Retorno - América do Sul - Chile (17/04 a 28/04)

28/04/2015 16:42

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Dia 17 - Entrando no Chile, sem GPS

...Fomos fazer a entrada para o Chile e depois de muito vai lá e volta, revisa um, revisa outro, chama os "peros",  que deixou muito pelo dentro do carro, nos liberaram. Aqui não nos exigiram a carta verde, e assim entramos no Chile. Nosso GPS que vinha dando umas travadas quando colocávamos algum endereço e só estava aceitando coordenadas travou e não destravou mais. Concluímos que não encontrou o mapa do Chile. Paramos e a Janeh pegou o computador para carregar novamente. Não adiantou. Bom, sem GPS temos que ir para o plano "B". E o plano "B" é ir dirigindo até onde o espírito mandar. Seguimos pela costa e chegamos ao estacionamento próximo no Porto de Arica, uma das entradas, bem próximo ao centro e um lugar bem turístico, limpo e onde já se encontravam outros viajantes, um grande caminhão da França e uma jabiraca da Argentina. Digo isso carinhosamente, pois até uns canos de pvc brancos com uma invenção maluca tinha encima do carro. Parecia um carro forte, destes de transporte de dinheiro, com um sistema muito estranho encima, grades nas janelas entre outros apetrechos. Ali estacionamos e nos instalamos. 

Trancamos tudo e fomos buscar uma casa de câmbio pois estávamos com alguns solis peruanos e nada de peso chileno. Tambem buscávamos um cyber café para tentar um downloads de mapas. Logo no calçadão encontramos uma casa que fazia as duas coisas. Trocamos o dinheiro e pegamos um computador. Achamos o site para baixar os mapas porém perdemos tempo pois o GPS travou de um jeito que nem liga mais. Pensamos que poderia ser a máquina e pedimos para trocar, porém, sem sucesso. Agora sem GPS MESMO. Desistimos desse assunto por hoje é voltamos ao carro. 

A Janeh foi preparar algo para comermos e tomou um banho e eu saí e liguei o gerador por que nosso alternador não está carregando a bateria, e não sabemos qual é exatamente o problema. Ele vem se arrastando há alguns dias e vamos tentar resolver em Iquique. Na rua, ou melhor, no espaço do estacionamento um grupo de jovens estavam fazendo um ensaio com uma grande coreografia de rua. E eu fiquei por ali assistindo. Nisso vi que os franceses saíram do seu grande caminhão que mais parece um tanque de guerra e fui ao seu encontro. Um casal de aparência de 60 anos, estavam ali assistindo, e bem a brasileira cheguei, perguntei de onde eram e me apresentei. Gaston e Elisabeth, muito simpáticos, eles contaram que estão viajando há nove anos, e desde janeiro de 2014 estão na América do Sul. Entraram por Montevideo, após uma viajem de 24 dias de navio desde a Bélgica. Trocamos umas ideias e eles estão indo para o sul assim como nós e ficamos de nos encontrar em Iquique. Dei as coordenadas do camping e que, sabe nos encontraremos.

Voltei ao carro tomei um banho, jantamos  e fomos dormir.


Dia 18 - Conhecendo Humberstone, a cidade fantasma!

O lugar onde ficamos, na frente da entrada do porto em Arica, já é um lugar conhecido dos viajantes, porém o movimento de entrada e saída de caminhões começa cedo. Isso fez com que despertássemos logo. Decidimos ir em direção a Iquique e não buscar nossos amigos aqui, o pessoal da igreja que conhecemos através do Claudinei e da Priscila, pois teríamos que ficar até domingo e ir ao culto e sair só na segunda, e então perderíamos o culto em Iquique. Arrumamos tudo e partimos. 

No caminho encontramos o mercado público que visitamos com o Claudinei e decidimos parar e compra ovos e umas frutas, já que na Aduana do Chile nos tiraram tudo. Fizemos a feira e seguimos viagem, são apenas 300 kilometros e dá para fazer tranquilo. 

Queremos passar na cidade fantasma de Huberstone, Patrimônio cultural da Humanidade. Dirigíamos tranquilo quando lá pelas tantas passamos por um grande outdoor dizendo: "NÃO TRAGA FRUTAS DA REGIÃO DE ARICA PARA O SUL". Bah, e agora? Acabamos de comprar frutas fresquinhas? Vamos seguir e torcer para não acontecer nada. Mais uns kilometros, e uma aduana com posto policial, com parada obrigatória para todo mundo. Pediram apenas a minha habilitação e eu já dei a internacional. O guarda olhou e devolver, pediu para olhar o carro dentro e chamou outro companheiro e disse: " Mira que bonita! Adelante!". Ufa, passamos! 

Um fato que me chamou a atenção foi que ele disse para mim: "Buenas tardes señor...!". Eu questionei porque buenas tardes e ele disse que eram 12:40h!  E os nossos relógios marcavam 10:40h.  Como assim? Onde perdemos o fuso? Conversando descobrimos que quando saímos do Peru ganhamos 2 horas de fuso! A ta, obrigada  por avisar! Então, isso explica o porquê tão cedo os caminhões no porto estavam trabalhando! Quando para nós eram cinco, seis da manhã, já eram sete, oito para eles, na realidade. Sem problemas, ajustamos os relógios e seguimos. 

A viagem foi guiada pelo app do meu celular, já que o nosso GPS morreu mesmo. Acho que foi vírus na cyber café, ou algum conflito com tantos mapas. Quando chegarmos em Iquique vamos ter que resolver. 

Encontramos a cidade de Huberstone e paramos para conhecer. O lugar é muito interessante, uma antiga cidade de tratamento de Nitrato, no Atacama, que devido a Grande Depressão entrou em Colapso, tornando-se uma cidade Fantasma, em 1960. Em 2005 tornou-se Patrimônio Cultural da Humanidade, sendo aberto a visitação. Ali é possível ver conservados sinais de uma cidade estruturada, e nos permite saber um pouco como vivia estas pessoas desde 1972, quando foi fundada! Muito interessante!

Depois de visitar Huberstone seguimos em direção à cidade de Alto Hospício e encontramos aquele visual fantástico de Iquique. Uma descida forte que dá uma medinho, pois estamos descendo em zíg zag uma grande duna onde podemos avistar a cidade inteira abaixo. O povo desce a mais de 100km/h. É show!

