Retorno - América do Sul - Colômbia (12/03 a 24/03/2015)

15/03/2015 23:22

Dia 12

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...A chegada ao porto da Colômbia em Cartagena foi 100% melhor, organizados, limpos e gentis. Ficou claro que a situação no Panamá é de completo desrespeito, má vontade e desorganização da parte deles. Estão perdidos e não querem que o Ferryxpress funcione. Questões meramente políticas, uma pena! Para se ter ideia da diferença, encontramos no ferry dois viajantes da república tcheca que não puderam embaraçar seu caminhão pois a plataforma de Cólon não suporta mais que 5 toneladas. Detalhe que eles foram para o Panamá no ferry, mas para voltar não podiam. 

Nós pagamos U$ 723 dólares, com cabine e carro. Eles vieram no ferry e pagaram U$ 198; e para enviar o caminhão por outro navio mais U$ 6 mil dólares. Isso já é o suficiente para mostrar o desinteresse no Panamá em que o ferry funcione. "Una lástima, estupido" como dizem.

Todos desembarcados, cada um para o seu lado, nós fomos para o hotel Bella Vista e lá encontramos novamente a dupla do caminhão tcheco, e ainda conhecemos um casal Belga que viaja há 11 anos pela América do Sul com uma caminhonete e uma camper, Guy e Didi, e um outro casal da Espanha com uma Kombi t3 que segundo eles, já é parte da família, pois está com eles há 7 anos e já viajou o mundo. Infelizmente, não lembro seus nomes, mas conversamos muito sobre as histórias das viagens.

Comemos no hotel e fomos dormir cedo pois o dia e a noite foram longas.


Dia 13

Saímos cedo para ir a Concessionária Renault fazer a manutenção nos freios e arrumar a fechadura da porta da Jane que foi danificada no México. Nosso gps perdeu os mapas da Colômbia então foi no pergunta aqui e ali pra chegar. No caminho, encontramos o senhor que cuida do estacionamento do camping do hotel e paramos e perguntamos a ele. Gentilmente ele disse que estava indo para aquele lado, e então nós oferecemos uma carona e ele nos guiou. Seu nome é "Jorge". Curiosamente em toda a viajem, sempre que precisamos de uma ajuda o nome do varão é Jorge. Se fosse devoto do São Jorge, diria que tem tudo em comum, mas não sou. Mas acho que Jorge é nome de anjo, só pode!

Como iria demorar e não encontramos internet próximo a concessionária, a Janeh pegou um táxi e voltou para o hotel e eu fiquei aguardando.

Feita a revisão, troca de pastilhas dianteiras, arrumamos a fechadura e retornei ao Bella Vista onde a Janeh  se encontrava atualizando o site. Conversei bastante com o Guy e a Didi, e com o casal espanhol. 

À noite, o pessoal que conhecemos no Ferry, a Turma Especial, com quem passamos três dias, nos chamou para sair, e marcamos no Hard Rock Café de Cartagena. 

A Janeh não estava se sentindo muito bem. Ela, assim como eu, comeu no hotel, mas algo não lhe caiu bem. Passou parte da tarde de cama com fortes dores estomacais. Fomos ao Hard Rock mesmo assim, pois ela insistiu, mas como não melhorou, seu mau estar não nos permitiu ficar por muito tempo. Jantamos, conversamos um pouco e nos despedimos! Quem sabe, um dia nos encontramos novamente!  Uma turma muito show. 

Voltamos ao camping de táxi e a Janeh passou muito mal. Vômito e diarreia por várias vezes durante a noite. Ficamos preocupados, pois isso está acontecendo com uma frequência muito grande, quando não é com ela, é comigo.


Dia 14  -

Tínhamos roupas para lavar e isso fez com que ficássemos um dia a mais para deixar na lavanderia do Bella Vista. Aproveitei para atualizar uns mapas, e uns aplicativos para viagem e para conversar mais com o Guy e a Didi. foi um dia de muita troca de experiências.  A Janeh passou o dia deitada. Ao final do dia, saimos e caminhamos até o supermercado para comprar algumas frutas e água, passamos em uma farmácia e compramos uns medicamentos para os sintomas que ela vinha sentindo. Retornamos, uma sopinha e cama.


Dia 15 -  Curumani

A Janeh não está completamente boa, mas decidimos sair mesmo assim e seguir em direção a Bucaramanga, onde o Miguel, irmão do Eduardo que conhecemos em San Andres, nos aguarda. Porém, creio que não chegaremos hoje, pois aqui na Colômbia não se mede o viajem por km e sim por tempo. A média de km/h aqui é bem baixa. Perguntei para alguns viajantes qual a melhor opção de roteiro, e todos nos disseram para cruzar Cartagena pelo centro e ir em direção a Bosconia e depois pegar a I-45 e ir reto. Eu pensava em ir a Barranquilla e pegar a I-45 no início e ir reto, me parecia mais lógico, mas todos diziam que não. 

Isso me deixou em dúvida, pois quando viemos os viajantes diziam para vir pelo centro da Colômbia, ou seja, pela 45. Porém outras informações nos diziam para ir por Medellin que seria muito melhor. Para mim, vir por Medellin, foi uma grande furada, mas tudo bem. Agora vamos novamente na informação da maioria. 

Saimos ás 8:10h, domingo e pegamos um trânsito, sinceramente, terrível. Cruzar Cartagena não é fácil!  Quando chegamos aqui a primeira vez depois de quase 10 horas dirigindo, em um final de tarde de sexta-feira pensamos que o trânsito era ruim porque estava acontecendo tudo junto, sexta, com final de tarde... mas sair ás oito da manhã de domingo e encontrar a mesma situação caótica, é inexplicável. 

