Retorno - América do Sul - Argentina (28/04 a 07/05)

08/05/2015 13:54

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Dia 28 Argentina - O Encanto de Uspallata

... E a entrada para a Argentina. Ali fizemos os trâmites todos juntos e, graças a Deus, estava bem vazia e tranquila.  As outras duas vezes que passamos estava bem cheia e foi demorado. Na Aduana Argentina retiraram os legumes da Janeh, que não gostou nem um pouco, é claro. Fora isso, tudo tranquilo. Já saímos da aduana ás 13 horas e fomos descendo e nos demos conta que aqui novamente o horário vai mudar. Ou seja, já eram 14 horas... Ops! Nós perdemos uma hora. Em onze dias mudamos de fuso três vezes! 

Fomos seguindo e curtindo o dia que estava lindo, céu azul e agradável demais. Muito diferente de quando passamos as outras vezes. Dessa vez, muita pouca neve e clima bom. Seguimos até a cidade de Uspallata, que nos recebeu com tapete amarelo, linda linda com clima de outono, perfeito! 

Ali decidimos procurar um camping e passar a noite. Buscando no IOverlander decidimos pelo Camping Municipal, não tem internet, mas parece bom. Logo na entrada o atendimento não foi muito amigável. Uma senhora que me pareceu muito mal humorada veio a janela do carro deu o preço e perguntou se ía mos querer. Dissemos que sim e ela virou as costas e abriu a chancela. Passamos e fomos buscar um lugar. O lugar é lindo, e tínhamos aquele tapete amarelo de folhas para todos os lados que olhávamos. Três barracas e nenhum carro. Escolhemos o nosso espaço com água e energia e nos instalamos. 

Após tudo instalado fechamos o carro e fomos dar uma volta no centro, que é bem pequeno, e buscar uma WIFI para dar um "oi" e para fazer uma operação bancária, pois nosso cartão de crédito hora passa, hora não passa e eu estou pensando que a data de liberação expirou. Antes de sair, passei perto de um rapaz com uma barraca e perguntamos se ele falava espanhol e ele respondeu: " Only english or  rrrrrrussian". Quase que cai na risada, me controlei, pois o russo dele foi com uns dez erres. Conversamos rapidamente, ele veio da Rússia até o Rio de Janeiro e depois de avião até Santiago do Chile e está voltando de carona. Um viajante jovem e solitário. 

Chegando ao centrinho fomos ao primeiro posto com conveniência para pescar uma WIFI. Muito ruim por sinal, mas deu para dar um oi. Perguntamos onde poderíamos comprar carne, achar um WIFI ou cyber café e ele nos falou que somente ás 17:30 h, pois todos estavam na hora da sesta. Que coisa horrível esse costume argentino, todo mundo dormindo! Saímos caminhando e esperando abrir o comércio. Achamos um cyber café e fizemos o acesso no banco, e o que suspeitávamos se confirmou. Fizemos o acerto no cartão de crédito e saímos. 

Compramos carne, frutas e verduras e retornamos ao camping. Na recepção perguntei se tinha carvão e fui informado que ali só lenha, mas eles estavam desabastecidos e novamente sai para comprar lenha. Em cada barraca alguém estava tentando fazer fogo, assim como nós. Não sei se era a lenha ruim, ou o frio, mas foi difícil fazer fogo para a carne. Todo mundo estava tomando um baile, era só fumaça e nada de fogo ou brasa. Mesmo assim, depois de muito trabalho, assamos nossa carne. Chegamos a conclusão que fomos enganados pelos açougueiro pois a carne não era a que pedimos. Mas carne vermelha que não seja comprada fechada, se o açougueiro diz que é, eu acredito. Mas estava razoável e a Janeh fez uma maionese com pão e vinho, deu tudo certo.  

 

Dia 29 - A Beleza e o Silêncio de Paramillos e a beleza azul...

Hoje a noite foi quente e fria. Lá por uma hora da madrugada estávamos com calor, mas depois, as sete da manhã, a temperatura chegou a 6 graus fora do carro e 13 graus dentro do carro. Ou seja, nada de sair de debaixo das cobertas! Somente as nove horas tomamos coragem e levantamos! 

A Janeh estava preparando rabanadas com café e leite quando um senhor muito simpático entrou no camping com sua bicicleta oferecendo pão caseiro. Nós temos pão, mas gostamos de ajudar pessoas simples que se viram fazendo o que podempara sobreviver, e assim ajudamos a economia informal local e provamos coisas não industrializadas. Este senhor perguntou de onde éramos e contamos nossa história. Ele acabou contando a sua também. Disse que quando era mais jovem foi hippie e se mudou para El Bolson, uma comunidade hippie próximo a Bariloche e que ali aprendeu um pouco sobre hinduísmo e a se relacionar com a natureza e com um ser superior. Viveu assim por muitos anos! 

Depois entrou no mundo que disse ser o "nomal". Casou, teve filhos, comprou casa e os dois trabalhavam muito, morando na cidade de Mendoza. Em certo ponto da vida, muito trabalho, um apartamento pequeno, muito estresse, até que um dia chegou em casa e havia sido roubado. Nesse momento chamou a mulher e disse a ela que não valia a pena continuarem vivendo assim. Então decidiram vender seu apartamento e outra propriedade que possuia e buscaram um terreno tranquilo em Uspallata. Hoje ele disse que tem uma vida mais simples, tem criação, liberdade e não vive mais correndo atrás de dinheiro, tem tempo para Deus e tem tudo o que precisa para viver feliz e tranquilo. Nos felicitou pela nossa decisão e que a tomamos ainda jovens e nos aconselhou a, no futuro, não voltarmos a ter uma vida estressante.