Decidimos ir direto a Zofri para tentar resolver a questão do GPS e comprar o case sata para os nossos HDs dos antigos computadores, e comer algo.  Final de tarde de sábado não tinha muito movimento na região e foi fácil chegar. Andamos por lá procurando uma assistência mas nos informaram que somente em Santiago. Ou seja compramos um novo para resolver a questão e pronto. Comemos algo e sacamos dinheiro no caixa eletrônico.

Agora é hora de ir ao camping e descansar. Fomos ao Camping Cabañas Três Islas e nos instalamos novamente no mesmo lugar de onze meses atrás, novamente ma sensação boa ter ido e vencido! Tomamos aquele banho gostoso e demorado e fomos dormir.


Dia 19 - Reencontrando amigos em Iquique

Hoje acordamos com o dia bem nublado. O lugar que estamos é lindo, mas para mim qualquer lugar com o dia nublado não é muito legal. Acordei antes que a Janeh e fui para fora do carro. Mesmo com o dia assim, glorifiquei a Deus pela sua majestade e formosura, mesmo nos dias nublados, pois assim ele é Deus, seja dia ou noite, chuva ou sol, céu azul ou nublado, ele é Deus. Hoje é domingo, e pensamos em ir ao culto na igreja aqui em Iquique, pois conhecemos o César e sua família e a família do Castro aqui. Vamos tentar reencontrá-los. 

Subi na recepção do Camping para ver a internet e saber se o César passou o endereço da igreja. Sim, ele respondeu e fomos para o culto às 11hs. 

O Heinz, nosso amigo suíço, também respondeu que está acima de Santiago do Chile, e na próxima semana estará em La Serena, e que nos aguarda para pegar sua Peper, porque não virá ao Norte do Chile por agora. Vai deixar sua camper por lá e vai a Suíça por uns tempos. Porém, nosso coração está muito propenso a ir para San Pedro de Atacama e depois descer pela Argentina. Se isso se confirmar, não vamos revê-lo. Uma tristeza para nós, pois tivemos um bom tempo juntos quando viemos ao norte e nos conhecemos, e temos mantido contato desde então. 

Desci ao nosso carro e fomos preparar o café da manhã antes de sair para o culto. A Janeh já estava com quase tudo pronto e então sentamos e comemos. O nosso novo GPS, é bem melhor que o anterior. Rápido e prático, e simplesmente coloquei as coordenadas com o endereço e ela nos guiou até a Igreja. Chegando lá já reencontramos o César, e foi aquela coisa de sempre, uma realização voltar. 

Nessas horas fico imaginando como vai ser nossa chegada no Brasil. Se assim já é tão "cheveri", como dizem em espanhol, imagina no nosso país e com nossos amigos e familiares. 

O culto estava no final da EBD, mas mesmo assim sentamos e aguardamos. Logo começou o culto. Preciso fazer um comentário especial aqui sobre as percepções, sentimentos e visão que temos quando entramos em uma igreja em outro país. Nossa vida e percepção de muitas coisas em relação a vida com Deus mudou nestes onze meses. 

Quando estávamos aqui há nove meses, a igreja estava de uma forma, e hoje está da mesma. Muita coisa mudou e, nossas vidas e dentro de nós, em relação a nossa vida com Deus. Mas sinceramente, as mesmas pessoas quase que sentadas nos mesmo lugar,parece que parou no tempo. Um fato curioso foi que o pastor pregou, do pouco que pude entender, pois aqui no Chile muda completamente o espanhol, sobre buscarmos ter uma vida de testemunho e que faça diferença no meio onde vivemos, e para isso precisamos pedir a Deus sabedoria, não somente no dia a dia, mas usar o evangelho de cristo nas oportunidades que se apresentam a cada momento. Lembrando do último culto que participamos em Lima, o pastor falou sobre o coração e mente, que devem andar juntos. Então existe uma conexão do espírito se movendo, mas quanto as pessoas estão ouvindo a mensagem?

Outro fato interessante que quero destacar é o louvor. Uma banda jovem, boa, porém desconexa. Bons equipamentos, porém demais e mal utilizados. A ausência de um técnico de som tambem é um fato comum nas igrejas que visitamos. Então penso como é difícil, tirando os EUA, as igrejas terem músicos, técnicos, pessoas capacitadas que sejam compromissadas com o reino de Deus e façam algo de respeito. Em qualquer barzinho de esquina tem uma boa banda, com os caras tirando um ótimo som muitas vezes com muito menos equipamento e de qualidade inferior, mas fazendo um resultado final surpreendente. 

A palavra diz que "a fé vem pelo ouvir ...",  mas fatidicamente, dentro das atuais igrejas a coisa está feia demais.

Outro fato curioso é que me senti na igreja que me converti em Sorocaba, SP. A questão é, isso foi há uns 25 anos atrás. Confesso que o sentimento não foi bom, pois a coisa está parada no tempo. Enfim, viver Cristo fora de uma instituição hoje me parece muito mais produtivo e agradável do que o contrário. É verdade que nossa base e discipulado veio de dentro de uma instituição, mas a prática aqui fora é bem melhor.

Combinamos com o César de almoçar no Shopping, pois a sua família já estava programada para isso. Tivemos um tempo muito bom, e conversamos muito sobre as questões religiosas e sobre a obra no reino. O César, por ser um missionário brasileiro falou do comodismo das igrejas em viver um evangelho do tipo: "Enquanto tem alguém que faça eu não preciso fazer". Falta o apoio e a disposição de fazer juntos. 

A família do Castronós não encontramos mais pois voltaram a viver no Brasil. 

À tarde,  a família do Cesar tinha uma programação e seguiram com suas vidas. Nós fomos a Homecenter onde peguei algumas coisas necessárias para o Valente, e depois ao supermercado comprar comida. Demos uma volta na shopping e achamos tudo muito caro. 

O dia estava quente hoje, e andar pelo shopping e no supermercado foi bom para ficar em um lugar refrigerado. 