Meu nível de ansiedade começou a subir. A Janeh começou a passar mal e pacientemente saímos dali. 

O marcador do diesel estava na metade, e pensei em não parar pois o trânsito só tinha a piorar. Pensei em parar em alguma cidade mais adiante e abastecer. 

Saindo de Cartagena, a estrada até estava razoável, mas foi só começar os pedágios que a estrada ficou ruim. Engraçado como isso é frequente, pagamos para andar em estradas ruins. Não estamos com muito dinheiro, quase que somente o suficiente para pagar os pedágios. 

Após cinco horas andamos apenas 200 km, uma média de 40 km/h, muita obra na estrada e muitos caminhões, isso que é domingo! Temos ainda 160 km para chegar ao nosso ponto objetivo para dormir , um posto Terpel na rodovia 45. 

Chegamos a cidade de Bosconia e resolvemos abastecer. Fomos ao primeiro posto em busca de combustível, que aceite pagamento com cartão. Para nossa alegria, o posto não aceita cartão, o que é muito comum por aqui! E para piorar a situação, muitos postos estão sem diesel. Dizem que o diesel não está chegando nesta região. Temos ainda 1/4, mas precisamos achar um que tenha e que aceite cartão. Nos indicaram um que aceita cartão e tem diesel, porém a bomba não queira funcionar. Deu "tilt" na bomba. 

Um calor infernal, e nós em uma pequena cidade suja e confusa da Colômbia sem combustível. Tudo o que eu queria para um domingo! Detalhe, nem me lembro mais que é domingo, pois tudo está funcionando a todo vapor!  A idéia de sair no domingo foi por água abaixo. Quando estávamos retornando, pois decidimos seguir com o combustível que tínhamos, a Janeh viu o frentista da bomba com "tilt" fazendo sinal. Graças a Deus, pois eu não vi nada. Retornei  e a bomba funcionou. Enchemos e tanque e fomos procurar um lugar para comer. 

Temos uma quantia em pesos e uns dólares além de cartões. Porém, ninguém aceita nem dólar nem cartão. Que coisa linda! Vamos então comer sanduíche no carro. Eu, porque a Janeh ainda não está comendo! Ela comeu cereal de manhã e ficou com muita dor de estômago. Pelo menos daqui para frente a estrada parece que vai render. 

Nossos amigos Belgas nos deram a dica do aplicativo para iPad , o Ioverlander, que é uma super mão na roda; rápido fácil e off line. Ali achamos um hotel na cidade de Curumani por 40 pesos, uns 15 dólares, com cama de casal, wifi, ar condicionado, banheiro, super clean,  Hotel Bariloche. Como a Janeh não está legal e o calor está forte, decidimos ficar por aqui. 

Fizemos contato com os amigos de Bucamaranga e de Cali e assim, amanhã seguimos mais tranquilos. No fim, o dia foi show. É claro que para pagar o hotel preciso de peso novamente. Porém sai e fui até um caixa eletrônico e saquei um dinheiro.

A Janeh ficou descansando e aproveitei para atualizar o diário! 

Para a janta, fiz umas batatas cozidas para ela e sanduíche para mim! Espero que ela fique bem...


Dia 16  - Bucaramanga e o encontro com Miguel e Mónik

A noite foi bem quente! A mais quente desde o México na nossa ida! Mas a decisão de ficar em um hotel, com a Janeh não muito boa e com ar condicionado, pagando o mesmo valor de camping foi a mais acertada. Ela acordou bem humorada e falante. Ufa, passou o mal estar e estava mais disposta.

Vamos então seguir para Bucaramanga e encontrar o Miguel irmão do Eduardo. Não temos as coordenadas, somente o endereço, mas por alguma razão o GPS não aceita o endereço, ele trava e reinicia. Temos o Forevermap no iPad e vamos tentar seguir com ele quando chegarmos na cidade.

Rodamos por uma boa estrada e com muitos trechos em duplicação, porém com boas condições e incrivelmente sem caminhões. Ontem ainda encontramos
muitos na estrada. Nos questionamos se os caminhões preferem viajar no domingo. Em um pequeno trecho de uns 3 km, uma reta com um asfalto novinho, com máxima de 80 km/h, bem sinalizada, dia claro, e vínhamos bem tranquilos quando no meio da reta um carro da polícia com três policiais e um radar nos mandou encostar. Quando vi o radar quase que dentro do carro, já imaginei que estava acima da velocidade permitida. O policial muito simpático, fez as perguntas básicas, pediu os documentos, e claro, fiz questão de encher a mão dele de papéis que ele nem imagina o que sejam, e ele me disse
que eu estava a 97 km/h, e que ali a máxima é de 80 km/h. Realmente eu me distraí e disse que possivelmente sim, pois estava conversando e não percebi. Ele pediu que eu saísse do carro e o acompanhasse até a viatura. Lá tive que conversar com o "oficial". Ele me questionou e eu bem tranquilamente expliquei
que estava viajando por muitos países, e que não tinha pressa, que nosso carro é bem pesado, que talvez por uma distração acelerei sem intenção, o que
realmente aconteceu. Ele me perguntou o que eu achava que ele deveria fazer, dar uma multa? É claro que eu disse que não, e agradeci por eles estarem ali
trabalhando e fazendo um ótimo trabalho, porém eu sou extrangeiro e nunca passei por ali, e inclusive necessitava de uma orientações, que uma advertência
verbal me caberia muito bem, e não uma multa. Ele sorriu e perguntou o que eu precisava saber. Perguntei porque os caminhões não estão rodando? Porque não acho combustível! E qual as condições da estrada na direção que estávamos indo? Ele explicou que em todo o país está acontecendo um "paro" de
caminhoneiros, e por essa razão o combustivel e outros suprimentos estão faltando em alguns lugares. Falou sobre as condições da estrada e nos orientou
mandou seguir com cuidado e mais devagar. Beleza, foi a melhor situação de orientação e compreensão sem pedido de suborno ou multa que tive em toda a
minha vida.

