Diário 1: 25/01 a 0702 - Adaptação e a Busca por um Motor home

07/02/2017 23:32

Depois de uma hora de atraso na saída em Curitiba devido à muita chuva, o voo até São Paulo foi tranquilo e o embarque para Miami sem atrasos.

Chegamos a Miami as 5:50h e levamos uma hora e meia para fazer a imigração. Depois, mais uma hora para pegarmos as malas e o carro alugado.

A casa que alugamos no Airbnb fica em Orlando e isto significa que teremos umas quatro horas de viagem pela frente.

Estar aqui novamente é muito bom! O clima agradável, céu azul, uma delícia.

A casa onde nos hospedamos, embora oferecesse um grande quarto com closet e banheiro até com jacuzzi, ficou muito aquém das nossas expectativas que estavam em um quarto simples com banheiro simples e limpo, para podermos descansar de uma longa viagem. Contrariando o que dizia no anúncio, o quarto tinha um forte cheiro de cigarro e a limpeza não era bem uma qualidade no local, principalmente na área de uso comum. Ficamos por quatro dias e trocamos para um Days Inn, um prejuízo inesperado, mas que consideramos necessário.

Sabemos que este é um período de adaptação, tanto com relação ao fuso - três horas antes do Brasil - a comida, os costumes, a língua, a forma como os americanos pensam. Mas faz parte do processo. A primeira semana foi de muita pesquisa e de rodar muitos quilômetros sem muito sucesso. Voltamos a Miami para ver um RV, como chamam os motor homes aqui, fomos para o norte até Daytona Beach e voltamos para Orlando.

Uma coisa muito boa foi conhecer o Marcelo Vieira em Tampa, irmão do Mauro do meu mundo meu sonho, que nos deu um suporte para abrirmos a conta no Bank of América  - saiba mais em Abrir conta em banco nos EUA - e algumas informações e um contato para fazermos o seguro e emplacamento do RV, o que foi muito esclarecedor.

Sabemos que a paciência e a fé são virtudes que nos permitem viver milagres e seguimos com elas.

Começamos esta semana um pouco frustrados com nossa busca. Vimos muitos anúncios e as fotos parecem ótimas, mas quando vamos ver os RVs, estão em péssimo estado, com muitas coisas para fazer, o que é frustrante.

É certo que temos a tendência de avaliar os outros por nossa forma de agir, e como vendemos o nosso e o entregamos muito bem cuidado e as fotos condiziam com o estado atual dele, pensamos que aqui seria assim. Um engano desapontador e um aprendizado.

Em nossas buscas frustradas, em um dos dias, o Toninho encontrou um que parecia estar muito bom, mas ficava no Tennessee. "Porque foi buscar carro a mais de 10 horas de distância?", perguntei. Dias mais tarde saberíamos que com certeza foi direção de Deus. O fato é que ele o viu e parecia muito bom. Combinamos com a dona de ir vê-lo no fim de semana.

Vimos um outro que está muito bonito também. Mas não atendia nossas necessidades, sem gerador e um tanque de água de 10 galões, 38 litros. Mas, com isso conhecemos o René e a Natalie. Porto-riquenhos, um casal cristão muito querido, com quem conversamos por mais de duas horas. Ele é mecânico, e nos ajudou com dicas importante sobre como avaliar um RV para comprar.

Fomos ainda a uma DNV (local onde se faz carteiras de motoristas por aqui) e o Toninho fez a prova para tirar a driver license. Fez em quarenta minutos e passou. Ele agendou a prática para a próxima semana. Leia mais em Drive license EUA.

Vimos ainda mais dois RV’s, mas estavam muito mal cuidados e decidimos viajar dez horas e ir ver aquele que gostamos que Tennessee. Como era muito longe e corríamos o perigo de ele ser vendido quando estivéssemos pelo caminho, um dos sinais que pedimos a Deus para saber que deveríamos ir até lá foi que eles aceitassem os $ 9000 dólares que tínhamos - o anúncio dizia que eles queriam $10.000 dólares - e que nos esperassem. Geralmente eles não reservam, tanto que o primeiro que fomos ver, já estávamos a caminho há mais de uma hora e o dono nos avisou que já tinha vendido.