Tomamos nosso café e precisávamos sair até as onze horas, então corremos para sair em tempo.

Saímos e fomos ao banco tentar sacar um pouco de dinheiro pois estamos sem pesos argentinos. Chegamos no único banco da cidade e os dois caixas eletrônicos estavam em manutenção. Fiquei ali esperando liberar e quando ficou pronto não consegui sacar. Voltei ao carro e disse a Janeh que não tinha conseguido. Isso é normal quando entramos em outro país pois a cada caixa eletrônico temos que nos adaptar e aprender

como proceder. Voltei ao banco e falei com uma atendente que me sugeriu uma quantia maior. Curiosamente funcionou, porém eu disse a ela: não sei se foi a quantia de dinheiro mas nesse caixa funcionou e no outro não. Ela me respondeu que o outro realmente não funciona para saque, porém não tem nada escrito. E eu fiquei tentando no lugar errado. Agora sabemos, sempre tentar em outro se o primeiro não funcionar, ou perguntar antes. 

Saímos dali para ir em direção a uma Viña que, segundo temos informação, é possível visitar e acampar. Logo na saída da cidade a Janeh falou que tínhamos outras opções por ali e fomos dirigindo e conversando. Outras opções para visitar, outros lugares pela região. Então eu dei meia volta e fomos até o centro de informações turísticas e ali a atendente me deu algumas opções. Decidimos que trekking e esportes extremos não fazem parte dos nossos planos. E ali foi apresentado muitas opções neste sentido. Então desisti e voltamos a estrada. Rodamos mais alguns kilometros e conversando falei a Janeh que existia um lugar a uns 30 km da cidade, porém sem rodovia pavimentada que nos levaria a um mirador com vista para o Aconcagua. Decidimos voltar pela segunda vez a cidade e ir ver o lugar. Realmente são trinta kilometros de ripio e muita subida. Saímos de 1800 para 3000 em uma estradinha bem empoeirada. O Valente no final já estava quase entregando os pontos mas nos levou e trouxe em segurança. 

O lugar é de um silêncio esmagador, somente o vento assobiando nas placas e nossas pegadas na terra soavam neste lugar. Visão ampla do Aconcagua, do outro lado uma cama de nuvem fechava o vale, lhamas ou guanacos, não sei ao certo, pastavam por ali bem tranquilos, sem se importar com nossa presença. Uma caminhada de uns 800 metros nos levava ao topo da mais alta via Crucis do mundo, do século XVII, feita pelos jesuítas, com o objetivo é unir história, a natureza e religião, chamada Cruz de Paramillos. Ficamos por ali um tempo e curtimos o lugar tirando fotos, fazendo filmes e simplesmente contemplando o lugar. Depois descemos toda a via Crucis.

Um carro com um casal vindo de Buenos Aires passou por ali e comentamos sobre a beleza do lugar. 

O horário já marcava perto das 14 h e a fome estava batendo, então descemos os 30 km de novamente na cidade de Uspallata compramos quatro empanadas de carne e fomos comer no carro. Após nosso almoço partimos em direção definitiva a Viña que vamos visitar e dormir se possível. No caminho de descida de Uspallata a Mendoza, uns 50 km abaixo, avistamos o Dique de Potrerillos. Um lago mais que azul, claro que com a ajuda do céu azul ficava uma coisa espetacular, e decidimos entrar para ver. Na beira do lago existe um camping do ACA (automóvel clube argentino), porém existe também uma grande área bem na beira do lago com área livre de camping. Sem estrutura alguma, mas como temos água e energia para um dia, resolvemos ficar ali mesmo. Muitas fotos, um por do sol nas montanhas com lago azul, coisa dos deuses, E logo que o sol se pôs a temperatura caiu rápidamente. Infelizmente umas nuvens cobriram o lugar é não pudemos ter uma visão da noite com as estrelas. A Janeh preparou um jantar e comemos ali dentro do carro. Tomamos um banho e fomos deitar.


Dia 30 - O Incrível Azul do Dique Potrerillos.

À noite foi longa, o sol apareceu somente quando já eram quase nove horas. A temperatura mínima fora do carro ficou em 6,9 graus e dentro em 13 graus. Saímos para o café e enquanto arrumávamos as coisas duas mulheres se aproximaram de nós e perguntaram se tínhamos como aquecer água, traziam consigo uma garrafa térmica

com água e precisava ser aquecida. Uma delas é daqui de Mendoza mesmo e a outra uma freira de Angola. Perguntou se falávamos português e confirmamos. A Janeh aqueceu a água para elas no fogão e elas se foram e sentaram perto do lago para conversar. 

Após nosso café, um bom papo arrumamos tudo para partir e achar a finca onde talvez esta noite vamos provar uns vinhos e onde vamos dormir. Amanhã seguiremos, talvez em direção a San Luiz. Porém nossos planos foram alterados logo nos primeiros metros quando encontramos outros acessos ao lago e um que nos levava até a parte alta do dique. 