Saindo dali já perto das 18hs ainda fomos procurar um posto para dar uma lavada no Valente que não vê água há duas semanas. Ali aconteceu algo desagradável quando estávamos na fila dos carros para lavar. Sempre digo que um lugar sem regras e desorganizado é um problema. Cheguei, entrei na fila, porém nosso carro é grande e fiquei um pouco antes para não trancar a passagem. Nisso um outro sujeito chegou e foi avisado pelo frentista que nosso carro estava primeiro. A princípio ele disse que tudo bem, porém quando a fila andou ele pôs seu carro na frente, e novamente o frentista disse que ele deveria esperar, porém ele não respeitou. Nós ficamos ali esperando e mais uma vez a fila andou, e ele nada. O frentista pela terceira vez pediu para que ele esperasse e ele fechou os vidros e ignorou. Então eu desci e fui até lá e bati no vidro e disse que ele estava faltando com respeito e isso não era correto e voltei ao nosso carro. O sujeito me chamou de estúpido e se trancou na sua jaula, porque aquilo não era um carro. Bem, resumo da ópera, o frentista falou com os outros carros que esperasse. E pediu para que eu não fizesse mais nada, pois iria sobrar para ele no final. Eu disse que ele ficasse tranquilo, que não tem como lidar com gente ignorante. A Janeh ficou chateada com a situação, e eu também. Porém penso que existem pessoas que não tem limites, me parece que nunca alguém disse a ele que deveria respeitar o próximo quando criança, e se não falam, ele segue assim.

Lavamos o Valente e nos dirigimos ao camping, porém antes ainda paramos para abastecer e comprar gasolina para o gerador. 

Deste posto, que está bem próximo do camping eu pude avistar o local e vi que o carro dos franceses, que conhecemos em Arica, não estava lá. Mais á frente comentei com a Janeh, que achava que eles não viriam, e seguimos mais uns kilometros. Quando parei no portão do camping, olhei pelo espelho retrovisor e vi o caminhão dos franceses, Gaston e Elisabeth, atrás de nós. Uau, incrível essas coincidências. Depois, eles nos disseram que a coordenada que demos dizia para irem dois quilômetros à frente, mas eles nos viram e nos seguiram. Se nós não tivéssemos parado no posto para abastecer, teríamos chego antes e eles não teriam nos visto. Foi Deus em mais um de seus propósitos, que vou saber daqui uns dias, que fez isso, tenho certeza.

Entramos e nos reencontramos novamente. A Janeh que ainda não os tinha conhecido se apresentou e conversamos um pouco. Demos boas risadas sobre alguns assuntos.

Escureceu rapidamente e eles foram para dentro do carro e nós fomos preparar nossa janta.

A Janeh preparou um ravióli que compramos hoje no supermercado e fez à receita que aprendeu com à Jessica no Peru. Sinceramente para mim ela superou a receita! Fomos dormir curiosos para ver o que Deus nos reserva amanhã.


Dia 20 - Revendo amigos e Estreitando Laços

À noite foi tranquila e silenciosa, temperatura agradável para dormir, tudo perfeito. Acordar em Iquique é especial para mim, não estamos tão longe de casa pelo que já fizemos e não estamos tão perto. É claro que falar em "casa"  soa meio estranho para nós agora, pois consideramos o Valente a nossa casa. E isso mudou fortemente para nós.

O Gaston, nosso novo amigo francês, ficou de me ajudar com a parte elétrica do Valente que não está carregando a bateria da casa corretamente. Enquanto a Janeh preparava o café ele veio ao nosso encontro dando bom dia e pedindo para ver o que estava acontecendo. Abri o carro e mostrei nosso novo sistema que o Randy instalou nos EUA, onde estava a bateria da casa e onde estava a do carro. Medimos daqui e dali e concluímos que realmente não estava chegando energia pelo alternador na bateria da casa, somente chegava na do carro. Gastamos um bom tempo em descobrir onde tudo passava e como medir. Algum ponto está com uma interrupção de energia. E concluímos que está na bobina de start que faz a separação entre as duas baterias. Porém o Gaston sugeriu que deixasse a bateria descarregar para então fazermos um teste e medirmos novamente. 

A Janeh já estava lavando roupas, assim como a Elisabeth também, e depois de tomar meu café, já frio, porque enquanto a Janeh tomava café eu estava com o Gaston vendo o carro, fui conhecer a mecânica e elétrica do caminhão francês. Incrível como ele tem as coisas construídas e adaptadas com muitas invenções próprias. Trocamos muita informação, eu recebi mais do que informei, mas foi uma manhã muito proveitosa. 

A nossa tarde, estava programada  uma visita ao Cesar e a Deise, irmãos missionários da JMM que vivem em Iquique e com quem não tivemos muito tempo em  nossa primeira vez. Combinamos de fazer uma cuca de banana juntos, e então fomos as 16hs ao seu encontro. 

O nosso novo GPS é bem rápido e nos levou corretamente ao nosso ponto. Para aproveitar o trabalho e o forno, sugeri a Janeh para fazer duas, assim levaríamos uma conosco, ou ao menos um pedaço. Selecionamos o material no carro e lá fomos nós. 

A recepção brasileira é sempre calorosa. Enquanto eu conversava com o César, a Janeh foi para a cozinha com a Deise iniciando assim os preparativos. Faltou um ingrediente e eu desci com o Cesar para comprarmos. Algo me chamou a atenção no nosso trajeto é que ele tem um jeito especial de tratar as pessoas, naturalmente ele anda pela rua, comércio ou prédio onde mora e sai cumprimentando todos por quem passa e conhece muitos pelo nome. Eu me identifiquei com isso pois gostava e gosto de ser assim. 

Retornando ao apartamento, encontramos o baterista da igreja que veio buscar um bongo e eu pedi para tocar. Ele perguntou se eu era músico, e o Cesar disse que sim, e então veio a pergunta: "o que você achou da música ontem na Igreja?" Era o que eu precisava ouvir! Dei uma pensada e disse: "vocês precisam urgentemente orar por um "sonidista" ou técnico de som em português". Dei algumas dicas rápidas e ele saiu pensativo. 

Entramos na casa e rolou muito papo, testemunho, as cucas ficaram ótimas, café e comunhão. Depois de cinco horas de visita oramos juntos e  partimos em direção ao camping. Ficou novamente a saudade de pessoas tão especiais.  

 

Dia 21 - Uma Almoço A Francesa, um tempo muito especial.

Hoje decidimosnão sair do camping, pois precisamos atualizar o site, baixar fotos, e aquele lance todo de organizar as coisas. Durante a noite a bateria do carro chegou a 11,8, já bem baixa, é ideal para podermos ver se pode ser carregada ou não. Fizemos nosso café e a Elisabeth nos convidou para o almoço. Ótima oportunidade para ter um tempo com os novos amigos. Combinamos ás 13hs. 

