Retorno - América do Sul - Perú (06/04 a 17/04)

17/04/2015 16:58

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Dia 06/04 - Adentrando o Perú, finalmente!

... Seguimos então em direção à Tumbes para depois chegar em Zorritos. Viajando pelo lado Peruano ficamos a pensar, e comentamos: porque  tanta
burocracia para entrar em um país tão sujo? Perú tem o pior trânsito das Américas, tem uma economia muito pior do que do Equador.Temos muita vontade de voltar ao Equador e até viver lá por um tempo, mas nunca no Perú! E nos tratam como se quiséssemos entrar e nunca mais sair!

Na entrada de Zorritos paramos para comprar umas frutas e trocar nossos últimos dólares agora por Solis. Percebemos uma mudança na região. Mais
verde, devido às chuvas e com muito lodo seco nas ruas e calçadas. Isso foi devido às chuvas que assolaram a região desde o Chile até Salinas no Equador,
destruindo cidades, ou povoados inteiros no Chile em uma única chuva. Ríos se formaram em uma região que nunca, ou quase nunca, chove e seguiu destruindo tudo. Arrastando casas e derrubando telhados que não foram feitos para receber chuva. Essa mesma chuva chegou a Zorritos mudando a paisagem.

Na entrada, o local que iriamos ficar e que gostamos tanto no ano passado está em obras devido à chuvas. Ali não podíamos entrar, mesmo assim paramos e fomos falar com nossos amigos, Cindy e Jorge que são os donos do Hotel Pinamar. Nos receberam de braços abertos e por fim, demos um jeito de entrar e arrumaram um espaço para nós. Ainda fomos ver o estrago na praia, conversamos com uns pescadores, nadamos um pouco na piscina e pedimos uma porção de pescado com uma cerveja para relaxar.

À noite, nossos amigos nos convidaram para um jantar por conta da casa. Maravilha! Alí conversamos, até quase meia noite, contando histórias e tirando dúvidas sobre uma possível viajem dos dois. Quem sabe o bichinho pica eles¨¨, como diz nosso amigo Aldo de Miami. Segundo ele, ¨depois que o bichinho te pica, não dá mais para parar!¨.

Vamos dormir felizes por um dia de vitórias e reencontros!


Dia 07  - Dia de trocar óleo do Valente

A vontade de ficar uns dias em Zorritos foram frustradas pelo nosso atraso na Aduana e pelas obras no local. Ficar ali parecia não fazer muito sentido agora. Acordamos e decidimos seguir até Piura, comprar os filtros e óleo para fazer a troca no Valente. Depois seguir até onde conseguirmos!

Chamamos nossos amigos, acertamos a conta e nos despedimos, que, sabe um dia eles vão até o Brasil e nos fazem uma visita.

Partimos e pelo caminho seguimos vendo a mudança que as chuvas provocaram no lugar. Tudo estava bem diferente de quando passamos por aqui. Chegamos até Piura bem tranquilos, parando no caminho, compramos pão, comemos e seguimos. Logo na entrada de Piura, na própria panamericana, encontramos a concessionária da Renault. Para nós, infelizmente não foi possível e não compensava comprar os filtros e óleo para eu mesmo fazer a troca, e então acertei um valor para fazermos ali mesmo. O consultor prometeu para ás 15:30 h estria pronto porém, só nos entregou ás 16:30h. Um fato curioso foi que tentei comprar duas calotas para as rodas dianteiras que perdemos no Equador no ano passado, porém só vendem o jogo e não são baratas. E com isso eu perguntei a um funcionário se não teria como comprar fora, em um ferro velho. Essa pessoa disse que conseguiria duas para mim, depois deixaria dentro do carro. Porém em outro momento me chamou em um canto e disse que só poderia me conseguir uma caixa com quatro e perguntou quanto eu pagaria por
elas. Enfim, percebi que era uma tremenda fria o que ele estava me oferecendo e disse a ele que o que ele estava me dizendo não era correto é que poderia dar problema para ele e para mim. E eu não iria aceitar. Ele ficou meio sem jeito, e tudo bem. Não aceitei.

