Retorno - América do Sul - Uruguai (07/05 a 13/05)

14/05/2015 14:44

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Dia 07 -  Entrando no Uruguai

... na fronteira tudo correu perfeitamente. Quando chegamos a imigração, nem saímos do carro. Rapidamente nos fizeram a saída e entrada no mesmo lugar sem fazer nada. E dois metros à frente a aduana somente olhou o carro sem revistar nada e mandou seguir. Estamos tão acostumados a importar o carro e fazer revistas com cachorros que insistimos se não estava faltando nenhum trâmite. Nem a Carta Verde nos pediram! Tanto trabalho e não pediram. Ao menos estamos legais. Nosso novo GPS não tem o mapa do Uruguai, mas isso não é problema pois temos mapas, um GPS off line no celular e seguimos até Las Cañas no Camping Playa Ubici. Acertamos o valor e olhamos o lugar bem as margens do rio Uruguai com vista para a ponte internacional. Um lugar indo e com um por do sol detirar o folego!

Saímos até o comércio para comprarmos pão, frutas e verduras e retornamos ao camping. Nos instalamos e preparamos um delicioso café. Hoje recebemos a notícia que o pai do nosso amigo e irmão Joel, de Blumenau, o senhor Osvaldo faleceu. Ele já vinha há alguns anos lutando conta o Alzheimer mas esses momentos sempre são difícieis!. Nisso fiquei pensando em quantas coisas acontecem em um ano em nossas vidas, e que não percebemos quando estamos somente trabalhando no dia a dia. Amigos morrem, se casam, tem filhos, trocam de emprego, viajam, se mudam, se separam, compram e vendem propriedades. É incrível o que ficamos sabendo quando não estamos perto. A vida segue. Depois, cansados do dia, fomos dormir.

 

Dia 08 - Dia de Faxina e Lavar Roupas

Hoje o dia vai ser de limpeza na casa, lavar roupas e atualizar alguns dados aproveitando que temos internet. Armei o varal e ajudei a Janeh com as roupas, torcendo e pendurando. Depois, enquanto ela limpava a casa por dentro eu dava uma geral no porta malas e fora. Tudo arrumado, fizemos um deliciosa refeição, trabalhamos um pouco com fotos, diários e postagens. Tiramos fotos do lugar, a Janeh deu uma durmidinha de uma hora.

A noite fiz umas linguicinhas na brasa e comemos com pão e uma cerveja para dois. Dia produtivo e tranquilo. O sentimento de estar acabando nos persegue e temos que lutar todo momento com isso. Não está acabando, apenas um projeto está sendo concluído. Depois já temos outro no nosso coração, além de que não sabemos os planos de Deus para o dia de amanhã. Não queremos perder o que conquistamos nos nossos hábitos, mudança de valores e relacionamentos. Queremos seguir, sendo luz e sal, levando uma palavra de amor e esperança e nos tornarmos a cada dia mais dependente Dele. Não de ninguém e de nenhum sistema, mais! Queremos ser livres em todos os sentidos. Porém temos que ter recursos e saber viver com o que temos e não voltarmos a ter uma vida consumista. São muitas coisas que não queremos perder, mas também não sabemos como vamos manter e continuar. Quando paramos nossa mente voa...


Dia 09 - Colônia Suiza

Deixamos o camping em Las Cañas e fomos dar uma volta na cidade de Fray Bentos. Ali encontramos a típica cidade de interior do Uruguai. Tranquilidade, muita gente nos gramados mateando, passamos pelo Porto e pela Rambla onde vimos o museu da revolução industrial, que estava fechado. Muitos pastos com lindos cavalos soltos, em uma região de campo muito linda. Regressamos ao centro da cidade para tentar sacar pesos uruguaios, porque temos pedágios pela frente. Estacionamos e saímos a pé em busca de um caixa eletrônico e não encontramos. Porém achamos uma casa de câmbio e, como temos alguns reais, realizamos a troca. Depois, paramos em um restaurante bem simples e comemos algo ali mesmo antes de partirmos em direção à Colônia del Sacramento. 

Pé na estrada, seguimos pela Ruta 2, parando em um pequeno povoado para cmprarmos uns pães e leite para um café. Indo em direção à Colônia,  agora pela ruta 1, pretendíamos passar a noite na Granja Arenas, que ficamos na ida, mas tínhamos que voltar pela rodovia uns 50 km no sentido contrário à Montevidéu,  e a Janeh disse que teríamos uma opção pelo IOverlander de um camping Hotel Suizo seguindo pela ruta 1, porém em direção a Montevidéu.

