Retorno - México (15/02 a 19/02/15)

24/02/2015 14:10

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Dia 15

À noite nos pareceu longa, e foi, pois ás 19:30h já estávamos na cama e acordamos ás 7:30h. Não foi a melhor noite da viajem, pois a ansiedade de sair logo, antes que a vontade de voltar assumisse o controle, era grande. Acordamos, ajeitamos o carro e saímos, mesmo sem tomar café, decidimos comer algo na estrada mais tarde.

Paramos para a última abastecida e nosso plano hoje é fazer 500 km até Tamaulipas, Mante, México; pararemos somente para dormir, mas planejamos chegar cedo, perto das 15:00h para dar uma relaxada e colocar o diário em dia.

Buscamos a ponte internacional e entramos, fomos devagar procurando a placa de imigração para fazer a nossa saída dos passaportes e depois a aduana nos EUA. Porém, chegamos primeiro ao pedágio da ponte, e nos cobraram $ 3,50 dólares, e eu perguntei onde fazia a saída dos Passaports, o homem me disse que não precisava, só pagar e sair. Achamos estranho e fizemos assim. Seguimos a limpa, organizada e sinalizada fronteira do México e quando apresentamos nossos passaportes eles nos disseram que não fizemos a saída, então eu perguntei onde fazer, e ela disse que deveríamos voltar e fazer antes do pedágio. Detalhe, para sair dali teríamos que entrar no México, sair novamente e ir pra os EUA fazer a Saída. Pronto, está feito o rolo. Mas Deus foi generoso conosco e o rapaz mais à frente acreditou na nossa história e deixou a gente passar para voltar, mas o tio do pedágio da ponte de entrada para os EUA não quiz conversa. São $2,75 dólares para passar. Pagamos e voltamos. Aí tínhamos outro desafio: explica como eu estou do lado mexicano com o visto americano? Ali é entrada e eu queira sair, estava errado, sim, mas explica pra um, pra outro até que eles entenderam e o mais importante, reconheceram que não tem placa ou sinalização. 

Isso aconteceu conosco na entrada em outubro só que do lado mexicano. Nós fomos direto aos EUA sem fazer a saída do México, que também não tem sinalização. Tudo resolvido, os americanos perguntando quem é melhor: se Messi ou Neymar? Falamos que não gostamos muito de futebol,  e ele perguntou do que eu gostava. Falei que gostava de fórmula 1, e ele ainda perguntou se tem fórmula 1 no Brasil. Dissemos que sim, e um outro agente disse: Ayrton Sena, Nelson Piquet, e eu completei: Emerson Fittipaldi.

Tudo certo liberado e tínhamos que passar novamente no pedágio.O senhor da primeira guarita perguntou o que eu estava fazendo ali novamente, ai fui explicar tudo de novo! Mas ele foi gente boa e liberou sem cobrar novamente! Na Imigração mexicana, serviço de primeira, rápidos e práticos, não revisaram o carro, só perguntaram, se tínhamos só pertences pessoais, dissemos que sim e foi tudo. Para entrar teríamos que pagar uma taxa de 332 pesos mexicanos coisa de 24 dólares, porém o banco estava fechado por ser domingo e ela deixou assim, disse para pagarmos quando saíssemos.

Saímos da fronteira em menos de 30 minutos e passamos em uma casa de câmbio para trocar uns dólares por peso e pé na estrada. Seguimos pela 180 em direção a Ciudade de Victoria, e seguimos pela 10. Depois entramos na 73 e ainda na 85, já com destino ao nosso ponto no GPS. Paramos uma vez na estrada em um Oxxo, loja de conveniência dos postos Pemex aqui no México, fizemos um rápido lanche e seguimos. Na estrada muito policiamento, acho que, em 500 km, passamos por uns 50 carros da polícia federal, que aqui andam de Dodge Charger, e mais umas 20 camionetes da Polícia e do exército, com homens fortemente armados com metralhadoras e fuzís. Isso sinceramente não nos assusta, para nós significa que tem policiamento por perto, me faz sentir seguro. De muitas barreiras que passamos somente uma nos parou e pediu somente a CNH internacional pela primeira vez na viajem. Perguntou de onde viemos, para onde vamos, de onde somos, e se o carro tambem era brasileiro. Respondemos tudo cordialmente e boa viajem.