Saímos, e já eram 16:30h,  sem destino para dormir. Ficar em Piura nos atrasaria na questão distância para chegar em Lima até sexta feira, e teríamos um deserto de 150 Km pela frente. E com certeza teria que dirigir a noite para chegar a outra cidade. Como já sabia disso, conhecia o caminho, decidi seguir. Uma quase reta de 150 km e seguimos até a próxima cidade em Morrope. Logo na entrada achamos um Posto Repsol e como estava meio cheio, paramos ao lado do Posto, em frente a uma Oficina de Motos. O lugar era tranquilo ali dormimos.


Dia 08 - O Retorno a Huanchaco.

Huanchaco ficou marcado como a "cidade da ameba", pois em Julho do ano passado a Jane teve uma crise de "sei lá o quê", até hoje não entendi. Em uma amistosa conversa de casal ela me disse que estava se sentindo uma "ameba". Na ocasião a coisa ficou pior porque eu não sabia e nem imaginava o que era uma "Ameba". Agora lembrando rimos muito!

No caminho, ainda paramos em um supermercado para comprar suprimentos e chegamos ao Hotel Huanchaco Garden, próximo ao meio dia. Instalamos tudo e fomos dar uma volta e comer um Ceviche na praia. Ficamos por ali andando e conversando um pouco e depois retornamos ao hotel. Um jovem casal da Suíça estão ali também com seu carro e estão indo ao norte. Viajam a cinco meses e pretendem ficar na estrada por três anos. São bem mais jovens do que
nós e levam uma vida bem tranquila surfando, andando de bike, saltando de pontes, escalando, entre outros esportes extremos. Conversamos um pouco e fomos dormir.


Dia 09

À noite foi tranquilissima e decidimos ficar uma noite mais, aproveitando a paz do lugar e aproveitar também para trabalhar um pouco no site. Assim sairemos amanhã direto a Lima. São 600 km que tenho evitado de dirigir nesta fase de volta. Quando estávamos indo fiz isso muitas vezes, mas agora na volta estamos indo com distâncias menores sempre que possível. Então sairemos amanhã, e se não der, paramos no caminho.


Dia 10 - Chegar em Lima e Reencontrar Preciosos Amigos

Acordamos e preparamos tudo para sair, porém tomamos café tranquilos e então saímos. Hoje serão 600 km e, com as paradinhas,  creio que faremos umas dez horas. Na estrada, paramos para abastecer. 

Uma das coisas que mais nos chamou a atenção, mais uma vez, foi a grande quantidade de lixo ao redor das cidades no deserto. Por muitas cidades cruzamos pela periferia, passando pelas circunvalar, e em todo o trecho encontramos muito lixo. O cheiro também é insuportável. Nas cidades mais do interior, os peruanos não tem um local nas cidades onde depositam seu lixo, eles simplesmente vão colocando ao redor. É isso deixa tudo muito feio. 

O trânsito também é algo a ser destacado, pois é terrível! Em algumas cidades praticamente somente nosso carro estava na rua, os outros eram tuc tucs. 

Passamos pelo deserto de Huarmey, um lugar que para mim é incrível, porque de um lado temos as montanhas de rocha e areia e do outro as dunas e o oceano pacífico. A estrada passa pelo meio, e não há muito movimento, praticamente nenhum. Dirigir por ali é incrível. 

Próximo às 12hs entramos na praia de Tuquillo e fomos comer algo e conhecer o lugar. Um pequeno paraíso em meio ao deserto.  Seguimos e por volta das 17 hs estávamos entrando em Lima. Sexta -feira, final de tarde em uma megalópolis, não foi fácil. Levamos duas horas para entrar e chegar a casa de nossos amigos Bruno e Jessica. Tentamos outros caminhos, mas a cidade estava parada com o trânsito. A via expressa deixou de ser expressa há muito tempo. Mas entrar em Lima depois de já ter

dirigido aqui no ano passado e tendo para onde ir, foi uma experiência muito mais tranquila.

