Retorno - América do Sul - Equador (24/03 a 06/04/2015)

08/04/2015 21:03

Leia mais em Diário Retorno América do Sul - Colômbia

Dia 24- Entrada no Equador

...Na Imigração do Equador, uma fila com umas dez pessoas e só uma atendendo. Mas tudo bem, foi rápido. Passamos, não perguntaram nada sobre os
nove meses. Fomos a aduana fazer a importação e entrada do carro. E dessa vez nos pediram uma cópia de cada documento em cores. Em cores? Isso mesmo, em cores. Aonde posso fazer isso? Claro que eles tem tudo ali ao lado. Gente, a cópia era tão real que eu tive que olhar duas vezes para ver qual era o documento original. A Jane já disse, faz duas de cada, assim teremos documentos duplicados caso um policial nos pare. Bingo, fissemos isso. As melhores cópias coloridas que já vimos. Passa tranquilamente por originais.

A Jane estava preocupada, como sempre, com a revista, porque tínhamos uma única fruta e uma cebola. Eu disse, relaxa que do norte para o sul ninguém revista é nada. Não sei o porquê, mas quando subimos, ou seja, sentido Sul-Norte, era padrão, abrir tudo, revistar geladeira, e três vezes, com cachorros também. Dessa vez a pessoa da aduana só foi até o carro, tirou fotos da frente, traseira e número de chassi com seu celular e disse: é só.

Maravilha, vamos antes que mudem de ideia. Seguimos e nosso gps, nada de mapas do Equador. Já sabíamos que isso iria acontecer é que precisaríamos renomear porque, por alguma razão, ele não acha o mapa. Mas para isso precisamos de um computador e o nosso já era, os restos mortais deles ficaram em Cali. Seguimos sem Gps, mas não tem erro, o negócio é ir até Ibara e achar o camping do tal alemão. Porém, a noite caiu, e eu já estava cansado, começou a chover e as coisas ficaram " peor " como se diz em espanhol. Passamos por um Posto da Polícia em Ambuqui, uma área de descanso de caminhoneiros a meia hora de chegar a Ibara e perguntei se poderíamos dormir, e o guarda disse que sim, era só encostar do outro lado que não teria problema. Sei que meia hora não é nada, mas quando se está cansado, com chuva, neblina e sem saber exatamente onde está indo, meia hora é uma eternidade. Estacionei aonde me foi orientado e deitei enquanto a Janeh fazia uma janta. Comemos e apagamos.


Dia 25 - Chegada a Quito e o Reencontro com Judith e Monica.

A noite foi literalmente longa pois, além do lugar ser uma parada de caminhões, que durante toda a noite entravam e saíam acelerando e reduzindo seus motores, a polícia parava todo mundo,e sempre tinha um carro arrancando. Mas, graças a Deus, passou.

Arrumamos as coisas nos seus devidos lugares e saímos. Realmente em vinte minutos estávamos em Ibara! De dia, vendo tudo, sem chuva e desperto, tudo parece mais fácil! Paramos em uma praça com combustível, café e uma land house. Tomamos café e fomos atualizar nosso Gps. Como não utilizamos a internet, somente o computador, só pagamos $ 0,10 cents. Retornando ao nosso carro e tinha um cartão do tal alemão, indicando sua direção. Foi incrível, ontem se chegassemos ali iríamos nos bater para achar no escuro com chuva. Hoje caiu no colo. Mas decidimos ir a Quito.

Nosso GPS,agora atualizado com os mapas, nos levou para dentro de Quito e nos fez atravessar de ponta a ponta o centro, bem devagar, pois o trânsito estava feroz. Paramos, abastecemos e logo estávamos no portão da Judith e da Mônica , que nos receberam em nossa ida. Nos tornamos amigos e agora rever essas pessoas era uma alegria maior. Aqui na sua casa Hostal da Judith, em agosto do ano passado comemoramos meus 44 anos (Leia mais em Aniversário do Toninho). Elas vieram nos receber no portão com muitos abraços, e foi uma festa. Aqui vamos ficar dois dias, recarregar as baterias e decidir por onde descemos.

Chegamos já na hora do almoço e eu já fui anunciando, que tinha fome. Ou tem comida para mais dois ou vamos sair para comer. Como a filha da Mônica estava na escola e teríamos que buscá-la, então decidimos todos sair para comer fora. Fomos até a escola buscar a Domenica que nos recebeu também com muito carinho e fomos ao Pollo Campero comer. Depois, de barriga cheia, comentamos que precisávamos de um novo computador e elas nos levaram a um centro comercial, enquanto a Judith foi ao banco, nós fomos ver umas máquinas. Depois de muito olhar e decidir , a melhor oferta nos dava uma bolsa da marca é uma impressora. Tentei negociar com o vendedor um desconto para não levar os "brindes", porém ele foi irredutível.
Estava pensando que não temos espaço para uma impressora, além de não precisar de uma. A Judith disse que, por um bom preço poderia comprar. Como teríamos que pagar a hospedagem, pois amigos, amigos, negócios a parte, eu ofereci a impressora em troca da hospedagem. Ela topou e fomos tomar helados para comemorar. Computador comprado, helado tomado, voltamos para casa.

A Dna Judith vive com sua filha e sua neta, e sua propriedade e bem grande, sendo visível a necessidade de um homem para ajudar em algumas pequenas reformas. Eu me ofereci para fazer algumas. Coisa simples, arrumar a bomba do vaso sanitário de um dos banheiros e arrumar ou trocar os dois chuveiros em uso que estavam com problemas, além de cortar a grama que estava alta. Elas ficaram felizes da vida. Amanhã começo então. Fizemos um chá, e ficamos conversando quando o seu filho Fernando Pozo chegou. Conversamos um pouco e eu pedi umas dicas de retorno para Guayaquil, pois gostaríamos de fazer um caminho diferente, porém , como aqui no Equador agora é inverno e está chovendo muito, as estradas estão com muitos derrubes e muitas estão fechadas e ou em mal estado. Ele nos orientou a descer pela Mitad del mundo. Decidimos ser assim então. Ele também nos disse que tem um conhecido
que viajou por três anos em uma camper pelo Equador e vivei mais uns anos nela após achar um lugar fabuloso na praia de Punta preta em Jama, na costa. Olhando nossos pontos no IOverlanders, descobrimos que era o mesmo lugar e talvez com a mesma pessoa. Ele nos pediu para levar uma encomenda e entregar para esse amigo. Assim o faremos então. Conversamos sobre nossa viajem e ele nos encontrou no facebook e vai nos seguir. Tomamos um banho e fomos todos dormir.