O lugar que planejamos ficar pegamos nas muitas informações que temos agora. Fica à beira da rodovia próximo à cidade de Tampico, um hotel com um grande estacionamento nos fundos para caminhões e uma área que aceita Motorhomes. Por apenas $50 Pesos Mexicanos, ou $3 dólares. Temos chuveiro, luz, água, internet e estacionamento, além do restaurante. Muito diferente dos mínimos $25 dólares dos EUA nos RV Park's.

Nos instalamos e fomos fazer atualizações na internet, banho, e ficar em paz, pois amanhã tem mais. Vamos passar por um trecho bem chato com rodovias ruins e muito transito. Aqui no México tem muitos tops, ou lombadas, próximo das cidades, e amanhã vamos passar por muitas. Hoje em um só lugar foram treze tops de uma vez.

Quando cheguamos aqui, enquanto a Janeh ajeitava as coisas no carro eu fui ler a bíblia. No meu diário de leitura, me chamou a atenção os textos sobre fé, todos os homens que Deus usou foram movidos por fé, que é "a certeza das coisa que se esperam, e o firme fundamento das que não se vêem"(Hb 11). Assim somos nós, movidos pela fé que Deus está no controle nos levando de um lado ao outro.

A Janeh estava um pouco indisposta para fazer algo para comermos, nós já tínhamos tomado um café com bolachas no carro e decidimos comer algo no restaurante. Aqui é um ponto de caminhoneiros, e assim como o estacionamento, a comida támbem é barata. Assim fomos ao restaurante e pedimos dois ovos motuleños, um prato típico mexicano. Fo uma ótima pedida pois acompanha o prato umas tortillas e feijão. Depois eu tomei um banho e fomos dormir.

 

Dia 16

À noite foi bem melhor que a anterior na fronteira. Logo que dormimos, cessou o movimento na rodovia e tudo ficou em perfeito silêncio, com uma temperatura que nos permite dormir somente de roupa íntima com uma leve coberta. Nada mais de aquecedor e cobertas pesadas ou ar condicionado ligado no último. Esse clima de 19 graus é perfeito!

Acordamos ás sete e trinta,  comemos um cereal e saímos perto das oito e trinta. O plano é chegar a Costa Esmeralda, um lugar muito conhecido e frequentado por norte americanos no verão, por ser uma região com uns dezesseis Rv Parks,  no mar do golfo do México. A idéia é ficar dois dias para arrumar o carro, guardar roupas do inverno norte americano e trazer de volta as roupas de verão da América Central e América do Sul.

O primeiro trecho até Tampico foi tranquilo, mas logo na entrada ou arredores da cidade já pegamos um trânsito urbano e logo mais adiante seguimos por dentro da cidade para poder sair no ponto de cruzamento e inicio da MX -180, rodovia que vai nos levar até nosso destino hoje e depois até Agua Dulce. Na vinda, esse foi o pior trecho dentro do México, mas não tem jeito, para quem faz a opção de seguir pela costa é isso mesmo. De Tampico até Poza Rica a rodovia é cheia de buracos, dos grandes, onde tem que reduzir e passar em primeira marcha, além de passar por pequenos povoados repletos de lombadas ou topes, como são chamados aqui. O policiamento também é forte, mas nada que nos traga transtorno. Fomos parados em apenas uma barreira, mas nem pediram documentos, somente de onde somos, de onde viemos e para onde vamos. Passamos por Naranjal, uma região onde o comércio e a vida gira em torno da plantação e venda de laranja, até paramos e compramos por 5 pesos seis deliciosas laranjas. A nossa frente muitos caminhões de laranja e comércio pela estrada. Pela estrada passamos por um grande  grupo de motociclistas mexicanos que estavam em viajem, porém estavam parados almoçando.

