Diário da Guatemala (13/09 a 22/09/2014)

13/09/2014 02:04

Trajeto: Las Chimanas - Cabañas Suizas/Guatemala City - Antigua Guatemala - Lago Atitlán - Rio Dulce - Lago Izabal - Parque Nacional Tikal - Melchor de Mencos.

 

Dia 13 (Cidade da Guatemala)

Leia mais em Diário de Honduras/El Salvador.

...Fomos fazer a entrada para a Guatemala e, pela primeira vez, deixaram a Jane fazer a imigração sozinha! Eles foram rápidos e atenciosos, nos deram um mapa e explicações. Depois,  do outro lado, a aduana também foi rápida. Nós pagamos 20 dólares pelo seguro e pronto! Boa viajem! Lá fomos nós para a Guatemala.

Decidimos ir a Antigua primeiro antes de subir em direção á Belize. Dirigimos até quase 17 h e depois que passamos a cidade de Guatemala, que lembra muito Curitiba -desde o clima, além de ser linda, grande, moderna, estruturada, muito limpa, organizada e interessante- seguimos até encontrar a Cabañas Suizas

Chovia muito e o lugar que o guarda nos indicou para ficar era em um gramado encharcado e inclinado. Eu disse que nosso carro não é 4x4 e que eu não iria sair se entrasse ali. Ele insistiu e entramos, não deu outra. Ele pediu para que eu desse ré e manobrasse, porém o Valente grudou as rodas na grama e não saiu mais. 

O guarda chamou mais três homens e da-lhe empurra. Depois disso nos indicou um lugar com calçamento e ia sim, tudo certo. Fomos ao restaurante comer algo, pois o dia foi longo e muita estrada e chuva. Eu pedi uma sopa e a Jane um lanche. Depois pregados fomos dormir cedo.

 

Dia14 (Antigua Guatemala)

As sete da manhã já nos colocamos em pé! A chuva tinha dado uma trégua porém o clima ainda estava bem fresco e prometendo chuva. Pegamos a estrada em direção a Antigua e logo uma forte descida nos levava ao coração da cidade. 

Antigua, a primeira capital da Centroamérica (época em que toda a América central era um só país), é uma cidade histórica com estradas de pedra, o que me fez dirigir bem devagar e fomos a procura do pátio da Polícia de Turismo. Ali nos informaram que não se cobra, mas também não dão nada, somente água e o espaço. Tudo bem, é aqui mesmo. 

Logo saímos e fomos ao centro, ainda era cedo e devido as festividades da independência, que seria no dia 15, muitas pessoas estavam chegando e logo ficou cheia. 

Fomos ao centro de informações turísticas pegamos uns mapas e saímos caminhar. Muitas ruínas, igrejas e conventos, e fotos e mais fotos. Artesanias por todo lado. O povo com bandeiras e rostos pintados, muita festa pelas ruas. Uma coisa que nos entristeceu foi que havia muita gente na cidade e todos os principais pontos turísticos estavam cheios, e a sujeira logo apareceu. A impressão que tivemos foi que não estavam preparados para tão grande multidão. Para tirar fotos começou a ficar impossível. Mesmo assim batemos muita perna.

Conhecemos a história da pedra de Jade e acabamos comprando um par de brincos e um anel para a Jane.

Comemos um prato típico na feira da igreja, nada muito forte e fomos passear mais. Lá pelas 16 h, estávamos cansados e resolvemos voltar ao carro e compramos uma pizza que nos rendeu o lanche da tarde e a janta. 

Chegando ao carro,  falei com o guarda e perguntei se não teria uma tomada, e ele prontamente disse que sim! Tomamos banho e cama.

 

Dia 15 

Depois de uma longa noite bem dormida, com clima bem mais agradável, acordamos, tomamos nosso café e fomos novamente ao centro ver o desfile das escolas e passear um pouco mais por outros lugares.

Ao voltar ao camping compramos um Frango Assado e a Jane preparou nosso almoço.

