Retorno - Diário Estados Unidos (04/02 a 14/02/2015)

05/02/2015 21:52

Dia 04- Começo do Trajeto de Retorno (Fort Worth - Zavalla TX)

Hoje declaramos oficialmente nossa data de partida e retorno. Saímos da casa de Randy & Brenda em Fort Worth, TX e viemos para Zavalla, onde ficaremos mais uns dias para terminar de fazer o planejamento da nossa rota de volta, depois iremos a Austin, visitar o Ricardo Casas, e em seguida vamos em direção ao México. 

A partir de hoje o nosso GPS marca direção Sul... Nós pretendemos estar no Brasil até o dia 12/05/2015, completando assim 1 ano de Rodando pelas Américas. A saudade é grande e a distância também. Alguns trajetos serão os mesmos, aproveitando para rever amigos pelo caminho. Outros trajetos, como no México e Colômbia, serão novos. 

Nos despedimos da familia Mayes e pegamos a estrada em direção a Zavalla, TX. Decidimos voltar para Zavalla e lá terminar o planejamento de retorno aqui por ser um lugar tranquilo e disponível para nós! O Randy ainda decidiu que no final de semana deve vir com a família para Zavalla e vamos passar uns dois dias juntos, depois na segunda, provavelmente,seguimos para Austin.

Próximo a cidade de Rusk, na Rodovia 69, passamos por um cemitério de kombis e fuscas! Parada para fotos! É bem interessante ver um lugar desses, pois é raro ver eles veículos hoje em dia rodando por aqui! Mas eles já fizeram muito sucesso por aqui, como o Fusca Herbie, do filme da Disney, o fusca mais famoso do mundo; ou a kombi que foi considerada veículo de contra-cultura nos anos 60, e é conhecida como "Van de Hippie"!

Paramos em Lufkin no Walmart para comprar suprimento para os próximos dias! A janeh comentou que vai sentir falta do Walmart no Brasil, pois a variedade é absurda!

Fizemos uma viajem tranquila, o tempo foi ficando fechado e chuvoso e a temperatura também foi caindo. Chegamos a casa do Lago e tudo estava como deixamos! É muito bom chegar aqui!

Cansados tomamos banho, comemos e cama!


Dia 05 - Zavalla

Tivemos a grata surpresa de receber mais uma vez a visita da Lora. Conversamos sobre nosso tempo aqui e ela mostrou como foi importante para eles nossas vidas. Ficamos muito gratos a Deus pois Ele deve ser glorificado nisso. Ela disse que temos porta aberta e que,  no que depender deles,  podemos voltar quando quisermos e teremos onde ficar e como viver.  Nos despedimos e ela se foi. Com uma grande xícara de café!

Conversamos depois da saída dela, sobre como Deus faz as coisas de uma forma que, muitas vezes, não entendemos, mas que nada é por acaso! Em tudo Ele tem um propósito! E conversando com Lora, acabamos entendendo porquê acabamos ficando tanto tempo mesmo pensando que deveríamos sair...

Lora compartilhou que estava esgotada com tanta corrida e que tinha orado a Deus pedindo por um milagre e nós aparecemos e aceitamos ficar lá e limpar e cuidar da casa! Foram quase dois meses e ela disse que sabe que fomos resposta de oração! Nos pediu muito que ficássemos! Mas não podemos! Ela disse entender mas disse que nos espera! Vamos ver o que Deus nos reserva! Mas ficamos muito felizes por termos ouvido a Deus e ficado, podendo abencoar a vida deles!

 

Dia 06

Hoje ao final do a Brenda o Randy e as meninas vão chegar para passarmos o ultimo final de semana juntos. Deixamos tudo pronto  para a chegada deles e lá pelas oito da noite a Brenda ligou dizendo que estavam saindo ainda de Dallas, e deveriam chegar perto das 23hs.

Chegaram e as meninas estavam bem sonolentas e passaram direto por nós, bem diferente de quando nós chegamos na casa deles de dia com elas bem acordadas. Conversamos um pouco todos se ajeitaram e fomos dormir, todos estavam exaustos.