Claro que foi imperdível e logo paramos, deixamos o Valente e saímos caminhar com as nossas máquinas para fazer fotos lindas do alto de um cerro com uma vista espetacular do lago. Para fazer um trabalho de filmagem mais decente é necessário o tripé e tinha ficado no carro. Enquanto a Janeh ficou ali contemplando aquele lugar eu desci para buscar o tripé e retornei. Ali fizemos uns vídeos e mais fotos. Saímos dali e seguimos até o final da estrada que tanto o GPS quanto as placas diziam que nos levaria devolva a ruta 7 em direção a Mendoza, porém a estrada acabou no dique e tivemos que voltar até a Vila de Potrerillos e assim retornar a Ruta 7. No trevo de acesso a ruta um carro vendia uns sanduíches entre outras comidas. Paramos ali e perguntamos se tinha empanadas, o argentino muito "delicado" olhou para a placa do menu e disse: "Tiene o que está aí abajo". Rimos, agradecemos e seguimos.

Desde ponto não paramos mais. Saímos da Ruta 7, entramos na Ruta 40 e mais uns metros encontramos nosso camping Viñas de Vieytes, que descobrimos estar em meio a diversas fincas e era apenas um camping e não como pensávamos ser um camping dentro de uma finca. Mas tudo bem, o lugar é legal e decidimos ficar. 

O caseiro disse que somente nós estávamos e o camping era nosso, podíamos parar onde quiséssemos. Como ele foi tão gente boa perguntei se poderia lavar o Valente em algum lugar pois ele está a muitos dias sem ver água, e estava imundo. Pegamos praia, deserto, areia, barro, maresia, estava um nojo. Ele disse que sim e então estacionei e enquanto a Janeh preparava nossa refeição, eu iniciei um árduo processo de lavar cada lado. A sujeira era tanta que tive que fazer o processo três vezes, e no final a Janeh me ajudou com a secagem e limpeza interna das portas. Foi bom pois pegamos muito pó em Uspallata e assim demos aquela geral. Acho que foi a maior em 11 meses. Só não foi perfeito pois não consegui lavar o teto, só passei uma água para tirar o pó mesmo. 

Logo quando acabamos escolhi um lugar para estacionar e montar o acampamento. Enquanto a Janeh foi lavar umas roupas eu instalei tudo e começou a chegar outros carros. Estávamos sós e do nada surgiram campistas. A razão é que hoje é quinta feira e amanhã sexta feriado do dia do trabalhador, dia 01/05. Ainda bem que escolhemos um lugar sem invadir outras vagas. 

Fomos tomar um banho quente no banheiro do camping e retornamos para o carro, a noite foi de um último vinho e pão e queijo. Aqui próximo a Mendoza tem sinal aberto de TV Digital e conseguimos pegar alguns canais locais e assim assistimos o jornal nos inteirando das notícias. Fomos dormir por volta das 23 h.


Dia 01 - Dia de Visitar Vinícolas e Olivículas.

A noite não foi tão fria pois estamos mais baixo em relação às outras noites. O tempo por aqui está agradável, para quente e nublado, com aquela cara de que vem chuva.

Hoje decidimos ficar mais um ou dois dias e visitar uma ou duas bodegas de vinho e uma de produção e extração de azeite de oliva. Após o café estudamos o mapa que ganhamos aqui no camping com as diversas opções, fissemos nossas escolhas e nos preparamos para uma caminhada de uns 5 km de ida e 5 km de volta. 

Decidimos assim pois hoje é feriado e logo cedo começou a chegar muitos carros para uma festa e alguns para acampar. Não queríamos perder nosso lugar e então deixamos o carro montado e fomos a pé mesmo. A ida foi tranquila,  passamos por outros vinhedos e apreciamos o lugar. O primeiro ponto que escolhemos foi a Pasray, uma Olivícula, empresa de extração e produção de azeite de oliva, puros e com aromas como alho, alecrim, orégano e pimenta, além de frutas secas como uva passas e tomates secos e em pasta. Também possui uma linha de cremes e cosméticos. Hoje é feriado e estavam abertos somente para visita guiada, porém não para produção. Esse lugar não tem plantação, apenas compra a matéria prima dos produtores e deste 1985 produz somente a primeira prensagem vendendo a pasta para outras empresas que utilizam para segunda, terceira ou outros produtos. A partir da segunda semana de maio eles iniciam um produção mais forte após a colheita das azeitonas. Foi um passeio muito interessante, pois aprendemos todo o processo desde a azeitona verde, virgem até o produto final. Pudemos fazer uma prova dos azeites e conhecer um pouco mais de como utilizar e combinar os azeites aromatizados. Ao final compramos alguns produtos por um preço muito bom.

Saímos dali com fome e na bodega que iríamos sabiamos que possui um restaurante e então caminhamos até lá. Passamos por 800 metros dentro da finca e fomos provando algumas uvas pelo caminho que se mescla com parreiras de uvas cabernet, merlot e moscatel além de grandes oliveiras carregadas. A parte triste é que quando chegamos fomos informados que hoje o restaurante não estava aberto e nos indicaram um outro restaurante à frente, fora da finca. 

Seguimos em busca do restaurante porém quando encontramos, além do preço ser um pouco salgado para o que pretendíamos gastar, não estavam aceitado cartão. Seguimos então pela rua a procura de empanadas e encontramos uma casa com uma placa feita escrita à mão com caneta: "Hoy empanadas".  Entramos e perguntamos se ainda tinham e naquele momento uma fornada estava saindo. Pediram 50 pesos para doze empanadas quentinhas. Compramos todas e saímos. Ali perto compramos um suco e sentamos na praça para degustar as empanadas. É claro que sobrou a metade para a Janta!