Muito mais lógico e poderíamos assim conhecer outro lugar. Fiz o retorno e mudamos os planos, seguindo agora em direção ao Suizo a cidade de Nueva Helvética. Não foi difícil encontrar e ali já havia dois carros acampados, um Suizo e um Alemão. Além de sete outros carros de diversas partes do mundo somente guardamos, pois os donos estão em seus países. Ali conhecemos a Melaine que viaja com seu esposo há 9 anos, desde que se aposentaram, e um casal da Alemanha, mais jovens do que nós, com uma criança de quatro anos, que após um ano entre Chile, Argentina, Uruguai e Brasil estão retornando à Alemanha. Quando falamos que fizemos em um ano todas as Américas, disseram que somos loucos. Hoje confesso que tenho que concordar com ele. Preparamos um lanche, tomamos um banho e fomos dormir.


Dia 10 - Rever o Francisco e a Lorena

Hoje, antes de sair do Hotel Suizo conversei um pouco como proprietário Sr. Rolf, um Uruguai simpático e acolhedor. Conversamos sobre nossa viajem e sobre como ele começou a receber os viajantes. Ele contou que um dia um Suizo chegou com seu camper e pediu pra ficar ali no campo, e ele permitiu, afinal tem uma propriedade com muitos hectares e isso não seria problema. Depois disso esse Suizo falou para outro, que falou para outro, e assim foi ficando conhecido o lugar para campers, motorhomes, casa rodantes e etc.

Saímos do  Hotel Suizo e nos dirigimos até a cidade de Canelones onde fomos nos encontrar com nossos amigos argentinos que vivem aqui. Lorena e Francisco, que conhecemos no início de 2013 em Colônia del Sacramento em uma praça. Ali fizemos amizade e mantemos contato pelas redes sociais, e hoje, finalmente, um reencontro. O Francisco é pastor da Igreja Adventista, é um homem apaixonado pelo evangelho e por Jesus. Um testemunho incrível de conversão e mudança de vida. De vitória e conquista após entregar sua vida a Cristo e um estudioso e profundo conhecedor da Bíblia e das relações com nosso mundo atual. Lorena uma doce mulher, mãe de quatro filhas, psicóloga, esposa de pastor, dedicada a casa, família e missão como mulher de Deus, e apaixonada pela psicologia. Nos receberam com todo carinho e de braços abertos.

Um fato curioso foi que só tínhamos nos visto em 2013 e agora, quando estávamos chegando à casa deles a Lorena havia nos dado todas as dicas para encontrar a casa. Estávamos até então sem o mapa do Uruguai no GPS, porém eu estava bem tranquilo e em paz, dirigindo e buscando o lugar, e uns dois quilômetros do lugar, um carro passou ao nosso lado e buzinou, e quem era? Exatamente o Francisco que estava chegando de uma reunião e conduzindo pela via paralela, viu nosso carro e identificou por ser bem diferente e cheio de bandeiras atrás, e assim nos guiou a sua casa. Mais uma vez, Deus nos conduziu com perfeição como ele sempre faz.

Chegando a casa a Lorena já nos aguardava com um delicioso almoço, e sendo o dia das Mães aqui também, foi mais especial ainda. Após o almoço tivemos uma tarde muito gostosa cantando e tocando violão. Eles cantando em espanhol e nós em português. À tarde passou voando. À noite o Francisco teve de sair uma vez mais e então ficamos sós com a Lorena e as meninas. Tempo especial para conversarmos, brincarmos, e nos divertirmos até a volta do Francisco. Comemos uma deliciosa pizza que ela preparou e depois conversamos até mais tarde. Fomos dormir já bem cansados. Estacionamos o Valente em um gramado ao lado da casa e conectamos nosso carro na energia e ali dormimos tranquilos.


Dia 11 - A Despedida e a Chegada a Punta

Que noite boa, nem tão frio nem tão quente!  Lugar silencioso e tranquilo. Acordamos e fomos a casa do Francisco e da Lorena. Eles já estavam acordados e já haviam tomado o café da manhã, pois seu ritmo diário é outro. Nós comemos cereal com aveia e conversamos mais um pouco. A Lorena ligou para o Camping em Punta Ballena para nós perguntando por nossos amigos que conhecemos em Punta na vinda, e disseram que o Franz e a Emi estão no Brasil. Bem, diante desta notícia, precisamos decidir se vamos a Rivera ou ainda seguimos para o Chuy. Pesamos tudo e decidimos o Chuy, por ser mais perto, já conhecermos e porque agora temos o compromisso de passar em Novo Hamburgo na casa dos tios da Janeh, e tentar Gramado para encontrar o Franz.

Roteiro definido, nos despedimos, tiramos fotos, oramos juntos e partimos. Seguimos pela Ruta 8 e depois pela Ruta 9 para fugir do tradicional sem passar em Montevideo. Assim conhecemos outro caminho. Nessa região um pouco mais central passamos por alguns vinhedos e regiões de bodegas. Não paramos em nenhuma, seguimos pois queremos chegar em Punta Ballena e dar uma volta na cidade de Punta del Este e ir ao mercado e ainda curtir o por do sul da Punta Ballena ao lado da casa Museu Carlos Vilaró, que faleceu no ano passado, meses após termos passado na casa e tido a portunidade de conhecê-lo pessoalmente.