 

Dia 07

Eu fui o ultimo a sair da cama, mas o Randy já tinha feito o café, e saído para comprar Donuts e outras guloseimas para o café da manhã. O dia estava lindo, sol, céu azul, perfeito para brincadeiras e passeio pelo lago.

Na beira do lago tinha um pedalinho que estava longe da margem e precisava ser resgatado. O Randy arregassou as calças, tirou o tênis e entrou para buscá-lo.

Limpamos e as meninas, com o Randy, saíram para dar um passeio rápido. Foi um tempo divertido e depois trouxemos o pedalinho para a garagem da casa antes que ele vá embora com a correnteza.

O dia foi cheio de brincadeiras com as meninas, a Brenda fazendo uma fogueira, o Randy conhecendo o lugar e gastando tempo com todos. Ele também se encarregou de junto com a Janeh preparar algo para comermos.

Mas antes, eu e ele, fomos ao centro da pequena Zavalla comprar comida para os dois dias. O dia passou rápido, e a noite fizemos um gostoso cachorro quente! Após as meninas, Desi e Katie,  irem para cama, os adultos foram para o último desafio de Sequence.

O curioso foi que exatamente quando pensei no John, que está em Curitiba, porque sempre jogamos com eles, ele me enviou uma foto pelo whatsapp deles jogando com  o Rener e a Claudia em Curitiba. Foi divertido pois eu enviei a nossa foto também.

 

Dia 08

Domingo acordamos com o delicioso cheiro do breakfest preparando pelo Randy: café com ovos, bacon, biscuits e tudo o que se tem direito, um almoço praticamente! Eu novamente fui o ultimo a sair da cama, a Janeh sempre levanta mais cedo e vai ajudar no café.

Tomamo café todos juntos! Depois, ainda tivemos um tempo juntos, algumas brincadeiras, tirei várias fotos com as meninas e, após o almoço, eles partiram, deixando muita saudade, as meninas chorando, mas com a promessa de "See you late!".

 

Dia 09

A Jane colocou tudo em ordem na casa, lavou as roupas de cama de todos os quartos e eu ainda dei uma geral em tudo no carro para deixar tudo pronto para nossa saída.

A tarde, o Edi e sua filha Gracie viera deixar algumas coisas e nos despedimos também, e ele também disse que espera nos ver em breve. Ficamos muitos felizes por isso.

 

Dia 10 - Austin

Dia de ir a Austin. O coração apertado, pois tudo parece estar mais próximo agora, começa a ficar difícil escrever. O sentimento de pegar a estrada é bom, mas tenho comigo que não quero me arrepender de nada, e sabemos que podemos ficar até abril e se quiser pedir extensão, e sei lá... o Alaska nos parece tão perto, mas também tão distante! Não quero me arrepender, e esse foi o assunto na viagem de 5 horas até Austin. Não fomos a Florida e não fomos ao Alaska, uma luta interior grande. Originalmente não iríamos ao Alaska,  mas a Flórida sim. Mas o sentimento de ir a Austin e voltar é forte também. Não sabemos o que Deus nos reserva lá adiante. O tempo dos homens esta marcado no passaporte:  14/04/2015, mas cremos que este é o tempo de Deus, por isso vamos partir.

Quando chegamos a Bryan, paramos em um Daily Queen, comemos um rápido lanche e seguimos. Antes do anoitecer chegamos a Austin.

As crianças sempre são as primeiras e nos receber, e na casa do Ricardo não é diferente. Eles sempre vem nos receber. Logo estavam em cima da gente conversando e fazendo mil perguntas. Ian, Chase, Maya, Tessa e o Neil que ainda não fala, mas já estava no colo da Jane. A Laura, esposa do Ricardo, que nos recebeu pois o Ricardo ainda estava no escritório. No fundo da casa, eles tem aquelas camas elásticas gigantes e as crianças não sossegaram enquanto eu não fui pular com eles. A experiencia me fez lembrar que não tenho mais 15 anos, e meu corpo não tem tanta energia como as crianças.