Retornamos então a Bodega para fazer nosso tour e degustação. Na recepção o rapaz que nos atendeu pediu para aguardar que estava chegando um grupo e poderíamos nos juntar a eles. Ele nos ofereceu uma meia taça de vinho orgânico Merlot e ficamos aguardando. Em uns 30 minutos chegou um grande ônibus com 68 jovens chilenos, já muito animados e esse era o "pequeno" grupo a que deveríamos nos juntar. Nos recusamos e dissemos que voltaríamos amanhã pois andar na finca com 70 pessoas, com um falando a céu aberto, não iríamos aproveitar nada. Eles disseram que poderia ser melhor assim, agradecemos e partimos para nossa caminhada de retorno de 5 km. A volta foi mais dura, mas chegamos. A Janeh foi dar uma descansada e eu escrever um pouco.

A noite preparamos nosso jantar e assistimos um pouco de TV. Faz tempo que nossa TV não encontra um canal aberto, e aqui até canal digital tem. Assistimos ao noticiário e alguns programas.


Dia 02 - Visita a Bodega Trapiche e um Camping Encantador.

Hoje teremos muitas atividades. Arrumamos tudo e partimos para executar a nossa lista. Ir ao Walmart, depois tentar encher o nosso botijão de gás, visitar o parque San Luis, visitar a Bodega Trapiche e, por último, a Bodega de de vinhos orgânicos que ontem não foi possível. Ali vamos tentar passar a noite também, já que a degustação vai ser mais ao final da tarde e temos informação que existe hospedagem, e vamos tentar pernoitar com o Valente.

Primeira atividade da lista, encontrar o Walmart, não foi difícil, e na entrada uma placa restringindo a nossa entrada pela altura do carro. Estacionamos do lado de fora e fomos a pé. Porém quando entramos no estacionamento vi vários carros como o nosso estacionados e perguntei ao segurança como entrar? Ele me indicou uma outra entrada sem a restrição e enquanto a Janeh aguardava eu retornei para buscar o Valente. Agora sim, estacionados dentro do parque do supermercado fomos as compras. 

O Walmart da Argentina nos lembrou, em muito, os americanos. Infelizmente coisa que não acontece no Brasil. Bons produtos, variedade, muitas marcas que encontramos nos EUA, e bom preço. O valor dos vinhos aqui beira ao ridículo de tão baratos. Chega a ser mais barato que nos freeshop's nas fronteiras. Pegamos o que precisávamos e saímos em busca do lugar para abastecer o gás. 

Não sabemos quanto temos de gás, mas como temos uma indicação aqui de que é possível dar carga, vamos tentar completar a nossa. Rodamos pela cidade com o auxílio do GPS e conhecemos um pouco mais dos bairros de Mendoza. Gostamos muito do que vimos, e confesso que achava que os Argentinos dirigiam mal, isso porque minha ideia era muito de Buenos Aires, que é uma loucura. Porém, depois de dirigir em tantos países, entrar na Argentina é quase como dirigir nos EUA. ao menos aqui na região de Mendoza o povo respeita o próximo e os sinais. 

Encontramos o lugar mas por ser sábado à tarde estava fechado. Não sabemos se era por ser sábado ou por estarem na hora da cesta. Enfim, fomos embora. Devido o horário avançado desistimos do parque San Luis, quem sabe amanhã. 

Fomos direto a Bodega Trapiche, que é muito conhecida no Brasil e costumamos consumir vinhos dessa Bodega. O GPS novamente nos guiou rapidamente e passamos por muitas outras bodegas na região de Maipu. Os prédios são lindos, hora modernos, clássicos e antigos ao mesmo tempo. Na entrada o guarda nos avisou que já tinham iniciado o tour e não poderíamos mais. Eu insisti em entrar no meio do tour e com uma ligação para dentro da recepção nos foi autorizado. Entramos e nos juntamos ao grupo e seguimos. Ao final, fizemos uma degustação de três vinhos, sendo uma espumante entre eles. Depois ao final iniciamos o tour novamente com o segundo grupo e ficamos até a parte que entramos e por último assistimos o filme que é apresentado na introdução. Ou seja, nosso tour foi todo aos avessos, mas concluímos. Saindo dali já perto das 16:30h seguimos a outra bodega de vinhos orgânicos para tentar o tour e passar a noite. A Janeh achou que não daria mais e que não permitiriam dormir lá. Como sou cara de pau, se está escrito no folder que tem alojamentos e o tour é até as 18h, vou tentar. Chegando lá ás 17:15h e já não nos permitiram mais fazer o tour, e então perguntei sobre passar a noite. O rapaz que estavam falando conosco não tinha certeza se seria permitido e então foi perguntar. Retornou e disse que os prorprietarios disseram que não tem autorização para funcionar como camping, somente com hospedagem. Eu ainda pedi para falar com a dona e insisti que amanhã retornaríamos para fazer o tour, e que já era a terceira vez que estávamos tentando, e que em meio da zilhões de Bodegas escolhemos essa. E que num sábado à noite não cria que haveria uma fiscalização e no mais para mim, não existe diferença entre ficamos dentro de um quarto com o carro aqui fora estacionado e ou dormir dentro do carro. Não iria utilizar, nem água, nem banheiro e nem energia do lugar, somente estacionar ali dentro e amanhã já estaria ali para o tour. A resposta foi a mesma para todos os argumentos: Não podemos! Incrível, como alguns lugares parece não ter interesse algum de atender bem o cliente. É do tipo, se quer é isso, se não quer pode ir. Eu perguntei na Bodega Trapiche se poderia ficar ali e também não foi autorizado. Até dá para entender, pois é uma grande fábrica, tem câmeras, segurança e funciona direto. Uma área industrial. Porém em uma finca familiar, onde não se tem produção em final de semana e existe hospedagem, eles deveriam repensar e se a questão é autorização municipal, ter uma.