Dia 26

À noite choveu bastante nos preocupando com os vazamentos, mas pelo jeito, resolveu. Fomos tomar café com a Judith somente, pois a Mônica estava um pouco indisposta, com resfriado, e ficou na cama. A Judith me mostrou onde estava a máquina para que eu iniciasse a poda da grama e lá fui eu. Estava ansioso para ver como meu corpo se comportaria a fazer um trabalho por algumas horas a uma altitude que não estou acostumado.

No início foi um pouco pesado, até porque a máquina de cortar grama não tem tração própria, como a que usei nos EUA, e precisei empregar um pouco mais de força. Porém resisti bem, meu corpo parece que se adaptou à altitude tranquilamente. Foi bem divertido fazer esse trabalho, pois fiz com muito amor, e não por dinheiro, não estava recebendo nada por isso, porém a Judith tratou de fazer um delicioso almoço. Foi meu pagamento. A Jane estava trabalhando com o novo computador descobrindo onde as coisas estão no novo Windows 8. Após o almoço eu fui mexer em uma das duchas para somente limpar os furinhos pois estava emtupido. Acontece que algumas coisa quando são velhas são bem difíceis, pois meche em em um lado estraga outro. E assim aconteceu. Quando tirei a tampa, a borracha vedadora rompeu, e quando tentei recolocar o cano de alumínio também.
Pensei comigo, agora a despesa vai ser maior. Fui até a cozinha e dei a notícia, mas que bom que aconteceu, agora tem que arrumar de uma vez. Saímos para comprar as peças e retornamos. Deu um trabalho maior que cortar a grama, mas deixei quase tudo em ordem. No vaso sanitário quando fui montar, uma conexão velha rompeu também, ai não deu mais. Esse eu deixei pro Fernando fazer.

Tomamos um café, a Judith ficou muito grata por todo o trabalho e nos abençoou muito com seu carinho, preparando nossas refeições. Vamos sentir saudades.

O Fernando chegou do trabalho e mostrei o que fiz e o que ele tem que concluir. Ele agradeceu e disse que fará no final de semana.

Nos pediu para levar um pote de Mel para o seu amigo Alonso Ordeñas em Punta Pietra e prometemos levar.


Dia 27 - Punta Pietra, um paraìso na terra.

Saímos de Quito após o nosso último delicioso "desayuno" preparado pela Judith e seguimos nos despedindo das duas, mãe e filha.

Achar o caminho até a Mitad del Mundo, saindo de Quito, ou tendo que atravessar Quito, não é uma tarefa fácil. Na primeira vez nós erramos e caminho mas chegamos, e desta vez não foi diferente. Primeiro porque colocamos as coordenadas no Gps de Punta Pietra, e que fica mais ao sul, e indo até a Mital del Mundo, teríamos que ir ao norte. Isso, volto a lembrar, porque decidimos ir por l´, pois a outra estrada está fechada por causa das chuvas.
O tempo todo o GPS nos mandava voltar e isso só atrapavalha. Tivemos de parar várias vezes e perguntar, pois existem diversas vias novas na região de Quito que desvia o trânsito do centro, e o GPS não tem, nem no outro aplicativo que temos tem. Então foi no boca a boca e chegamos lá.

Quito está em uma região montanhosa e para fazer o contorno também é um sobe e desce forte, com muita engenharia e pé no freio. Várias auto pistas modernas, porém para se perder é um piscar de olhos. Enfim, acertamos e fomos em direção à costa. Depois disso o GPS entendeu e calculou certo. A viajem foi bem tranquila, em uma rodovia de mão simples, com bastante movimento, porém eu dava passagem para todo mundo. Paramos ás 13h para
almoçar, e seguimos de barriga cheia e descansados. Alcançamos o pacífico novamente depois de uns dias pelas montanhas e clima chuvo e frio.

Não foi difícil encontrar Punta Prieta, e quem nos recebeu foi a Marlene, esposa do Alonso Ordeñas, que era o amigo do Fernando lá de Quito. Pensa na coincidência, fomos até ele e entregamos o mel que trouxemos como presente. O Fernando tinha colocado um texto no mel e o Alonso litalmente, se arrepiou  todo ao ler  e agradeceu muito termos levado!

O lugar é simplesmente fantástico. (veja nos vídeos do Local).Um lugar para acampar com o Valente, com uma vista animal, tanto de cima das pedras, quanto na praia. Parece a ilha da fantasia. O detalhe que temos água, energia, um lugar fabuloso e o dono não cobra nada de viajantes como nós. São bem vindos e de graça. Coisa linda isso... Presente de Deus.

Como estamos alguns dias sem comprar comida, pois ficamos na casa de amigos, somente dormindo no carro, jantamos um delicioso pescado feito pela Marlene. Descemos e fomos dar uma geral no lugar. Demos um mergulho e tiramos umas fotos do por do sol. Vamos sentir saudades do por do sol no Pacífico um dia... São os melhores... Aqui tem muitos pelicanos como em toda a costa do Pacífico, e eu adoro ficar vendo o vôo deles.

Tomamos um banho e fomos dormir.


Dia 28 - Conhecendo Jama.

À noite choveu bastante novamente e entrou um pouco de água no carro novamente. Combinei com o Alonso de sair com ele para ir até Jama comprar comida e vou ver se encontro um tubo de silicone e vedar mais alguns possíveis lugares de entrada de água. Tirei o microondas do lugar e vi onde pode ser o lugar de entrada.

Após o café da manhã saímos com a camionete do  Alonso e a Janeh ficou no camping. Na ida são 15 km! Conversamos um pouco sobre a vida e viagem. Falei para o Alonso de nossos planos é ele apoiou em tudo, disse que temos que manter o foco e correr atrás que as coisas vem e acontece, se ficar parado sonhando, você acorda e está no mesmo lugar.

