventando muito há dois dias já, e aqui no porto eu quase não consigo me manter no lugar de tão forte que está o vento! Imagino que, em alto mar, a coisa seja bem pior. Por isso a minha preocupação.

Me retirei do grupo e falei com Deus, que eu não conheço a vida dessas pessoas, não sei e não posso julgar cada um sobre sua vida, se já se entregaram ou não, mas eles parecem não estar nem aí para o barco, vento, e tudo o mais. E eu que já entreguei minha vida e tenho em quem confiar, fico ansioso e preocupado. Falei eu não quero ser assim. Porém com a confirmação, ás dezesseis horas, confirmando que não embarcaríamos hoje, somente quarta-feira, foi tranquilizador.

Agora a questão era, onde vamos ficar? Nós perguntamos se poderíamos ficar no estacionamento, é preciso água e energia. Nos permitiram acampar, deram água e energia.Vimos que só há energia em um lugar, mas temos que mover o carro à noite e sair cedo. Tudo bem, vai ser assim.

Os três motociclistas voltaram para a cidade do Panamá. Nosso novos amigos, um casal de carro e outro de moto não sabiam o que fazer. A Katherina disse que os levaria para sua casa, mas pensei comigo, que o Ferryxpress teria que colocar todo mundo em um hotel. A Katherina disse não ter que fazer isso, pois o problema era climático! Mais tarde, uma grande confusão, pois muita gente estava aguardando no saguão, e a Katherina disse que isso nunca aconteceu e eles não estavam preparados para essa situação. Disse aos nossos amigos que iria a cidade do Panamá para uma reunião e não poderia mais recebê-los em sua casa. 

Então, foi aquela história de um ajuda o outro. Todos sujos, cansados de ficar o dia todo parados no sol no estacionamento e querendo um solução. A Linda disse ao Neil e a Fran que tinham uma barraca para quatro, porém somente um colchonete. E que estavam pensando em ficar aqui, se permitirem! Então eu disse que temos um colchão que está em cima do nosso e podemos dar para eles, e temos mais duas almofadas que serviriam como travesseiros... e assim fomos somando e resolvemos. Colocamos o carro atravessado e abrimos o toldo. Embaixo, estiquei uma lona e colocaram a barraca, colocaram o outro carro ao lado como proteção, e assim iríamos ficar. 

O pessoal saiu comprar umas cervejas e comida para uma janta e para o café da manhã e, conversando com algumas pessoas, descobriram que o Ferryxpress estava recebendo todos que ainda estavam por ali, permitindo que fiquem gratuitamente em cabines no navio, e na quarta-feira, quem não tinha comprado cabine para viajar, ganhariam como compensação uma cabina. Eles foram lá  e confirmaram, porém eu e a Janeh ficamos no Valente. Ligamos o gerador para energia e carreguei o tanque com água. Iríamos os seis tomar banho ali, mas agora, com as cabines, todos teriam seus banhos privados.

Foram todos fazer o check In e voltaram para a janta! A Janeh fez um macarrão e jantamos todos juntos. Depois apareceu mais o Matt, um canadense que viaja sozinho e também  jantou conosco. Saiu comprou mais cervejas e ficamos até as onze horas de papo. Muito inglês rolando e nós tentando entender.

Depois, eles foram para suas cabines no navio e nós ficamos no Valente. A noite promete ser fresca com tanto vento.


 

 Dia 10

O Pessoas dormiu no ferry e nós no Valente. As 8:30 todos estavam prontos para o café. As meninas prepararam ovos, café, suco e tostadas. Comemos como uma família e depois ficamos por ali, pois o dia é de comunhão e conversa. Aproveitamos para falar sobre nossos projetos, e o Neil acabou por perguntar porque temos uma menoráh na porta do Valente. Foi a dica que a Janeh esperava para falar sobre o amor de Deus e sua experiência e encontro com Cristo. E foi tudo em inglês mesmo, foi um tempo de muita semeadura na vida destes jovens. 

Mais ao final do dia veio a notícia de que o ferry ofereceria uma ceia para quem estava no navio por compensação ao transtorno que todos estavam passando. Eu fui até a entrada do navio e o segurança do Porto não me deixou entrar porque eu e a Jane não tínhamos feito o Check In para pernoite, pois estávamos no Valente. E o segurança disse para mim, que não poderia me deixar passar pois eu não existia para o navio. Eu disse a ele que eu paguei e existia sim, ele disse que, se não fiz check In, eu não existia, e portanto não entraria. 

Voltei ao carro e fizemos ovo com pão para a janta. Mais tarde, os nossos amigos retornaram com a notícia de que não houve janta. Eles só fizeram uma reunião e disseram que amanhã serviriam uma café da manhã e um almoço. Nisso chegou um rapaz, mexicano, o Esli Mejía, que também estava no navio e disse que estava "peleando" por todos e por um melhor atendimento. Explicamos nossa situação e ele consegui que, na manhã seguinte, tivéssemos autorização para entrar no navio para o café e para o almoço. Agradecemos e todos ficaram felizes. 