No meu planejamento dizia que na entrada de Poza Rica, deveríamos desviar pela rodovia paga, ou com "cuotas" para não ter de entrar na cidade; pois na vinda decidimos entrar para ver onde ficava um ponto turístico e talvez dormir, e foi uma grande furada, pois a cidade é um verdadeiro caos o trânsito e ficamos presos por horas até conseguir sair; Então quando cruzamos a rodovia paga eu parei para ter certeza que deveria entrar nela. Curiosamente o grupo de motociclistas pararam atrás de mim com a mesma dúvida. Eu desci do carro e fui até eles e perguntei para que lado seria melhor seguir. Um deles me disse que estavam olhando e disseram que pela paga. Era o que eu pensava, porém as duas rodovias, a que passa na cidade e a que passa por fora tem o mesmo nome, ou seja MX180, só que uma é paga na entrada e na saída, $ 4 pesos e depois $35 pesos, mas é ótima e super rápida, valeu cada centavo.

Mais uns quilômetros e uma rodovia com um pouco de curvas, mas sem buracos, nos levou a Costa Esmeralda. Aqui tenho uma lista de 16 lugares para ficar, e tinha escolhido um. Entramos, e o lugar é simples, mas parece bem conservado. Outros que passamos estavam completamente abandonados, mas este estava legal porém, não havia ninguém no local. Apenas um carro na garagem e um cachorro preso.

Ficamos ali aguardando uns minutos e logo a dna Maria chegou, nos deu as boas vindas, disse que está aberto porém não tem ninguem nesta época, mas poderíamos escolher o lugar que quiséssemos. E $ 200 pesos, ou $15 dólares, temos água, energia, banheiros e duchas. Resolvemos ficar ali mesmo e não sair para olhar os outros. O lugar é de frente para o mar e tranquilo.

Ontem dirigimos 500 km em 6 horas, hoje foram 300 km em 6 horas, devido à má conservação das estradas. Vamos ficar aqui hoje e amanhã para termos um ritmo tranquilo e não sair dirigindo todos os dias.

Após escolher o lugar, fizemos um almoço com tortillas, e começamos nosso trabalho, abrir todo o carro tirar todas as roupas de inverno e verão e inverter a ordem dos armários e malas. Chegamos à conclusão que temos mais roupas de inverno do que de verão. É incrível como o medo ou a sensação de frio nos faz comprar mais casacos, e roupas para frio. Agora temos muita roupa e pouco espaço. No porta malas também não dá mais pois agora temos além do gerador, um galão de 5 litros de gasolina, niveladores para o carro, e mais umas tranqueiras. Eita, como arrumar tudo isso agora? Tivemos que fazer um grande trabalho para ocupar cada espaço, e achamos que vamos ter de dar fim em algumas peças de roupas, pois temos que sobreviver com o necessário. O problema foi que trouxemos roupas inadequadas para o inverno americano e precisamos comprar outras, porém não nos desfizemos da que trouxemos, por estarem em boas condições. Bem, vamos decidir o que fazer.

Amanhã vamos rever nossos planejamentos e pegar uma praia, apesar da água estar fria, vamos curtir um pouco e depois seguir.

 

Dia 17

À noite foi uma delícia, porém amanhecemos com muito vento, o mar revolto e chuva, muita chuva. Nossos planos de passar o dia na praia naufragaram. Conversamos sobre o que fazer, ficar ali dentro do carro o dia todo ou sair para dar sequência? Decidimos por sair.

Temos algumas pequenas regras de segurança que é não dirigir a noite - quebramos essa algumas vezes nos EUA porque lá ainda é possível, mas não até muito tarde - e de não sair com muita chuva mesmo durante o dia por aumentar o risco! Porém não nos pareceu muito interessante ficar em um lugar pagando, sem ter o que fazer e sem ter para onde ir. Então, como tínhamos o objetivo de arrumar o carro ontem e isso conseguimos cumprir, hoje o dia era de folga e não vai ser. Fizemos o pagamento e nos despedimos da dna Maria e pé na estrada, pois hoje temos ainda o segundo pior trecho dentro do México.