Entramos na pequena cidade de Jama, uma loucura, no sentido de lugar pequeno, sujo e simples. Porém ali todos vivem e se conhecem. Não entendi o porque do Alonso não comprar tudo em um lugar, mas ele fica andando, falando com todos e compra banana aqui, ovos ali, açúcar no outro, pão no outro, e assim vai. Mesmo que no mesmo lugar tenha as mesmas coisas. Acho que é pelo relacionamento e para movimentar o comércio. Assim ele compra com todo mundo. Ele é super conhecido. Na real, Jama parece um mercado público gigante aberto em forma de cidade. Quando disse que precisava comprar carne, ele me levou a um lugar que se vende carne a céu aberto, tudo ali no tempo pendurado. Disse que não, ia ficar sem carne... Ele disse que, se quiser,  aqui
é assim. Eu dis que não queria e agradeci!

Retornamos ao camping e pedimos para a Marlene somente preparar um pescado e faremos o resto. Enquanto ela prepara o peixe, a Janeh preparava o resto e eu subi no teto do carro para tentar vedar os possíveis lugares que estão entrando água. Compramos um silicone de vedar motor. A mulher vendeu errado e aqui não é EUA onde volta lá e troca ou devolve. Foi esse mesmo. Vamos ver se rola.

Aproveitamos o dia para atualizar dados e diários, sem  internet. Descemos a praia para um mergulho, mas o mar estava sujo e com cheiro forte, creio que por causa das chuvas. Demos uma caminhada e subimos. Ao lado do nosso carro, tem um terraço com uma jacuzzi, e entramos ali para relaxar e conversar.
Mais tarde a Jane fez uma janta e jogamos umas partidas de sequence e ainda assistimos um filme e fomos dormir.


Dia 29 - Trazendo a janta...

Nessa noite não choveu forte, coisa leve. Não entrou água, mas prefiro esperar algo mais forte para ter certeza.

Tomamos um delicioso café da manhã ao ar livre, agora temos pão e leite novamente, a Jane preparou ovos e Marlene trouxe uns pedaços de abacaxi para nós. Deus tem nos surpreendido todos os dias. Para o almoço estava esperando sair com o Alonso para comprar camarões gigantes, porém ele não saiu e disse que era para pedir para a Marlene, assim era mais fácil.
Fui até a cozinha e ela nos deu um saco com oito camarões pistola, e, como o Alonso disse, sem custo. A Jane se animou a limpar a casa e deu uma geral no
carro. Eu aproveitei também e tirei as coisas do porta malas e dei uma geral também. Já fazia uns dias que não tocava violão e então fiquei horas tocando,
depois peguei a guitarra e toquei mais um pouco.

Hoje o dia está assim, chove leve, para, esquenta, e repete o ciclo. Estamos bem tranquilos e amanhã seguimos para Manta ou até Montañita. Vamos ver o que rola. Temos que achar um telefone público e fazer uma ligação internacional para o nosso cartão visa e negociar a anuidade que estamos pagando de um cartão que nem temos. Aquele rolo de sempre, de todo ano. No mais, da vontade de ficar aqui pra sempre.

A Jane fez um maçarão delicioso com os oito camarões pistola... Acho que tinha mais camarão do que macarrão no prato, estava ótimo. Ela também fez cookies e arroz doce, estava inspirada na cozinha.
Pintou o cabelo e descansou. Eu fiz mais umas fotos e fiquei revendo nossos roteiros. Desde os EUA eu tinha feito algo para seguir até Zorritos no Peru, agora daqui para frente farei mais um pedaço.

Estava lendo um jornal local e as notícias são de muitas mortes e estradas fechadas devido à grande quantidade de chuva na região. Dizem que está acontecendo uma mudança climática muito forte que vem desde o inverno nos EUA ,que foi fora do normal. Aqui no Equador, muita chuva e deslizamento de terra na serra, tremores na região amazônica e serra desde Quito até Guayaquil. Já na costa o mar violento invadindo as ruas. Nada que nos tenha impedido de seguir, mas é assustador o que vem acontecendo com o clima no planeta. Destaque tambem no jornal era a corrupção no Brasil e o
escândalo da Petrobrás. Um jornal pequeno do interior do Equador falando disso, vergonha mesmo.

A Janeh foi dar uma dormida a tarde e eu resolvi dar uma volta na praia norte, mais para fazer exercício e curtir o lugar. Lá na frente um barco pequeno com três pescadores chegavam e apesar de já ter vendido seus pescados ainda traziam consigo alguma coisa para dividir com a família local. Eu estava sem dinheiro e sem intenção alguma, a não ser de curioso. Muitos jovens e crianças e até uma casal mais idoso vieram até o barco para ajudar a empurrar e colocar o barco para cima, na garagem da vila. Como eu nunca tive essa experiência, me meti a ajudar a empurrar e ver como é a vida e o trabalho desses pescadores.E que trabalho para pôr e tirar o barquinho na água! Primeiro empurram com a ajuda da água, depois só no braço na areia firme, e quando entra na areia fofa, ai é um revezamento de toras por baixo até chegar no ponto final. Deu uma trabalheira, mas fiquei feliz em ajudar. Um total de umas dez pessoas fazendo força juntas. Ao final eles eram pescadores de camarão, aqueles pistolas grandes, aqui são maiores que uma mão aberta. Porém
no meio vem muito peixe que, se não vendem, vem para a comunidade e consumo próprio. Eu fiquei olhando os peixes e admirando, ai um dos pescadores falou para eu pagar uns, mas recusei porque estava somente caminhando.

Eles me deram dois peixes, um Pargo Rosa e um Serra, que para mim e a Jane seria demais, mas insistiram e eu aceitei e agradeci. Saí feliz da vida com nosso jantar. O problema agora é como vamos limpar e preparar, mas para tudo tem um jeito. Eu e a Jane não compramos muito peixe para preparar, e muito menos assim direto do pescador. Mas levei e mostrei a Jane. Ela ficou com a mesma expressão que eu. Que ótimo, mas como vamos preparar? Eu disse para irmos até a cozinha e falar com a Marlene, ela deve nos ajudar. Descemos então até a cozinha e encontramos o Alonso, já meio borracho de cerveja e vinho que estava bebendo com um casal de amigos. Ele disse para usarmos o que quisermos, tem sal, azeite, faca e panelas, mas ia chamar a Marlene para nos ajudar a preparar tudo.