Reencontrar o Bruno e a Jessica foi uma experiência única também. Estar de volta depois de nove meses e com o gostinho de vitória,  por termos ido até os EUA e voltado, foi um momento especial. Quando chegamos o Bruno estava fora e fomos recebidos pela Jessica que nos preparou um lanche e conversamos um pouco. Neste dia o Bruno chegou bem tarde e já estávamos nos preparando para dormir, então somente demos um "oi" e todos fomos dormir.


Dia 11 - Comer Ceviche e Reencontrar Esli Mejía

Hoje sim,  foi dia de tomarmos café juntos, nos abraçarmos, e conversar no café até as 10:30h. Fizemos uma lista de atividades e uma delas era ir até a praça Dois de Maio onde existe uma concentração de lojas de instrumentos musicais. Somente eu e o Bruno fomos e a Janeh ficou na casa e aproveitou para lavar roupas e ficar com a Jessica. 

Foi incrível andar pelas ruas de Lima e ir entrando em muitas galerias e descobrindo mais e mais lojas. Nem o Bruno sabia que tinha tantas lojas ali!  A mais diferente foi uma com instrumentos típicos do Peru, e ali conheci a queixada de burro, um instrumento de percussão feito com a queixada de burro mesmo. Eles usam um processo químico para tirar a carne e deixam os dentes do animal preso na arcada dentária. Então segurando a base, com um golpe se faz soar os dentes que agora estão soltos, produzindo uma espécie de chocalho. Entre tantos outros. 

Perto das duas da tarde retornamos a casa para pegarmos as meninas e irmos almoçar. Hoje a ordem é ir comer Ceviche no mercado público, e aproveitar para provar os calamares e ceviche mixto de pescado e lagostins e o de conchas negras. Também vamos comprar umas frutas típicas do Peru para provar. Realmente visitar uma grande cidade acompanhado de pessoas que vivem aqui é bem diferente, pois não nos preocupamos com o valor que vamos pagar e onde vamos comer. 

O lugar é bem limpo, considerando ser um mercado público. Comemos ali mesmo, em pé no balcão. Tudo o que provamos estava delicioso! Compramos frutas e ainda fomos tomar um " helado",  sorvete em espanhol, antes de retornarmos. A tarde todos foram dar uma dormidinha básica enquanto o Bruno foi para seu ensaio na igreja. Tínhamos enviado uma mensagem para o Esli, nosso amigo mexicano que conhecemos em Cólon, no Panamá, e já havíamos encontrado em Cáli. Sabíamos que estava aqui em Lima e, para nossa surpresa, ele apareceu na casa do Bruno as 17:30h, sem termos combinado nada! Achei incrível como ele nos localizou e perguntei. Ele mostrou que seu messenger dá a localização de onde foi enviada a mensagem, e então ele se dirigiu até aqui, viu nosso carro na frente e tocou a campainha. Nem sabíamos que essa função existia, ou estava ativada. Uau, pensamos! Não sei se isso é algo bom ou ruim.  

Enfim, foi um prazer reencontrar o Esli Mejía e junto com ele conhecemos agora mais um rapaz, o Dereeck Hurtado, também cristão, e ficamos contando nossas experiências. O Bruno chegou e a Janeh e a Jessica que estavam dormindo também se juntaram a nós. Novas amizades, compartilhamos de nossas aventuras, testemunhos do mover de Deus, dos seus cuidados, e cantamos juntos. Mostrei minhas guitarras e pedais ao Esli e seu amigo e compartilhamos um tempo na presença de Deus muito bom, cantando em espanhol e em português. A fome bateu e a Jessica preparou um lanche para todos, e esse tempo ficou marcado em nossas vidas. Saíram perto das 23:30 horas. 