Além da maior distância a ser percorrida, cerca de 530 km,  deve levar umas sete horas. Saímos conduzindo com muito cuidado pois nessa rodovia não se tem acostamento, os caminhões são muitos nos dois sentidos e buracos para todo mundo. Dirigimos por cerca de uma hora e a chuva parou. O sol foi dando sua graça e mais adiante a estrada melhorou, e depois duplicou, próximo a Vera Cruz. E conseguimos fazer o caminho correto em direção a Villa Hermosa, mesmo que pelas caras rodovias pagas do México. Todos que vem para cá falam das rodovias, porque você tem duas opções, ou vai pela "libre" ou pela "cuota". Se passa pela livre, demora mais, nem sempre com a menor distância, e tem trechos muito ruins por diversos povoados e muitos topes. Se escolhe a paga, tem menor tempo por ter mais velocidade, mas muitas estão em reparação e o gasto com pedágios é muito alto: de $4 até $165 pesos. Incrível como a variação do valor é grande. Mas para nós valeu cada centavo pois na ida passamos por muitas livres e Jesus me salve, nunca mais! Prefiro pagar.

Próximo a Vera Cruz, paramos em um posto Pemex para abastecer e a Janeh preparou um lanche para nós. Descansamos um pouco, após duas horas e trinta minutos de estrada e seguimos para o ponto de nossas coordenadas: Um único ponto em uma fazenda à beira da estrada que recebe viajantes com seus carros.

No caminho perguntei a Janeh sobre a data, e lembrei que não fiz o pagamento do nosso cartão de crédito que vence hoje. Pensei que preciso de internet, mas apesar do México ter uma ótima infraestrutura nas rodovias, pagas ou não com gasolineiras e lojas de conveniência, nunca tem internet. Pensei, em uma fazenda também não vai ter. Então pedi a Deus que nos desse um lugar onde pudesse ter internet para fazer este pagamento. Dirigindo bem próximo ao local que iríamos tentar dormir, vi uma gasolineira Pemex com um café anexo, bem diferente do padrão que costumamos encontrar no México, e ali pensei que poderia ter internet.

Parei meio rápido, a Janeh até se assustou um pouco, e eu disse: aqui vai ter internet. Desci e fui perguntar, porém não havia, mas o gerente que estava sentado ao lado em uma mesa disse para mim que ali não tinha mas, mais à frente uns três quilômetros, do outro lado da rodovia, tinha outra gasolineira com outra filial, e ali teria internet. Inclusive disse que tinha uma rua de terra para cruzar pois o desvio é bem mais adiante. Agradeci e fomos procurar. Entramos, me identifiquei e pedi um café para a Janeh e a clave da internet. A atendente me deu a clave e curiosamente era o nome do lugar que estávamos procurando para passar a noite. Eu disse onde é este lugar, e ela disse, aqui mesmo. Eu disse que estava procurando um Rancho para passar a noite, e ela disse que o Rancho era nos fundos do café e do posto, e me indicou a entrada.

Foi incrível como Deus conduziu tudo, me fez lembrar do pagamento do cartão, me mostrou onde perguntar e me levou exatamente onde precisávamos. Deus é tremendo, e cuida de cada detalhe em nossas vidas, o que me faz querer depender cada vez mais dele, a cada dia! Essas experiências diárias que Deus tem nos proporcionado são incríveis. Por isso O amamos mais a cada dia que passa!

Entramos e fomos atendidos pelo capataz que foi muito pronto a nos ajudar. Eu pedi água para o tanque e ele rapidamente trouxe a mangueira e fez questão de conectar para mim. Logo chegou um senhor muito bem vestido e se apresentou sendo o Sr. Mário, proprietário do Rancho e ali conversamos por uma meia hora. Um dos filhos do capataz nos acompanhou até o lugar no meio de um grande gramado e me ajudou com a luz. Infelizmente o lugar está um tanto abandonado pelo que cobram, $ 250 pesos. O lugar já foi um ótimo RV Parque, tem chuveiros elétricos, torneiras, banheiros, Cabañas, piscinas, é um lugar fabuloso, até lugar para água negra tem, porém tudo desativado. Diz o senhor Mario que há uns dois a três anos o pessoal parou de passar por ali. Ele não sabe exatamente o porque, mas o Mexico já estava muito inseguro para se viajar, agora já está bem melhor novamente, mas ele acha que isso afastou os viajantes, principalmente norte americanos. Eu conversei com ele sobre o assunto.