Logo a Marlene apareceu e realmente, nos ajudou muito. A princípio ela mostrou a Jane como limpar e cortar, porém em muito menos tempo que ficar falando como fazer, ela mesmo fez. Acho que em 15 minutos, abril, limpou e cortou os dois peixes. Foi bom ver quem tem prática. Assim aprendemos. Até eu na próxima vou meter a cara e limpar. Enquanto ela fritava a Jane preparava o arroz e a salada. Enquanto a Jane conversava com ela na cozinha eu fui conversar um pouco com o Alonso e o casal de amigos que estavam ali. Todos estavam já bem alegres, e eu me juntei a eles e conversamos sobre coisas da vida.

Assim que tudo estava pronto sentamos para saborear nosso pescado frito. Ficou maravilho, fantástico. Assim que eu ver pescadores na próxima vou tentar uns peixes para o jantar ou almoço. Gostei da brincadeira. Conversamos um pouco mais com a Marlene e enquanto a Jane ajudava na cozinha, eu fui tomar meu banho. Depois disso nos recolhemos para dormir.

Amanhã sairemos com muita vontade de ficar, e quem sabe no futuro aqui possa ser uma oportunidade para viver um tempo.


Dia 30 - Manta, capital do Atum.

Acordamos após uma noite chuvosa mais uma vez porém, não entrou água no carro! Acredito que meus reparos devem ter funcionado. Tomamos café, arrumamos tudo e nos despedimos do Alonso e partimos deixando lembranças a Marlene.

Entes entrei na cidade de Jama para a Janeh conhecer é ter sua própria impressão. Paramos para comprar frutas e para tirar fotos na atração da cidade que é um grande Mono, um macaco, ou tipo bugio para nós no Brasil, que dizem ser abundantes aqui na mata. Contou-me o Alonso que a população de monos
tem diminuído por causa da caça sem controle. Perguntei o que fazem, se comem? E a resposta foi pior. Os caçadores matam a mãe e pegam a cria que se gruda a mãe quando essa morre e então vende as crias... uma verdadeira barbaridade. Existe um movimento para evitar porém ainda existem os caçadores.

Depois seguimos pelas praias e matas da região que para nós ainda era desconhecida. Uma região verde, úmida agora por causa das chuvas, mas dissem que é um bosque seco. As estradas são com retas e curvas mas uma boa estrada, pavimento em dia e sem pedágios ou caminhões, que nos atrasam e atrapalham. Não temos presa é verdade, porém dirigir atrás de caminhão, não é nada agradável.

No caminho, muitas fotos, uma grande quantidade e variedades de borboletas, lembramos da Brenda que até hoje não sabe se o correto é dizer barbuleta, ou borboleta, por uma peça que a Drica, uma amiga do Brasil,  pregou nela. E ela sempre vai se confundir. Muitas borboletas morreram na frente do Valente neste dia. Quando paramos estava colorido a sua frente de tantas e diversas que tinha grudada na tela frontal. Chegamos a uma cidade com internet
e cabinas, e fomos logo tentar resolver a questão de nosso cartão de crédito, coisas de anuidade, aquele lance de negociar todo ano. Porém, a cada tentativa
de ligação, caia na metade, enfim, gastamos onze dólares e não resolvemos.
Desisti pois acredito que, por ser um cidade pequena, os aparelhos eram bem ruins, e penso que a rede telefônica também. Seguimos então até a cidade de
Manta, uma cidade maior, com mais infraestrutura e aí sim, sucesso, pagamos $ 3,50. Dolares é assunto resolvido.

No caminho a Manta passamos por um casal com uma motocicleta parados na estrada. Quando cruzamos vimos que a moça estava zangada e fazendo sinal para os carros. Olhei para a Jane e disse: acho que estão sem gasolina. Pensa nesse calor, sem gasolina no asfalto, ao meio dia. Como carregamos gasolina para nosso gerador, resolvi voltar. Paramos e perguntei se o problema era combustivel. O rapaz disse que sim. Então o problema está resolvido. Desci e ainda tinha um litro, eu acho, no galão, que foi mais que suficiente para ele chegar até um posto. Eles ficaram felizes e eu mais ainda por poder ter ajudado.

Seguimos até o camping Hotel Barbasquillo que tínhamos no GPS, e nos instalamos. Já conhecíamos o local pois ficamos aqui no ano passado. Lugar tranquilo e sucegado, preparamos algo para comer e ficamos ali atualizando site e falando com o pessoal. Tentei pela primeira vez usar o Whatsapp como ligação e funcionou muito bem. Falei com nosso amigo John em Curitiba, com o Carlos Pimpão e com a Jo, irmã da janeh, em Blumenau e ficamos felizes por ter mais esta ferramenta. Mais ao final da tarde pegamos um táxi, baratíssimo ($1,50 dólar) e fomos ao mercado comprar alguns suprimentos. A Janeh tratou de fazer uma janta simples e saborosa, como sempre!


Dia 31

Decidimos ficar um dia mais em Manta pois estávamos como os diários atrasados e a Janeh com o computador novo estava mandando bala. Eu fiquei aprendendo mais sobre nossa câmera fotográfica e falando com os amigos. À noite, a fome bateu e eu saí caminhando para buscar pão em alguma  panaderia. Não encontrei a Panaderia e então comprei uma pizza e retornei. A Janeh ficou feliz com a ideia é mandamos bala na pizza.


Dia 01 - Montañita e a expectativa do retorno.