O Gaston veio, uma vez mais,  para medirmos e tentarmos confirmar nossa teoria sobre o porquê não está passando energia para a segunda bateria. Concluímos que o start funciona, porém não passa energia e ele deve ser o grande vilão. Porém onde encontrar uma bobina como essa aqui em Iquique? O senhor Pedro, que trabalha aqui no camping disse que tem um outro homem que pode nos ajudar, pois trabalha com mecânica e elétrica de carros, e que ás 13hs estaria aqui. Pensei que ele poderia ajudar pois conhece o comércio e vai nos dizer onde é possível encontrar algo assim. Coloquei o gerador para funcionar por umas três horas, tempo suficiente para carregar a bateria e fomos almoçar. Porém, antes falei com o senhor Robin que olhou o Start e concluímos que estava queimado. Ele disse que poderia sim encontrar essa peça no centro, mas não saberia dizer o nome da rua. Então, eu perguntei se ele não poderia ir comigo e fazer essa compra, pois teríamos que tirar a peça do carro e desmontar nosso acampamento, isso nos daria um trabalho desnecessário. Ele concordou e disse que as 15:30hs poderia sair. Ótimo! Combinado isso, fomos almoçar dentro do caminhão dos franceses.

Levamos um vinho e a recepção foi muito show, com direito a aperitivo, salgadinhos, uma refeição a lá francesa e sobremesa, além de muita risada e bom papo. Falamos sobre as razões da vida que nos fazem tomar decisões rápidas de viver de forma mais simples e com menos. Eles contaram sua história e nós contamos a nossa. Não é necessário dizer que o tempo voou e o senhor Robin estava ali buzinando com seu caminhão para que eu fosse com ele comprar o Start. 

Na realidade eu estava pronto para dar uma dormida, pois depois de uns aperitivos e vinho, foi difícil sair. Mas tudo certo, eu não estava dirigindo, então vamos lá. Foi mais fácil que eu pensava, e na primeira loja não tinham porém disseram onde poderíamos achar. E na segunda encontramos por trinta dólares. Foi dentro do que eu imaginava, e desde que funcione, maravilha, vale o que faz! 

Retornamos ao camping e ele nem cobrou o trabalho. O Gaston veio fazer a instalação e testamos. Agora sim, motor ligado e 14 amperes indo para as duas baterias. Show, agradeci a Deus em primeiro lugar e a todos que Ele colocou em nosso caminho para ajudar.

Subimos para dar mais uma trabalhada na internet mas o sono estava pegando, então descemos e fomos dormir um pouco. 

Lá pelas oito da noite o Gaston e a Elizabeth vieram ao nosso carro para rever alguns planos e compartilhar com os nossos. Eu confesso que ainda estou na dúvida sobre o nosso destino. Se passamos pelo Paso Jama e entramos na Argentina ou descemos direto pelo Chile. Estou aguardando para ouvir de Deus que direção tomar. 

Enquanto conversávamos, um casal com uma Iveco com placa da Argentina, toda adaptada, a "la argentinos" chegaram. Conversamos rapidamente com José e Monica, e eles disseram que vieram de Paso Jama, San Pedro, Calama e Iquique, e estão seguindo até Cartagena na Colômbia e depois vão regressar. Fizeram algumas perguntas sobre o Peru, Equador e Colômbia e tiramos algumas dúvidas. Eles se parecem conosco quando fomos para o norte. Muita informação distorcida é um pouco de medo. Porém esclareci muitas delas. Me sinto um cara mais experiente agora, e esse sentimento nos dá certa segurança, pois sabemos que o mundo não é tão perigoso como dizem. Mas minha segurança maior está em Cristo. Cito o salmo 91.

Eles estavam com um problema no gerador de energia e se instalaram e foram rever seu gerador. Nós sentamos com os franceses e eles queriam ouvir um pouco de música, e então peguei o violão e cantamos algumas canções. A Garota de Ipanema  sempre agrada, depois musicas que conhecemos. Ao final deste tempo o pessoal da Argentina, vieram pedir uma vela de motor para o gerador. Eu não tinha, mas perguntei ao Gaston e ele sim pode ajudá-los.

Combinaram de fazer isso no dia seguinte e fomos dormir!


Dia 22

Acordamos com um lindo dia, e a vontade de não ir mais embora. Mas hoje temos que decidir por onde vamos, se Paso Jama ou descer ao sul do Chile. Também ir ao centro e resolver algumas questões como comprar um transformador 110 x 220 para o Valente, comprar mais um case sata para o outro HD e trocar as palhetas que comprei para o limpador de pára-brisas que não serviu. Na realidade tentar devolver.

Ainda pela manhã enquanto a Janeh tentava trabalhar na internet eu fui caminhar na praia com Gaston e Elisabeth

Decidimos que faríamos essas coisas no período da tarde, e quando fomos sair perguntamos aos franceses se precisavam de algo do supermercado. Nos pediram leite, frutas e pão, e assim fizemos. Buscando na Zofri por um transformador, encontrei pela metade do preço que tinha visto no centro, Maravilha. Resolvemos as questões por ali e fomos ao supermercado e enquanto a Janehpegava algumas coisas eu fui tentar trocar ou devolver as palhetas do limpador. Foi mais fácil que pensava, e aceitaram bem tranquilamente. Tudo resolvido voltamos já escuro ao camping, entregamos as compras aos franceses, conversei mais um pouco com os argentinos, José Maria e Mônica. Um destaque dos dois, é a dificuldade que estão encontrando de seguir em uma viajem de ida até a Colômbia e retorno em três meses. Totalmente possível, porém a Monica não está 100% no projeto. Sente muita saudade dos netos e parece que o José está tendo um pouco de trabalho com isso. Conversando com eles mais uma vez vimos como é importante o casal estar junto no projeto para ser psível fazer uma viagem como esta.


Dia 23 - Retorno a Antofagasta e  Passagem por Gático - um Cemitério de Crianças.

Hoje é dia de despedidas, todos vão para um lado diferente. Os franceses para o Atacama, os argentimos para o norte, em Arica e nós para o sul, para Antofagasta. Orei a Deus e senti paz de ir nessa direção. 

Lá pelas 10hs, todos desarmando acampamento e tirando fotos, as últimas, e trocando e-mails e contatos para o futuro. Foi um tempo de quase lágrimas pois conhecer o Gaston e a Elisabeth foi muito precioso! Desejamos reencontrá-los, quem sabe, no sul do Chile no final do ano.