Nosso refrigerador era só cerveja nesses dias. Por mais que eu e a Janeh não tomemos tanto assim, uma cerveja a gente divide, havia muitas, cada um que chegava trazia um pacote com seis. Nosso gerador trabalhou bastante para manter o refrigerador a todo vapor no calor de Cólon. Ficamos conversando e a Janeh serviu umas tostitos com molho e queijo para eles, pois ficaram sem janta. Fomos dormir e amanhã, quem sabe, partimos.


Dia 11

Acordamos, desmontamos e guardamos tudo e fomos direto para a entrada do Navio, e foi aquele estresse, pois o segurança que não nos deixou entrar no dia anterior, também não queria me deixar entrar, e foi aquele "blá, blá, blá",  até que ele cedeu. 

Quando chegamos a rampa do navio, os nossos amigos estavam descendo dizendo que o café estava sendo servido a cinco dólares por pessoa. Resultado, todos fomos para o Valente e, novamente, fizemos nosso desayuno. Nós já havíamos desmontado o acampamento pois hoje é dia de vistoria, e queriamos deixar tudo em ordem, mas, com mais esse contratempo, montamos tudo novamente. 

Reposicionei o Valente com a tenda aberta de forma estratégica a proteger do sol por mais horas, e ficamos por ali. Assim como nós na segunda feira, perto das nove um grande grupo de motociclistas chegou, e mais carros, para o processo de embarque. E nem o nosso, de segunda-feira, tinha sido feito. Mal sabiam eles que esperariam o dia todo no sol escaldante até que a boa vontade de aduana, polícia, e todos os órgãos, resolvessem fazer alguma coisa. 

Com tanto tempo disponível novas amizades foram sendo feitas. Um casal da Malásia: o Wong Ying Thoe e a Allyson Tyk que viajam o mundo com uma motocicleta, são bem idosos, mas muito animados e sempre com um sorriso nos lábios! Depois descobrimos que o projeto deles se chama "A Journey of 100.000 Smiles" nome perfeito para eles!

Entre outros, um grupo de colombianos, um grupo da Alemanha, um senhor viajando com uma van carregada de livros, um outro guatemalteco com uma grande pick up com a esposa e três filhos e parte da mudança... Uma miscelânea de culturas! 

O pior ainda estava por vir: após a vistoria inicial, perto das 16 hs, resolveram iniciar os processos de embarque. Bem, na segunda-feira eram 4 motos e dois carros, hoje eram 17 motos e 5 carros, um processo que deveria ser bem simples e rápido, para um ferry que se propõe a levar até 500 carros.

Chamaram primeiro o pessoal da segunda-feira, recebemos um papel e nos foi indicado ser atendidos primeiro. Entramos na sala da Aduana e nos solicitaram as cópias, que já tínhamos entregue na segunda, porém era outra equipe. Resumo: perderam nossas cópias, nos exigiram novas, fizemos, não pagamos. Não vale a pena detalhar tudo, porém foi um vai pra lá e pra cá, faz vistoria, check In, mandar entrar com o carro, não pode, volta para fazer a migração, embarca o carro, papel pra lá e pra cá... Um rolo. 

Finalmente ás 19:30h o ferry estava com todos embarcados e saindo. Subimos ao deck, comemoramos, mas sabíamos que seria uma viajem dura, pois o tempo continuava ruim. É sim, foram horas terríveis, após a experiência de três dias de espera. Para mim que, tenho sérios problemas com enjôo, foi uma tortura! 


Dia 12

À noite foi a pior do ano, com certeza! As dezoito horas previstas no Ferryxpress, viraram vinte horas. Tomei remédio para enjôo, o que ajudou muito, foram cinco comprimidos durante as vinte horas, mas mesmo assim, em uma saída que dei da cabina, voltei e vomitei. Resultado, foram vinte horas de cama e sem comer! 

A Janeh também passou mal e teve que ir a enfermaria e tomou remédio para enjoo também, pois compramos só para mim, ela geralmente não precisa!

Passado a tortura da noite, nos encontramos no saguão, e o comentário geral foi: todo mundo passando mal e vomitando a noite. Uma experiência desagradável, mas passou. 

Para mim em particular, ficar 20 horas dentro de uma cabine de um navio balançando como se fosse um parque de diversão e dar uma vomitada só, foi um grande vitória, mas isso não me faz querer repetir. Dissem que não era para ser assim, mas que devido às péssimas condições marítimas da época a coisa ficou feia mesmo. A Janeh já falou que posso ficar tranquilo que ela não vai me pedir para fazer um cruzeiro...

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