Saímos hoje com a ideia de chegar a Montañita, porém sem presa alguma, pois era bem perto, coisa de 100 km. Estavamos com uma grande exectativa de retornar a Monañita pois gostamos muito quando passamos por ali.
Paramos em Puerto Cayo onde no ano passado paramos para comer pescado na beira praia por um preço bem baixo. Ali é muito legal, pois a cidade é bem pequena, e tem um Malecón que te permite andar por rua pavimentada e se quiser parar em um dos diversos restaurantes pode entrar na areia que é bem firme e literalmente ficar na praia. É muito show. O dia estava lindo e paramos ali. O Almuerzo saiu por 7,50 dólares com uma coca de um litro. Comemos pescado muito bom e barato. Ali também parou um caminhão oferecendo Piña e Sapoto, uma fruta típica da região com aparência interna e sabor muito próxima do Caqui que temos no Brasil, porém por fora, não se parece em nada. O Sapoto eu não paguei, foi um "regalo"  pois eu disse ao senhor do caminhão que não conhecia e não sabia como comer, e então ele me deu uma. Ela é grande o suficiente para duas pessoas provarem com folga. Como todos saìam de suas mesas e compravam, pensamos que devia ser bom e barato.

Nesta praia no ano passado eu pequei uma pedra verde, muito especial que estou levando para o Yguaçu Parana jogar no seu quintal.

Na saída da cidade, tive que manobrar em uma subida fazendo um giro de 270 graus e com uma lombada no meio. E o que eu temia aconteceu, pegamos o carro em baixo. O estrago foi na marmita do escapamento, que em outra ocasião já havia soltado, porém agora além de soltar rompeu a borracha que a mantém suspensa. O barulho é maior que o estrago neste caso. Paramos e um senhor veio ver o que houve. Eu disse que o escapamento soltou e ele falou que eu ia precisar de um soldador, e ele conhecia um. Mas felizmente um arame e um alicate resolveram nosso problema até que encontremos uma
borracha nova.

Seguimos, após esse episódio, até Montañita. Fomos ao centro e estava como sempre, muito movimentado, mesmo sendo dia de semana. Depois uma
passada na praia, que estava bombando de jovens de todo o mundo como sempre. Sentamos na areia e ao nosso lado duas garotas da Argentina passavam uns dias ali, e perto delas uns rapazes de Israel, nós do Brasil e talvez alguém do Ecuador por ali também. É incrível como o povo se vira por ali. É comum passar gente vendendo de tudo, comida e artesanias que eles mesmo fazem, desde tortas e sorvetes e artesanias. Lembra em muito aquele lance de colégio onde a gurizada faz brigadeiro para a formatura ou para algum evento e sai vendendo. Assim é em Montañita. O povo está ali e precisa de grana para ficar ali, só para sobreviver no básico. Se não tem grana para hostal ou hotel, dorme na barraca na praia e se vira durante o dia para ganhar algum. É fantástico, um jovem gritava, to vendendo para continuar viajando, quem vai querer... Ele vendia bombons.

Demos mais um giro, muitos mergulhos na praia com a água clara e quentinha. Montañita é show, e nessa epoca não está tão cheia e a água está mais quente do que no verão, a partir de julho. Batendo a fome procuramos um Rastapan, uma espécie de mini calzone aberto que uns caras ali fazem. São ótimos e eles fazem na hora, são limpos, organizados e baratos, claro.
Nesse Rastapan, perguntamos quantas pessoas trabalham ali, pois o lugar é muito pequeno, e tem sempre muita gente é muito movimento de clientes. O rapaz disse que quatro na baixa temporada e oito ou até dez na alta. Abrem ás 11 horas e ficam até ás 3 da madrugada. Assim como muitas coisas em Montañita. Bem, sendo assim, achamos que não deveríamos levar nosso plano adiante de dormir por ali, muito próximos do centro, pois teríamos barulho até de madrugada. Para irmos mais adiante no acampamento Batista estava um pouco tarde e então resolvemos ficar pelo Parqueadeiro mesmo. Um lugar tranquilo próximo à praia mas sem muito comércio. Perfeito! Nos dirigimos até lá e montamos acampamento.


Dia 02 - Salinas e o Reencontro com a família Yagual e a família Barreiros, de Guayaquil.

Acordamos com chuva é tempo fechado. Parece que do norte para o sul a chuva está nos acompanhando. Sempre chegamos e no dia seguinte ou noite chove. Ficar por aqui com chuva não vai rolar. Vamos para Salinas então.

Seguimos viajem e sempre curtindo o visual das praias, passamos por pequenas vilas de pescadores com muitos peixes e lagostins gigantes, além de um carangueijo gigante, que chamam de Centóia.

Antes de ir a casa dos nossos amigos Terry e Narcisa paramos no shopping Paseo Salinas e fomos comer algo, pois estávamos famintos. Passando em frente ao cinema vimos que a estréia do Velozes e Furiosos 7 era hoje, e as 13 h tinha a primeira seção, em espanhol.  Resolvemos que seria essa a melhor opção, e ainda seria 3D, Melhor ainda! O filme, para nós, é o mais violento da série, saindo um pouco da questão dos carros. Tem muita luta, mas valeu a pena. O final com o ator falecido Paul Walker nos surpreendeu. Valeu a pena assistir.

Após isso demos uma volta no shopping que já estava cheio, mesmo sendo quinta feira, pois inicia a semana santa, e muita gente estava chegando a Salinas para o feriado. Seguimos até a lavação do Terry e não o encontramos, porém seu filho estava por lá, e nos disse que estariam no Hostal Liznar, sendo assim nos dirigimos para lá. A Narcisa ficou olhando para nós quando chegamos não sabendo que, era direito. Mas logo reconheceu e ficou feliz em nos ver. O Terry estava fazendo manutenção nas luminárias da casa e eu acabei por ajudá-lo. Ficamos ali até escurecer pegando as velhas e trocando por novas luminárias. Depois, muito papo para por em dia. A noite arrumamos o Valente ali na frente do hostal mesmo, ligamos energia, água e pronto.


Dia 03 - Fazendo compras no Mercado público em Salinas

Pela manhã não queiramos dar trabalho a Narcisa e nem ao Terry, e preparamos nosso próprio café. Fomos para o Hostal mais tarde. Como hoje é sexta feira santa, não se come carne e então o Terry me convidou para ir ao Mercado com ele fazer compras. É claro que fui, e meu divertimento foi ver ele pechinchando com o povo. Ele reclama de tudo até conseguir o preço que acha justo. Porém o mercado público de Salinas, assim como todo mercado público é fedido, sujo e cheio de gente. Porém esse bateu todos que já conheci, em sujeira e cheiro. Eu me esforçava pensando,"ok, tudo aqui vai ser limpo e cozido, ai não tem problema, vai dar tudo certo".