Enquanto eu completava o tanque com água potável, a Janeh subiu para dar o último toque na internet e para acertar a conta. Quando eu subi para pegá-la ela falou que a mulher do camping estava cobrando a saída do funcionário dela comigo para buscar a peça do Valente. E queria saber por que não pagamos o serviço_ E ela estava furiosa pois eu ofereci uma cerveja ao invés de pagar o serviço.

Nisso eu fui até ela e disse que precisava acertar essa questão, pois eu perguntei ao Sr. Robin quanto era o custo de ter ido ao centro comigo e achado a peça. Ele disse que não era nada. Como estava calor, por cordialidade, lhe ofereci uma cerveja, mas ele recusou dizendo que estava no horário de trabalho. Ela não quis saber e disse que um serviço técnico não sairia por menos de cinquenta mil pesos, e nós estávamos pagando em 4 dias, 60 mil pesos. É claro que eu disse ser muito e que só tinha quinze mil. Ela aceitou muito a contra gosto. Eu estava em paz, apesar de saber que foi consumido tempo e combustível, porém eu perguntei e ele disse que não era nada. Para não deixar a coisa ruim, paguei quinze mil, o que acho justo, pois se fosse pegar um táxi de ida e volta pagaria isso e não mais. E quem fez o serviço de instalação foi o Gaston e não o Robin. Se ela quis entender ou não, é problema dela.

Seguimos em direção à Antofagasta e hoje serão 400 km, dos quais duzentos serão novos. Quando chegamos a Rio Loa paramos na aduana para verificação rotineira. O incrível foi que agora, a duas semanas estão trabalhando com um novo e moderno sistema de scaner nos veículos somente para quem vem do norte em direção ao sul. Buscam drogas e armas. O pessoal foi bem gente boa e nos permitiu inclusive fazer fotos do sistema. Consiste em parar o carro em uma pista e um caminhão com um scaner gigante para ao lado do carro para frente e para trás fazendo então o scanner. Liberados, seguimos até a cidade de Tocopilla e paramos para um lanche. Depois mais um trecho, agora os quilometros novos. Passamos por muito deserto ainda, porém seguindo pela costa. No km 135 da Ruta 1 na região II do Chile, passamos por Gático, que nos pareceu uma cidade fantasma, porém antes e depois existem dois cemitérios com sepulturas que parecem berços, o que nos chamou a atenção. No meio do deserto uma centena de berços de madeira, todos da mesma cor, com cruzes e bichos de pelúcia em cada um. Paramos e fotografamos, e percebemos que estão ali desde o ano de 1900, e somente tem placas de crianças até adolescentes de 14 anos, que morreram e foram enterrados ali.

Seguimos e chegamos a Antofagasta, uma cidade grande e com muito barulho. Não temos um lugar certo para ficar aqui. O tempo de chegada era as 17h e assim se cumpriu. Fomos a um primeiro ponto de sugestão do IOverlander e não gostei do lugar. Uma pequena praia próxima à periferia da cidade sem policiamento e com muitos jovens usando drogas ao final da tarde. Muita gente morando na rua, ou na praia e não senti paz de ficar ali. Ainda fomos ao supermercado e ali perguntei ao segurança se era aconselhável ficar por ali. Ele disse que não, que deveríamos ir mais adiante em uma outra praia com um estacionamento fora da estrada, era mais indicado pois existe políciamento e ficaríamos melhor.

Fomos então até a Praça Croácia, onde tinha um circo montado. Entramos e estacionamos nos fundos! A opção foi show, pois realmente fica na beira da praia, porém não exatamente na areia, longe da rodovia principal, é bem tranquila. Paramos de frente para o por do sol, colocamos nossas cadeiras e mesa na rua, abrimos um vinho com pão e queijo que compramos e ali compartilhamos aquele momento especial, sonhando com o futuro e com nossas vidas, após esse projeto de um ano. Deus nos permita viver assim, mais tranquilos e com menos. Hoje ainda falei com a Janeh de vender a guitarra Gibson, pois não faz sentido algum andar com uma guitarra tão cara e não usar. Já foi o tempo.

Ficamos por ali curtindo o lugar é dormimos.


Dia 24 - Uma Cidade Destruída pelas Chuvas - Chañaral

Durante a noite o que encomodou foi somente o barulho das ondas, coisa horrível dormir ouvindo o mar. Ainda não estamos adaptados ao novo fuso desde que saímos do Peru. Duas horas é muita coisa, e ás oito da manhã ainda está escuro, começando amanhecer. Ás oito ta estávamos de pé e decidimos tomar café mais adiante, uns 50 km, no deserto onde existe a escultura "Mano del desierto". Seguimos montanha acima e paramos na Ruta 5, de volta a Panamericana, para abastecer. Ai seguimos até a mão do deserto e estacionamos para o café. Me sinto privilegiado de estar ali, em meio ao deserto, no meio das montanhas com um céu azul lindo, uma brisa e temperatura agradável tomando café da manhã.

Parece ser algo por um lado pobre demais e por outro privilegiado demais. Mas a questão é, liberdade, completa liberdade. Claro que é bom ter um carro com cozinha, alimentos saudáveis, fogão, geladeira e tudo que temos no Valente. Mas temos tudo bem simples, uma geladeira de 120 litros, que é um frigobar, ao contrário do que tínhamos no Brasil, uma de 340 litros com freezer que sempre estava vazio. Hoje temos tudo o que precisamos em um frigobar. E a Janeh faz ótimas refeições com apenas uma boca de fogão. A pia é tão pequena que não mal cabe um prato de comida, mas nos viramos super bem com o que temos. A vontade de viver para sempre assim é enorme. Conversando com o Argentino que conhecemos em Iquique estávamos falando quanta coisa inutil carregamos nos carros e que quando chegar ao Brasil vou tirar para andar mais leve. Isso que foi uma grande luta quando saímos para colocar no carro somente o que julgávamos essencial. Hoje, sinceramente, tem coisas demais. 