Conhecemos um casal de viajantes, o Franco e a Alejandra, um casal da Argentina que estão a 3 anos e 9 meses viajando em uma Kombi, carinhosamente apelidada de ''Chapolina". Eles trabalham com arte circense, escolas, jogos e teatro. A dois anos no Peru, em Arequipa adotaram na rua uma cachorrinha que chamam de Quipa, de Arequipa, e viajam com ela. Saíram de Buenos Aires e viveram no Equador por um ano e oito meses, e quando sentiram que estavam novamente em uma rotina, colocaram a kombi na estrada novamente.  A Jane fez um bolo levamos um pedaço para eles e conversamos bastante sobre viagem e a vida. Mais tarde eles saíram para achar uma internet e ficamos ali planejando nossa saída para o próximo dia. 

Aproveitei para encher o tanque do carro com água e estiquei meus 40 metros de mangueira, porém quando isso aconteceu acaba entrando um pouco de ar no tanque, o que faz com que não saia água. Como já tinha colocado o carro antes perto da torneira para usar menos metros de mangueira, pensei em fazer isso novamente. Porém quando estava lá carregando o tanque surgiu um soldado se dizendo ser o encarregado e dizendo que ali não poderia colocar o carro e insistindo grosseiramente que retirasse imediatamente o carro. Enquanto desconectava a mangueira, fechava a torneira, tentava argumentar que não fui avisado que era proibido e já estava saindo, porém o sujeito não ouvia, simplesmente começou a se alterar e veio até o carro novamente dizendo que deveríamos nos retirar do pátio da polícia se não seguisse as regras e se não estivesse bom para nós. O sujeito pensava que estava falando com um subordinado, só pode! Eu disse que estava tudo bem  estávamos preparados para sair na próxima manhã.

Já eram perto das nove da noite, ele se calou e foi para sua sala. Isso gerou um mal estar e eu não dormi bem. Mas paciência, são coisas que acontecem.

 

Dia 16 (lago Atitlán)

Saímos ás 7:30 h em direção ao Lago Atitlán e sobre o episódio na Polícia, nem bom dia nos deram. Duas horas de estrada e saímos de 1500 m.s.n.m, fomos a 2640 m.s.n.m e descemos a 1600 m.s.n.m. novamente. Chegamos ao Tzanjuhu Hotel, que recebe RV e lá estavam um casal com uma Land Cruzer, da Austrália e vindo do Alaska em direção ao Ushuaia. Um lugar lindo com a visão de três vulcões, o Atitlán, o Tolimã e San Pedro. O dia estava fechado mas ficou melhor até o final do dia. 

Conversamos bastante com os Australianos Giles e Janet Cooper e trocamos muitas informações e dicas, sendo que eles estão descendo ao sul e nós,  subindo ao Norte. Conhecemos também o Aldo Chavez, um peruano que vive em Miami, porém, viaja mais do que fica em casa. Com 35 anos já conhece muito do mundo e viaja sempre sozinho com barraca. Uma pessoa calma, educada e com ótimo papo. O dia foi bom, ao final da tarde as núvens se dissiparam nos dando um lindo visual do lago e dos vulcões. Decidimos que ficaríamos mais dois dias para conhecer melhor o local.

 

Dia 17

Acordamos com sol. Tomamos café, lavamos roupas e nos despedimos dos Australianos e do Aldo, que estavam seguindo seus caminhos. Fomos ao centro caminhando e passeamos na rua das artesanias. Nos encantou mais as artesanias da Guatemala do que de outros países. Eu queria já fazia tempo comprar uma bolsa para levar água, e então entrei em uma loja e a mulher me pediu 45 Quetzales, só porque sou turista. Disse que não, e começou a negociação, e para resumo da ópera, paguei 22 Qtz. Logo a frente aquele monte de nativos querendo vender tudo. Sinceramente se eu fosse comprar tudo o que nos tentam vender podia abrir uma loja. A Jane viu uma sandália de couro muito linda e perguntei o valor, e veio a bomba: 260 Qtz! Vai e vem negociando com o nativo, pagamos 100 Qtz.