Saimos da rodovia plano e entramos em uma pequena serra bem sinuosa e subimos até 1800 m.s.n.m. onde se encontra a cidade de Bucaramanga. Ali por ser uma cidade maior, havia manifestação de caminhoneiros e muita polícia na rua, mas passamos com paciência. A entrada da cidade e de muita pobreza e estradas ruins, depois um transito forte. A Jane estava tentando achar onde estávamos e para que lado seguir, porém em meio ao trânsito estava ficando difícil, lugar para parar não tinha, então entrei em uma transversal qualquer e parei para olhar o mapa e me localizar. Nesse instante um carro parou ao nosso lado e buzinou. Olhei pela janela e incrivelmente, ou milagrosamente, era o Miguel e a Mónik. Exatamente as pessoas que procurávamos e que nunca havíamos visto, somente o conhecíamos por facebook. Falamos que chegaríamos na cidade pelas 15 hs, porém eram 13hs e não conseguíamos nos localizar, paramos em uma rua qualquer e neste instante o Miguel estava saindo para ir ao banco e ai levar sua esposa ao dentista, viu nosso carro passando em meio ao trânsito e veio atrás de nós. Ficamos nos perguntando qual a possibilidade disso acontecer em uma grande cidade que é uma metrópole com mais algumas cidades acopladas a ela. Foi mais um dos milagres e cuidados de Deus em nossas vidas.

O Miguel nos levou a um pequeno restaurante onde ele e seus funcionários almoçam e fomos comer algo. Depois ele nos mostrou as instalações das duas empresas que pertencem ao seu pai e aos irmãos. Mostrou dois espaços que poderíamos dormir a noite com o carro, porém eram de difícil acesso e bem no centro industrial da cidade. Agradecemos e fomos olhar as possibilidades do IOverlanders, e encontramos o parque de Vuelo de Parapentes Ruitoque. Nos dirigimos ate lá, em mais uma grande subida. É um clube com uma pista para parapentes, onde fomos recebidos pelo Oscar, gente boníssima, nos atendeu super bem e pagamos uma bagatela de três dólares, com um visual animal de toda a cidade e região, clima agradabilíssimo, água, energia e Wi fi.
Aproveitamos para dar uma geral dentro do carro, porque em Cartagena pegamos muito vento próximo a praia e tínhamos areia por tudo. À noite o visual da
cidade era lindo demais. Me sentei ali à fiquei vendo como a luz é importante em nossas vidas. Quando chegamos havia muitas nuvens e apesar de estarmos em um lugar bem alto,  não podíamos ver muito longe. Mas a noite, a cidade toda iluminada, conseguíamos ver Bucaramanga, Foridablanca, Girón e acredito que mais uma que não sabemos o nome. O lugar alto e a luz nos faz ver muito mais longe, apesar de ainda estarmos limitados pelas montanhas,
e eu falei com Deus, de como somos pequenos no meio disso tudo. Em meio a cidade e em meio a nuvens não vemos quase nada, mas quando saímos e subimos, mais perto de Deus, quando saímos do meio das Nuvens, vemos mais longe, e quando olhamos para a luz, podemos ver mais ainda! É uma beleza detalhada que sem a luz não enxergamos. Deus vê do alto e com muita luz, e sem nenhuma nuvem.
São experiências unicas como essas, e como a de estarmos perdidos nesta grande cidade e, ao invés de nós acharmos o Miguel, ele nos achar, que nos fazem refletir! Assim é Deus, quando nós não conseguimos encontrá-lo, e estamos perdidos, Ele nos encontra, e por meio de Jesus nos salva, e todo aquele que se entrega, Deus o leva a lugares altos, onde pode ver e seguir. Nem preciso dizer que a noite foi deliciosa depois de uma reflexão como essa em um lugar tão especial. Chorei, adorei e glorifiquei a Deus neste lugar. Ruitoque, esse é um lugar incrivel.

O Miguel e a Mónik vieram nos buscar e saímos até um dos shoppings da cidade. Demos uma volta a noite, comemos algo e conversamos um pouco. Depois eles nos levaram devolva e nos despedimos pois amanhã seguimos nosso caminho. Foi uma experiência interessante, pois como viajamos por muitos lugares pelo interior, vimos uma Colômbia em transformação, em modernização, pobre e seca em muitos lugares, mas com grandes cidades com toda a infraestrutura. Comentamos com o Miguel e a Mónik de que tudo o que eles têm com bons restaurantes, acadêmicas modernas, lojas com grandes marcas, tudo isso não nos impressiona, e não andamos por cidades grandes, pois isso é igual em todo lugar, mas conhecer como o país todo vive nas pequenas cidades, ou povoados é muito mais incrível. As pessoas geralmete viajam de avião e buscam segurança e limpeza, mas andar por todo o país de carro nos é mais desafiante e nos conhecer e faz refletir muito mais.