Nossa opção já quase escurecendo era retornar ao camping que passamos a noite anterior que estava a 6 km de distância, ou procurar outro lugar. Busquei no GPS os campings próximos e a lista era grande. Escolhemos um e seguimos até o Camping de Caça e Pesca de Maipú. Seguimos dirigindo ao por do sol na cordilheira e em meio a muitas plantações de uva e azeitonas. Esse lugar é incrível, e nesta época do ano mais ainda. Encontramos o lugar e fomos muito bem recebidos por um senhor que somente nos alertou que ficaríamos sozinhos acampados, pois todos se foram. Sem problemas, assim teremos todo silêncio do mundo. Apenas um caseiro estava no local como segurança. Ele nos indicou os lugares para ficar com água, energia e ducha, pelo mesmo valor que pagamos na noite anterior. Porém, o lugar é muito mais bonito que o outro. Um lago com gansos, patos e uma vista fantástica da cordilheira branca de neve. Ali ficamos essa noite.


Dia 03 - A Despedida de Mendoza.

Acordamos com vontade de ficar mais uma semana, porém não temos mais tempo, se ficamos aqui temos que correr depois. Acredito que a decisão de vir por essa direção e não descer no Chile foi a acertada. Vir a Mendoza nesta época do ano é linda demais. Hoje, o sentimento de final de viajem amanheceu forte, tanto para mim como para a Jane. É um sentimento estranho e dá vontade de chorar e de rir de alegria ao mesmo tempo. Um sentimento de realização e de saudade. Não de quem ficou no Brasil, agora a saudade é de todos os lugares e pessoas que conhecemos, que fizeram parte deste ano louco que vivemos. Chegaremos ao Brasil com sensação de final de ano, e não de inicio de inverno, tudo isso é muito esquisito. Vontade de ficar e não de voltar. Saímos do camping com a imagem da cordilheira ficando cada vez mais branca. Lá encima já deve estar nevando a noite. O GPS nos mandava para um lado e eu ia para o oposto, só para dirigir mais um pouco em meio a tantos vinhedos e propriedades encantadoras. Casa simples e antigas, famílias reunidas do lado de fora fazendo sua refeição de domingo juntos, clima de início de inverno, sol brilhando e céu azul. Dia perfeito para muitas fotos. O pé no acelerador não apertava, ao contrário, aliviava. Andando a 50, 40 km/h no máximo, tentando desfrutar desse momento mais e mais. Até que finalmente as vinhas foram diminuindo e ficando para trás, assim como a cordilheira que agora  víamos somente no retrovisor. A chegada pela Ruta 7 a Mendoza com a vista para a cordilheira dos Andes é emocionante, e a saída é triste. Falamos um com o outro. "Não tem jeito, ficar hoje é só adiar o amanhã, depois temos que sair, e sempre fica mais difícil, então vamos em frente". 

Assim o Valente foi tentando ganhar velocidade, 60, 70, estava difícil andar a 80 km/h, e não porque era a máxima ou pelo trânsito. Muito pelo contrário, pista duplicada, vazia, dia claro com sol e máxima de 110 km/h. Porém a saudade do que ficava para trás não deixava ir mais rápido! Até que mais e mais carros passavam rapidamente por nós e já não podíamos mais ver a cordilheira, agora coberta por uma neblina. Nos demos conta que era domingo a tarde, e o povo que saiu no feriado agora voltavam apressados para suas casas. O trânsito começou a ficar mais intenso, principalmente no sentido para Mendoza. E então seguimos nosso caminho. Em um pedágio um caminhão do Brasil passou por nós buzinando e foi para nós como se dando as boas vindas. Mais à frente cruzamos com ele novamente e mais uma vez nos cumprimentamos. Que coisa, depois de tantos meses sem ver uma placa brasileira a não ser a do Valente, agora novamente placas do Brasil.

Em uma barreira de controle sanitário fomos parados e pediram para abrir o carro. Pensamos, poxa vida ontem fomos ao supermercado, e compramos comida, frutas, verduras e carnes. De novo: não!

Eu falei para a Jane, não abra a boca, deixa que eu falo. O rapaz abriu a porta do carro e perguntou: "Vocês trazem verduras e...?" Antes que ele terminasse eu já disse: "não temos!". Ele agradeceu e fechou a porta e mandou seguir. Que coisa, esse povo gosta de tirar comida da gente! Se ainda fosse um caminhão de verduras e frutas! As vezes é somente uma cebola, dois tomates e nos tiram, como se isso pudesse trazer pragas para o país deles!  

Chegando a San Luis encontramos uma ponte fechada e com um desvio, com uma péssima sinalização, mas seguindo o instinto conseguimos nos colocar na rota novamente. Saímos de Mendoza a 900 m.s.n.m e descemos a 300 m.s.n.m. e logo já estávamos subindo novamente a 1000 m.s.n.m. 