Fomos depois ao Museu de Atitlán, que conta a história do surgimento do Lago. Atitlán é originado da erupção de um antigo vulcão que existia no local há mas de 50 mil anos, e que abriu uma cratera que engoliu este e mais dois vulcões e fez surgir o lago e estes três outros vulcões que agora vemos!  Ali na região foram encontrados há 35 metros de profundidade muitos utensílios que comprovam  a existência ali de uma grande cidade Maia.

Seguimos  o passeio, tiramos fotos, almoçamos, fomos ao mercado e voltamos ao camping. Aproveitamos a internet do hotel para atualizar o site, fotos e diário. Operações bancárias e tudo em dia para amanhã só curtimos e , no dia 19 sairmos em direção ao norte da Guatemala. 

 

Dia 18

Acordamos com um dia lindo, céu mais azul e os vulcões a nossa frente se mostrando como nunca! 

Na nossa porta havia uma cachorrinha muito simpática de cor caramelo que nos dava bom dia abanando sua calda e, como disse a Jane, com os olhos do gato de botas, aquele do Shrek. Não tínhamos visto essa cachorrinha por ali, mas não demos muita bola, respeitamos o espaço dos animais e fomos tomar um café a beira do lago Atitlán.

Mas, o fato de não darmos atenção a ela não mudou muito, pois ela ficou ali rodeando a gente. Demos um pedaço de banana e um pedaço de pão para ela que ficou muito feliz e não saiu mais de perto.

Logo, a Jane foi terminar o trabalho no site. Eu pequei meu violão e a bíblia e me sentei ao sol e fui ler, louvar, adorar, observar o vai e vem dos barcos que levam e trazem, mercadorias, turistas, e nativos da cidade de San Pedro para Panajachel. Alguns pescadores e todo o mover desse lugar. 

Quando me dei conta que a cachorrinha estava dormindo embaixo de minha cadeira, a sombra de minha música e voz. Deus ministrou meu coração neste momento por causa do seu cuidado conosco. Ele quer que sentemos á Sua sombra e, ouvindo a Sua voz, descansemos, e somente isso. Foi um tempo de quebrantamento e entrega para mim. Temos tanto a fazer, seguir, e preciso todos os dias entregar para onde vou, como vou e onde vou ficar. 

Depois disso, a Jane pediu para que eu fosse comprar algo para nosso almoço, e então saí em direção ao centro, passei na gráfica para pegar as bandeiras de Honduras e de El Salvador que não tínhamos e mandamos fazer, e fui em busca de um frango assado. A cachorrinha firme ao meu lado. A essa altura já demos um nome para ela. Atitlán. Mas estávamos certos que seria só uma diversão. Comprado o frango, voltei ao camping.

A Jane fez um arroz com salada e compartilhamos na presença da Atitlan que não saiu mais de perto. Acabamos dando água e comida. Agora mesmo que ela não saí daqui, lembrei do Carlos Pimpão que sempre diz que não devemos dar nada para um cachorro porque senão, ele não vai mais embora. Bem, a tarde depois de um descanso, a Jane concluiu seu trabalho e fomos ao centro, lá pelas 16:30 h, dar uma volta, tomar um café. E lá foi a Atitlán atrás. Inteligente, obediente, simpática e bem cuidada, pensamos que ela tem casa, não é possível! Mas estava claro que ela estava feliz em estar perto o tempo todo, e até no carro ela quis entrar, tipo assim: me leva junto?

Começou a chover e sentamos em um café que nos foi indicado pelos australianos. A chuva aumentou muito, uma verdadeira tormenta, começou a alagar as ruas e lembramos que as escotilhas de cima do carro estavam abertas. Lição dada, lição aprendida, nunca sair e deixar as escotilhas abertas. Após quase uma hora de muita chuva, saímos com os pés dentro da água e voltamos ao camping. Chegando ao carro e até que o estrago não foi dos maiores! Nós secamos tudo e fomos dormir,. Antes, eu falei com a Atitlán que ela deveria ir para um lugar seco, mas ela não entendeu essa parte e dormiu debaixo do carro. 