Enquanto a Janeh prepara o desayuno, eu me preparava para umas fotos no local, quando um carro chileno surgiu no meio da minha foto com um casal de jovens. Sinceramente, o cara simplesmente colocou o carro entre o que eu estava fotografando  e eu, saiu sem cerimônia alguma e foi fazer ele as suas selfies. O pior de tudo é aquele lance de faz a foto com o celular e fica parado na frente da paisagem vendo se ficou boa ou não. Depois mais umas selfies e novamente conferindo. Penso comigo que tenho uma paciência de Jó, porque primeiro: esses turistas não respeitam os outros que estão no local, estacionado seu carro em um lugar adequado, e segundo: faz as selfies e sai para conferir ! Não fica ali congelado fazendo com que outros fiquem esperando. Mas isso não é só aqui que acontece, por todos os países a história é a mesma.

Após nossos amigos turistas partirem, o lugar voltou a ficar deserto e então fizemos nossas fotos. Quando passamos aqui no ano passado o horário não permitiu fotos muito legais por causa da posição do sol. Hoje estava perfeito. E a escultura, antes pichada com nomes, agora estava limpa, muito melhor. Aqui também foi onde conhecemos o casal Chileno Cristian e Margarita, que vivem em Santiago e nos convidaram para visitá-los quando passarmos por lá. Não estamos certos que iremos a Santiago, mas pode ser uma boa opção para ter uma ideia da cidade com alguém que vive lá e pode nos ajudar. Vamos decidir quando estivermos mais perto.

Seguimos viajem pois hoje devemos cumprir um bom trajeto de quase 600 km até a cidade de Copiapó. A próxima cidade é Taltal e não tem nada de interessante e está muito próximo, apenas 230 km. Se ficássemos lá, chegaríamos muito cedo e teríamos que no próximo dia dirigir novamente até Copiapó. Então decidimos vencer os 600 km hoje. Não temos pressa e será um passeio. Paramos em um morador na estrada com um visual incrível para almoçar. Peguei as cadeiras e a mesa e coloquei na rua, a Janehfez um lanche de frango com suco e  frutas e ficamos ali. Curiosamente neste mesmo mirante o casal Chileno que se fez de dono da escultura pela manhã com suas selfies estavam ali fazendo um lanche no carro. Mais à frente os encontraria mais uma vez na estrada quando vimos eles abastecendo seu carro. Aqui nessa região os postos ficam entre 200 a 300 km de distância um do outro. Nosso Valente tem uma autonomia de uns 900 km então para nós não é muito problema, mas para carros pequenos pode ser.

Após o almoço novamente seguimos e essa parte da viajem foi a mais triste é cansativa. Triste porque passamos pela cidade de Chañaral que no dia 25 de março foi atingida duramente por chuvas, após muitos anos, por pertencer à região desértica do Atacama. Neste dia choveu o equivalente a 40 dias de chuva em 24 horas, dia e noite formando um grande rio descendo das montanhas e varrendo a cidade que fica abaixo na entrada do mar. O resultado foi devastador, arrasando a cidade, já que foram pegos completamente de surpresa, e a água com lodo não tinha para onde ir, pois o mar à frente não recebia e as montanhas despejaram muita água por tudo.

Amanhã faz um mês da tragédia que arrasou outras cidades à frente também como Copiapó, porém temos informação que Chañaral foi a mais atingida com um grande saldo de mortos e desaparecidos. A cidade está destruída e para passar foram abertas ruas em meio ao lodo que agora é barro duro dentro da cidade que foi quase que completamente soterrada. A panamericana passa no meio da cidade, porém desapareceu. Passamos pelo meio onde existe a passagem e fizemos filmes e fotos. Cena assim já vivenciamos em Blumenau no ano de 2008 quando depois de muitos dias de chuva, uma forte chuva de uma noite praticamente fez os morros descerem e destruiu bairros inteiros na cidade. Eu me lembro que peguei minha moto e fui ver os bairros mais atingidos na cidade, e o que vimos hoje foi algo bem parecido, porém atingido uma parte muito maior da cidade de Chañaral. Isso nos entristeceu por um momento, mas o que tinha de ser feito foi feito, agora a reconstrução e força do povo vai ser o fator motivador para os que viveram e não foram ceifados pela força da natureza.

A parte cansativa foi muitos trechos de reconstrução de pista o que nos fez por muitas vezes ficar parados na estrada aguardando a vez de passar. O dia rendeu das 8:30h às 18:30h. Entramos na cidade de Copiapó e encontramos um cenário de destruição, barro seco nas ruas e muito pó. Grandes empresas ainda se recuperando do estragos das chuvas também, e nas modernas e duplicadas rodovias, destruição e mais destruição. Devido ao horário avançado, procuramos um posto Pronto Copec para parar. Aqui encontramos internet free, apesar do meu celular não conseguir conexão, somente o da Janeh e o Ipad, e duchas pagas para um banho mais demorado, porém frio. Conseguimos água para encher o tanque e um lugar para estacionar e passar a noite.

Amanhã seguimos para La Serena onde encontraremos o nosso amigo Heinz que nos aguarda antes de voltar por uns tempos para a Suíça. Após nosso banho frio e fazer um check-in, dar um oi para a galera no face, fomos para o carro preparar a Janta.

O menu da noite a Janeh preparou um arroz com salada e uma costelinha de carne assada que compramos a três dias. Na realidade foi um misto onde veio frango, salsichas e a costelinha. Tudo bem assada e bem temperado, e ao que no início nos pareceu um pouco caro rendeu 4 refeições para cada um, ou seja, baratíssimo. O lugar apesar de ser um pouco feio era bem silencioso, o mais importante.


Dia 25 -  Guanaqueros e Reencontro com Heinz

À noite foi ótima, realmente muito silencioso por ser uma parada de caminhões em um posto. Classificamos como o mais quieto de todos os que ficamos até agora. Tomamos café ainda no carro e partimos, antes ainda abastecemos ali mesmo. O dia estava bem nublado e com uma ameaça de chuva, uns poucos piingos ameaçaram cair, mas chuva no deserto, não dá para esperar muito. Pegamos sim muita neblina forte na estrada, ás 11:30 h não víamos cinco metros à frente, andando devagar e com atenção, assim chegamos.

Alguns trechos que percorremos nos pareciam completamente novos, pois quando passamos estava em obras, agora, duplicados não reconhecemos. Cheguei a ficar na dúvida se passamos por ali, e se estávamos no caminho correto, mas estávamos. Outros trechos ainda com muitas obras o que fez o percurso ficar bem lento. Mesmo assim chegamos a La Serena por volta das quatorze horas e fomos a Mall Plaza para comprar algumas coisas no supermercado Jumbo. Queríamos constatar se ali nosso cartão master Card seria aceito, pois na rede de supermercados Líder, não estava aceitando.