Chegamos a serra de San Luis, que tem seu cruze máximo a 2200 m.s.n.m. Buscamos um camping que está indicado no IOverlander e encontramos o La Serra El Volcan, com os portões fechados. Já estava escurecendo e o lugar estava fechado. Nessa viajem aprendi a ser mais carudo e não aceitar as portas fechadas. Desci do carro e fui até o portão, não estava com cadeado, então abri e entrei a pé. Fui até uma certa distância e vi umas cabanas em frente. Voltei e entrei com o carro e fui buzinado, e pensei que se tiver alguém, vão abrir, se não a gente ou fica ou sai. Chegando mais ao fundo vi duas crianças em meio às árvores perto de um cavalo. Eles vieram até nos falando alemão. Disse que não falava nem espanhol e nem inglês. Mas falou em inglês que seu pai estava na casa. Foi o suficiente e logo o senhor Bernardo, um alemão muito simpático e falante veio nos receber. Eu expliquei que tínhamos a direção desse lugar como camping e que o portão estava fechado e eu abri e entrei. Ele disse que recém tinha chegado e que não havia problema algum. Mostrou onde nos instalarmos, me ajudou com a luz e disse que não cobraria nada. Podemos ficar ali quanto quisermos. Disse que se quiser pagar, uma champanhe das mais baratas serve. Nos instalamos e fomos preparar nosso jantar.


Dia 04 - A Serra de San Luis.

A ideia hoje é tentar contato com o Gaston Schimit, um argentino que encontramos quando passamos aqui na ida e quem sabe será possível um encontro. Queremos umas dicas também de qual caminho tomar para irmos à Paysandú e sobre como anda a corrupção da polícia na região de Rosário. A internet aqui não é das melhores mas está dando pra fazer uns contatos e dizer aos que interessam onde estamos.

A Janeh preparou o café, mas percebi que ela está um pouco estranha hoje, meio angustiada e fechada. Por ela sairíamos hoje e nem conheceríamos nada por aqui. Mas insisti em conhecer a propriedade e ver os carros de outros viajantes que estão por aqui. O Bernardo guarda carros do mundo todo para os viajantes europeus em geral, que deixam seus carros aqui por até 8 meses enquanto retornam para seu país de origem à trabalhar e depois retornam para continuar viajando. Saímos pela propriedade caminhando e quando estávamos vendo os carros de outros países o senhor Bernardo chegou dando bom dia e como sempre muito animado. Acabara de soltar os seus 4 cavalos no campo e veio até nós conversar. Ele vive na Argentina há trinta anos e aqui já se divórcio e se casou novamente. Mora em uma grande propriedade, e toda a família próximo: a ex esposa que vive em uma casa ao lado, o  filho do primeiro casamento cuida de um condomínio nos fundos. Na outra casa vive com a atual esposa e um filho,pré adolescente. Se dedica a cuidar dos seus 6 cavalos e incentivar o filho a estudar e treinar polo. Curte viajar de moto BMW e quer fazer um grande motorhome que possa levar quatro cavalos e uma habitação completa para quatro pessoas. Já tem tudo planejado, porém acha que aqui na Argentina vai gastar muito para executar esse trabalho e acredita que poderá fazer isso no Brasil. Conversamos sobre a Argentina, sua atual situação econômica e lugares para se conhecer por aqui. 

O lugar onde estamos tanto no clima quente quanto frio sendo bem seco. Muita vegetação e não lhe falta nada. O lugar é bonito e seguro e está a 35 km de San Luis que tem uma infra-estrutura bem completa, caso precise de algo. Nos ofereceu ficar o tempo necessário sem custos. Pedi umas dicas sobre por onde seguir e ele me sugeriu seguir pela Ruta 8 até Rosário e depois em direção a Cólon para cruzar para o Uruguai.

Nos despedimos e saímos para conhecer o lugar. As estradas por aqui são ótimas, muitos trechos duplicados e separados por muita vegetação serrana. Dirigíamos a 60 km/h sem pressa. Fomos até o localidade de Trapiche e depois ao dique La Florida. Um lugar fantástico, silencioso e com muitas áreas de camping gratuitas e para fazer uma boa parrilhada. Paramos à beira do lago e a Janeh preparou uma refeição deliciosa. Colocamos a mesa e as cadeiras na beira do lago e ali ficamos ao sol fazendo nosso almoço. Isso já deveria ser umas 2 horas da tarde. Mas quem tem pressa em um lugar assim? Lago azul, clima agradável, silencio, céu azul sem uma nuvem e somente o barulho das águas batendo suavemente pequenas ondas no mato. A Janeh estava ainda bastante emotiva e eu percebi e disse que ela precisava dar comandos a sua mente e viver o hoje. Não pensar na volta e nem no amanhã. Estamos indo bem devagar agora,  sem pressa. Mas ela despencou a chorar e dizer que não queria voltar. Isso está fora dos planos. Temos que voltar e concluir nosso projeto. Depois é depois. O lema é viver um dia por vez. Na ida, os primeiros meses as crises eram minhas, agora são dela. Eu também não quero voltar a ter a vida que tínhamos no Brasil, mas estou certo de que temos que sentar depois de tudo e rever tudo o que foi feito e o que faremos nos próximos meses.