 

Dia 19 (Rio Dulce)

Acordamos,  e como no dia anterior já deixamos tudo ajeitado para sair cedo, foi só recolher o toldo e pronto. Falamos com a Atitlán, que queria entrar no carro e ir junto, que ela não iria, foi de cortar o coração, mas não tinha jeito. 

Saímos e confesso que mesmo orando como sempre fizemos, fiquei apreensivo com os freios do carro que,  quando chegamos, estavam bem baixos novamente. Subimos de novo a 2650 m.s.n.m e  descemos novamente a 1500 m.s.n.m. 

Quando passamos em uma cidade mais confiável, localizei um lugar para balancear as rodas e manutenção de freios.  Trocamos o óleo, fizemos o balanceamento as rodas, abastecemos e seguimos em direção ao Leste. 

Cruzamos bem a cidade da Guatemala, os mapas do GPS estão perfeitos e logo chegamos a rodovia  CA 9, que nos levaria ao nosso próximo destino. Estradas boas, um longo trecho duplicado e tudo certo. A Jane preparou um lanche dentro do carro que, como sempre, são os melhores que comemos. 

Nosso ponto era em um PN de ruínas Maia e quando chegamos, para variar, teríamos que pagar quatro vezes mais do que os viventes do país só porque somos estrangeiros. Iria ficar mais caro do que o próximo ponto que estava a somente 70 km em Rio Dulce. Viramos e seguimos para Rio Dulce. 

Chegando no Bruno's Hotel, nos instalamos e fomos ver o lugar. Um porto turístico cheio de americanos que vão e vem todos os dias com seus botes, lanchas e veleiros. Todo mundo falando inglês. Incrível que quando cruzamos a ponte, com mais de um quilômetro de extensão e a maior do país, caímos em meio a uma zona suja, comércio invadindo a pista, uma loucura. Mas atrás disso está o lugar que citei. Fomos ao mercado comprar umas coisas que faltavam e pedimos no restaurante um pescado. Coisa de R$ 25 reais para os dois. Depois ficamos conversando e banho e tentar dormir no calor dos 30 graus. Vai ser uma noite longa.

 

Dia 20 (Lago Izabal)

Depois de suar muito a noite, granola com frutas e fomos dar um oi na internet. Aí fomos comunicados pelo Rodrigo Eduardo que nossas coisas no Brasil precisam ser retiradas da sua casa pois ele a vendeu,  e que tínhamos trinta dias. Falamos com o Clovis, nosso cunhado para nos ajudar. Saimos de Rio Dulce em direção a Finca El Paraíso, no lago Izabal.

Uma estrada com muitas curvas,  sobe e desce e umas crateras para ir desviando. Achamos o lugar com ajuda dos nativos locais, pois o GPS não achava, acho de devido a questão de montanhas e rios próximos. Chegamos, nos instalamos, acertamos o valor de 100 Qtz, com energia. O rapaz queria 150 Qtz, mas como já estamos escolados, negociamos para que fique dentro do razoável que é entre U$10 a 12 dólares. Ele insistiu que, com energia e mais caro, mas cedeu. Depois bem em frente ao nosso carro observei que uma grande luz, estava acessa, com um sol de 30 graus. Quando o porteiro passou por nós eu não deixei barato e disse: vocês querem cobrar pela energia mas deixam um foco de luz desses acesso o dia inteiro? Ele ficou meio sem graça e disse que não sabia onde e como apagar. E eu é que pago a conta?

Fomos então ao restaurante ver como estavam os preços e frente ao cardápio com bom preço pedimos nosso almoço, pois estava muito quente para cozinhar do carro e compensou o valor. O lugar é um centro turístico, tem uma grande área de lazer, quadra, pode nadar no lago, pescar, restaurante e descansar. Tinha uma turma que chegou as 8 h da manhã e já estavam na maior festa, mas fomos informados que eles iriam embora as 15 h, e ficaríamos sozinhos. Pensamos, que maravilha, o lago só para nós e silêncio. 