O Esli vai a Cusco e depois retorna a Lima e pega um avião para Puebla no Mexico, sua cidade natal. Ele precisa voltar e trabalhar, já está viajando por quase três meses e começa a trabalhar em maio. Daqui para frente não vamos mais nos encontrar, pois nós vamos seguir pelo litoral e não iremos mais a Cusco. Assim, como com outros amigos, desejamos que um dia nos encontremos novamente.         

  

Dia 12 - Reencontrar Preciosos Amigos

Hoje é dia de culto, e decidimos não sair para passear e todos concordaram em ficar na casa, comermos juntos, conversarmos mais e somente a noite irmos ao Culto e depois, talvez, sair novamente. 

Para o café, a Jessica fez uma deliciosa salada de frutas exóticas, provamos sucos e frutas com sabores bem diferentes. Tudo isso vai acabar no Chile, pois a variedade de frutas que se tem no Peru não encontramos quando sairmos daqui. Recebemos a visita de uma amiga da Jessica de nome também Jessica. Um amor de pessoa que compartilhou o café conosco e conversamos mais respondendo suas muitas perguntas! O Bruno preparou o almoço, um delicioso peixe com arroz, almoçamos juntos e ele foi para a Igreja, pois, como vai cantar hoje precisa chegar antes. Nós fomos mais tarde com a Jessica. Tivemos um tempo precioso com todos, na presença de Deus. O pastor falou sobre o casamento da mente e do coração, onde o conhecimento e a sabedoria precisam caminhar juntos. Depois do culto, conversamos com a Márcia Vaccari, irmã do Bruno um pouco, combinamos o almoço de amanhã, e saímos para darmos uma volta na cidade à noite. 

Entramos em um shopping que, para domingo à noite, estava lotado e foi difícil encontrar lugar para estacionar. O mais ridículo foi que entramos no estacionamento, e tivemos que pagar, e dentro do pátio tem que pagar novamente pela vaga. Esta nós nunca tínhamos visto. Fomos ao Hard Rock Café de Lima e fizemos uma refeição ali, além de bom papo com os amigos. Assim encerramos nossa noite.


Dia 13  - Reencontrar Preciosos Amigos

Acordamos e a Jessica já havia saído. O café foi por conta do Bruno. Ele disse que já tinha marcado uma reunião com o pastor para terça, pois ele nos esperava para dizermos o que achamos do culto e do louvor. Não ficamos muito confortáveis, pois não temos a intenção de nos metermos no que está acontecendo por aqui, mas se Deus quiser nos usar, então iremos sim. 

Saímos próximo ao meio dia para irmos à casa da Márcia e sua mãe. Reencontrar a Dna. Gladys foi e sempre será muito divertido. Uma senhora com seus oitenta anos e um coração jovem, alegre e cheio da sabedoria de Deus! Muito amorosa e agradável! A Márcia preparou o almoço á peruana mas sem faltar o arroz com feijão! O que foi ótimo! Reencontramos o Gustavo, também um dos irmãos do Bruno e eu comentei sobre a nossa bateria que não está carregando. Ele pediu para que eu medisse se o sinal está chegando na bateria de trás. Se não está chegando existe uma interrupção é preciso descobrir onde está. Algo para verificar ao retornar.

Saímos e retornamos a casa, o Bruno deu uma saída, pois tinha uma reunião com a Jessica e nós fomos dar uma dormida. À noite combinamos de receber o Edwin e a Raquel que são irmãos preciosos. Eles chegaram e se deram muito bem com o Bruno e a Jessica. Tomamos um café juntos e compartilhamos de muitas experiências. Tocamos e louvamos a Deus ali de uma forma muito especial. Deus se moveu no louvor e nas orações feitas juntos e no testemunho do Edwin e depois do Bruno. Um tempo que ficou marcado em nossos corações para sempre. Perto das duas da manhã eu e o Bruno fomos levar o Edwin e a Raquel para casa devido ao horário avançado e retornamos para dormir.


Dia 14

Hoje temos aquela reunião com o pastor. Deus não tem me dado direção, e estou ansioso sobre isso é preciso de muita sabedoria nesta hora. Vamos deixar isso com o Espírito Santo.