É divertido e triste ao mesmo tempo ver a situação que o ser humano vive. Gente idosa, grávida, criança, homem e mulher trabalhando vendendo desde saquinhos de limão e copo de água. Pescados debaixo do sol, ao ar livre, peixe frito na hora na rua. Moscas pra todo lado, e em cima de tudo. O chão nem dá para descrever, e ainda tinha chovido!  Em meio a tudo isso gente caminhando a pé, de bicicleta, de moto e muitos táxis tentando pegar passageiros. A buzina decide quem passa, e para onde. Questões culturais a parte, é incrível a mudança de costumes! No mercado de peixes vi uma grande variedade que não conhecia e a habilidade de mãos sujas, ágeis na limpesa do peixe,  desde o maior até o menor que o dedo mindinho. A abertura de mariscos e limpeza com ferramenta criadas pelo próprio pescador e vendedor. Na frente onde se limpam os peixes é uma coisa indescritível, e a mesma mão que pega o dinheiro que circula, se limpa o peixe e se passa na roupa ou um trapo qualquer para enxugar. A faca afiadíssima é limpa em uma esponja negra que mais parecia que foi usada para passar pretinha na roda de algum carro. A sensação realmente é única em um lugar desses. E o sol, castigando forte a cabeça. Retornamos ao Hostal onde a Janeh e a Narcisa nos aguardavam com as compras para preparar o almoço. Hoje não será um ceviche, e sim um Biche. Muito parecido com o ceviche, porém com menos limão e mais para uma sopa. Inclui grãos, milho, pescado, camarão e banana que eles chamam de maduro. Uma outra banana diferente para esse prato. O sabor é único. Comemos com arroz e abacate, como se é costume por aqui. 

A noite chegou o Dr. Leon e sua família, Alejandra e filhas que vivem em Guayaquill. A noite foi longa, muito papo e cerveja. Eu, como sempre, enquanto eles tomam muitas eu fico com uma cerveja na mão quase que chocando. Demos muitas risadas, apesar do Dr. Léon contar tantas piadas que para mim não fazem muito sentido, ria junto. A Janeh foi deitar antes mas logo eu fui também, isso lá pelas 23:30, onde o povo já estava alto, rindo um do outro e das
piadas.


Dia 04 - Frustrados pela Aduana na entrada do Perú, mais dois dias no Equador...

Apesar dos incansáveis convites do Terry, do tipo fique dois meses aqui, não vá embora, realmente temos que ir. Além de que penso que por sábado, quem não veio a Salinas ontem, vem hoje. Assim vamos pegar as estradas vazias. 

A Sanae, minha irmã em Blumenau já nos havia pedido um chapéu Panamá quando saímos do Ecuador no ano passado, e agora novamente pediu para levar um para ela. Vimos em Cuenca os artesãos fazendo, porém não passamos por lá desta vez. Conversando com os amigos ontem à noite disseram que os verdadeiros artesãos estão na cidade de Monte Cristi, uma cidade próxima a Manta que passamos, porém não sabíamos e não compramos. Então o Terry
falou que no Malecón de Salinas podia encontrar dos mais simples. E nos levou enquanto o Valente ficou na lavação. Fomos até o centro e compramos dois: um de presente para a Narcisa.

Retornamos a lavação e enquanto secávamos o Valente, o Terry desapareceu. Acho que ele não gosta de despedidas pois na outra vez fez a mesma coisa. Sentimos muito, mas nos despedimos dos outros e fomos embora. Hoje se for possível, com tranquilidade chegamos a fronteira e cruzamos. São somente 385 km, e acredito ser possível! Saímos as 11:30 h  de Salinas. Fomos seguindo e ainda paramos para comprar água, pois entrando no Peru tudo é mais caro e tem que comprar água de saquinho. Coisa que é um estresse.

Paramos para abastecer e antes de sair vamos tentar abastecer mais uma vez. Tanque cheio pois aqui é mais barato. A viagem foi boa, nos perdemos
em uns viadutos em Guayaquill, porém retornamos rápido, pois nosso GPS nos deixa no mato quando tem muitas vias juntas com muitas direções. Por essa
estrada passamos por onde viemos quando saímos de Cuenca no ano passado e viemos a Guayaquill. E chegamos à conclusão que vale mais a pena ir a Cuenca por aqui do que por onde fomos na última vez. A estrada é muito mais plana e quando sobe, passa pelo P N Cajas, que é lindo. E depois desce direto a Cuenca. Muito melhor que o sobe e desce das estradas segundarias que fomos da outra vez, fora os buracos.

Chegamos ainda cedo a fronteira, 5:30 h, e pensamos em seguir e cruzar. Não chegaríamos com o dia claro em Zorritos, mas chegaríamos no início de ficar escuro, o que não é bom, mas como conhecemos o lugar daria certo. Porém, nós fizemos os nossos planos é Deus faz os deles, e nós somente seguimos a sua vontade.