Como alegria de pobre dura pouco, nos até já tínhamos movido o carro para a frente do lago, quando chegou um grupo de irmãos de uma igreja com caixas de som, bagagens e mais bagagens. Era um retiro de um grupo cristão, de várias igrejas!  Pensamos que não seria possível ficar ali pois nosso carro estava bem no meio de onde eles iriam ter o seu evento. Lá fui eu retirar o carro e achar um outro lugar, o que não era problema, ficamos felizes por estar no meio de irmãos em Cristo, porém não parava mais de chegar gente e carro e ônibus. Aí a coisa ficou demais! Tudo bem, está anoitecendo, vamos dormir e amanhã vamos embora. 

O dia foi de muito banho na lago, demos comida aos peixes, descansamos e curtimos o lugar. Ao anoitecer, uma grande tormenta ao outro lado do lago começou a se formar, e conversando com o proprietário eu era bom chover, para refrescar. Ele disse que ali não chover. Que todos os dias a chuva se forma doutro lado e não vem para cá. Ok... Que pena!  

Fomos tomar um banho juntos no chuveiro pois tinha muita gente devido ao grupo da igreja. E em dado momento a Jane olhou para o chão  e viu uma água escura. E eu estava me enxugando. A água estava suja, e a toalha ficou toda suja. Foi só risada... Ficamos assim mesmo. Depois disso caiu a maior chuva. Foi só risada de novo, e fomos comer algo. Esperamos a chuva passar e fomos para o carro. Nos ajeitamos para dormir, isso já era umas 9 h da noite, e então, iniciou o culto de abertura do retiro que foi até as 00h. Pensa no barulho, kkkkk... Esse dia foi cômico.

 

Dia 21 (Tikal)

Acordamos ás 6:00 h pois queríamos ir ao Parque Nacional Tikal e nos informaram que levaríamos 5 horas, então pensamos em sair cedo. Porém, a encarregada do lugar só chegava ás 7:30h e teríamos que esperar pois nosso cabo de energia estava ligado cozinha do restaurante. Esperamos aproveitando o nosso tempo com Deus e tomando nosso café. Ás 7:30 h estávamos prontos para sair. 

Pegamos a estrada em direção a Petén para chegar a Tikal. A viajem foi tranquila, a estrada estava boa, teve até uns trechos bom de retas que deu para dar uma boa esticada no motor. Na estrada ainda paramos para sacar um dinheiro nos caixas 5B, que estão espalhados pelo país, e paramos em um posto para lavar o carro, que fazia tempo que não tomava um banho. Na hora de pagar eu estava pronto para dar uns 30,00 Qtz, quando fui surpreendido pelos dois rapazes do posto que ralaram no sol para lavar o Valente dizendo, dê o que você acha justo. Caramba, no Brasil eu teria de pagar uns 30 a 40 reais. 30 Qtz são só uns 10 reais. Mas como era o valor que eu já tinha informação que cobravam, dei os 30 Qtz. Saímos dali pensando que eles não podem trabalhar assim. Mas, fazer o quê? Seguimos nosso caminho. 

Quando chegamos a Petén, fomos mais uma vez surpreendidos pela natureza mostrando-nos dessa vez o lago Petén Itzá ao nosso lado. Lindo, azul em meio a mata. Um local com uma boa estrutura turística com restaurantes, lojinhas e banco. O calor estava forte e pensamos em ir direto ao Parque Nacional Tikal para ver onde era, e também sabíamos que seria mais fresco devido a altitude e a vegetação local. Subimos a serra de 35 km e chegamos no Portal de entrada. Logo, muitos guias vieram a nossa janela oferecer seus serviços. Fomos informados de que, se queríamos acampar, era melhor entrar mais tarde, ás 15:30h, pois assim pagaríamos somente por um dia.  Já eram 12:30 h e estávamos com fome e com calor. O guia nos sugeriu voltar ao Lago e curtir um pouco o local, retornando depois. Até explicou um caminho para uma praia no lago com um bom restaurante. Quando achamos a tal rua, o início era asfalto, bom, conservado, mas logo a frente virava terra empoeirada e de pedra e buraco. Caramba, o carro limpinho, e agora? Vamos virar e voltar, mas virar onde? Vamos mais a frente, mais um pouco, e mais um pouco. Quando o carro já estava branco de pó, achamos um lugar para manobrar. Tinha umas pessoas fazendo um acampamento que vieram falar conosco. Eu disse que estava procurando o restaurante Caminho Real e eles disseram que estava há mais um km. Então ta, o carro já está sujo mesmo, então seguimos mais um km. 