O Ricardo chegou trazendo o Nick, um de seus funcionários e amigos para uma conversa e jantamos juntos. Depois o Ricardo foi ter um tempo de discipulado e nós ficamos com a Laura, somente mais tarde conversamos um pouco antes de dormir.

 

Dia 11 - Um dia de muitas Decepções (U-Haul, Shell Lube, Jymmi Lube e Concessionária Crysler na I-35)

O Ricardo, que tem uma grande casa, com o desenho bem aberto, um alto e grande mezanino, com um grande piano de concerto no meio,  acordou as 7hs e foi tocar piano para acordar o resto da casa e os visitantes, no caso, nós. Ele sempre faz isso! Continua o mesmo adolescente espevitado que conhecemos anos atrás!

Descemos, tomamos um café e ele foi para o escritório. A Janeh ficou em casa com a Laura para dar uma ajuda com as crianças e para a Laura ir ao mercado e tirar fotos com os meninos para documentos.

Eu decidi sair para tentar completar o gás e trocar o óleo do Valente antes de sair. Aí começou meu dia que pareceu dar tudo errado.

Pela manhã estou lendo a biblia e estou na parte onde Deus fala para Moises ir falar com o rei do Egito e tirar o povo da escravidão. Deus fala que não seria fácil, e que Ele endureceria o coração do Faraó e uma série de acontecimentos mais. Saí meditando nisso.

A Laura me ajudou com os endereços para fazer os dois serviços, gás e troca de óleo. Fui primeiro a empresa U-Haul, e não consegui pois o homem que me atendeu não gostava de falar espanhol e meu inglês se precisar ir além do que eu preciso ainda não está no ponto. Esse homem primeiro não quis olhar o tanque de gás, pediu para que eu tirasse tudo. Quando eu disse que iria demorar um pouco e que eu precisava tirar algumas coisas da frente ele já não gostou, largou a bomba e foi em direção ao escritório. Antes que ele alcançasse a porta eu o chamei. Ele voltou parece que mais desgostosso ainda. Olhou o botijão, que é do Brasil, e disse que meu tanque era muito velho e que eu tinha que comprar um novo.

É verdade que perto dos americanos, que é diferente do que usamos no Brasil, o nosso parece um lixo. Mas eu disse que não, que ele é assim mesmo. Bem,  ele disse que nesse tanque ele não iria mexer. Eu mostrei a válvula e disse se era a mesma e se poderia fazer o serviço, pois o tanque esta quase cheio e eu estou saindo de viagem para o Brasil e só queria completar, disse ainda que a ultima carga eu fiz no México e a válvula que instalei no México foi me dito que poderia usar nos EUA. Ele novamente guardou a bomba e disse que eu estava nos EUA e não no México, e eu que voltasse para lá e pedisse para completassem o tanque! Pura grosseria e arrogância. Virou as costas e voltou ao seu escritorio. Ali já percebi como, a cada metro que se está da fronteira do México, parece maior o preconceito com os Méxicanos. O detalhe é que eu disse que sou Brasileiro, mas pelo fato de pedir para falar em espanhol, o cara deve ter me classificado com mexicano. Eu calculei que saimos do Brasil com 90% de carga no botijão, e  chegamos em 5 meses até o México e acredito chegaria aos EUA,  e vou voltar em até quatro meses, então acredito que vai ter gás o suficiente. Nem vou mais atrás.