Fizemos a saída do carro no Ecuador e a fronteira da imigração é feita em uma única sala com saída do Ecuador e entrada do Peru mais à frente. Seguimos e fomos até ela é fomos informados que ali sómente se faz a entrada do Ecuador e saída do Peru. A nossa é mais na frente ainda. Ok, vamos mais um  trecho, agora sim, aqui podemos fazer os trâmites.
Como ganhamos a bandeira profética da Márcia em Lima, não tínhamos a foto profética na entrada do Peru e já aproveitamos o por do Sol ao Fundo para fazer o ato. Paramos o Valente e lá foi a Janeh. Foto feita, na portaria um guarda nos orientou a ir a imigração primeiro e voltar até a aduana para fazer a entrada do carro. Fizemos os trâmites tudo conforme orientado, porém quando chegamos a aduana começou nosso estresse. O oficial que nos atendeu disse que nosso carro não tinha sido dado saída. E que conforme as leis do País, em um documento, inclusive assinado por mim, se eu não retirar o carro dentro da data marcada neste documento, este carro não pode ser mais retirado do país. Ficando preso na Aduana. E como esse prazo estourou em nove meses, ou melhor em sete meses, não poderíamos entrar com o carro pelo Peru e nem passar por aqui. Dissemos que fizemos a saída e alguém não deu baixa no sistema. O oficial consultou outro oficial que de uma forma muito dura disse que se não tem baixa o veículo está automaticamente preso. Meu estômago acho que parou na hora. Fiquei muito nervoso, sem perder o controle. Eu disse que nós saímos e que temos como provar, que temos documentos e isso não pode ficar assim. Nos pediram então o documento de saída, e que se comprovarmos que fizemos a saída eles deixam passar. A Janeh foi até o carro e pegou nossas pastas com todos os documentos. Ali localizamos o fatídico que realmente não estava com o selo de saída. Lembrando da situação, eu disse que fizemos todos os trâmites corretamente, porém nos mandaram seguir e não deram nem o selo, ou carimbo e nem fizeram a saída. Isso causou um
tumulto, pois é possível ter acontecido, porém pela lei, eu não fiz saída e é a lei aqui que vale. Nos pediram então o comprovante de entrada do Ecuador,
porém passaporte não vale, tem de ser o do Carro. Procuramos e não encontramos e chegamos à conclusão que nosso carro entrou no Ecuador e quando saímos ficou na fronteira em Tulcan com a Aduana de lá, e não temos cópia. Depois de muito conversar um oficial nos aconselhou a fazer a saída da imigração do Peru, voltar ao Ecuador e tirar o carro do pátio, para que eles não prendessem o carro. Indodepois, ir a Aduana do Ecuador e pedir uma declaração ou cópia do documento comprovando nossa entrada no Ecuador. Com posse deste documento então devemos volta na segunda feira, hoje é sábado a noite, para falar com a superintendência da Aduana e resolver a questão, somente assim podem dar a nossa saída e, ai sim, fazer a entrada novamente.

Ficamos tristes e frustrados, porém confiantes nos planos de Deus. Entramos no Valente e retornamos a imigração, fizemos novamente a saída e entrada e fomos a Aduana. O incrível novamente foi que saímos do Peru, entramos no Ecuador e ninguém nos pediu nada do carro, nem saída, nem entrada, nem revisão. Isso nos fez lembrar de toda confusão no ano passado, e que como tínhamos o documento de saída nos mandaram seguir e que se fizemos a
saída dos Passaports, era o que precisava e valia. Porém agora não estavam aceitando isso, imigração é uma coisa, aduana do carro é outra. Nossos
Passaports só provam, que nós, pessoas saímos, e não o carro. Como temos que tentar fazer a coisa ao modo deles, fomos a aduana do Ecuador, e isso já era lá pelas 20:30 da noite, explicamos a situação e graças a Deus, o agente foi muito cordial e nos atendeu rápidamente nos dando uma cópia de nossa entrada no Ecuador e saída com as mesmas datas dos Passaports. Voltamos um pouco na estrada e pedimos para ficar em um posto Primex que fica ali perto. O Segurança nos deixou ficar ali e pediu uma grana para o café. Fechamos o carro e nos instalamos por ali. 


Dia 05

Porém a noite foi longa e quente. Não pudemos usar o gerador e tivemos que deixar as janelas abertas. Para completar o terrível foi o segurança do posto que ficou a noite toda com um rádio ligado com música alta. Com calor e barulho foi difícil dormir e somando nossas mentes estarem a mil por causa do episódio, ufa, que noite.

No carro oramos e entregamos toda essa situação a Deus para que ele opere e cuide de tudo. Li na Bíblia dois textos em deuteronômio 2:24-32 e Jó 4:1-11. Nesse tempo Deus ministrou ao meu coração de como ele faz para dar a vitória a seus filhos e de como é fácil falar aos outros das vitórias e quando estamos passando por lutas, o que sentimos. Nisto repousou meu coração, porém sempre querendo tomar o controle. Ai começa minha outra luta de entregar e não tomar de volta.

O segurança havia nos dito para sair até no máximo as 6:30 h, pois esse é o horário de abertura do posto e o dono não gosta de ninguém por ali. Acordamos ou somente saímos da cama as 6 hs. Depois de uma noite tumultuada com muito barulho, da carreteira e de uma música insuportavel que o vigia passou a noite inteira ouvindo!  Preparamos tudo e o vigia veio pegar o seu agrado. Demos dois dólares e ele ficou bem irritado, querendo mais. Porém eu disse, é isso, obrigado, fechei o vidro e tchau.

Entramos então na cidade de Huaquillas e fomos ver o que fazer no dia. Estava quente é muito úmido. A cidade de fronteira sempre é feia e com aquele comércio louco. Paramos antes de começar a muvuca e estacionamos em frente a uma Panaderia, e ao outro lado da rua a central de Polícia. Pensamos que ali era um lugar seguro e com comida. Fomos a Panaderia e pedimos o que teria para o desayuno. E veio a resposta.

Temos arroz com frijoles, salsicha, milho, ou... Bem deixa pra lá. Tem café com leite e pão? Se tem é isso que queremos. Para nossa alegria tinha internet. Comemos um pão com manteiga e café com leite e ficamos ali até as 10:30. Conversamos com os amigos e pedimos oração pela situação da Aduana. Nos sentimos muito amados, e como é bom contar com os amigos e irmãos nessas horas. Foi fantástico a recepção e preocupação de todos conosco.

Saímos e fomos dar uma volta no comércio para distrair e passar o tempo. Uma rua inicia um grande camelódromo e na seguencia do Equador vira Peru. A bagunça e a mesma dos dois lados, mas foi divertido. Retornamos e procuramos um cajeiro eletrônico para sacar mais uns trocados, pois teríamos de ficar ainda até amanhã. A Jane ficou no carro e eu fui procurar. Achei somente no lado peruano, pois no lado Equatoriano não tinha efetivo nos caixas. Ou seja, não podemos entrar no Peru com o carro, mas passar do Equador para o Peru a pé, sem documento algum pode. Nisso entendemos o que o taxista falou. Se não derem autorização, e só pegar o carro e entrar por Huaquillas e Agua Verde e está tudo certo. Não tem ninguém da aduana e vai embora. Claro que não faríamos isso, pois estaríamos ilegais, mas que da vontade isso dá.