Dia 17 - Honda

Acordamos e fomos abasteçer para seguir com o tanque cheio. Descendo a colina já encontramos um grande posto e aproveitamos para fazer o serviço. Precisamos lavar o Valente que está bem sujo por causa das praias que passamos, porém ali a lavação já estava cheia, e decidimos buscar outra opção. Saimos e, como é comum em grandes cidades com muito trânsito e vias, erramos uma saída e tivemos que fazer uma volta pela cidade, mas é sempre bom para conhecer um pouco do trânsito e de como as pessoas vivem. Logo chegamos a cidade de Girón, onde pudemos parar e lavar o Valente.
Estava chovendo um pouco, mas lavar o carro decentemente é melhor. Cruzamos a primeira parte da cordilheira, passando pela recém inaugurada represa de Sagamoso, e passamos na estrada por uma manifestação de campesinos, pescadores e pessoas que vivem na região e sofreram com o impacto ambiental na grande obra. Estavam caminhando pela rodovia com faixas e placas e fechando tudo, porém passamos cedo e conseguimos nos desvencilhar. O visual da represa é muito bonito, e a viagem por essa região também. Nós descemos uns 500 metros, e passamos por muitas fincas, fazendas e povoados turísticos. Nosso plano é chegar a cidade de Honda. São apenas 300 km mas sabemos que vamos levar umas seis horas, aqui não tem jeito. É incrível como sempre as pessoas que não viajam dissem ser quase impossível um só motorista fazer isso em um dia. Porém a viajem foi super agradável, e chegamos a Honda tranquilamente. Tínhamos um ponto para parar mas, um pouco antes, vi uma Hacienda campestre de nome "El Placer" . Virei o carro e entrei ali para ver se poderíamos ficar. Um lugar agradável, com piscina, Wi Fi, energia e água por um bom preço. Aqui tudo é mais barato do que EUA. Resolvemos ficar ali.

Fomos a piscina dar uma relaxada e refrescar o corpo e nos instalamos. Essa região de Honda é bem turistica com esportes extremos nas montanhas e nos rios do lugar. Como é dia de semana está calmo e pudemos descansar.


Dia 18 - Retorno a Salento

À noite choveu e bastante, inclusive chegou a dar uma goteira no fantastic da cozinha, nada grave. E durante a noite fomos fechar uma das janelas do quarto, meio dormindo, e acabei quebrando uma trava. Coisa que me deixa maluco é quando quebra alguma coisa. Demos um jeito provisório e quando chegar ao Brasil vamos tentar consertar.

Acordamos com a vontade de ficar e de ir. O clima estava bem mais ameno do que no dia anterior, e sabíamos que iria chover mais. Seguir viajem com chuva não é bom, mas ficar trancado no carro também não. Resolvemos ficar até meio dia e decidirmos se vamos ou ficamos. Olhando a previsão do tempo, nós
descobrimos que por uns cinco dias vai chover em quase toda a Colômbia. Então o negócio é ir adiante. Pois vamos ficar em Cali na casa do Eduardo e da Emma no final de semana, e para isso temos que seguir.

Fui pagar a noite e o senhor me apresentou dois papagaios. Um verde como temos no Brasil, porém Colombiano e outro amarelo que ele falou foi um presente que veio do Brasil. Eu nunca tinha visto um papagaio amarelo. Levei para mostrar a Janeh e brincamos um pouco com ele.
Depois o tempo deu uma trégua na chuva e seguimos em direção a Ibague. O dia estava bem fresco e não choveu mais, ajudando, em muito, na condução. Seguimos até Ibague por uma boa estrada. Passamos por  Armero, uma cidade fantasma que foi destruída em 1985 pela erupção do vulcão Nevado del Ruiz, que não vimos pois estava encoberto pelas nuvens devido ao mal tempo, que dizimou só ali 22.000 dos 29.000 habitantes. Quando chegamos a Ibagué, o
centro musical da Colômbia, cruzamos por fora, por uma rodovia moderna que desvia o trânsito do centro. Iniciamos então nossa subida a cordilheira
central, e logo no início, muitos caminhões andando a 30, às vezes 20 km/h. Não temos pressa, então, tudo certo, vamos devagar, ou como dizem em espanhol, despacio. Porém, foram 40 km de muita subida, dois mil metros de altitude com muita curva e muita inclinação, tendo que usar muitas vezes a primeira marcha. O cruze é de 3297 m.s.n.m, muita nuvem, tempo fechado e frio. E depois, 20 km de descida com pé no freio, em primeira e segunda. Claro que os freios esquentaram muito, mesmo sendo pastilhas novas e tudo revisado, mas o Valente foi fiel e aguentou firme.

Chegamos a Armênia e cruzamos por fora em direção a Salento, logo chegamos no hotel La Serrana Farm e nos instalamos. Chegar em um lugar como Salento depois que se conhece o lugar e o caminho, é muito mais tranquilo. Na primeira vez, chegamos já anoitecendo, cansados, e o Gps nos mandou em uma via que não passa carro. Levamos uma hora para achar um lugar. Agora, tudo foi diferente! Nós chegamos e na recepção o rapaz nos reconheceu e nos disse que, como já  conhecemos o lugar, podíamos nos instalar e depois voltar para o Check In. Fiz isso, coloquei o carro no melhor lugar com o melhor visual e montamos tudo. Demos um "oi" na cozinha para o pessoal e ficamos curtindo o lugar. Ficaremos aqui duas noites e depois seguimos para Cali.


Dia 19

Hoje amanheceu bem fresco, 14 graus, bem diferente dos 35 que vínhamos pegando. Pegamos casacos novamente e fomos tomar café no restaurante pois aqui o café está incluído. Depois fomos atualizar o site, e meu computador não ligou mais. O da Jane deixou de funcionar nos EUA, e vínhamos utilizando o meu HP. Agora morreu também. Em Cali vamos procurar um técnico para tentar ressuscitar ao menos um deles, ou salvar os dados dos HD's.  Nossos computadores tem mais de cinco anos e sabemos que teremos que comprar um novo, mas a ideia era voltar e somente comprar no Brasil ou quando voltarmos aos EUA, algo assim.