Chegamos a Punta Ballena e paramos no primeiro Posto Ancap onde costumamos parar para dar um "oi" na internet aproveitando a WIFI, logo em seguida fomos ao centro em Punta del Este, demos uma volta no Punta Shopping e comentei com a Janeh que tenho um sentimento, que não sei se é bom ou ruim: estar aqui e passear por esse lugar não me trás aquela emoção que tínhamos quando vinhamos a Punta as pimeiras vezes. Antes era uma sensação boa, para mim agora é somente mais um lugar. Sempre que vinha aqui tinha uma vontade imensa de ver tudo e, quem sabe, comprar alguma coisa, porém agora não tenho vontade de comprar nada. Primeiro porque realmente não preciso, nem me lembro o que temos de roupas no Brasil! E segundo por que não temos espaço, e todo o nosso consumo está baseado em espaço para levar ou guardar algo. Não quero ficar indiferente ao lugar, mas a sensação de passar em um lugar,  como se pertencesse a ele, e somente estar de passagem, é estranho. Isso foi muito louco.

Fomos ao supermercado, pegamos algumas coisas de alimentação e saímos. Retornando em direção ao Camping Punta Ballena fomos direto para deixar nossa entrada pronta e então seguimos para ver o pôr do sol. Ali tiramos algumas fotos, curtimos o lugar, como sempre, mágico! Este é um lugar clássico, para vermos o pôr do sol. Relembramos que ali, no dia 01/01/2014, dissemos um ao outro que faríamos essa viajem neste ano. Ali se consolidou a decisão de fazermos esta viagem. Estávamos decididos e desafiamos um ao outro a correr atrás, custasse o que custasse. E ali entregamos nossos sonhos e planos a Deus em uma oração na noite de virada de ano! Um ano e cinco meses depois, estávamos ali, no caso hoje, olhando e dizendo: missão cumprida! Qual será a próxima? Ficamos sonhando com nossos próximos projetos!

Recolhemos o material fotográfico e retornamos ao camping agora para nos instalarmos e passarmos a noite.


Dia 12 - Um ano na estrada!

Hoje completamos 365 dias desde nossa saída de Blumenau, uma sensação estranha, de felicidade,(leia mais em Gratidão...). Mas não é momento de muita comemoração pois ainda não chegamos nem ao Brasil. Tomamos café, oramos agradecendo a Deus por essa data e saímos. O GPS nos indicava seguir por Maldonado, mas decidimos seguir pela praia e passar por toda a orla de Punta del Este e por La Barra para nos despedirmos e por ser uma viajem muito mais bonita.

Dirigimos a passos de tartaruga, apesar da distância ser curta a vontade de ficar por aqui é grande! Quando passamos pela entrada do Forte Santa Teresa, dei a volta e retornei. Fomos até a portaria e resolvemos dormir ali. Nisso encontramos um casal, o senhor Paulo e sua esposa, um casal de gaúchos que compraram uma master renault 2003 e ele mesmo está fazendo a seu gosto. Estão indo para Buenos Aires pela primeira vez com o carro e não tem muita experiência. Combinamos de conversar um pouco mais depois de nos instalarmos. Porém todos estavam cansados e após preparar a refeição, fomos dormir. O papo ficou parao dia seguinte.


Dia 13  - Despedida do Uruguai...

Acordamos e fomos tomar banho. Para não deixar o carro sozinho, a Janeh foi e eu fiquei. Enquanto eu lavava a louça do café os nossos amigos vizinhos chegaram com o chimarrão e sentaram para conversar um pouco. A Janeh chegou e se juntou a nós! Conversamos um pouco e a hora voou. Pretendíamos sair cedo para passar no Chuy e comprar uns vinhos e seguir hoje ainda até Novo Hamburgo e nos atrasamos muito! Após nos despedirmos, seguimos em, direção ao Chuy e fomos ouvindo, por diversas vezes, a música "Tu és bom", em todo o tempo... Esta canção tocou os trinta quilômetros até o Chuy.

Ali neste momento foi uma emoção forte estar chegando oficialmente ao Brasil. Choramos juntos, fizemos um vídeo e nos emocionamos neste momento orando e glorificando a Deus. Paramos na fronteira do Uruguai para fazer nossa saída e encontramos um motociclista de Goiás que estava retornando para sua casa. Ele veio falar conosco e eu, muito emocionado disse a ele que era um momento muito especial pois estávamos voltando ao Brasil após um ano fora e mostrei nossos adesivos atrás do carro. Estava meio choroso nesse momento e esse homem me abraçou como um velho amigo. Foi um anjo de Deus que estava ali para me abraçar nesse momento quando eu precisava de um abraço. Coisas que nunca vou entender. Carimbos no passaporte, deixamos o Uruguai para trás...

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