No fim,  eu enchi o tanque de água na entrada e usei a energia apenas, e fizemos tudo no carro. Amanhã vou pedir um desconto porque o lugar está abandonado, vamos ver o que ganhamos. A Janeh conversou um pouco com as crianças que se aproximaram do carro e estavam curiosos sobre quem éramos e de onde viemos. Eu também conversei um pouco com eles. São pessoas muito pobres que trabalham na fazenda, um homem é o capataz e seus sete filhos morando ali, todos os adultos trabalham aqui com ele. Um dos rapazes me ajudou a chegar no lugar e ficou ali, não ia embora, eu já não tinha mais assunto é ele ali parado na minha frente. Eu perguntei se ele precisava de algo, ele disse que não, mas não saia de perto do carro. Acho que ele queria um troco,  mas não dei porque se der para um, todos vão querer fazer algo para ganhar algum. Infelizmente essa é a realidade.

Amanhã partimos para conhecer umas ruínas aqui perto e depois vamos a próxima cidade, Tuxtla Gutierres e São Cristobal de Las Casas. Uma noite mais e chegamos a Guatemala.

Mais uma vez Deus obrigado pelos teus planos e cuidados conosco.

 

Dia 18

Hoje partimos em direção à cidade de Tuxtla Gutierres, abortamos a ideia de ir às ruínas Las Ventas pois amanheceu com muita chuva e neblina, e ver ruína no meio do mato com esse tempo está fora dos planos. Ir a Palenque, que não fomos na ida e ainda é caminho para San Cristobal de Las Casas pode ser uma opção, mas se o tempo não melhorar vai ser tempo perdido além de que a estrada para aquele lado está ruim. Decidimos por voltar uns quilômetros e pegar a rodovia paga e ir direto a Tuxtla Gutierres. Antes passamos para fazer o pagamento da noite e lá fui eu pedir meu desconto por ausência de alguns serviços oferecidos e não prestados. O capataz disse que não sabia que as coisas não estavam boas, e iria mandar arrumar. As regadeiras e serviço de banho não estavam funcionando. Não tinha luz nem água. E o local para o descarte da água negra está inacessível. Só trator chega lá. Ele relutou um pouco em dar um desconto, disse que são as ordens do dono. Eu disse que não achava justo pagar se o serviço não foi adequado e disse que duzentos pesos estava bem pago, pois foi isso que pagamos nas noites anteriores com tudo funcionando. Ele concordou, agradecemos e pé na estrada.

A chuva aumentou muito, estávamos dirigindo a 60 km/h e desviando dos inúmeros buracos, e quando chegamos próximo do trevo para ir na rodovia paga, o trevo era tão ruim, mas tão ruim, que até uma grua estava lá posicionada só esperando quem iria chamar. Paramos no acostamento e ficamos observando para que lado os carros iam, e muitos erravam e saiam ou seguiam, ou desviavam, uma confusão. Decidir não entrar ali e seguir adiante pois não conseguíamos ter certeza de que lado ir. O GPS também estava dando informação errada, e no GPS do IPad dizia que era ali, mas decidi ir adiante. Resumo, rodamos 44 km até achar a saída em quase 1h, mas feito isso, a rodovia estava ótima. Pagamos cada centavo com gosto. Dirigimos e passamos por um México muito diferente do que vimos até então. Lavouras, campo, uma grande represa, Presa de Malpaso. Como o dia estava chuvoso, pensamos como deve ser linda essa região com sol! Cruzamos duas grandes e longas pontes sobre a represa. Chegando em Tuxtla após cruzar o passo de 2300 M.s.n.m., encontramos uma cidade limpa em meio a um grande vale. Pessoas atenciosas por onde paramos para algum serviço e ou informação, um trânsito não tão caótico, e uma cidade com muitas obras, e muita gente na rua trabalhando nas obras. Realmente nunca vimos tanta gente assim, em um pequeno trecho (e foram muitos) de 500 metros talvez umas 200 a 300 pessoas trabalhando, homens e mulheres. O progresso aqui gera emprego, e são muito habilidosos pela forma que trabalham.