Saimos e fomos dar uma volta no centro e tentar sacar dinheiro, pois estamos com dificuldade de encontrar um caixa eletrônico pelas pequenas cidades que passamos. Encontramos um e não tivemos sucesso, mas depois em um segundo, sim.

Ao lado, procurávamos um lugar para almoçar e encontramos o Café Willys, do Sr. Jairo e da Barbara. Lugar temático com um Jeep Willys 1951 na entrada transformado para uma máquina de café expresso. Comida boa com preço justo, depois conversamos como os donos, e tomamos um café com um pudim de pão com goiabada delicioso.

Retornamos ao camping e caiu uma forte chuva que fez entrar agua novamente no carro. Nada grave, mas vou ter que olhar quando chegar em Cali, quem sabe comprar um isolante e tentar resolver.

Para a Janta, estávamos pensando o que fazer, pois não temos muita comida, e não aguentamos mais comer frango. Já estamos quase como o povo no deserto que não aguentava mais comer maná, e depois saiu codornizes pelas narinas. Fui até a cozinha e perguntei o que fariam para o jantar e descobri que estavam fazendo hamburguês gigantes com seus acompanhamentos. Porém muito caro para nosso custo. Pedi para o pessoal da cozinha como poderia ter dois hamburguês, e elas nos presentearam às escondidas. A Janeh fez um arroz maravilhoso e comemos com feijão é um creme de milho.

Conversamos um pouco com o Léo e a Carmelina, amigos de Blumenu, pelo whatts e fomos dormir.


Dia 20 - Cali e o reencontro com Eduard e Emma

Acordamos com aquela dúvida, ir ou não ir visitar o Valle de Cocora. Vimos umas fotos, vídeos e sinceramente, entrar em na mata, e visitar cascatas com tempo chuvoso não nos convenceu. Dizem que ir a Salento e não ir ao Valle de Cocora e como não ir
a Salento. Bem, nós não fomos e para nós está tudo bem. Nos despedimos do pessoal da cozinha, que são pessoas muito atenciosas e amorosas e partimos. Um pouco de chuva na estrada mas nada que atrapalhasse.

Contornamos a cidade de Armênia para fugir do trânsito, e seguimos em direção a Cali para encontrar nossos amigos Eduardo e Emma. Vamos passar o final de semana com eles e conhecer um pouco de Cali, comidas e costumes. O Eduardo nos deu seu endereço, porém o nosso GPS não está aceitando, somente se eu tiver coordenadas. Então eu baixei um outro app no meu celular que vai nos guiar. Temos muitas ferramentas, uma sempre funciona. A viagem foi tranquila e em 3:30 chegamos em Cali, e achamos rapidamente o endereço alvo. Porém nossos amigos não estavam, e isso já
era como duas da tarde. Não tínhamos comido nada e então saimos para procurar algo. Deixamos o Valente no prédio e fomos a pé. Avisamos o vigia que
estaríamos por perto e se o Eduardo chega-se, erra só nos encontrar. Não demorou muito e achamos um restaurante simples com comida simples e bom preço.
Enquanto pedíamos nossos pratos o Eduardo e a Emma chegaram. Uau, que rápido! Foi uma grande festa e alegria poder reencontrá-los, desde nossa primeira vez na Ilha de San Andres em Agosto do ano passado. Comemos e conversamos e então, caminhamos de volta ao apartamento. No caminho, a Emma parou para comprar pão em um carro que vende na rua. Um aroma muito bom de pães frescos, escolhemos alguns e fomos para casa. Conversamos e colocamos o papo em dia.

À noite saímos de táxi para dar uma volta no centro da cidade e conhecer um pouco dos principais pontos de Cali. Uma coisa que me chamou muito a atenção foi a grande concentração de homossexuais,homens, se beijando e se agarrando na rua. Sentados no colo um do outro se tocando, uma cena forte. Não estamos acostumados a ver assim em público.

Andamos e tiramos algumas fotos da cidade. A essa altura a fome já estava batendo na porta e fomos a uma pizzaria com uma banda de rock.
Assim como no Brasil, a banda chegou, começou a plugar seus instrumentos e foi meia hora de bagunça. Todo mundo testando seu equipamento como se fosse a primeira vez. Lembramos dos EUA quando fomos a Menphys e estávamos em um bar quando a banda chegou e em 15 minutos ligaram tudo sem fazer bagunça. Simplesmente ligaram e 1 2 3, estamos tocando. Foi lindo!

Enfim, a banda era boa, tocando covers e dando seu recado musical. Após comermos, eu peguei nossa máquina é iniciei uma série de fotos da banda para mim mesmo. Porém a gerente do local veio até nós e disse que era a gerente de marketing do local e gostaria de que eu enviasse as fotos para ela, pois colocaria na página do bar. Me comprometi a enviar assim que possível. A Jane estava meio dormindo e então fomos para casa lá pelas 23hs, devido a viagem e cansaço normal do dia.

Resolvemos dormir no Valente, pois o apartamento é pequeno e não havia necessidade de mudar nada se podemos dormir em nossa cama e tudo está pronto. O Eduardo e eu esticamos nossas extensões e ligamos a energia, então nada melhor do que dormir em casa.