Recusava como Bloqueado, porém estamos usando em outros estabelecimentos e abastecendo e sempre passa. Porém nossa dúvida foi sanada quando tambem não passou. O caixa disse que não estão liberados para o sistema com chip nos cartões, e se tentam passar com a tarjeta, sai a mensagem de bloqueado. Ok, pago com efectivo então.

Passamos no Easy para dar uma volta e quando pesquisava o valor do óleo para o motor, o atendente nos ajudou em muitos aspectos. Tínhamos uma dúvida sobre o Paso que existe aqui em La Serena para a Argentina e  fomos informados que o lado argentino está bom, porém o lado chileno, devido às chuvas que caíram por aqui causou estragos por ali também. Desistimos da ideia com essa informação. Sobre o valor do óleo ele nos informou que na Argentina está mais barato, então desisti de comprar também. Falou que sua bisavó era brasileira e foi muito simpático conosco. Compramos umas empanadas chilenas, de frango, camarão e carne. A de carne foi a melhor. Cada um de nós comemos metade de cada uma e concordamos. Esse foi nosso almoço. Seguimos até a praia de  Guanaqueros onde tínhamos a direção do Camping Guanaqueros onde o Heinz se encontra. Não foi difícil achar, pois está em uma pequena praia e logo encontramos. Quando chegamos ele não estava, mas vimos suas roupas penduradas perto da escada de sua camper e o fio elétrico. Pensamos que ele saiu para jogar golf, é o que mais faz.

Instalei as coisas no carro e ficamos ali aguardando. A Janeh foi dar uma dormidinha e eu fiquei escrevendo e lendo um pouco.

Quando a Janeh já havia despertado o Heinz chegou o parou sua camper em frente a nossa e veio nos cumprimentar. Foi mais um reencontro dos bons. Sentamos e conversamos sobre a sua viajem ao sua e sobre a nossa ao norte. Combinamos de fazer uma massa juntos, ele trouxe um vinho e umas linguiças suíças e a Janeh preparou um espaguete com molho de champignon e as linguiças com um bom vinho e pão assim ficamos até perto da meia noite conversando. Ele relatou que passou bons momentos com o Lothar e a Martina  no Sul e em Iquique quando chegaram do Peru. Nós conhecemos a Martina e o Lothar em Arequipa porém eles estavam saindo no dia seguinte ao que chegamos e não tivemos muito tempo juntos. Apenas demos as coordenadas do camping de Iquique e falamos do Heinz, e isso foi o suficiente para se tornarem amigos e se encontrarem mais tarde no sul do Chile e Argentina. Desejamos encontrar os dois no Brasil em Outubro quando pretendem estar por lá na Oktoberfest. 

Depois um banho bom, quente e demorado que aqui no camping é possível, cama.


Dia 26

À noite eu passei um pouco mal com uma dor de barriga e um pequeno mal estar porém acordei bem. A Janeh ficou bem e no café da manhã fez rabanadas e foram as melhores em todo o tempo que nos conhecemos. O Heinz se sentou conosco e conversamos um pouco mais. Decidimos ficar mais um dia e sair amanhã depois do almoço e ir somente uns 300 km no máximo. Estamos pensando em ir até Villa Rica onde o Elvis e a Noelli, que comos rapidamente em Iquique na nossa ida, se encontram. Eles nos enviaram uma mensagem para um churrasco. Como temos vinte dias aproximadamente, estamos pensando em descer e depois seguir. 

A Janeh aproveitou o bom tempo para lavar umas poucas roupas e deixar tudo em ordem. Logo em seguida saímos com o Heinz para dar uma caminhada ao centro, que está a 200 metros do camping e é bem pequeno e simpático, e como é domingo tem um movimento diferente, com turistas e gente que vive por aqui aproveitando-se do movimento para vender artesanato.

Fomos ver uns pelicanos bem de perto e uns lobos marinhos que ficam por ali bem tranquilos esperando uma refeição dos pescadores, porém hoje, domingo acho que vão ter de fazer um jejum. Caminhamos pela praia e um vento forte começou a soprar, e retornamos. Diz o Heinz que isso não é vento, que vento vamos ver na Patagônia, lá é cinco vezes mais forte, e o dia todo, o tempo todo, o que faz com que fique bem frio a noite. Mesmo no verão, então vamos ter que ir para conhecer. 

Passamos em uma tenda e compramos um ceviche feito ali na hora, e confirmamos que os chilenos tem que remar muito para fazer ceviche. Os Peruanos estão anos-luz na frente.

Tomamos um sorvete e retornamos ao camping. Sentamos para dar uma olhada nos mapas e pensar sobre nosso destino. A questão do frio mais ao sul nos preocupa um pouco, e temos que buscar mais informações sobre como está o clima e decidir. Porém não temos internet aqui e teremos que ir até um próximo Copec amanhã e fazer nossa pesquisa. 

A Janeh foi dar a sua dormida da tarde e o Heinz também e eu fiquei curtindo o sol sentado fora do carro. À noite vamos fazer um churrasco e matar a saudade de comer uma carne que já faz meses que não comemos. Infelizmente eu esqueci de comprar sal grosso no mercado, e estamos a 40 km do centro de Coquimbo e para voltar vai ficar caro, então vamos com o que temos mesmo.

A Janeh acordou e decidimos dar uma volta na praia e procurar legumes mercadinho e ver se achamos o sal grosso e um ciber café ou internet free. Tínhamos passado pela manhã em um pequeno mercado que estava fechado e agora estava aberto e entramos. Eu pedi o sal grosso e ele disse que tinha, porém me trouxe o fino. Eu disse que procurava o com grãos maiores para parrilla, e então ele disse: "a você quer sal parilleno, ai tem que ser outro". Assim trouxe o sal grosso. Bem, esse mesmo, agora sim. Encontramos um cyber café aberto e entramos. Conseguimos contato com o Elvis que estava online e ele nos disse que teve problemas com seu Motorhome e voltou ao Brasil para reparos. Essa foi nossa resposta para não descer ao sul. Verificamos também as condições climáticas e constatamos que de hoje até o próximo domingo as temperaturas vão baixar em 10 graus, ou seja, aqui já está fazendo 12 a noite, em Villarica vai chegar a dois graus. Decidimos que cruzaremos para Mendoza mesmo e seguiremos pela Argentina. 