Neste lugar tínhamos a intenção de visitar o Cañon del Sumidero, e logo na entrada da cidade vimos as placas para o local. Decidimos seguir e após descer para 650 m.s.n.m. subimos novamente para 1200m.s.n.m, até o ponto mais alto possível de se chegar de carro no Parque. No primeiro mirante já ficamos impressionados, inclusive ali fizemos nosso almoço. No segundo o tempo fechou e aquela chuva e neblina que vinha logo atrás de nós chegou, porém não desistimos e fomos até o ponto mais alto. De lá não se via nada, completamente fechado por uma densa nuvem no meio do Cañon. Pensamos e pedimos a Deus. "Viemos até aqui e não vamos ver nada, deve ser lindo?!" E de uma rajada de vento forte a nuvem começou a dissipar e limpou completamente, como se Deus passa-se sua mão e movimentasse as nuvens, ou desse um forte sopro. Creio que foi, somente nós estávamos lá em cima. Outros carros estavam subindo mas acho que desistiram e voltaram, pois não se via nada. E lá no ponto mais alto, só eu e a Jane, e pedimos a Deus que queríamos ver o lugar, e Ele deu um jeito, fotografamos, e poucos minutos depois tudo fechou novamente. Descemos felizes com um sorriso no rosto.

Agora em direção a San Cristobal de Las Casas. Um fato curioso foi que parado em um semáforo, um senhor vendendo alguns livros infantis veio a Janela e perguntou de que país éramos. Ele pensou que éramos franceses, e isso aconteceu muitas vezes. Ele disse que estávamos muito longe de casa, mas temos que respeitar uns aos outros pois somos todos um só continente, e eu concordei com ele, ele perguntou o que achamos do Mexico, e eu respondi que gostamos muito mas já estamos retornando. Ele então disse que se passarmos por aquele semáforo novamente ele quer que vamos a casa dele. Foi muito querido, mas quem sabe um dia.

Seguimos e subimos para 2300 metros novamente até a cidade de San Cristobal. Fomos ao nosso primeiro ponto é algo me dizia que não ia dar certo, pois eu tinha visto um outro ponto no GPS e senti que o primeiro não daria. E foi exatamente isso! Nós entramos no parque do hotel, estacionei e toda a estrutura para RV's está lá, mas na recepção fui informado que ali não se permite mais campers. O hotel foi vendido e na nova administração não se atende mais os viajantes, porém o rapaz foi gentil e nos indicou outro. Seguimos suas instruções, mas como toda bela é linda cidade colonial com suas ruas estreitas e apertadas, não achamos o lugar até quase a terceira volta. De um relance eu vi a placa dentro de um lugar e parei. Até o momento não tinha ninguém atrás de nós e quando engatei a ré, um senhor parou atrás de nós. Eu desci e pedi para ele também afastar-se um pouco e ele disse que não. E ai mais um carro atrás do dele agora. Eu disse que iria voltar e que eles dessem uma ré támbem. Voltei enterrei no carro e comecei minha manobra, e eles saíram de trás, agradeci com uma buzinada e tudo certo. É incrível como pessoas idosas nunca querem dar uma ré. Parece que só sabem dirigir para frente, me perdoe os idosos, mas eles sempre reclamam.

Acertamos o valor, enchi o tanque de água e estacionamos. Saímos para dar uma volta na cidade,  já estava escurecendo e chuviscava e fomos procurar algo para comer. Eu sai de bermuda e só peguei uma jaqueta impermeavel, a Jane também pôs uma calça e sua jaqueta com capuz e saímos. Ficamos preocupados quando vimos pessoas na rua com luvas, cachecol e casacos pesados. Pensamos, o que eles vão usar no inverno quando fizer frio? Estava fazendo uns 18 graus, mas não está assim tão frio. Caminhamos mesmo assim e fomos passando pelas estreitas ruas da cidade. Achamos um restaurante e são muitos por aqui, pois é uma cidade bastante turística repleta de suas Igrejas e museus.