Após o episódio frustrado do gás, eu resolvi ir agora ver a troca do óleo, porém na ida até a empresa do gás passei por um lugar chamado Shell Lube e resolvi parar. O Ricardo tinha dito para ir no Jymmi Lube, mas resolvi parar ali na Shell. Expliquei o que queria e o homem já disse que não tinha os filtros para esse carro em estoque, e por isso teria que pesquisar. Eu disse que era do Brasil e meu carro nao tem filtros aqui nos EUA mas eu os trouxe. Ai ele disse que tudo bem e mandou eu colocar o carro na rampa, foi quando ele abriu a tampa de entrada de óleo e ficou procurando os filtros. Eu mostrei onde estavam e o mecânico embaixo do carro disse que não poderia fazer o serviço pois nao conseguiria acessar o filtro do óleo e que nao tinha chaves ou ferramentas para tirar o protetor de carter. Fecharam o capo e disseram que nao fariam. Eu disse que fiz esse serviço na Chrysler na Califórnia e então esse homem me disse, volte na Chrysler e faça com eles, você precisa de um mecânico, aqui eu só troco oleo. Okay, vi que algumas pessoas não são tão prontas a ajudar e fazer o serviço. Saí e fui em busca do Jymmi Lube. Chegando lá fui informado que eles também nao fazem o serviço em carros que não sejam "American Cars" , porém o rapaz abriu o capô do Valente e de um susto falou que estava faltando a tampa do motor onde se introduz o óleo, e quando eu olhei tudo estava com óleo por fora... mas graças a Deus a tampa estava ali em cima no canto. O Homem da Shell Lube deixou aberta a entrada de óleo do motor, fechou a tampa e eu saí dirigindo. Coisa de maluco. Então decidi procurar uma concessionaria da Chrysler na I-35. Aí sim começou o drama. Na recepção um jovem que parecia ter 15 anos, depois descobri que tem 16 anos, veio fazer o atendimento. Ele somente falava inglês, mas um senhor mexicano, tambem funcionário ali, me ajudou com a comunicação e assim consegui dizer o que precisava. Trocar o óleo 15W40 para diesel e os filtros que eu trouxe. Simples. O rapaz de 16 anos nao sabia o que fazer por ser nosso carro estrangeiro e a mesma história de sempre. Então ele chamou o chefe da oficina que muito arrogante disse que nao faziam serviço para Renault e que nao tinham peças para esse carro. Eu disse que trouxe os filtros e que o óleo até no Walmart tem. Ele então disse que tudo bem, que se fosse como na Sprinter da MB que eles atendem, tudo certo. Porém como eu sei que eles iriam ficar com duvidas, perguntei se poderia permanecer dentro do carro e acompanhar o serviço. Recebi um positivo para isso e fiquei, e me informaram que o serviço levaria cerca de 1:30h. Eu disse que tudo bem e fiquei aguardando. Após uns 30 min um mecanico veio buscar o Valente e me viu dentro do carro, eu perguntei se ele precisava de ajuda pois o carro é mecanico, e os jovens americanos estão acostumados com carros automaticos. Ele disse que não precisava de ajuda. Eu disse okay. Ele não sabia ligar, o carro, eu disse que o volante estava travado, ai ele nao sabia onde estava o freio de mão, eu mostrei, e ele nao sabia como destravar, eu mostrei. Ele então não sabia onde estava a primeira, e depois que achou nao tirou mais da primeira marcha. Okay, pensei, ele disse que sabia. Mas percebi que ele achava nosso carro um tanque de guerra antigo. Ele então entrou no galpão da oficina e deixou o carro no meio da pista. Ou seja, ninguém entrava ou saía. E eu fiquei ali esperando, até que um outro homem veio e disse, em inglês que eu nao poderia ficar ali, por causa das normas de segurança e que o meânico nao voltaria ao carro até que eu deixasse o mesmo, e blá, blá, blá... tudo bem... eu nao entendi nada e disse que não falava inglês, e que precisava que ele repetisse em espanhol. Ele então muito contrariado falou e ai sim eu pude entender. Porém eu disse a ele que provavelmente o mecânico teria dúvidas e por isso eu estava ali, disse que sairia, e se precisassem era só me chamar. E de posse do manual do carro eu mostrei a ele a quantidade de óleo do motor que é de 7,5 litros já com o filtro e onde ficam os filtros e quem são eles. Esse homem me pareceu ignorar e me levou a sala vip de espera.