Dia 21

Acordamos e fomos tomar café com o Eduardo e a Emma. Ela preparou um delicioso desayuno e comemos tudo!  Eu sai com o Eduardo para conhecer sua empresa e tentar comprar os filtros do carro para uma futura troca de óleo. Porém no vai e vem desisti, pois o atendimento da Renault não foi a contento e nas revendas de similares ninguem sabia qual era o filtro correto. Melhor deixar assim, e quando estiver em Lima ou Arequipa, no Perú, farei o serviço. Retornamos ao apartamento e lá já nos esperava o técnico de informática que oEduardo chamou para ver nosso computadores. Bem, o diagnóstico
não foi dos melhores. Os dois processadores pararam de vez. Para arrumar precisamos de tempo e o custo não compensa mais. Pedimos para ele tirar os HDs e tranferir os dados mais importantes para nosso HD externo. Talvez no Equador vamos ter que comprar outro. Aqui na Colômbia está mais caro.

À tarde demos uma descansada gostosa após o maravilhoso almoço que a Emma Preparou para nós. À noite pensamos em sair novamente para conhecer um baile de rumba, porém ficamos de papo e o tempo passou. Então perguntamos a nossos amigos se gostavam de jogar e apresentamos o Sequence a eles. Foi paixão à primeira vista. Gostaram tanto que a Emma pediu que deixássemos com eles!  Dissemos que não dava pois gostamos de jogar entre nós e com amigos. Ficamos jogando até uma hora da manhã.


Dia 22

Após o maravilhoso café da manhã da Emma, eu e o Eduardo fomos tentar descobrir por onde está entrando água no teto do carro. Descobrimos algumas fissuras no fantastic que instalamos nos EUA e o Eduardo fez um trabalho de isolar com um silicone que usa na sua empresa.  Vamos ver se funcionou mais pra frente. Combinamos um encontro com o Eslei Mejia, novo amigo Mexicano que conhecemos no Ferryxpress de Cólon para Cartagena, que em meio aos seus 27 anos, pegou três meses de férias e vem percorrendo desde Puebla no México, sua cidade natal onde vive e leciona aulas de história para adolescentes, até aonde ele puder chegar, como ele diz. Viaja de ônibus, dorme algumas vezes em Hostal e outras no ônibus, para economizar e assim
vai seguindo e conhecendo novos lugares. Hoje ele chegou a Cali e vamos tentar nos encontrar no final da tarde.

Saímos para comer Sancocho de Gallina, pois vimos muitas placas na estrada e não sabemos o que é. Bem, um prato típico da Colômbia, preparado com galinha velha, ou seja com carne dura, porém um gosto diferente. É um tipo uma sopa, e comemos Tamales, outro prato preparado com milho e frango com uma folha de banana. Foi bom conhecer, mas nada de mega especial. Para acompanhar suco de água de panela com limão. Panela no caso aqui é melado, da cana de açúcar, já que estamos em uma região onde é fortíssimo a plantação de cana. Retornamos e fomos dar uma descansado, aquela durmidinha da
tarde. Cali faz muito calor, porém como vinha em uma semana chuvosa até que esta suportável. O verão se foi, mais o Eduardo diz que em Cali faz calor o ano todo.

Combinamos com o Esli que ele viria até o apartamento as 16 hs, porém acordamos as 17 hs e ninguém veio nos acordar. Subimos e demos de cara com o Esli que havia chegado a 5 minutos. Foi perfeito, melhor impossível. Todos tínhamos fome e saímos caminhando pela rua para comprar pão e umas frutas. Nosso desejo era comer umas frutas da Colômbia, e saímos a procura. pois é muito fácil de achar nas tendas ambulantes. Porém, como havia chovido não encontramos, mas mesmo assim fomos até um centro comercial e compramos no supermercado. O Esli se deu muito bem com o Eduardo, pois ambos
gostam muito de história e o Eduardo deu uma aula sobre a Colombia. Infelizmente o assunto foi o tráfico de drogas, seus cartéis e mudança nos dois países. Mas como eles dissem, quem não conhece a história, tende a repetí-la.

Neste momento tivemos também a oportunidade de conversar sobre os planos de Deus para a vida do homem, e como nossas vidas tem sido mudada, e como dizem, religião, futebol e política, para manter a amizade não se discute, porém o papo foi muito bom. O Esli também é cristão e com entendimento e sabedoria  conversarmos com o Eduardo.

Compramos frutas e pão e fomos provar o tal shampoo, que não é de cabelo, mas de tomar e também comer. Um tipo suco com abacaí, milho água e outras coisas que tem um sabor típico. Depois de tomar o suco pode-se comer a fruta.

Retornamos ao apartamento, porém o Esli tinha que partir pois iria pegar um ônibus e dormir a noite para chegar a Pasto e ainda visitar o santuário las Lajas em Ipiales, quase já na divisa com o Equador. Nos despedimos com a idéia de, se possível, nos encontrar uma vez mais, quem sabe em Quito, ou Baños de Santa Ana.

A Emma preparou um lanche e fomos jogar sequence novamente, as mulheres ganharam como dupla. Mas é somente diversão.
Amanhã saímos cedo para ir até El Bordo.


Dia 23 - El Bordo

Conforme pedi a opinião do Eduardo, pensamos em sair hoje, segunda feira por ser feriado, ou, cmo dizem aqui "dia festivo". Prece que hoje é o dia do
homem aqui, o Eduardo não tinha certeza, decidimos sair para tentar pegar um trânsito mais tranquilo  com menos caminhões. Nos despedimos, e partimos como coração partido, como sempre, pois são novos amigos, e queremos um dia poder reencontrá-los.
Eles estão vendendo suas propriedades e hoje vivem de uma forma muito simples, e em mais uns quatro meses se possível querem sair e comprar uma camper, um motor home, alguma forma para viajarem para o sul da América do Sul, e depois irem para a Austrália, onde sua filha está vivendo. Vamos tentar
ajudar no Chile na busca de uma camper ou MH para eles. Que Deus nos ajude e se for sua vontade esperamos encontrar uma bem legal.