A Jessica está fora o dia todo e vamos sair para almoçar com o Bruno e uma amiga que vive na Suíça porém está por aqui passando uns dias. Saímos e comemos mais um ceviche. Mas,além de muito mais em conta, o do mercado público é mais bem servido e delicioso. Se for a Lima vá ao mercado público comer ceviche. O Melhor com certeza.

Nos despedimos e fomos ao escritório da igreja para nossa reunião. O pastor estava bem aberto e depois de uma hora de conversa, ele aceitou nossas sugestões e críticas. Saímos felizes e em paz. 

Retornamos a casa e o Bruno foi se preparar para a célula que terá hoje a noite em sua casa, enquanto nós aproveitamos para atualizar algumas coisas e arrumar tudo para partimos amanhã. Sairemos muito à contra-gosto dos anfitriões, mas tem de ser assim.

Mais tarde, tivemos um tempo de oração e louvor com as esposas e Deus mais uma vez mostrou sua face e encheu o lugar com Sua presença. Foram tempos de muita presença de Deus aqui em Lima, com certeza. Deus seja glorificado.


Dia 15 - Seguir Viagem, Retorno a Nazca

Acordamos e o Bruno já nos esperava com a Jessica para o café da manhã. Ele ainda tentou nos convencer a ficarmos mais, porém decidimos partir. Oramos após o café e nos despedimos. O trânsito na frente da sua casa já estava caótico, mas segundo eles esse horário ainda é possível sair. 

Seguimos a Jessica com seu carro indo a nossa frente, porém ela dirige como todo bom peruano, trocando de faixa e se metendo em todos os espaços possíveis. Eu tinha dito que eu não trocaria de faixa e não ficaria naquele vai e vem, pois eu sigo uma faixa e vou por ali. Não demorou duas esquinas para eu não a ver mais.  Ela riu e entendeu o recado e tentou seguir mais próximo de nós.

Lima,  nós classificamos como a pior capital que já dirigimos. Um trânsito totalmente desordenado. O Índia copiou o exemplo daqui e colocou vacas para aprimorar. Tenho quase certeza disso. Seguimos a Jessica até a saída sul e fomos para um lado e ela para outro. 

Estes dias em Lima com todas estas pessoas tão especiais, com certeza nos deixarão muitas saudades! 

Rodamos até Nasca relembrando nossa ida. Esse trecho não tem muita coisa para ver e passamos por Ica onde dormimos uma noite na laguna Huacachina, um lugar mágico, mas não entramos. E passamos por muitas outras cidades. Talvez o fato mais pitoresco foi parar para comprar umas frutas, as últimas granadillas que amamos tanto, umas uvas e romãs gigantes por um preço fantástico, direto do produtor. Nunca tínhamos visto tão grandes, mau cabia na minha mão!

Passamos mais uma vez pelas linhas de Nasca e chegamos ao hotel S.  Após nos instalarmos eu fui em busca do defeito da bateria. Mede daqui e dali, falei com o Randy pelo WhatsApp e ele disse que pode ser o relé que esta queimado. Como eu não sei medir, vou ter que aprender. Desmontei o banco do motorista e tive acesso as conexões. Todas perfeitas, o Randy fez um ótimo trabalho.

Nós comemos e fomos dormir! Amanhã vamos seguir até Camanã é preciso ver se compro um novo relê para nosso carro.


Dia 16 - Seguir pela Costa do Perú, uma Experiência linda.

A viagem daqui até Tacna, na fronteira com o Chile, será nova para nós, pois quando subimos fomos a Cusco e depois descemos para Nazca, e agora um novo trajeto.

Dizem que é muito deserto mas costeando o Pacífico e com um visual avassalador. Realmente, muito deserto de grandes dunas e chegamos novamente ao Pacífico, pequenas cidades e muitas praias desérticas com grandes faixas de areia e um visual de cinema. O dia lindo e perfeito para viajar. 