Regressamos ao camping pela praia curtindo os pelicanos pescarem e outras aves marinhas. O Heinz já nos aguardava e resolvemos começar nosso churrasco. Ele trouxe seu computador e começou a mostrar fotos de pesca no Alaska com ursos bem próximos dele, e contou de sus experiências pelo mundo. Ele já viajou o mundo todo, por qualquer país que perguntasse ele tem fotos e histórias. Conhece muito de economia e doenças de qualquer lugar. Também mostrou uma grande seleção de musicas que copiou do Lothar quando esteve com eles e ficamos ali ouvindo muita música desde os anos 50. São 500 horas de música é claro que aproveitamos nosso novo HD para copiar.

A Janeh se superou com mais uma janta fazendo maionese que o Heinz não conhecia, salada com tomates, cogumelos, cebola roxa, azeitonas e cenoura, regado a um vinho shyra de 2006, pão chileno e uma deliciosa carne. Depois de muitos meses fizemos um churrasco. A última vez que me lembro foi em novembro ou início de dezembro quando nos EUA fomos visitar o parque nacional Yosemite. Nos Estados Unidos a carne é cara e nos países da América Central são caras e ruins. Aqui no Chile voltamos a comprar carne finalmente. Mesmo não sendo Uruguai, Argentina ou Brasil, já dá para encarar. Na praia fazendo churrasco, pode parecer estranho, mas estamos há muitos meses viajando pela praia e comendo peixe. Um churrasco com amigos vai muito bem.

Tivemos um tempo muito precioso onde conversamos sobre a vida e diversos outros assuntos e fomos dormir.

Amanhã decidimos se saímos ou seguimos.


Dia 27 - Seguindo Viagem...

Acordamos e começamos a conversar sobre o destino de hoje: ficar um dia a mais aqui ou seguimos? Fizemos o café e ficamos ali pensando nas possibilidades. À noite foi a mais fria dos últimos dias: 10 graus. O Heinz apareceu para dar bom dia e disse também que a noite ficou fria. Concordamos e falamos que a tendência para a semana é esfriar mesmo, até sábado vai cair a temperatura dia a dia.

Enquanto o Heinz foi na internet nós, que temos até as 18h de hoje para decidir se ficamos ou partimos, decidimos seguir. Quando ele voltou dizendo que não encontrou o cyber café aberto, e viu que nós estávamos arrumando nosso acampamento ficou com aquela cara de: vocês vão embora? Dizemos que sim, e ele disse que iria ficar mais um dia e depois iria para Coquimbo e ficaria jogando golf e dormindo por lá. Terminamos de arrumar tudo e começamos a despedida. O Heinz é um lobo solitário, que não se preocupa com o dinheiro e quer viver até os 90 anos se possível. Foi bom conhecê-lo e foi bom reencontrá-lo. Em mais uns dias ele vai deixar sua camper em Santiago do Chile e vai para a Suíça passar o verão por lá, enquanto aqui é inverno. A sua camper tem placa chilena, então não é problema deixar aqui no Chile. Nos despedimos, e ficou a vontade de no próximo ano nos encontrarmos uma vez mais que, sabe na Argentina ou Chile, mais ao sul. 

Abasteci o carro com água e partimos em direção a Hijuelas, porém devido ao horário avançado, já saímos as 13hs, talvez não cheguemos a tão longe, cerca de 450 km. Um posto Copec no caminho pode ser nosso destino. Seguimos felizes e agora com uma carga nova de músicas que pegamos com o Heinz, que pegou do Lothar que deve ter pego de alguém. No caminho, muitas fotos e uma parada em um morador de um dos parques Eólicos do Chile, mais umas fotos e seguimos. Encontramos o primeiro Pronto Copec porém, achamos um pouco cedo para ficar ali é um pouco tarde para continuar. Nossa intenção era usar um pouco a internet, porém não tinha WIFI aqui. Então comemos um lanche e eu perguntei a um motorista de ônibus a quanto tempo ficava o próximo ponto de parada. Ele me disse que uma hora e meia no máximo. Como as estradas são duplicadas e muito boas decidimos seguir até o próximo ponto, pois ficaríamos mais perto da fronteira com a Argentina e aproveitaríamos melhor o dia. Seguimos e encontramos um Pronto Copec em Llay Llay. Ali escolhemos um lugar e vamos ver se a WIFI estava ativa. Sim estava e deu para dar um oi e fazer o nosso check-in. Porém os banhos aqui, somente para homens, e a Janeh não poderia usar o banheiro. Achamos estranho mais era ordem expressa, sem mulheres nos banhos.

Retornamos ao carro, fizemos nossa janta e eu fui deitar enquanto a Janeh lia um pouco, não demorou muito e um grande caminhão estava ao nosso lado buzinando. O fato foi que paramos próximo a parada dos caminhões e um outro caminhão parou de forma que o sujeito não conseguia passar. Claro que ele foi achar ruim conosco que não somos caminhoneiros. No meu ponto de vista ele passava, mas não quero encrenca então movi o nosso carro para outro ponto. Ali dormimos.


Dia 28  - Cruzando Fronteira para a Argentina

À noite foi mais silenciosa do que eu imaginava, pois posto sempre é posto, e tem barulho. Saí do carro e fui limpar os vidros para nós sairmos e olhei o ponto que estávamos estacionados ontem. E ali tinha um grande caminhão, e ninguém reclamou. Então ontem foi birra mesmo do outro motorista conosco. 

Café tomado, vamos em direção a Los Andes e subir a cordilheira para cruzar hoje para Argentina e decidiremos onde ficar onde estivermos. Esse trecho da viajem é muito bonito, pois passamos por diversos vinhedos e pequenas cidades onde tem um clima europeu muito agradável, tanto no clima quanto nas construções. Paramos em um Copec para comprar uns mapas do Chile que não encontramos nos outros Copecs que passamos e seguimos montanha acima. Eu já subi esse lado da montanha uma vez e desci uma e confesso que subir é bem mais tranquilo, porque subimos quase 1000 m.s.n.m. em 15 minutos a 30 km/h, e chegamos ao Paso com 3200 m.s.n.m. bem tranquilos. Para descer isso tem que usar muito freio o tempo todo, então subir devagar é bem melhor...

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