Pegamos a estrada e no início não tínhamos muito transito de caminhões, mas como era um dia festivo, havia muita gente passeando com a família, o que também deixou as ruas com aquela cara de domingo, com todos os domingueiros motoristas de plantão na rua. Mas com paciência a gente chega. Tomamos um grande susto, o segundo na Colômbia, pois na vinda também foi aqui, quando em uma ultrapassagem tivemos que frear forte por causa das manobras loucas do colombianos. Eles usam a seta para o lado que der vontade, e não da forma convencional, além de que quando resolvem parar, param no meio da pista, sem cerimonia, seja taxista, ônibus, ou veículo particular. Não descobri se eles têm a luz alerta ligada no freio ou se ligam o alerta cada vez que vão parar, pois simplesmente o alerta do carro da frente liga e ele pára. Não sinaliza, nem nada. A viajem ajudou e ser muito mais paciente e atencioso, pois a cada país se tem costumes diferentes, as leis basicamente são as mesmas, porém os costumes tem que aprender na raça.

A viajem foi tranquila, aquele sobe e desce da Colômbia, e agora, neste trecho em direção a Ipiales, fronteira com Equador, as cordilheiras se unem, e não existe mais trecho plano, é aquele sobe e desce de um lado para o outro sempre, com média de 50 km/h. Temos a indicação de ficar na casa de jairo, um  primo do Eduardo. Ele mora em El Bordo, tem uma pequena finca e podemos estacionar ali para passar a noite. Trouxemos pão de encomenda de Cali e vamos entregar. Também nos foi indicado comer o "manjar blanco" da região e outro doce. Ali na entrada de El Bordo teríamos que parar, comprar os doces e perguntar pela casa do Jairo. Fizemos isso, é realmente, a mulher dos doces nos indicou a finca ali mesmo na rodovia.
Seguimos e lá estava o Jairo nos aguardando. Entregamos o pão e decidimos não ficar, pois a Janeh voltou a ter dores de estômago e diarréia. Não estava se sentindo a vontade para ficar na casa ou quintal de estranhos, apesar da indicação, com diarreia. Como estávamos muito próximos e Miravalle um Hotel campestre, que ficamos na vinda, decidimos seguir e ficar ali. Chegamos rápido, nos instalamos, e eu até dei um mergulho na piscina para dar uma relaxada, pois o dia foi longo. Amanhã seguiremos a Ipiales e sairemos da Colômbia.


Dia 24 -  Saída da Colômbia , entrada no Equador e Encontro com Jean Beliveau.

A Janeh acordou melhor, e saímos bem cedo,. As sete horas da manhã partimos, pois queríamos ter tempo tranquilo na fronteira e chegar a Ibarra, em uma finca de um alemão que já viajou muito e hoje recebe viajantes, antes de anoitecer. Pparece que não cobra nada e é muito atencioso.

No caminho, paramos para um café no carro e como precisavamos de água para o tanque e comprar água, um paradeiro qualquer encostei e fui comprar água e encher o tanque enquanto a Janeh preparava algo para comermos. Isso já era lá pelas 9 h da manhã. Papo vai, papo vem com o dono do estabelecimento, ele nos ofereceu tomar um bom desayuno ali. Disse que tinha tem feijão, batatas e arroz... Meu Deus, isso é um almoço! Agradeci, mas ficamos com o nosso café. Ele fez as perguntas que todos fazem: de onde somos, e para onde vamos... E comentou que muitos viajantes tem passado ali, e que, inclusive, ontem passou um muito curioso, caminhando, com um carrinho onde leva seus pertences e vai empurrando. Nos mostrou um folheto que ele deixou ali. Já caminhou onze anos e estava indo em direção à fronteira. Pensei, que ele ainda não chegou lá, e que vamos encontrá-lo pelo caminho. Agradecemos e partimos.

Mais sobe e desce e, logo após passarmos pela cidade de Pasto, encontramos o tal caminhante. Paramos o carro e fomos conversar com ele. Realmente uma figura que nos conquistou!  Jean Beliveau, um jovem senhor, que no próximo dia 18 de agosto completa 60 anos. Caminha pelo mundo desde os 48 anos, segundo ele, iniciou devido à crise da meia idade. Deixou casa e esposa o Canadá e saiu caminhando. Todos os anos, ela e os filhos o encontram em algum lugar do mundo no seu aniversário.Não aceita carona pois diz que seu coração manda caminhar. Já cruzou os cinco continentes e agora está concluindo sua volta, pois em 2002 quando saiu do Canadá e quando chegou a Colombia, diz ele que em uma fase muito difícil e perigosa do país, não lhe deram permissão para cruzar a pé, e ele foi obrigado a ir de avião até o Equador, e então seguir. Ele prometeu que iria concluir esse trecho algum dia. E agora, após seu retorno ao Canadá, ele pegou um avião até a cidade do Panamá, onde parou em 2002 e dalí iniciou sua caminhada até a Colombia. Ele ingressou pelo estreito de Darien, cruzando a selva em quatro dias, por montanhas e rios, e diz que quase morreu de fome, pois sua comida molhou e estragou,e estava sozinho seguindo uma trilha que lhe foi indicada.