Nosso plano é chegar a Camanã hoje, e acabamos levando todo o dia para cumprir cerca de 400 km. Com muitas paradas para fotos, filmes e contemplação em muitos lugares com penhascos de dunas, com o Oceano Pacífico hora azul, hora verde quebrando forte ao nosso lado, hora perto, hora distante, pela faixa de areia. 

Em alguns momentos, parssamos por túneis cavados nas rochas e subidas e descidas que nos levavam a vales verdes com montanhas de areia e dunas. 

Novamente, onde há água, há vida. Nos vales, que seguem os rios, muita plantação de frutas e verduras no meio do nada. As fotos e filmes não conseguem retratar a emoção e a dimensão do lugar. Nesses momentos é que ficamos refletindo sobre a vida nas grandes cidades, o stress, a impaciência, a falta de cordialidade e educação, e o corre corre que não leva a lugar algum. A simplicidade do nada é muito melhor. Aquela vontade louca de ficar ali, e ao mesmo tempo sair, porque o deserto realmente parece que vai te engolir em algum momento.

Chegamos a cidade de Camanã,  depois de algumas horas estasiados de tanta beleza natural e encontramos uma cidade de balneário muito simpática e também com uma forte agricultura. Parei em diversos caixas eletrônicos porém não consegui sacar dinheiro, e então mais à frente estacionamos em frente a uma loja de reposição de peças automotivas e fui procurar um relê para comprar, para tentar substituir e ver se este é o causador da bateria não estar carregando quando dirigimos. 

Conversando com uma senhora muito simpática que me atendia, ela sugeriu conversar com o eletricista do local. Aceitei e expliquei a situação. Ele parecia entender do babado e mediu o meu relê e disse que não estava bom, não passava corrente, e trocamos por outro que o Bruno tinha me fornecido por segurança ano passado. Seguiremos assim para observar. 

Deixamos nosso carro ali e fomos ao centro procurar outro banco. Nada, nenhum banco passava nosso cartão. Já estava pensando que tínhamos ficado com o cartão bloqueado e então buscamos uma internet. A internet era muito ruim e não abria o site do banco. Então andando na rua vi um hotel com diversas bandeiras de diversos países e entre elas, uma do Brasil. Fomos até lá e eu me apresentei e disse que precisava de um acesso rápido à internet e o ciber café estava muito ruim. A menina nem nos cobrou as frustradas tentativas. A gerente do hotel foi muito simpática também e nos forneceu a senha da WIFI que usamos direto no iPad. Agora sim, cartão desbloqueado e dinheiro na mão. Ficamos com uma impressão muito boa do local. Muita gente disposta a ajudar. Bem diferente de Lima de onde viemos recentemente, onde parece que um quer engolir o outro.

Já estava escuro agora, porém tínhamos uma coordenada e seguimos mais uns 9 km até o local.O Hostel Sun Valley fica à beira da Pan-americana, porém não tínhamos noção do lugar pois já estava escuro. Bati a campainha e ninguém atendeu. Já estava disposto a parar na praia mesmo quando achei uma pessoa para nos atender. Ele foi muito duro em relação a todos os outros tratamentos que tivemos a uma hora atrás. Fiquei pensando onde está a hospitalidade para os clientes, mas tudo bem... Vamos ficar. 

Nos instalamos e ficamos quietos. Amanhã saímos cedo.


Dia 17 - Seguindo até a Fronteira.

À noite foi longa apesar de o local ser fechado e o cansaço ser grande. Esse camping fica na praia, porém muito próximo da pan-americana, e a noite toda ouvi caminhões passando. 

Levantamos e saímos, com o objetivo de chegarmos a Tacna e dependendo do horário dormir ou seguir para a fronteira com o Peru. Logo na saída da Costa uma forte subida, fomos a 2000 metros e encontramos a primeira cidade confiável para abastecer o tanque. Tanque cheio, um lanche no carro e vamos em frente porque aqui tem muito deserto e muita subida pela frente. 