Após quase 3 horas, que eram inicialmente 1:30h um jovem veio dizer que meu carro estava pronto, que eu só deveria ir até o caixa e fazer o pagamento. Eu vi que todos já estavam saindo, indo embora e estavam fechando pois já passava das 18hs. Fiz o pagamento e ainda tive que procurar meu carro pois ninguém me disse onde ele estava. Neste momento eu vi que o filtro de combustível estava em cima do painel e nao tinha sido trocado, e que o valor que paguei na Califórnia foi muito inferior do que paguei aqui no Texas. Quando fiz o mesmo serviço em Modesto CA, paguei 80 Dolares, e aqui me custou $ 140. Achei isso estranho e pedi uma explicação e além do filtro que nao foi trocado. Olhei o tipo de oleo que foi colocado e nao foi o 15w40 e sim o 5w30. Pensei, pronto, os caras fizeram o serviço errado. Levaram 3 horas e me cobraram tudo, inclusive os filtros que eu mesmo trouxe. O chefe da oficina em cima de seu pedestal de arrogância e orgulho nao vinha falar comigo e ficava de longe de braços cruzados olhando. Ele estava só olhando. Veio o mecânico, a moça do caixa, o rapaz da recepção, outro mecânico, todos tentando dar uma explicação. Todos contraditórios. A moça do caixa disse que a diferença de valor era porque na Califórnia as coisas sao mais baratas, e aqui no Texas tudo esta mais caro. Eu disse a ela que não era possível um serviço na mesma rede custar o dobro de um estado para o outro, só se tiver ouro no óleo. O mecânico disse que foi colocado 12 litros, que era o correto e que na Califórnia foi colocado apenas 8 e que o serviço foi feito errado. MENTIRA, pois o motor só cabe 7,5 litros... nunca 12. O filtro eles disseram que o carro só tem um filtro que eu estava enganado, e assim foi por uma hora. Já estava escuro, quase 19hs, agora já eram 4 horas desde a minha chegada e eu com o Filtro de combustível na mão. Até que o sr. chefe da oficina autorizou o retorno do carro. Eu mesmo manobrei e mostrei como fazer a troca com uma simples chave. Ainda tive que ensinar os senhores "sabe tudo" dos estados unidos como fazer o serviço deles.

Quando ao valor, a moça do caixa já havia saido e eu percebi que nao adiantaria mais nada hoje. Liguei para o Ricardo que falou com o pessoal em inglês e decidi ir para casa. Chegando contei toda a historia ao Ricardo e decidimos retornar no dia seguinte juntos para resolver.

Resumindo: Os americanos não gostam de falar espanhol, e ignoraram todas as minhas informações. Depois olharam no manual da Sprinter MB e fizeram os procedimentos como se fosse uma Sprinter. Quebraram a cara pois, apenas alimentaram o sistema de serviço e cobraram sem fazer o serviço direito. Faltou humildade para ouvir o cliente e eu disse tudo o que tinha que ser feito e como.

Cobraram 12 litros sendo que só foi usado 8 litros.

Com toda essa historia eu dormi muito mal, ou quase não dormi. Orei a Deus e  pedi paz ao meu coração porque realmente nao tinha paz. Pensava como um país tão legal, com tantas coisas lindas poderia conter tanto preconceito. Primeiro vimos o preconceito dos negros com os brancos. Sim, se você pensa que o racismo nos estados unidos é dos brancos para com os negros, não se enganem, pois são os negros que são os racistas. São eles que tratam mal quem não é negro. Depois o preconceito dos brancos americanos com os mexicanos. E o tratamento para com os turistas, se voce não falar a lingua deles, ou seja veio para cá e não fala inglês e ainda quer falar espanhol, eles simplesmente te ignoram. Beira ao ridiculo, mas é assim.

Não de uma forma generalizada, mas principalmente em grandes centros e grandes lojas e redes. Fui muito bem atendido e acolhido no interior, em cidades com ate 700 habitantes. Deus usou muitas pessoas para nos abençoar e ajudar, mas me senti como Moisés tendo que falar com o faraó teimoso em muitos lugares e partes do país.