Se sente muito orgulhoso, e pulando de alegria dispara que está ilegal na Colômbia, pois como entrou pela selva, não existe fronteira. Ele apenas tinha um documento que lhe dava recomendações e assim a polícia deixava ele seguir. Foi até o consulado e pediu que regularizassem sua situacao em Medellin, porém a resposta foi: - Se lhe dermos legalidade, você tem quatro dias para pegar um avião e sair, pois entrou de uma forma ilegal, então, saía por aquela porta e nós faremos de conta que você nunca esteve aqui. Siga até Ipiales e na fronteira você já terá concluído seu projeto. Pegue seu viso e terá quatro dias para deixar o país.

O engraçado disso é que ele conta dando risada e dando pulos. A sua mensagem é: "Disfrute a vida." Isso não quer dizer fazer as coisas erradas ou da forma errada. Tudo o que ele fez foi certo, e inclusive foi até o consulado e disse que estava ali, e era ilegal. Mas lhe deram permissão para disfrutar sua vida. Conversamos por quase uma hora ali na estrada e, como já estava próximo da hora do almoço nos convidou a almoçar em um próximo restaurante que lhe informaram estar á uns 4 a cinco km. Ele disse para irmos, pois iria demorar um pouco mas chegava. Estávamos a 3.250 m.s.n.m., e ele falou que estava com um pouco de falta de ar caminhando por ali. Ele seguiu a nossa frente.

Eu ainda fui dar uma assistência à um carro próximo que estava com problemas mecânicos, porém um outro carro já estava ajudando. Neste pequeno espaço de tempo olhamos à frente e já não vimos mais o Jean, ele anda bem rápido, foi incrível! Disse que faz 35 km por dia. Gastou, em onze anos, 54 pares de sapatos.

Saímos e logo a nossa frente vimos uns colombianos loucos fazendo das suas travessuras no trânsito, quase batem em um curva, ficamos mais uma vez assustados, e nisso nos demos conta de que não vimos mais o Jean. Paramos, voltamos e o encontramos comprando bananas. Comentei que passei e não o vi. Ele deu uma gargalhada e disse:- eu estava no mato fazendo xixi!  Nós seguimos e o esperamos restaurante. O tal restaurante estava há mais quatro quilômetros, mas ele chegou rápido. Tivemos o privilégio de ouvir sobre sua história e ele nos disse duas coisas: "disfrutem a vida" e, "Isto que vocês estão vivendo é um grande privilégio, nunca se esqueçam disso!". Isso para mim, Toninho, soou como a voz de Deus, um senhor de cabelos brancos olhando seriamente para nós e dizendo: - Isso é muito sério, vocês são privilegiados, por isso disfrutem a vida!.

Apesar de ele retrucar um pouco pagamos o almoço para ele, pois muitas vezes temos tido também o privilégio de receber almoço, hospedagem em muitos
lugares, então, dessa vez fomos nós que retribuímos o privilégio de encontrá-lo. Prometemos nos reencontrarmos no Canadá, em breve, e ele disse que
vai nos esperar. Voltando ao Canadá ele quer viver em um lugar onde vai construir um camping para viver com uma estrutura natural  e auto-sustentável. Partimos muito felizes e deixamos o Jean em sua caminhada.

Queremos hoje ainda visitar o Santuário Las Lajas e cruzar a fronteira. Estamos perto, mas muitas curvas nos separam ainda de nosso destino. Descemos mais uma vez uns 1500 m.s.n.m e subimos tudo de novo, quando um guarda indeciso olhou nosso carro e mandou parar, ai mandou seguir, ai resolveu que não, que devíamos parar, depois seguir novamente, mas como eu já estava quase parado então ele veio até a janela do carro meio sem graça, nos estendeu a mão e deu um boa tarte pedindo os documentos. Dei um risada e abri minha bolsa com muitos papéis e fiz menção em entregar, ele disse: tudo bem, podem seguir. Esse foi o guarda mais indeciso de nossa viajem. Saímos dalí dando boas risadas.

Chegamos a Ipiales e seguimos as placas para o Santuário Las Lajas. Esse lugar é um santuário datado do Século XVIII, e destino de peregrinações e turismo no país. Construído no Canyon do rio Guáitara, em estilo Neogótico. A construção impressiona pelo local e pelos seus 100 metros de altura, da base até a torre, com várias quedas d'água ao redor e um rio passando por um vale incrivel. Confesso que olhar do alto da montanha é mais interessante que
quando chegamos perto. Deixamos o Valente em um estacionamento e descemos uma longa caminhada, digna dos peregrinos. Nesse momento lembrei do meu amigo Carlos Pimpão, que sempre diz, "o problema de fazer essas caminhadas, ainda mais descendo, não é o ir, mas voltar". E fazer isso a mais de três mil metros de altitude! Não foi tarefa fácil, mas chegamos!

Seguimos para a fronteira, o horário está bem avançado, mas também com tantas paradas no dia, quase valeria a pena dormir por aqui e seguir amanhã. Eram 16:30h e  decidimos seguimos. Uma fila de carros, uns colombiamos dando uma de espertos vindo pelo acostamento, e eu ja atravessei o
Valente no acostamento e pista, pronto, ninguem mais passa. Eu estava um pouco temeroso com esta fronteira por dois motivos: Esta foi a fronteira mais
desorganizada da America do sul! E segndo: Eu li, em algum lugar, que depois que voce sai do Equador, só pode retornar após nove meses. E no nosso caso são apenas sete.

Na saída da Colômbia foram 10 minutos, carimbo no Passaporte e entrega da Dial na aduana e adeus Colômbia...

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