Saímos dali e continuamos o passeio e fotos e mais fotos. O lugar é incrível. De volta à localidade de Trapiche paramos na pequena praça central é uma boa internet free estava disponível na cidade. Enquanto tentávamos contato com o Gaston eu aproveitei e enchi o tanque de água em uma torneira ali na praça prontinha para ser usada. O Gaston nos informou que um tio havia falecido hoje e não poderíamos mais nos encontrar. Expressamos nossos sentimentos pelo falecimento do seu tio, nos despedimos e agradecemos o contato.

Retornamos então ao camping do Bernardo e novamente nos instalamos. Tomamos um banho no Valente e enquanto a Janeh preparava algo para comer eu limpei o banheiro. Depois jogamos algumas partidas de sequence e fomos dormir. Amanhã saímos em direção à Vila Maria.


Dia 05 - Cruzando a Argentina...

Levatamos cedo e ajeitamos as coisas, nos despedimos do Bernardor e agradecemos a hospedagem. O Bernardo nos deu uma dica importante sobre qual ruta seguir sem que regressemos a San Luis. Saímos em direção à Vila Maria. Seguimos assim e saímos sem abastecer, pois eu queria ver qual a autonomia que conseguiríamos manter. Rodamos até Rio Cuarto pela ruta 8 fazendo uma linda viajem. Ali chegamos a 1008 km rodados desde o último abastecimento no Chile e conseguimos a incrível média de 12 km por litro! Acredito que foi a maior, e ainda tínhamos a reserva e um pouco. Bom saber que temos toda essa autonomia andando abaixo ou até no máximo 90 km/h.

Ali mesmo tomamos um café, já perto das 13hs, compramos umas medialunas e demos uma olhada na internete aproveitando a Wi fi do posto. Depois a parte chata da viajem foi de Rio Cuarto até sairmos por for de Vila Maria na ruta 9. Já estava um pouco cansado, porém ainda era cedo para parar. 15:30h, decidi seguir um pouco mais e andar um pouco mais rápido já que a pista por aqui  rápida com máxima de 130 km/h. Nos andando a 110 estava ótimo. Estávamos buscando um posto para passar a noite e não encontrávamos, pois nesta Ruta que liga Córdoba a cidade de Rosario todos os postos ficam em cidades ao lado da rodovia, sendo obrigado sair e buscar algum lugar. Não é permitido dormir nesta ruta também. Porém na altura de Leones, bem no meio da rodovia uma grande estação de serviço da rede YPF acabada de ser inaugurada estava ali parece que nos aguardando. Um ótimo lugar para passar a noite sem ter que sair da Ruta. Ali conseguimos água e WI-FI. Perfeito, escolhi um lugar tranquilo e ali passamos a noite.


Dia 06 - O Encontro com Christian e Betina.

Acordamos pelas 8:30 com o por do sol no campo próximo a rodovia, preparamos nosso café ao som da banda norte americana Dc talk, e muito animados saímos em direção a Rosário, onde queria entrar para buscar as palhetas do limpador de parabrisa que só é possível na concessionária renault, e aqui em Rosário parece que existe uma loja de reposto da Renault. Em um dos pedágios que passamos ocorreu algo interessante: com diversas cabines, escolhemos uma de forma totalmente aleatória, e a atendente nos perguntou se estamos viajando com o outro caminhão que passou antes de nós? Dissemos que não, que estamos sozinhos. E ela insistiu que pensou que estávamos juntos pois recente passou um caminhão tipo casa rodante e seguiu ali. Ok, agradecemos e seguimos nosso caminho.

Mais uns kilometros à frente avistamos o tal caminhão sem identificação, porém com certeza um desses caminhões da Alemanha rodando a nossa frente com os dizeres atrás: "Smile and the world will smile for you" (sorria e o mundo sorrirá para você). E imediatamente lendo isso eu disse a Janeh: vamos passar o carro deles e vamos buzinar e sorrir. Fizemos assim e fomos rapidamente correspondidos, porém não fizemos menção de parar e nem eles. Acreditando ser um carro da Alemanha, e rodando bem lentamente logo ficaram para trás.

Mais uns kilometros e entramos na cidade de Rosário, onde fui em busca das peças que preciso. Estacionamos em uma rua e enquanto a Janeh ficou aguardando eu sai caminhando até uma concessionária Toyota e perguntei onde poderia encontrar repostos para a Renault. O segurança me  indicou uma ali perto onde fui ajudado por um senhor que não vende Renault mas fez questão de procurar no seu computador a direção que eu precisava. Agradeci e retornei ao Valente, seguimos até encontrar o lugar que o senhor me indicou com uma precisão incrível. Dizendo o número exato de 78 quadras e onde estava o lugar que procuramos. Ali estacionei e fui comprar o que precisava, retornei e pegamos estrada deixando a cidade de Rosário. Preciso destacar algo aqui que o senhor que me ajudou a achar o lugar da Renault frisou muito. Em Rosário está o monumento nacional da Bandeira Argentina, bem no centro da cidade em uma praça. Ele me repetiu isso várias vezes, que em Rosário está o monumento, e repetiu, e repetiu. Acho que isso é muito importante para eles, então, vale destacar.