Quando retornei ao carro ainda era meio dia, e não sabíamos mais o que fazer e aonde ir. A Jane sugeriu de eu pedir para ficarmos dentro do pátio da polícia de Huaquillas. Eu também já estava pensando nisso e achamos boa a ideia. Sai e falei com um policial ali na rua. Ele me orientou a ir falar com o oficial de plantão. Ele nos recebeu muito bem e permitiu a entrada. Eu disse que precisava de água, e ele foi muito prestativo nos indicando uma torneira, porém não tinha água. Ai lembrou de outra, fomos e não tinha pressão, só um fio de água. Bem, tentamos, porém tínhamos água e ficamos assim mesmo. Estacionei dentro do local indicado é nos instalamos ali. À tarde conversamos e compartilhamos a palavra que Deus colocou em meu coração, sobre a vitória e dependência Dele. O nosso gerador estava a todo vapor para dar conta do calor colocando o ar condicionado para funcionar. A Janeh até frio sentiu. Porém de repende, uma água começou a entrar e pingar dentro do carro, bem em cima da cama. Uix, era só o que faltava! A água do ar condicionado estava voltando para dentro do carro. Não tive dúvida, peguei minhas ferramentas e abri a parte de dentro com a ajuda da Janeh. A água estava empoçando no teto do carro e penetrando pela borracha de vedação. Tentamos dar mais pressão apertando o suporte do ar condicionado e funcionou.
Até o barulho de vibração que tinha sumiu. Acho que eu e o Randy quando instalamos não apertamos o suficiente, e com mais a vibração do carro e calor,
foi se ajustando e folgando. Bem, o importante que para tudo estamos dando um jeito com a graça de Deus.

Saímos e fomos comer algo na Panaderia e mais um pouco de internet. À noite retornamos a Panaderia e fizemos mais um lanche e cremos que a noite será mais silenciosa. Como hoje é domingo de Páscoa, compramos um suco de uva e pão e lemos a Bíblia, oramos, cantamos e fizemos nossa ceia de Páscoa com suco de uva e pão. Depois dormimos.


Dia 06 - Recebendo o Milagre e adentrando o Perú

Deus é maravilhoso e crendo no seu milagre que receberemos no dia de hoje, dormimos super bem. Arrumamos tudo e fomos a aduana em Huaquillas. No lado do Ecuador, deixamos o Valente estacionado. Pegamos um táxi e fomos até a fronteira de Tumbes no lado Peruano para ver o milagre de Deus.
Chegamos ás 8:20 h e o combinado foi de chegarmos ás 8:30h , e entendemos o porquê: Aquela equipe que nos atendeu no sábado, que foram extremamente autoritários, estava saindo e a nova equipe, que nos atenderia, chegava.

Esperamos do lado de fora para que fizessem a troca de turno e entramos. O Dany, que nos atendeu no domingo de manhã, já estava lá e foi novamente muito cordial e nos atendeu. Demos todos os papéis para ele, fizerm ainda mais umas cópias e uma outra agente foi informada da situação. Disseram que teríamos que aguardar o superintendente chegar e assim o fizemos.

Perto das nove horas ele chegou e logo deu início à tentativa de liberar o Valente. A idéia era que, como entramos por Tacna, por lá deveriam fazer um processo de aumentar ou nos dar um novo prazo, como se nunca tivéssemos saído do Peru, ai assim ficaríamos dentro do prazo e era só voltar a fronteira de Tacna por onde pretendemos sair, e sair.
Nos pediram para aguardar pois era uma questão de tempo de uma fronteira responder a outra. Ao todo se passaram quatro horas até que, as 12hs, decidiram fazer o processo ali mesmo, de forma manual. Fizeram mais cópias dos documentos, escanearam outros e, eu mesmo, de próprio punho tive que preencher todos os dados. Papelada resolvida, nos deram a nova permissão, e nos liberaram.

Ainda perguntei se precisava fazer a revisão ou vistoria, mas fizeram que não, que podíamos seguir assim mesmo. Mais uma vez a Aduana se portou de forma diferente de quando ingressamos. Quando entramos por Tacna, eles queriam que nós tirássemos tudo do carro e passássemos as "malas" no raios X. Agora, só disseram: podem passar esta tudo certo.

Muitos disseram que isso era para pedir dinheiro, mas não acredito, pois em momento algum não surgiu nada que nos desse a entender isso. A questão é, falha no sistema de entrada e saída, muito autoritarismo, poder mal distribuído e na mão de pessoas erradas. Deus, sim tem lá seus planos e opera maravilhas. Muitas vezes, ou quase sempre, vamos descobrir ou entender, lá na frente. Mas é nítido como ele usa pessoas para nos frear e também nos ajudar. No primeiro dia pegamos uma equipe que não queria trabalhar. Tudo era difícil e não daria certo. Perguntar o que tínhamos que fazer ou qual a saída para este problema, era o mesmo que querer pescar no deserto. Mas quando encontramos pessoas dispostas e que querem fazer seu trabalho bem feito e
resolver as coisas, foi bem diferente.

Passado esse episódio, fomos aconselhados a primeiro fazer a imigração, que o correto é fazer antes da Aduana, mas como ninguém sabia o desfecho das coisas, fizeram a Aduana primeiro. Agora, antes de ir buscar o carro no lado do Equador tínhamos que fazer a saída e entrada primeiro. Isso não faz sentido para mim, pois deveria ir buscar o carro e depois do carro no pátio, ai sim fazer a imigração. Mas a gente obedece.
Pegamos um Táxi e fomos, pegamos o Valente, e pela terceira vez, passamos pelas aduana e imigração do Equador e ninguém falou nada. Tanta segurança, e estão perdidos como equipe.

Para fazer a imigração foi necessário mais uma hora na fila, pois o sistema estava lento sendo no normal se faz em 10 minutos.Fizemos nossa última refeição ali mesmo nas lanchonetes pois o custo do almoço era somente 2,50 dólares. Se entrássemos no Peru, teríamos de fazer algo no carro ou buscar um lugar para comer...

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