O dia estava muito bom e rodamos bem. Longas retas até a entrada de Arequipa onde viramos a direita em direção a Moquequa e depois a Tacna. Aqui tem uma retas de 40, 60 km em um grande pampa no deserto do Peru, e rende muito sem vento, e foi o que aconteceu. Pé em baixo e rendimento no asfalto. Passamos pela segunda vez pela base aérea militar em meio ao deserto onde tem grandes placas de "cuidado zona de lançamento de bombas". Paramos e tiramos um foto bem ao lado com o carro. 

Mais a frente uma barreira por trabalhos na pista nos deixou parado por uma meia hora. Tempo suficiente para que eu desse um trato nos vidros que estavam imundos. Aqui na região sul do Peru, tem muitas Renault Master fazendo transporte de passageiros, e um motorista que estava logo atrás de nós veio fazer umas perguntas sobre nossa Master. 

Liberados seguimos e logo chegamos em Moquequa, e aqui um fato curioso conheceu. Neste dia estávamos com pouco dinheiro e tivemos 4 pedágios e em Moquequa foi o último. Quando viemos da região norte, sempre pagamos os pedágios  como carro "leve" inclusive depois de Lima,  e agora daqui para frente além dos pedágios serem mais carros, mais que o dobro,  querem nos cobrar como carro pesado, quase quatro vezes mais. No primeiro pedágio eu bati o pé e não paguei. Mostrei nossos recibos de carro " leve " e enquanto a atendente discutia, o bom peruano atrás metia a mão na buzina, e mais um, e mais um. Assim nos deixavam passar. Além de pagarmos um pedágio mais caro pela má qualidade da rodovia,  agora nosso carro estava em outra classificação. Não aceitamos e não pagamos e ponto final. 

Próximo pedágio, a mesma história e foi assim com os quatro. Porém no último, a atendente pediu um documento do carro e eu dei uma cópia colorida. Ela disse que não servia pois tinha que ser um documento com a tonelagem do carro. Eu disse que não tinha, e que no Brasil não existe isso. Se não tem documento, ela decide o que pesa e cobra. Não mesmo, eu disse para ela ver no carro que tem gravado, ai ela tambem não aceitou, manual, também não. Porém eu já havia dado o valor do carro leve e ela emitiu o boleto e me entregou e pediu para estacionar nos cones à frente, pois os peruanos atrás já estavam furiosos e com o seu tradicional buzinaço. E nisto ela reteve a cópia do documento. Eu segui e parei à frente e esperei alguns segundos e ninguém apareceu. Pensei, bem, eu paguei e tenho recibo, vamos embora. E seguimos deixando a cópia para trás. A Janehpensou que a polícia viria atrás de nós, mas nós tínhamos o comprovante de pagamento e todos os recibos dos outros pedágios. Então segui em paz. 

Chegamos a Tacna tranquilos e fomos almoçar, pois saímos cedo de Camanã e o dia rendeu. Próximo a praça de armas tem vários restaurantes bem baratos e entramos e pedimos um menu para cada, prato da casa ou do dia. Nisso entrou três músicos e na porta começaram a tocar, uma, duas musicas e passaram o chapéu. Dei umas moedas pois gostei do trabalho. Nisso eles saíram por uma porta do restaurante e entrou outro sozinho com seu caron e começou a cantar e tocar e veio passar o chapéu. Pensamos, sim, entra um e sai outro? Até quando isso vai, lá fora já tinha outro esperando para entrar eu acho. Comemos, pagamos e saímos. 

Como era cedo, seguimos mais 50 km até a fronteira do Peru com Chile. Fizemos nosso ato profético e  foto com a Bandeira que ganhamos da Márcia e fomos fazer os trâmites. A saída foi rápida e tranquila, preenche uns papeis aqui, entrega ali, e nosso medinho era a saída do carro se não teria problema com o sistema, pois foi aquele stress na entrada. Mas graças a Deus, deu tudo certo...

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