De volta a rodovia, agora em direção a Cólon, e ainda tínhamos um longo caminho pela frente, paramos em um recuo de caminhões para fazer nosso almoço. Passado alguns instantes, o caminhão alemão que vimos pela manhã passou e parou, creio que viu que já estávamos parados, então parou também. Um casal com duas cachorras. Christian e Betina e suas duas cachorras. São da Alemanha e a 12 anos vieram para a Argentina e Chile e por aqui vivem de um lado para o outro. Conversamos um pouco e falamos sobre as coincidências e sobre nossos destinos. Todos estão indo para o Uruguai,  nós por Cólon a Paysandu, eles de Gualeguaychú para Fray Bentos. Muito mais perto por sinal. A razão de irmos por Cólon foi que nos disseram que Fray Bentos estava fechada. Mas eles disseram que não, que está aberta. Bem então resolvemos todos ir juntos.

Como estávamos preparando nosso almoço eles seguiram e ficamos de nos encontrar mais à frente em algum ponto a uns 100 km. Foi fácil reencontrá-los, pois o caminhão é único, e estamos em um região de pampa, muito agrícola, e onde eles pararem nós os veremos. Próximo a Gualeguay encontramos o caminhão estacionado em meio a um campo, uma propriedade de soja, que já havia sido feita a colheita. Um campo aberto próximo a umas árvores. Entramos ali também é eles falaram que por eles poderiam passar a noite ali mesmo, se nós não nos encomodassemos. Eu olhei medisse, mais esta,os dentro de uma propriedade. E no ponto de vista deles, não era assim. Aquilo era um campo aberto sem porteira, e mesmo sendo uma propriedade, não havia placa de proibido entrar. Ficamos um pouco desconfiados, mas desliguei o carro. Em uns dez minutos, uma pick-up se aproximou e um homem se apresentou como capataz e disse que não poderíamos estar ali, que o dono não estava mas não permitia ninguém na propriedade. Imaginamos que seria assim, pedimos desculpas e saímos.

Seguimos mais uns kilometros antes de Gualeguay e encontramos um bom lugar próximo a estrada, fora da estrada e fora de qualquer propriedade, em baixo de muitas árvores com milhares de ninhos de loros, uma espécie entre o  periquito e o papaguaio, fazendo uma grande algazarra. Um lugar especial. Ali estacionamos e passamos a noite. O Christian e a Betina nos convidaram para um papo dentro do carro deles. Fomos as 20h e ficamos até as 23h contando histórias de nossas vidas e viajens, mais um tempo especial. Eles viajam com as duas cachorras e amanhã precisam ir até Gualeguay para pegar uma permissão para entrar no Uruguai, e nós precisamos de uma internet para comprar o seguro Carta Verde que ainda não temos, e se a polícia nos pega sem, será problema na certa, e para entrar no Uruguai é certo que vão nos pedir na aduana.


Dia 07 -Dia de Deixar Argentina.

Acordamos cedo hoje pois combinamos de sair as 8:30 para render o dia. Temos que dirigir 60 km até Gualeguay e pegar o comércio aberto. Isso porque tudo por aqui fecha as 12 e somente reabrem as 16h. Se alguma coisa der errada teremos que esperar até as 16h, isso nos coloca uma noite sem necessidade dormindo em um lugar sem nenhum atrativo. Eu e a Janeh saímos primeiro e ficamos de nos encontrar mais à frente. Não vai ser difícil nos acharmos. Na primeira estação de serviço paramos e conseguimos água para o tanque e internet para falar com o Jeison, nosso corretor e conseguir a Carta Verde. Ele inclusive fez o pagamento para nos pois estamos com dificuldade para fazer transações bancárias na internet. Levamos a manhã toda mas deu certo. Fizemos uma impressão em papel verde para ficar bem parecida com o original e tudo fechou ao meio dia. Neste tempo já havíamos reencontrado a Betina que estava furiosa pois não conseguiram o documento para as cachorras. Pagam o valor de trinta pesos por cada animal no normal e aqui o oficial quer cento e cinquenta pesos por animal. Eles vão parar a tarde e ninguém trabalha amanhã, talvez somente na segunda feira. Foram mal atendidos e disseram que a corrupção é grande. Não sabiam o que fazer. Viajar com animais sempre é um problema, tem que ter muita paciência e sorte. Encontramos alguns casais com animais, e todos dizem que sempre tem problemas. É possível, mas sua vida fica em função dos mesmos.

Diante deste empasse eles pensavam em seguir até a próxima fronteira em Colón e cruzar por lá. Hilário isso, nós é que iríamos por lá e agora estamos trocados. Demos algumas dicas sobre o Brasil, e trocamos correios eletrônicos para um encontro futuro, nos despedimos e pé na estrada.

Dirigimos até Gualeguaychú e paramos para abastecer e fazer uma refeição. Ali aproveitamos que tínhamos o tanque de água cheio e tomamos um banho. Uma situação desagradável se passou neste posto com o frentista que não gostou que eu tampei a máquina do cartão quando digitei a senha, disse que ele não era delinquente. E outro sujeito que estava sem paciência querendo que eu retirasse o carro da bomba enquanto efetuava o pagamento. Essas duas situações me fez refletir sobre qual o melhor lugar para se estar em um país. Creio que o melhor lugar é longe das cidades de fronteira, pois ali o povo é sempre meio revoltado, não sei se porque se os recursos não chegam ali, se talvez tem inveja de quem passa por ali. E o outro lugar é nas capitais e grandes cidades, onde a exploração e perigo estão sempre a sua porta. Ou seja, conclui que fora desses centros o interior é o melhor lugar para se estar.

Seguimos para a Ponte Internacional que liga Gualeguaychú a Fray Bentos...

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