 

Dia 12 - Resolver problema na Concessionária da Crysler em Austin

 A noite foi pessima para mim, mas acordei e coloquei tudo nas mãos do Senhor e ao meio dia fomos, eu e o Ricardo, para resolver o problema na Crysler. Chegando na repecção o Ricardo pediu para falar com o gerente da oficina, e aquele homem veio e me ignorou completamente. O Ricardo falou que estávamos com um problema e queríamos resolver. Ele então nos levou a um balcão longe da entrada da oficina e de vendas e ouviu nossa queixa. O Ricardo foi muito claro, mostramos o manual do carro que diz que somente vai 7,5 litros e que não é possivel eles terem colocado 12 litros. Ele argumentou e falou o que eu já sabia, que usaram os dados da Sprinter MB, mas o Ricardo falou que são diferentes, e que não estávamos ali para fazer confusão, apenas queríamos nosso dinheiro de volta. Ele então ainda juntou 12 potes vazios de óleo e nos mostrou dizendo que essa foi a quantidade de óleo que foi usada. Nós dissemos que não poderia ser. E que queríamos o nosso dinheiro de volta. Ele então foi para dentro e algum tempo depois veio e nos fez uma nova nota e devolveu a quantia de 4 litros, ou 40 dolares. Mesmo assim paguei 20 a mais do que o serviço da California. Saímos e aí sim ele estendeu a mão e me pediu desculpas e ficou por isso.

Confio em Deus, e peço que não tenham colocado óleo em excesso no carro, e que isso não gere problemas futuros. Quando ao tipo de óleo utilizado, que foi o 5w30, e não o 15w40, eu verifiquei na internet e é apenas um óleo mais fino e pode ser utilizado na ausência do outro. Pedi ao John no Brasil para entrar em contato com a Globo Renault e eles confirmaram que somente 8 litros é possível e que o 5w30 pode ser utilizado com uma kilametragem maior de 10 mil. Então ficamos mais tranquilos.

Retornamos e tudo ficou certo. Eu até dormi um pouco a tarde, pois a noite foi de ficar em claro.

Durante todo esse episodio a Janeh passou o dia com a Laura e as criança em casa ajudando no que foi preciso, pois era dia de limiar a casa e com cinco crianças esta não é uma tarefa fácil!

 

Dia 13

Hoje foi dia de fazer as últimas compras para nossa saída dos EUA. Primeiro fomos a loja da Apple fazer uma consulta pois o nosso IPad está dando um bug. Não conseguimos resolver pois parece que o problema é na configuração do teclado externo ou no aplicativo que não funciona bem. Decidimos dar outro jeito já que o problema não é da Apple.

Depois fomos ao Sam's Club para pegar algumas coisas e ao Walmart. Estamos levando comida especifica que não encontramos com facilidade em alguns países e alguma coisa em lata com duração prevista para nossa viajem. Ainda passamos na Ross mas não pegamos mais nada. O desejo é a vontade é enorme, mas realmente não precisamos de nada. Eu até pensei em levar uns relógios, perfumes, cremes, que venderíamos facilmente ou na estrada ou no Brasil por um bom preço mas pensamos que não viemos aqui para fazer comércio e desisti. Passamos na Academy ainda para mais uma olhada e a Jane pegou uma saída de praia em promoção, e foi só.

Sabemos que não precisamos de nada e ficar andando por aí nas lojas é uma tortura, mas poder comprar e não fazê-lo de forma consciente é muito bom! Lutamos com a vontade de levar muitas coisas que sabemos que não vamos encontrar fora dos Estados Unidos, mas não temos como levar e, no final, tudo acaba! 

O nosso dia passou assim, e retornamos a casa do Ricardo Casas que nos aguardava com alguns amigos para uma reunião. Eu cheguei com um pouco de dor de cabeça e fui deitar um pouco, e a Janeh ficou com o pessoal! Mais tarde eu desci para comer algo e conversei um pouco com dois brasileiros que trabalham com o Ricardo. Foi animador conversar com eles pois ativa a nossa vontade de cair na estrada novamente, amenizando a vontade de ficar que é enorme.

Decidimos que vamos sair amanhã! Mesmo lutando com a vontade de ficar, vamos sair! Depois de ajeitar tudo para o dia seguinte, fomos descansar!