Infelizmente em lugares assim sempre tem pessoas e crianças, principalmente nativos pedindo algo. Foram três crianças que se aproximaram de nós para pedir algo. Terrível ver isso. Fomos a um restaurante italiano pensando em matar a saudade é a vontade de comer massa. Pedimos uma lasanha e uma pasta e duas taças de vinho. A Janeh gostou da pasta mas o vinho não era bom e minha lasanha era congelada e foi esquentada. Nem comemos tudo pagamos e saímos. Se o tempo não melhorar amanhã, não se tem o que fazer por aqui. Vamos sair para a Guatemala, e adiós Mexico.

 

Dia 19-   México - Atitlán - Guatemala

Apesar da noite ter sido boa, o dia amanheceu bem nublado e conversamos sobre a decisão de ficar ou sair. Em alguns momentos essa questão sempre temos que conversar e decidir juntos. Bem, o que vimos ontem da cidade, mesmo que tenha sido a noite, nos deu uma ideia do lugar. Cidade colonial cheia de Igrejaa antigas para visitar, alguns museus e muitos passeios para serem feitos pela selva, e ou ir coisa de 3 a 5 horas para algum ponto. Como esses passeios para europeus não está nos nossos planos, e o clima não ajudaria muito para ficar passeando pela cidade, decidimos por partir. Arrumamos o interior do carro e fomos abasteçer ainda. Antes passei em uma Auto Zone e comprei um kit reparador de pára-brisas para levar é um produto para limpar bugs no pára-brisa. Abastecemos e partimos. Temos cerca de 400 km até o Atitlan em Sololá na Guatemala. A previsão é de 6 horas já incluída a fronteira. Dirigimos e o tempo foi melhorando e saiu o sol, as estradas tiveram trechos ruins, em obras, mas no geral as montanhas do México são bem melhores do que o litoral no Golfo que passamos. Chegamos a fronteira em 4 horas. Isso porque paramos na cidade de Comitam, praticamente a última cidade antes da fronteira. Ali gastamos cerca de uma hora, e também dirigimos com uma média bem baixa, devido ao tráfego e por passar por muitos pequenos povoados com muitos topes. Na cidade de Comitam achamos uma praça com um Sam's Club e um Walmart, e ali compramos pão e água para fazer um lanche. Para nossa surpresa quando retornamos ao carro verifiquei que a fechadura do lado da Janeh estava estourada. Gelei e abri o carro, entrei e verifiquei, mas o carro estava trancado e nada foi mexido, ou seja, não conseguiram abrir. Acredito que um ladrãozinho com uma chave de fenda tentou e acabou estragando a tranca. No estacionamento desde lugar tem alguns moleques ajudando a manobrar os carros, sem necessidade alguma, mas estão ali. Não tem câmeras no local, apesar de estar muito movimentado, e durante o dia. Nunca iria imaginar. Foi um susto, saímos logo dalí. Ficamos triste pois essa região é bem limpa, sinalizada, uma cidade bem legal, com grandes lojas e marcas, e pouco policiamento. Passamos por lugares no México com muito mais policiamento por todo lado, uma coisa que chega a ser opressiva, lugares pobres e feios, e que nos disseram ser perigosos, e nestes lugares não aconteceu nada, porém onde foi dito que era um lugar tranquilo, ali tentaram mexer no Valente. Mas mais uma vez Deus nos guardou e o Valente foi valente se fechando e não permitindo acesso.

Chegando a fronteira e foi uma decepção! As duas outras que entramos são grandes, modernas, limpas, perfeitas. Porém aqui é suja, com sinalização ruim e confusa. Na saída fizemos nossos registros de saída é só. Não pagamos nada e fomos  a aduana. Nos perguntaram se queriamos cancelar nossa permissão do carro e não o fizemos. Deixamos aberta, vale para 10 anos...

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