Joni, a dona deste RV, nos respondeu dizendo que aceitavam os $9000 dólares no sábado pela manhã, e falou ainda que nos esperariam. Saímos ás dez horas no sábado, rumo ao Tennessee. Viajamos até sete da noite e paramos em um pequeno hotel na estrada, em Newberry, South Carolina.

No dia seguinte, dirigimos mais quatro horas até Sevierville onde uma família muito simpática nos recebeu, junto com Papoose, uma cadela linda e muito amigável. Jeff e Joni, casados há 27 anos, tem uma filha chamada Billie. Moram numa casa simpática em um lindo bairro. Nos mostraram todo o motor home, falaram sinceramente de tudo. O Jeff saiu conosco para darmos uma volta, sempre muito sorridente. Algo que não encontramos comumente aqui na América, e depois nos deixaram a sós para decidirmos se era o que procurávamos. Conversamos e decidimos comprar. Depois jogamos snooker, fomos ver seu casal de cavalos e conversamos até a janta. Jantamos assistindo a final do Superball, que é a sensação do momento.

Interessante deste encontro: conversamos sobre o Trump e, como a maioria dos americanos que encontramos aqui, eles acham que ele parece um louco, mas pensam que é melhor do que a Hilary. E interessante foi um comentário dela: “Ele não parece ser o melhor, mas agora é ele quem está lá e precisamos dar o suporte para que ele faça tudo certo”. Falaram ainda que ele tem algumas atitudes positivas que indicam que eles não precisam se preocupar com corrupção, por exemplo, ele abriu mão do seu salário como presidente.

Enfim uma típica família americana, cristã, temente a Deus e muito especial. Um presente para nós! Fomos dormir em nosso RV. Primeira noite e fez -2 graus.

No dia seguinte, o Jeff foi com o Toninho devolver nosso carro alugado na cidade vizinha e eu fiquei ajeitando o nosso RV. Ao retornar ele deu ainda explicações de todos os processos de funcionamento do RV, entregou um papel com algumas instruções escritas, oramos por eles, eles oraram por nós, nos despedimos e as 14:30h saímos em direção à Flórida.

Decidimos voltar e documentar o RV na Flórida, bem como fazer a placa e o seguro, porque já demos início ao processo lá. Tivemos a informação de que temos 30 dias para isso.

Final da tarde paramos em um Wal-Mart para comprar o que precisávamos e dormimos ali.

Dia 07/02, seguimos viagem e rodamos o dia todo. À tarde, um carro da polícia passou por nós e nos parou, porque estamos sem a placa. Interessante como eles agem e a forma como nos abordam. Ele emparelhou com nosso carro e diminuiu a velocidade, foi para trás de nós, tirou meio carro e ligou e giroflex, demos seta e ele voltou para trás e parou logo atrás de nós. Chovia litros! Ele veio na janela do carona, nos cumprimentou e nos questionou sobre o porquê estarmos rodando assim. Explicamos tudo, ele pediu nossos passaportes e licença para dirigir, voltou a viatura, fez uma consulta e retornou. Nos entregou os documentos, disse que estava tudo certo, nos desejou boa viagem e nos orientou a fazer a documentação o mais rápido possível e nos liberou. Chegamos em Atlanta, capital da Geórgia as 17:00h e levamos quase duas horas para cruzar a cidade. Paramos em um Wal-Mart na saída onde decidimos pernoitar.  Fomos ao mercado e quando retornamos uma viatura da segurança do local veio e nos falou que tínhamos que ter permissão para pernoitar ou sair em 4 horas. Voltamos ao Wal-Mart, falamos com o gerente e recebemos a autorização.

Pegamos muita chuva durante todo o dia, e ao nos prepararmos para dormir observamos que o RV tem algumas infiltrações, que precisaremos resolver, mas é bem pouca coisa. Foi bom termos descoberto isso logo no início.