 

Dia 14- Austin a Brownsville

O café da manhã com panquecas foi preparado por um amigo do Ricardo que dormiu ali com sua esposa. Estava uma delícia aquelas panquecas. Uma idéia para nossos futuros cafés da manhã.

Precisávamos fazer cópias de documentos para enfrentar as fronteiras e o Ricardo mais uma vez, sempre muito pronto a nos ajudar pegou sua impressora portátil e fez cópias para nós ali mesmo. Sentamos no chão como crianças, ligamos a impressora e toma fazer cópias que são solicitadas nas muitas fronteiras que vamos passar. Conversamos um pouco ainda e chegou a hora de partir. Estava planejado e decidido, e aprendi que tem de ser assim: planejar, pôr uma data e sair! Porque se ficar enrolando não faz nunca! Em tudo na nossa vida é assim. Quase tudo em mim dizia para fazer diferente, mas estou orando, lendo a palavra que é a lâmpada para meus pés e planejando. Creio que Deus tem nos dado e guiado no Seu tempo, e o tempo é hoje. Dúvidas, sim, ausência de paz, não, mas ainda assim é difícil discernir qual a diferença entre ausência de paz e dúvida.

Oramos em família, o Ricardo por nós e nós por eles, fissemos a última foto e saímos. Eu segurei o choro, a Jane também, mas foi nítido as lágrimas engolidas nos olhos do Ricardo. Ele ainda num último gesto de despedida e fiquem, nos deu duas latinhas e  duas garrafinhas de água! Muito amado! É claro que tomamos tudo na estrada, vamos precisar de muito mais água,  mas eu creio que ele deu o mais importante: Seu carinho, simbolizado na água, que Jesus, a Água da vida, também oferece em si, quem dEle beber nunca mais terá sede.

Partimos e ainda paramos mais uma vez no Walmart para pegar suco e uns cremes para a minha irmãzinha Sanae. Mais à frente, paramos para abastecer e aí sim, tocamos direto até Brownsville, última cidade na fronteira com o México.

Chegamos  após seis horas de viagem,  procuramos um Walmart para nossa última noite nos EUA, depois de muitas dormidas em muitos Walmarts da vida.

Ainda na estrada quando passei pelo primeiro posto de fiscalização da polícia federal quando se entra nos EUA lembrei-me do dia em que passamos ali, e quão emocionante foi. Chorei, chorei muito, segurei uma mão ao volante do Valente que nos trouxe, conduziu com destreza, coragem e participou de nossas aventuras e a outra mão segurei na mão da Janeh. Eu tenho certeza eu não sou o homem dos seus sonhos porque nem ela nem eu um dia sonhamos em estar casados com uma pessoa assim e fazer tudo o que estamos fazendo. É incrível tudo o que fizemos e vivemos nestes nove meses. Choramos juntos, fizemos silêncio juntos, não sabíamos o porquê exatamente de nosso choro, pois tem um misto de alegria, realização, saudade, de quem ficou aqui e de quem deixamos no Brasil e nos aguarda, do que vamos viver e enfrentar ainda pela frente, dos novos caminhos e novas aventuras, e da gratidão a Deus, que até aqui nos ajudo, nos guardou e nos permitiu viver tudo o que vivemos. O desejo de ficar também é imenso. Choramos por não ter ido ao Alaska, e ficamos com dúvidas se estávamos prontos para isso, afinal nunca pensamos ou planejamos ir até lá! Esta idéia surgiu aqui.  Mas podemos, pela fé, visualizar a possibilidade de voltar e ir ao Alaska um dia. Enfim, choro e mais choro o peito apertado, as pernas moles, a respiração pesada, um conjunto de sentimentos quase desconhecidos, mas que temos aprendido a viver e controlar.

Como foram muitas horas dirigindo e não tínhamos muito o que fazer, fomos dar a última volta no Walmart, agora sim a última mesmo. Comemos algo ali na praça mesmo, andamos para lá e para cá, nos despedimos e voltamos ao carro.

Dormimos cedo, pois o cansaço batia a porta.

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