Achamos o lugar, lindo, caro, cheio de gringo, um sonho de Resort no meio na mata em frente ao lago. Não, este lugar não é para nós, viramos e voltamos. Fomos até o centro e eu pensando "Eu pego esse guia!" rsrsrs. 

Achamos um lindo lugar com vista para o lago e um bom restaurante. Pedimos uma massa com camarão e especiarias e foi nossa comemoração de 23 anos de casamento. Depois subimos novamente a serra para dar entrada no Parque Nacional Tikal. Pagamos 300 Qtz de entrada para os dois (R$ 86,50), seguimos mais 17 km a 45 km/h, pois fomos orientados a ficar dentro do limite pois existe monitoramento. Lá fomos nós a passo de tartaruga. 

O calor estava forte, e graças a Deus caiu uma boa chuvarada para refrescar. Chegando no parque fomos informados que o camping era á parte e teríamos que pagar mais 50Qtz, por pessoa (R$ 14,50). 

Mas o nosso carro não entrava na área de camping pois estava alagada, e seria facilmente uma armadilha para nós, ficaríamos atolados. Disse a eles que então ficaria no estacionamento de concreto, e o guarda disse que não era permitido. Mas se eu fosse dormir tinha que pagar. Aí perguntei ao sujeito: Mas se não posso entrar no camping e não posso ficar no estacionamento e quero dormir e tenho que pagar, onde vou ficar? Ele pensou, conversou com um, com outro e disse então, que eu poderia ficar no estacionamento, mas não poderia circular no parque. E, após as 21:00h,  não poderia sair de dentro do carro. 

O parque abre das 6:00 h ás 18:00 h,  e só é permitido circular neste período.  Ele informou que o camping não tinha energia e que nós poderíamos usar os banheiros e duchas. Eu disse que não iria usar nada, pois estava com meu MH e não precisava de nada, só estacionar, e ainda pechinchei o preço. Ficou por 50 Qtz, ao invés de 100 Qtz. Fizemos um lanche no carro e nada de por o pé pra fora. Banho e cama. 

 

Dia 22 (Belize)

Essa noite foi curiosa. Nós nos sentimos dormindo dentro do jardim zoológico de tanto bicho que escutamos a noite toda. De jaguar a periquito, macaco a esquilo. As 21h desligam tudo, e ficamos no meio do mato dentro do parque no maior breu. E aqueles bichos todos soltos. Foi interessante. Acordamos e as 6:30 h os dois exploradores do mundo Maia estavam prontos para conhecer o parque. 

Depois de 30 minutos de caminhada e estávamos na praça central com os dois maiores templos em forma de pirâmide a nossa frente. Foi uma experiência única. Havia uma forte neblina e um silêncio fantástico no local e ao fundo o som de um ou mais jaguar urrando. Nas árvores macacos saltavam e faziam com que os galhos de movessem como se tivessem vida. Pouco a pouco o tempo foi abrindo e ficamos ali tirando fotos e lembrando dos filmes do Indiana Jones. Lembra em muito o local. Com o nosso mapa em mãos fomos caminhando em meio a selva procurando os outros templos e ruínas. Muitas fotos e filmes e retornamos ao carro. A ideia era ficar duas noites mas estávamos prontos pela manhã e resolvemos sair e cruzar a fronteira para Belize que estava a 150 km dali. Arrumamos o carro e partimos. Tudo estava bem até que um trecho de uns 10 k.m, não  tinha mais asfalto. Fazer o que, ou é isso ou é isso! Nessa hora um carro com suspensão mais alta e 4x4 era bem-vindo, mas o Valente foi valente e nos levo em segurança. 

Na fronteira, a saída foi rápida e tranquila. Pagamos R$ 10 reais para nova fumigação e fomos a imigração de Belize...

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